TRANSIÇÕES DE REGIMES DE TURBULÊNCIA E IMPACTOS SOBRE O GRADIENTE TÉRMICO E FLUXOS SUPERFICIAIS NA CAATINGA
Camada limite noturna, Turbulência, Transição de regimes
A compreensão dos processos que regulam as trocas de escalares entre a superfície e a atmosfera, sob condições muito estáveis, permanece um dos maiores desafios da meteorologia da camada limite. Estimativas de fluxos pelo método da covariância de vórtices turbulentos frequentemente apresentam incertezas, impactando diretamente o balanço de propriedades na camada limite. Um problema adicional e fundamental no estudo da camada limite noturna é a transição de regimes de turbulência, quando, por exemplo, uma noite pode iniciar em regime fracamente estável (com forte cisalhamento e turbulência intensa) e evoluir para um regime muito estável (com fraco cisalhamento e baixa intensidade de turbulência), ou o inverso. Apesar da relevância, ainda há pouco conhecimento sobre os mecanismos que desencadeiam essas transições e sobre formas de prevê-las. Nesse contexto, identificar relações entre variáveis internas e externas, buscando padrões de comportamento, constitui um passo fundamental. Diversos estudos já apontaram a existência de conexões, como a relação entre velocidade do vento e intensidade da turbulência, ou entre velocidade do vento e saldo de radiação, mas tais análises ainda não haviam sido conduzidas no bioma Caatinga. Assim, este trabalho busca preencher essa lacuna, investigando como as transições de regime influenciam os gradientes de temperatura e os fluxos superficiais nesse ecossistema. Como resultado preliminar, a partir de um estudo de caso em duas noites com transições opostas de regime, verificou-se que a redução ou intensificação do vento promove, respectivamente, o aumento ou a diminuição do gradiente de temperatura, modulando a evolução do saldo de radiação e estabelecendo uma relação entre velocidade do vento e saldo de radiação após a transição.