FUNDO DE FINANCIAMENTO ESTUDANTIL (FIES) COMO PROGRAMA GOVERNAMENTAL: AVALIAÇÃO DA IMPLEMENTAÇÃO NA REGIÃO DO SERIDÓ DO ESTADO DO RIO GREANDE DO NORTE.
Avaliação da Implementação. FIES. Política Pública. Região do Seridó. Financiamento da educação.
Este estudo teve como objetivo avaliar a implementação do Programa de Financiamento Estudantil (FIES) na região do Seridó, Rio Grande do Norte, a partir de uma abordagem metodológica mista que articulou análise documental, entrevistas e aplicação de questionários. A investigação centrou-se na verificação da efetividade gerencial, operacional e social do programa, considerando as percepções de beneficiários e gestores institucionais. O levantamento documental – composto por leis, decretos, portarias e relatórios oficiais – possibilitou compreender a evolução normativa e institucional do FIES ao longo de duas décadas. Os questionários aplicados a 42 beneficiários permitiram identificar o perfil socioeconômico dos participantes, bem como avaliar seu grau de satisfação e o impacto do financiamento em suas trajetórias acadêmicas e profissionais. As entrevistas com gestores de Instituições de Ensino Superior (IES) e representantes institucionais do programa complementaram a análise, evidenciando os principais desafios administrativos e financeiros enfrentados na execução local. Os resultados apontam que o FIES é eficiente no cumprimento de seu objetivo social de ampliar o acesso ao ensino superior privado, embora apresente deficiências significativas na gestão operacional e na comunicação institucional. Verificou-se que a centralização decisória, a ausência de
capacitação continuada e a fragmentação dos sistemas de informação reduzem a eficiência administrativa e comprometem a equidade territorial do programa. Constatou-se, ainda, que o FIES mantém desempenho positivo em indicadores de controle e transparência, mas carece de mecanismos sistemáticos de monitoramento de resultados e avaliação de impacto social. Os beneficiários relataram avanços em suas oportunidades de formação e empregabilidade, embora tenham destacado entraves burocráticos e dificuldades na interlocução com os agentes financeiros e o Ministério da Educação. Conclui-se que, apesar de contribuir expressivamente para a ampliação do acesso ao ensino superior, a implementação do FIES apresenta limitações de ordem burocrática, operacional e comunicacional.