Banca de QUALIFICAÇÃO: CHRISTIANO HENRIQUE DA SILVA MARANHAO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : CHRISTIANO HENRIQUE DA SILVA MARANHAO
DATA : 30/09/2026
HORA: 08:00
LOCAL: Presencial no auditório 01 do NEPSA II
TÍTULO:

TURISMO SEXUAL É TURISMO? A CONSTRUÇÃO DISCURSIVA E AS DISPUTAS DE SENTIDO NO BRASIL 


PALAVRAS-CHAVES:

 Turismo sexual; Análise do discurso; Epistemologias críticas; Relações de poder; Turismo crítico.


PÁGINAS: 110
RESUMO:

O turismo sexual constitui um fenômeno social complexo, cuja produção de sentidos envolve diferentes formas de conhecimento, relações de poder e modos de intervenção. Embora a literatura acadêmica, os documentos político-institucionais e as manifestações sociais apresentem diferentes interpretações e respostas ao fenômeno, permanece uma lacuna quanto à articulação sistemática desses domínios na compreensão de como o turismo sexual é construído, significado e objeto de respostas no contexto brasileiro. Diante disso, a questão-problema que direciona este projeto de tese é: como as tensões e assimetrias estabelecidas entre os domínios acadêmico, político-institucional e social, à luz das epistemologias críticas, articulam-se na produção de sentidos e discursos e nas respostas ao turismo sexual no contexto brasileiro? O objetivo geral consiste em analisar como as tensões e assimetrias estabelecidas entre os domínios acadêmico, político-institucional e social, à luz das epistemologias críticas, articulam-se na produção de sentidos, discursos e respostas ao turismo sexual no contexto brasileiro. Para isso, estabelecem-se como objetivos específicos: (a) levantar as diferentes perspectivas teórico-discursivas sobre o turismo sexual presentes na produção acadêmica internacional do campo do turismo, evidenciando as matrizes interpretativas que disputam os sentidos atribuídos ao fenômeno; (b) examinar a produção acadêmica nacional sobre o turismo sexual, identificando os discursos, enfoques e deslocamentos que marcam sua constituição como objeto de conhecimento no contexto histórico, social e político brasileiro; (c) investigar como o turismo sexual é construído discursivamente nos documentos político-institucionais brasileiros, considerando políticas públicas, legislações e documentos normativos relacionados ao fenômeno; e (d) compreender, a partir das narrativas de um painel de especialistas da sociedade civil, os sentidos produzidos no campo social sobre o turismo sexual, analisando suas articulações com os domínios acadêmico e político-institucional, evidenciando aproximações, tensões, assimetrias e seus desdobramentos no contexto nacional. A pesquisa possui caráter exploratório, abordagem qualitativa e adota como principal procedimento metodológico a análise do discurso inspirada em Michel Foucault, articulada às epistemologias críticas, em diálogo com a Teoria Decolonial, a Abordagem das Capacidades e a perspectiva do Turismo Crítico. Os resultados preliminares relativos ao domínio político-institucional, obtidos a partir da análise de documentos produzidos entre 1995 e 2025, indicam que o turismo sexual não se constitui como objeto discursivo homogêneo, mas por meio de diferentes movimentos de significação e estratégias de intervenção estatal. Foram identificadas quatro formações discursivas centrais: a primeira, associada à prevenção e à proteção da infância e da juventude diante de situações de vulnerabilidade; a segunda, à incompatibilidade entre turismo sexual e a atividade turística considerada legítima, mediante mecanismos de regulação; a terceira, ao enquadramento criminal e à repressão de redes organizadas; e a quarta, ao planejamento técnico, à produção de dados e à gestão da imagem e da sustentabilidade dos destinos. Os achados também evidenciam assimetrias na produção da autoridade discursiva, concentrada predominantemente em posições estatais, técnicas e normativas, ao mesmo tempo em que experiências e vozes dos sujeitos diretamente afetados permanecem marginalizadas. Nesse movimento, o discurso político-institucional tende a articular o turismo sexual à exploração sexual de crianças e adolescentes e a construí-lo prioritariamente como expressão de subjugação, vulnerabilidade e risco, restringindo outros modos possíveis de significação do fenômeno. Esses resultados preliminares sustentam a ampliação da análise aos domínios acadêmico e social, buscando compreender como regimes de saber, relações de poder e formas de resistência participam da constituição do turismo sexual como objeto de conhecimento e intervenção no Brasil. 


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2346233 - FRANCISCO FRANSUALDO DE AZEVEDO
Interna - 1543979 - ANDREA VIRGINIA SOUSA DANTAS
Externa à Instituição - MICHELE GALDINO CAMARA SIGNORETTI
Notícia cadastrada em: 16/09/2026 14:58
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