Relações entre eventos climáticos extremos e suicídios: evidências nas capitais do Brasil
Mudanças climáticas, Eventos extremos, Saúde mental, Suicídio, Brasil
A intensificação da força e da ocorrência de eventos extremos climáticos, atribuída às mudanças climáticas, demonstraram afetar não apenas o meio ambiente e a economia, mas também a saúde humana, em especial a saúde mental. O estresse causado por desastres, a insegurança alimentar e hídrica e a exposição a condições climáticas adversas podem gerar quadros de ansiedade, depressão e sofrimento psíquico, e até mesmo, em situações extremas, estar associados ao suicídio. Reconhecido como um grave problema de saúde pública global, este ato contra a própria vida apresenta múltiplos determinantes sociais, culturais e ambientais, porém, no Brasil, as pesquisas ainda se concentram majoritariamente em fatores socioeconômicos e demográficos, sem explorar de forma consistente as influências do clima. O presente estudo tem como objetivo investigar as possíveis relações entre as taxas anuais de suicídio nas capitais brasileiras e variáveis ambientais associadas ao clima, com ênfase na ocorrência de eventos extremos de temperatura e precipitação. Para tanto, serão utilizadas bases de dados secundárias, abrangendo registros oficiais de mortalidade por suicídio (Atlas da Violência/IPEA e DATASUS) e séries climatológicas provenientes de produtos observacionais (INMET e índices extremos definidos pelo ETCCDMI). A análise será conduzida a partir de índices de extremos climáticos gerados pelo software RClimDex, em conjunto com métodos estatísticos, como o teste de Mann-Kendall e o teste de Sen’s Slope, empregados para identificar correlações e tendências. Essa abordagem busca fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas de prevenção e adaptação mais adequadas às vulnerabilidades regionais. Os resultados preliminares indicam tendências de aumento nos casos de suicídio, reforçando a relevância e a urgência da presente investigação.