Evolução cárstica epigênica e precipitação de tufas na Bacia Potiguar: controles estruturais e estratigráficos em depósitos carbonáticos continentais
Carste epigênico; Tufa calcária; Horizonte de iniciação; Reservatório carstificado; Análogo de reservatório carbonático.
Depósitos carbonáticos continentais, como as tufas, constituem arquivos paleoambientais de alta resolução. Embora suas geometrias frequentemente reflitam a paleohidrologia local, a ligação genética entre as redes subterrâneas de dissolução cárstica e a precipitação carbonática superficial permanece pouco compreendida. A presente pesquisa aborda essa dinâmica na Bacia Potiguar, Nordeste do Brasil, sob uma perspectiva multiescalar, integrando dados de sensoriamento remoto, fotogrametria com VANT, LiDAR, mapeamento de campo, petrografia e catodoluminescência (CL). O mapeamento regional revela que os depósitos de tufas são estruturalmente controlados, nucleando sobre uma rede cárstica epigênica. Esta rede é guiada pela arquitetura de fraturas e pela estratigrafia mecânica da Formação Jandaíra, com ênfase no controle exercido pelos corredores de fraturas ao longo do Vale do Rio Apodi-Mossoró. Modelos 3D de alta resolução dos sistemas de cavernas Urubu e Sicários capturam a transição do fluxo hídrico subterrâneo, estruturalmente confinado, para a descarga subaérea turbulenta. Além disso, análises petrográficas e de CL revelam que a geomorfologia local controla de forma estrita a distribuição de fácies e a heterogeneidade diagenética. O sistema de Sicários, sob condições de alta energia, apresenta uma arquitetura de depósitos em cascata preservada por cimentação meteórica precoce. Em contrapartida, o sistema de Urubu exibe um arranjo sedimentar confinado de piscinas e barragens, caracterizado pela predominância de cimentos rítmicos laminados. Os dados integrados demonstram que as tufas da Bacia Potiguar não constituem feições geomorfológicas isoladas, mas sim a expressão exocárstica terminal de um sistema regional e contínuo de circulação de fluidos, servindo como indicadores precisos de eventos de exposição subaérea. O modelo proposto estabelece uma correlação direta entre os processos de dissolução estruturalmente controlados na subsuperfície da Formação Jandaíra e a arquitetura deposicional observada nos depósitos superficiais. Desta forma, este arcabouço conceitual constitui um análogo de afloramento de alta resolução, capaz de subsidiar a modelagem da distribuição de fácies e da heterogeneidade diagenética em reservatórios carbonáticos fraturados.