CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA E INTERPRETAÇÃO GEOACÚSTICA DO PLATÔ DO RIO GRANDE DO NORTE E ÁREAS ADJACENTES
Platô do Rio Grande do Norte; Morfologia submarina; Cânions submarinos; Dinâmica sedimentar
Inserido em uma área de transição entre a plataforma e o talude continental, entre as isobatas de 70 m e 3.500 m, o Platô do Rio Grande do Norte e suas drenagens adjacentes constituem o foco deste trabalho. A área de estudo, situada ao norte do município de Natal (RN), estende-se até o início da margem equatorial brasileira, e está inserida no contexto geológico da Bacia Potiguar sendo a hidrodinâmica da região influenciada pela Corrente Norte do Brasil (CNB) e pela Subcorrente Norte do Brasil (SNB). O principal objetivo desta pesquisa é caracterizar o relevo e o subfundo marinho, identificando as feições morfológicas e os processos atuantes na dinâmica sedimentar da região. Para isso, foram adquiridos e processados dados de batimetria multifeixe, intensidade de retroespalhamento acústico (backscatter) e perfis sísmicos de alta resolução, coletados durante expedição realizada em 2023 a bordo do navio hidroceanográfico Vital de Oliveira. O tratamento dos dados foi realizado nos softwares CARIS, SonarWiz e Global Mapper, permitindo a geração de modelos digitais de terreno e a interpretação sísmica detalhada. Os resultados obtidos a partir da análise dos dados hidroacústicos revelam um fundo marinho heterogêneo, com setores morfologicamente distintos. Foram identificados 23 cânions, cujas formas (em “V” e “U”), sinuosidades e declividades refletem a combinação de processos erosivos e deposicionais. Nos cânions também foram reconhecidas outras feições, como canais, depósitos de massa, cicatrizes de deslizamento, terraços e ravinas. O mapa de declividade evidencia zonas críticas de instabilidade, especialmente no setor norte, que apresenta ângulos superiores a 50° de inclinação. O mosaico de backscatter mostra contrastes na refletância do sinal acústico, indicando diferenças de rugosidade e granulometria do substrato marinho. As seções sísmicas revelam unidades sedimentares bem definidas, com padrão de empilhamento concordante em quase todo o topo do platô, o que indica sedimentação de baixa energia e relativamente contínua. Também foram identificados paleocanais soterrados e superfícies erosivas, possivelmente associadas a variações eustáticas ocorridas durante o Quaternário.