CRUSTÁCEOS DECÁPODES FÓSSEIS DA FORMAÇÃO JANDAÍRA (BACIA POTIGUAR), NORDESTE DO BRASIL: CONTEXTO ESTRATIGRÁFICO, DIVERSIDADE, SIGNIFICADO PALEOAMBIENTAL E PALEOECOLÓGICO
Brachyura; Morfometria; Quelípodos; Sedimentologia
A abertura do Atlântico Sul reorganizou os ecossistemas costeiros ao longo da margem equatorial do Brasil durante o Cretáceo e promoveu a expansão de habitats marinhos rasos ocupados por diversos grupos bentônicos, incluindo crustáceos decápodes. Neste estudo, relatamos novas ocorrências de decápodes fósseis da Formação Jandaíra (Bacia Potiguar, nordeste do Brasil), com base em material coletado no afloramento de Canudos, para o qual também é apresentado um detalhado arcabouço sedimentológico e estratigráfico. Um total de 39 espécimes atribuídos a Decapoda foram analisadso, sendo a maioria representada por dáctilos isolados e outros fragmentos de quelípodes. A análise morfométrica dos espécimes mais bem preservados permitiu o reconhecimento de pelo menos cinco morfotipos, revelando variação morfológica dentro da assembleia. Essa variabilidade provavelmente reflete uma combinação de diversidade taxonômica e fatores intraespecíficos, como ontogenia, dimorfismo sexual e heteroquelia, enquanto diferenças na morfologia dos quelípodes indicam distintas estratégias tróficas. Os dados sedimentológicos e paleontológicos indicam deposição em um sistema de rampa carbonática interna, caracterizado pela alternância de condições subtidais, lagunares e peritidais, controladas por flutuações de alta frequência no nível relativo do mar. Os restos de decápodes estão associados a fácies lagunares proximais, e sua predominância como quelípodes isolados sugere exposição pré-soterramento, desarticulação, transporte e seleção. Embora a natureza fragmentária do material impeça uma identificação taxonômica refinada, esses fósseis ampliam o registro de decápodes na Bacia Potiguar e constituem a primeira ocorrência documentada do grupo na Formação Jandaíra, contribuindo para uma melhor compreensão da estrutura e dinâmica das comunidades bentônicas em sistemas carbonáticos rasos do Cretáceo Superior do Atlântico Sul equatorial.