ALIAÇÃO DE MISTURAS MONOETANOLAMINA/ÁLCOOIS ALIFÁTICOS NA ABSORÇÃO DE CO2 EM SISTEMAS DE PÓS-COMBUSTÃO
Captura de CO₂; MEA; Solventes híbridos; Regeneração; Simulação.
A
A intensificação das emissões de dióxido de carbono (CO₂) em decorrência do uso de combustíveis fósseis tem impulsionado o desenvolvimento de tecnologias de captura e regeneração que conciliem eficiência, viabilidade econômica e sustentabilidade. A absorção química utilizando monoetanolamina (MEA) é amplamente empregada em processos industriais, porém apresenta limitações relevantes, como elevado consumo energético na etapa de regeneração, comportamento corrosivo acentuado e impactos desfavoráveis em propriedades físico-químicas da solução. Nesse contexto, o uso de solventes híbridos, a partir da adição de álcoois à MEA, surge como uma alternativa promissora para mitigar esses efeitos negativos e otimizar o desempenho global do processo de captura de CO₂. O presente trabalho teve como objetivo avaliar o impacto da adição de etanol e glicerol à MEA sobre a eficiência de captura e regeneração de CO₂, bem como sobre características físico-químicas relevantes, tais como viscosidade e comportamento corrosivo. Para isso, foi adotada uma abordagem integrada, combinando simulações computacionais e ensaios experimentais em escala de bancada. As simulações foram realizadas do software Aspen HYSYS, permitindo a análise comparativa da eficiência de regeneração, do consumo energético e da viscosidade dos diferentes sistemas de solventes. Experimentalmente, a captura de CO₂ foi conduzida em uma coluna de borbulhamento, sendo avaliados os perfis de pH ao longo do tempo e as cargas de CO₂ absorvidas por meio de titulação ácida. Adicionalmente, foram realizados ensaios de corrosão utilizando aço inoxidável AISI 316, aço inoxidável AISI 304 e aço carbono zincado, como análise gravimétrica e visual das superfícies após a exposição aos solventes. Os resultados das simulações indicaram que a adição de etanol e glicerol à MEA promoveu redução do consumo energético associado à etapa de regeneração, ainda que, em algumas condições, tenha sido observada leve diminuição da eficiência de regeneração em relação à MEA pura. Nos ensaios experimentais, os sistemas contendo MEA com etanol apresentou capacidade de absorção de CO₂ semelhante à MEA pura, enquanto o sistema contendo MEA com glicerol resultou em menores cargas absorvidas. A análise das características físico-químicas evidenciou comportamento corrosivo mais controlado nos sistemas híbridos, especialmente para os aços inoxidáveis, além de alterações na viscosidade que podem favorecer o desempenho operacional do processo. De forma geral. Os resultados demonstram que a adição de álcoois à MEA pode compensar perdas moderadas de eficiência por meio de ganhos energéticos e operacionais. Destaca-se o sistema MEA com etanol como a configuração mais promissora, conciliando desempenho de captura, menor penalidade energética na regeneração e comportamento físico-químico mais favorável, indicando potencial para aplicações futuras em processos de captura de CO₂.