A NOVIDADE SOMOS NÓS MESMOS: A ESPACIALIZAÇÃO IDENTITÁRIA DO PRODUTO TURÍSTICO GASTRONÔMICO NORDESTINO BRASILEIRO
Gastronomia. Turismo. Nordeste. Identidade. Fenomenologia.
No intento de trazer a cultura gastronômica do Nordeste brasileiro em essências identitárias, até a sua transformação em um produto para uso turístico, percebida sob a ótica do binômio simbiótico turístico/gastronômico, essa tese adotou a fenomenologia como uma postura epistemológica no esforço para o deslinde do que se denominou de Produto Turístico Gastronômico Nordestino Brasileiro [PTGNB], observando, significando, desvelando e descrevendo reflexivamente esses produtos a partir de relações que o concebem ou o podem conceber. Desta feita, o objetivo geral foi espacializar a identidade do PTGNB em oferta no século XXI. Para tanto, foram delimitados os objetivos específicos: identificar os produtos gastronômicos que mais simbolizam cada estado do Nordeste brasileiro; trazer em essências os produtos turísticos gastronômicos por meio de sua estruturação em uma perspectiva tridimensional triangulada; e, desvelar como o Produto Turístico Gastronômico Nordestino Brasileiro vem sendo delineado na oferta turístico cultural da região. Trata-se, portanto, de uma pesquisa com abordagem qualitativa, com caráter descritivo e exploratório. Para tal, foram escolhidas técnicas de coleta para cada objetivo específico elencado, quais foram: pesquisa documental, pesquisa bibliográfica sistemática, observação direta reflexiva, pesquisa netnográfica e bibliométrica. Como técnicas de análise, foi usada a análise de conteúdo, apoiadas em uma reflexão triangulada e fenomenológica, com delimitação da pesquisa nos nove estados do Nordeste brasileiro: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, tratando-se, portanto, de um estudo de múltiplos casos. Os principais resultados nos nove estudos de caso que compuseram o universo da pesquisa desvelaram 45 (quarenta e cinco) produtos turísticos gastronômicos (o PGTNB), que mais se manifestaram como representativos do Nordeste brasileiro, dentro de sua relação com a oferta turística. Para tanto, emergiram: a carne de sol de Caicó, o camarão potiguar, a paçoca potiguar, o arroz de leite potiguar, a ginga com tapioca, o rubacão, a tapioca paraibana, a carne de sol de Picuí, a buchada de bode, o cuscuz paraibano, o bolo de rolo, a cartola, o bolo Sousa Leão, a tapioca pernambucana, a cultura da carne de charque, o sururu, o siri, a cocada da Massagueira, a pituzada, o chiclete de camarão, o caranguejo, a carne de sol de Sergipe, o amendoim, a mangaba, a queijadinha, o acarajé, o bobó de camarão, o caruru, o abará, o vatapá, o baião de dois, a caranguejada, o cuscuz cearense, a moqueca cearense, a rapadura cearense, o arroz Maria Isabel, a cajuína, o capote, a carne de Sol de Campo Maior, a paçoca piauiense, o arroz de cuxá, a peixada maranhense, a tiquira, o Guaraná Jesus e a juçara. Dos resultados apontados, verificou-se que o PTGNB, muito embora em alguns elementos se mostre a imagem e a semelhança do imaginário coletivo do que se tem do Nordeste, com seus produtos de resistência e subsistência como: a carne de sol (que foi o elemento que mais se repetiu dentro do memorial dos produtos turísticos gastronômicos nordestinos), a carne de charque, como os arrozes típicos nordestinos (rubacão, cuxá, baião de dois e Maria Isabel), o cuscuz e a rapadura. Por outro viés, sobressaíram muitos produtos gastronômicos neste memorial nordestino, que se estabeleceram dentro de características diferenciadas e únicas, como foram exemplos: o vatapá, o acarajé, a tiquira, a juçara, a ginga com tapioca, a queijadinha, a pituzada, o capote, a cajuína e o Guaraná Jesus. Deste modo, transpareceu um Nordeste onde mãos simples e multirraciais, com protagonismo feminino, transformaram insumos típicos da terra em produtos de fartura e opulência, de um Nordeste criativo e esperançoso.