Geomorfologia e processos atuantes no talude continental da Margem Equatorial Brasileira: análise batimétrica e modelos digitais de terreno
Cânions submarinos; Margem Equatorial Brasileira; Batimetria multifeixe
Brasileira, em frente ao litoral norte do Rio Grande do Norte, entre Areia Branca e Galinhos, a partir da integração de dados batimétricos multifeixe e modelos digitais de terreno. A área investigada mostrou um conjunto de cânions submarinos, cujas características morfológicas indicam a interação entre fatores tectônicos, sedimentares e oceanográficos. A metodologia aplicada foi desde a aquisição de dados em diferentes campanhas oceanográficas até o processamento no software CARIS HIPS and SIPS, com a geração de superfícies batimétricas em alta resolução e derivação de mapas de declividade, rugosidade e BTM. Esses produtos permitiram reconhecer feições distintas e agrupá-las em três categorias principais: cânions entalhados na plataforma, cânions restritos ao talude e cânions ramificados. Os resultados indicam que parte das incisões mais profundas pode estar relacionada a antigos vales fluviais retrabalhados, enquanto outros cânions refletem a atuação de fluxos gravitacionais e instabilidades locais. A influência tectônica, herdada da abertura do Atlântico Sul, condiciona a orientação de diversas feições, enquanto a circulação oceânica, especialmente a Corrente Norte do Brasil, atua como agente modelador, intensificando o retrabalhamento e a redistribuição sedimentar. De forma geral, este trabalho contribui para preencher lacunas existentes na caracterização de detalhe da margem equatorial brasileira, oferecendo subsídios tanto para interpretações geológicas quanto para aplicações ambientais e de gestão marinha. Ainda que em andamento, as análises já apontam para a complexidade e dinamismo dos cânions da área, reforçando a importância de investigações multidisciplinares que integrem batimetria, processos sedimentares e oceanografia física.