O PLANO DE PROPAGANDA CONTRA O ANALFABETISMO E A CONSTITUÍÇÃO DE PARELHAS EM UM MUNICÍPIO PEDAGÓGICO (1928-1930)
Alfabetização; História da Educação; Município Pedagógico; República; Parelhas.
Neste trabalho nos propomos a analisar como o Plano de propaganda contra o Analfabetismo, projeto criado, executado e ampliado na cidade de Parelhas no final dos anos de 1920, mais precisamente entre os anos de 1928 até 1930 em que corresponde ao mandato do prefeito Florêncio Luciano, contribuiu para a constituição de Parelhas enquanto um Município Pedagógico. Esse conceito está ancorado nas discussões propostas pelo historiador da educação Justino Magalhães que junto as análises de outros teóricos utilizados nessa tese como Michel Foucault do qual aproveitamos a definição sobre as Artes de Governar nos auxiliou a refletir acercada compreensão da organização política da República. Atrelado a essa ideia inicial, convocamos também as afirmações da historiadora Clarisse Nunes a qual nos ajudou a refletir sobre a modernização da cidade pelo viés educativo, bem como do historiador Dominique Julia que nos amparou na apreensão dos elementos que constituem a cultura escolar que são: o seu espaço em específico, os cursos que são ofertados e seu corpo profissional. Todos esses teóricos conseguem dar sentido a uma análise hermenêutica de fontes e que nesta pesquisa estão distribuídas em Atas, Decretos, Leis, Relatórios de governadores e do prefeito no contexto de instalação do plano, frequências escolares, recenseamentos, planos de aulas, fotografias das turmas do plano e ofícios sugerindo a manutenção das escolas. Atrelado a isso, esse vasto acervo documental foi problematizado metodologicamente a partir de pesquisadores como Júlio Aróstegui que nos ajudou a compreender a partir da taxinomia das fontes, ou seja, por meio da sua variedade, os diálogos advindos do cruzamento de uma a documentação que nos possibilitou pensar a ocorrência de um Município Pedagógico em conjunto aos investimentos realizados na educação republicana a nível regional e, por consequência, nacional. Para além dele, recorremos ainda ao historiador Jörn Rüssen nos auxiliando na heurística, crítica e narrativa da documentação, isto é, na compreensão cuidadosa da documentação do plano. Neste sentido, a pesquisa aqui realizada conseguiu exitosos resultados uma vez que, nas leituras e análises efetivadas percebeu-se uma mudança nos aspectos urbanos da cidade de Parelhas e, principalmente em sua zona rural com a ampliação das Escolas Rudimentares nas comunidades. Além disso, percebeu-se ainda os processos de sociabilidades iniciados a partir das trocas de informações geradas a partir das fiscalizações realizadas pela Prefeitura Municipal de Parelhas, por meio das Comissões Rural, Urbana e Central contra o analfabetismo, além dos contatos realizados pelo Departamento de Educação de Natal, elementos desses que contribuíram para a constituição de Parelhas enquanto um laboratório de formação de um município pedagógico das pretensões de organização social da Primeira República