Mecanismos de crescimento de falhas e desenvolvimento de zonas de dano na região do Campo de Iracema, Bacia de Santos
Zonas de falha; conexão; evolução de rifte; interpretação sísmica; Bacia de Santos
As zonas de falha são definidas como volumes de rochas deformadas caracterizados por superfícies de deslizamento e estruturas subsidiárias em suas zonas de dano. Estudar sua arquitetura e evolução é essencial para compreender os mecanismos de deformação e o comportamento da crosta. Este estudo investiga os processos de crescimento de falhas, especialmente segmentação, interação e conexão, na região do Campo de Iracema, Bacia de Santos. A bacia tem sido interpretada como uma importante zona de transferência entre dois segmentos de rifte diacrônicos formados durante o Cretáceo Inferior, durante a fragmentação do Pangea. Esta pesquisa busca compreender as relações geométricas de falhas (i.e., rejeito e comprimento; rejeito e largura da zona de dano) e avaliar como o contexto tectônico influenciou os processos de crescimento dessas falhas. Realizamos interpretações litoestratigráficas e estruturais do volume sísmico disponível para a área, e identificamos cinco horizontes sísmicos, representando o topo das formações da seção pré-sal da região. Além disso, identificamos 1.258 falhas, predominantemente normais, muitas delas apresentando componente de cisalhamento dextral, associado a estruturas em flor, bem como falhas normais invertidas. Foram caracterizados dois conjuntos principais de falhas nas direções NW–SE/NNW–SSE e NE–SW, que compõem setores de deformação contrastantes na área de estudo. Selecionamos 51 das falhas interpretadas para análise quantitativa das relações rejeito vertical–comprimento (D–L). Os perfis de rejeito vertical mostram geometrias simétricas e assimétricas, estas últimas indicando conexão e interação de segmentos. A diminuição do rejeito vertical da fase de rifte para a pós-rifte reflete uma redução da intensidade da deformação em direção ao topo da seção. Na fase que marca a deposição da fm. Barra Inferior, as falhas crescem principalmente em comprimento, seguida por um momento de leve aumento no rejeito vertical durante deposição da fm. Barra Velha Superior. Contudo, o processo de como as falhas evoluíram e se conectaram ao longo do tempo será discutido nas próximas etapas desta pesquisa. Atividades relacionadas à caracterização da zona de dano utilizando deep learning para interpretação automática de falhas serão conduzidas nas fases subsequentes do estudo. Os resultados deste trabalho fornecerão novos insights sobre a evolução de falhas em zonas de transferência e contribuirão para uma melhor compreensão do desenvolvimento tectônico da Bacia de Santos.