A POLÍTICA DAS ÁGUAS E A INSEGURANÇA HÍDRICA NO SEMIÁRIDO: O CASO DA BARRAGEM PASSAGEM DAS TRAÍRAS (SERIDÓ POTIGUAR)
Acesso à água; infraestrutura hídrica; abastecimento rural; justiça hídrica.
O Semiárido brasileiro apresenta desafios relacionados à disponibilidade e ao acesso à água, que afetam especialmente as populações rurais. Nesse contexto, a pesquisa analisa a insegurança hídrica no entorno da Barragem Passagem das Traíras, localizada entre os municípios de São José do Seridó e Jardim do Seridó/RN, considerando as condições de quantidade, qualidade e regularidade do abastecimento nas comunidades Quixabinha, Quipauá e Barra do Rio. Como objetivo geral, busca-se analisar as condições de acesso à água pelas comunidades rurais localizadas na área de influência da Barragem Passagem das Traíras, nos municípios de São José do Seridó e Jardim do Seridó/RN, considerando os aspectos de quantidade, qualidade e regularidade. Já como objetivos específicos: i) Averiguar como as obras hídricas construídas no Semiárido, em especial a Barragem Passagem das Traíras, se relacionam com o acesso à água e com a produção da insegurança hídrica; ii) Identificar os usos múltiplos das águas da Barragem Passagem das Traíras, tendo como enfoque central a disponibilidade hídrica, considerando sua quantidade, qualidade e regularidade; iii) Investigar as fontes alternativas de obtenção de água nas comunidades e avaliar como esses mecanismos revelam desigualdades e limitações no seu acesso. A pesquisa adota abordagem qualitativa e combina revisão bibliográfica e documental, levantamento de dados quantitativos, hemeroteca temática, entrevistas semiestruturadas e mapeamento participativo. Os resultados evidenciam que a proximidade das comunidades com uma grande infraestrutura hídrica não garante segurança hídrica domiciliar, mantendo as populações dependentes de fontes alternativas, como cisternas, poços e caminhões-pipa. Esse cenário repercute na agricultura familiar e no cotidiano das famílias, especialmente na gestão da água para o consumo e para as atividades produtivas. Conclui-se que a garantia do direito à água ultrapassa a existência da infraestrutura física e envolve condições de acesso, distribuição e gestão que considerem as necessidades das populações rurais e as práticas de convivência com o Semiárido.