Ensaios sobre Sistemas de Seleção Universitária
Sisu; Enem; sistemas de seleção; mobilidade estudantil; diversidade estudantil; evasão; conclusão.
Sistemas de seleção organizam a disputa por vagas e podem alterar como as oportunidades educacionais se distribuem entre cursos e instituições. No Brasil, com a consolidação do Sisu e a crescente utilização do Enem como critério de ingresso, o acesso passou a ser articulado de maneira mais integrada em escala nacional, ainda que com lógicas distintas no setor público e no setor privado. Nesse contexto, esta tese examina como essa coordenação do ingresso se relaciona ao perfil dos ingressantes, à mobilidade estudantil e às trajetórias de evasão e conclusão. O primeiro ensaio avalia em que medida a adoção do Sisu se associa a mudanças no perfil dos ingressantes e às trajetórias de mobilidade, evasão e conclusão nos cursos públicos presenciais, com base em dados do Censo da Educação Superior e do Sisu (2010–2023) e em estimações de diferenças-em-diferenças, em diálogo com a abordagem de Machado e Szerman (2021). Os resultados indicam redução na participação de mulheres e aumento de ingressantes por reserva de vagas, sem mudanças sistemáticas na mobilidade. Observa-se também maior evasão e menor conclusão entre ingressantes pelo Sisu, em comparação aos ingressantes pelo vestibular. No segundo ensaio, a investigação mantém a lógica, agora no ensino superior privado presencial, para examinar como a utilização da nota do Enem no ingresso se relaciona ao perfil dos estudantes e às trajetórias acadêmicas. Com os microdados do Censo da Educação Superior (2010–2023) e estimações de diferenças-em-diferenças, os resultados sugerem maior participação de mulheres e menor proporção de estudantes brancos, acompanhadas de redução na presença de jovens, de egressos do ensino médio público e de estudantes com financiamento e apoio social. Assim como no setor público, não se observam mudanças sistemáticas na mobilidade. No entanto, no privado, o padrão de trajetória difere, pois o ingresso com nota do Enem se associa a menor evasão e maior conclusão, em comparação ao ingresso pelo vestibular. O terceiro ensaio complementa os anteriores ao incorporar a dimensão do tempo até evadir ou concluir. Com microdados do Censo da Educação Superior (2012–2017), a estratégia combina escore de propensão e análise de sobrevivência para examinar universidades federais e instituições privadas. Os achados indicam que, no setor federal, ingressantes pelo Sisu e pelo Enem tendem a evadir mais cedo e a concluir mais tarde, em comparação aos ingressantes pelo vestibular. No setor privado, observa-se maior permanência entre ingressantes pelo Enem, associada a maior tempo até a conclusão, também em comparação ao vestibular. No conjunto, a tese indica que mudanças no ingresso podem se relacionar à diversidade dos ingressantes, à mobilidade e ao andamento da graduação, variando conforme o contexto institucional.