Caracterização das propriedades microfísicas de nuvens no Brasil
Precipitação; ERA5; Nuvem
Compreender os processos microfísicos das nuvens é essencial para aprimora-se sobre o conhecimento da formação da precipitação e a ocorrência de eventos extremos, especialmente em países tropicais como o Brasil. Portanto, propõe-se investigar a variabilidade espaço-temporal no Brasil das variáveis microfísicas das nuvens: Total de Água Congelada das Nuvens (kg/m²), Total de Água Líquida das Nuvens (kg/m²), Altura da Base das Nuvens (m) e a estimativa de Precipitação Convectiva (mm/h). Diante da escassez de dados observacionais contínuos para todo território brasileiro, o uso de produtos de reanálise, em especial o ERA5, se apresenta como uma alternativa robusta, permitindo dessa forma um detalhamento mais preciso dessas variáveis. Nesta pesquisa, buscou-se inicialmente realizar uma análise espacial e temporal da precipitação convectiva e das propriedades microfísicas das nuvens para todo território brasileiro, por trimestre (DJF, MAM, JJA e SON) distribuídas entre as cinco regiões do país (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Os resultados preliminares indicaram que os trimestres (DJF) e (MAM) apresentaram os maiores valores de precipitação convectiva, notadamente sobre as regiões Norte e Centro-Oeste. Tais padrões estão associados como demostrado em literaturas anteriores à atuação ZCAS, a ZCIT e a passagens de frentes frias. As variáveis microfísicas apresentaram uma boa concordância com esses regimes, sendo registrados altos valores de TCCIW e TCCLW, onde foram observados durante os trimestres mais chuvosos, especialmente na Amazônia. Com relação ao CBH, observou-se uma variação significativa entre os trimestres, com os valores mais baixos no verão, indicada maior instabilidade e intenso teores de umidade entre os outros trimestres. Como etapa seguinte para resultados finais da tese, será aplicada a análise de cluster para identificar padrões espaciais semelhantes das propriedades microfísicas, além da análise do ciclo diurno da precipitação, da relação com eventos extremos e da detecção de tendências temporais ao longo de 17 anos de dados, utilizando a estatística do Teste de Mann-Kendall e o estimador de Tendência Sen Slop. Por fim, será proposto um modelo conceitual da estrutura vertical das nuvens para o Brasil. Os resultados esperados visam contribuir para a compreensão dos regimes convectivos e subsidiar aplicações operacionais, como previsão do tempo, segurança aeronáutica, agricultura e modelagem climática.