NARRATIVAS DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL, O QUE ELAS NOS FALAM? REVERBERAÇÕES NO GRUPO ESPERANÇA VIVA
Educação Musical. Educação Especial. Inclusão. Música e deficiência visual. Formação musical, humana e acadêmica.
O presente trabalho, localizado no campo da Educação Musical Especial numa perspectiva inclusiva, possui como objetivo analisar os aspectos que favorecem os processos de formação musical, acadêmica e humana dos estudantes com deficiência visual do Grupo Esperança Viva. Como objetivos específicos, pretendeu-se identificar aspectos norteadores nos processos de formação musical de estudantes com deficiência do Grupo Esperança Viva; identificar atitudes na ambiência acadêmica que favorecem uma educação musical, a partir de uma perspectiva inclusiva, no Grupo Esperança Viva; analisar vivências, percursos e narrativas que promovem uma formação acadêmica e humana dos estudantes com deficiência visual do Grupo Esperança Viva e, tendo como base as narrativas biográficas compartilhadas pelos participantes com deficiência visual do Grupo Esperança Viva, a elaboração de um e-book como produto final. Nesse sentido, tem como questão de pesquisa: em que medida as vivências e aprendizagens do Grupo Esperança Viva reverberam nas formações musical, acadêmica e humana dos estudantes com deficiência visual? Sabendo que Processo-Pessoa-Contexto é algo intrínseco e indissociável e que o olhar da deficiência perpassa o campo da cultura, compreende-se a deficiência além da lesão e impedimento, mas a partir da interação que a pessoa possui com as barreiras, e, tendo em vista questões de diversidade e identidade. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, com a escrita do trabalho caracterizando-se pelas narrativas biográficas compartilhadas. A produção de dados foi realizada por meio da roda de conversa, tendo como lócus de investigação o Grupo Esperança Viva, com 7 participantes que possuem deficiência visual do grupo. Foram realizadas 4 rodas de conversa e análise de dados foi organizada em três eixos temáticos: mudanças atitudinais e visibilidade; Grupo Esperança Viva como uma possibilidade de formação musical, e busca pelo protagonismo e reconhecimento. Os resultados evidenciam avanços na cultura da inclusão da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, mas também revelam barreiras na ambiência acadêmica que comprometem o direito fundamental à Educação de qualidade. Espera-se, com esse trabalho, possibilitar a reflexão crítica acerca da importância do olhar atento à diversidade.