Memória aversiva; Extinção de memória; Freezing; Condicionamento de medo; Análise comportamental automatizada;
O medo é um estado defensivo adaptativo fundamental para a sobrevivência dos seres vivos, uma vez que permite detectar ameaças, formar memórias aversivas e ajustar o comportamento diante de estímulos potencialmente nocivos. Em roedores, uma das principais respostas observadas durante a expressão do medo é o comportamento de freezing, amplamente utilizado como marcador comportamental em protocolos de condicionamento aversivo. No entanto, apesar de sua ampla utilização, a quantificação desse comportamento ainda apresenta variações metodológicas importantes.
Neste trabalho, implementamos e validamos um protocolo de medo condicionado em ratos ao longo de cinco dias, composto por sessões de habituação, condicionamento, extinção e evocação da memória aversiva em dois contextos distintos. Inicialmente, caracterizamos a dinâmica temporal do freezing em relação ao início do estímulo condicionado aversivo (CS+), com o objetivo de definir uma janela adequada para sua quantificação. Observamos que a resposta de freezing não se eleva de forma instantânea, mas segue um perfil de aumento progressivo ao longo dos segundos subsequentes ao início do estímulo. Dessa forma, adotamos uma janela que contemplasse os maiores valores de freezing, definida pelos 10 segundos finais do estímulo e pelos 10 segundos subsequentes ao seu término.
A partir dessa definição, comparamos os níveis de freezing ao longo das cinco sessões experimentais, observando maior expressão desse comportamento no dia subsequente ao condicionamento, principalmente durante as apresentações iniciais do CS+. Além disso, observamos redução dos níveis de freezing no contexto em que o animal não foi condicionado, compatível com a formação da memória de extinção. Para auxiliar essas análises, foi desenvolvido um fluxo semiautomatizado baseado em rastreamento corporal por DeepLabCut e classificação supervisionada por Random Forest, utilizado como ferramenta de triagem para separar episódios candidatos à imobilidade e movimento.
Em conjunto, os resultados mostram que o protocolo foi eficaz em induzir diferentes etapas da memória aversiva, além de permitir uma análise mais criteriosa da resposta de freezing. Ademais, o fluxo semiautomatizado contribuiu para reduzir a carga de análise manual e padronizar a seleção de episódios comportamentais. Esses resultados oferecem uma base metodológica para estudos futuros relacionados a protocolos de medo condicionado e à quantificação do freezing em roedores.