A Rotação de Estrelas do Tipo Solar Revelada pela Missão GAIA
Rotação estelar, Sequência Principal, Análogas solares, Missão Gaia, Período de rotação.
Recentemente, a missão Gaia disponibilizou uma amostra inédita composta por 474.026 estrelas com períodos de rotação determinados a partir do catálogo GDR3, fornecendo informações homogêneas e de alta precisão para o estudo da evolução rotacional estelar em diferentes populações da Galáxia. Utilizando esses dados, esta tese investigou a distribuição dos períodos de rotação de estrelas do tipo solar, com ênfase na identificação da lacuna rotacional, na caracterização de sua bimodalidade e na análise de sua dependência com parâmetros estruturais e químicos, como temperatura efetiva, massa estelar, metalicidade e tipo espectral. A partir da construção e caracterização da amostra observacional, foram identificadas 249.426 estrelas da sequência principal, 9.438 análogas solares e 396 candidatas a gêmeas solares, além de um subconjunto composto por 12 estrelas com propriedades físicas muito próximas às do Sol. Os resultados mostraram que a distribuição dos períodos de rotação apresenta evidências robustas de bimodalidade em diferentes populações estelares, preservando a presença da lacuna rotacional mesmo após a aplicação de critérios de qualidade astrométrica. As análises realizadas indicaram que a posição da lacuna apresenta dependência predominante com propriedades estruturais das estrelas, especialmente temperatura efetiva e massa estelar, enquanto a metalicidade atua principalmente modulando a dispersão e a organização local da distribuição rotacional. Esses resultados forneceram suporte observacional às previsões teóricas propostas por Amard & Matt (2020) sobre a influência secundária da composição química na evolução angular estelar. Adicionalmente, foram realizadas comparações entre períodos de rotação observados pelas missões Gaia e TESS, bem como análises espaciais das populações solares identificadas. Foram encontradas 7.080 análogas solares e 221 candidatas a gêmeas solares distribuídas entre aproximadamente 1 e 4 kpc de distância, ampliando significativamente o volume observacional disponível para estudos de estrelas semelhantes ao Sol. Em conjunto, os resultados obtidos reforçam a importância de grandes levantamentos astronômicos para o entendimento da evolução angular estelar e consolidam a lacuna rotacional como uma importante assinatura física da desaceleração angular de estrelas do tipo solar.