Esse estudo teve como objetivo investigar o impacto cardiovascular
durante a sesta diurna entre discentes da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte (UFRN). O instrumento para coleta de dados foi
composto pela aplicação de seis formulários on-line, exames clínicos,
realização de actigrafia por pelo menos 5 dias consecutivos e
polissonografia (PSG) diurna, onde foram coletadas informações sobre
perfil autonômico cardiovascular nos diferentes estágios de vigília-cochilo
a partir de dados da PSG. As janelas foram identificadas e calculadas
para os estágios de sono N1, N2, N3 e REM. Participaram da pesquisa
15 indivíduos (7 do sexo feminino e 8 do sexo masculino), todos alunos
universitários, a maior parte estudantes de medicina (60%, n=9) e
biomedicina (13,3%, n=2), com idade média de aproximadamente 23
anos (média de 22,6±3.2), prevalentemente com Índice de Massa
Corporal (IMC) menor que 24 kg/m² (média de 23,7±4.6). Como
resultados, 93,3% (n=14) dos voluntários apresentaram qualidade do
sono ruim, 33,3% (n=5) apresentaram sonolência excessiva, além disso,
86,6% (n=13) apresentaram estresse moderado ou alto e
aproximadamente 80% (n=12) possuíam algum grau de insônia (insônia
subliminar ou moderada). Os dados actigráficos revelaram um perfil típico
de jovens universitários, com sono relativamente curto (TTS médio de
6,5±1 h), eficiência do sono moderada (83,7±9), latências para o início do
sono muito variáveis (4.6±5), o que demonstra a privação do sono
bastante frequente nesses indivíduos. Por meio da avaliação da
variabilidade da frequência cardíaca-VFC (domínio de frequência e
domínio de tempo) em vigília (antes do cochilo), foi possível identificar a
correlação positiva entre o Jet Lag Social (JLS) e LF (r: 0.54, p-valor:
0,034), indicando maior ativação simpática e estado de alerta fisiológico.
Além disso, ao comparar a VFC em vigília e durante o cochilo, foi visto
que durante o sono houve redução do SDNN (p-valor: 0,00), houve
também aumento de pNN50 (p-valor: 0,02), redução significativa nos
valores da LF (p-valor: 0,03) e elevação dos valores de HF (p-valor: 0,03).
Portanto, o conjunto dos três marcadores (SDNN, pNN50 e LF) apresenta
um padrão fisiológico típico de jovens saudáveis em condições
laboratoriais: sono com maior tônus vagal, menor variação global e queda
das oscilações lentas de LF, enquanto a vigília mantém maior
variabilidade multimodal decorrente de estímulos internos e externos. De
modo geral, o sono NREM apresenta redução do LF e a predominância
vagal refletida pelo aumento do HF. Os achados deste estudo sugerem
que o cochilo diurno favorece essa recuperação autonômica, podendo
mitigar efeitos do estresse e da privação de sono em jovens universitários.
This study aimed to investigate the cardiovascular impact during daytime
naps among students at the Federal University of Rio Grande do Norte
(UFRN). The data collection instrument consisted of six online
questionnaires, clinical examinations, actigraphy for at least 5 consecutive
days, and daytime polysomnography (PSG), where information on the
cardiovascular autonomic profile was collected in the different wake-sleep
stages from PSG data. Sleep windows were identified and calculated for
the N1, N2, N3, and REM sleep stages. Fifteen individuals (7 female and
8 male) participated in the study, all university students, mostly medical
(60%, n=9) and biomedical (13.3%, n=2) students, with an average age of
approximately 23 years (mean 22.6±3.2), predominantly with a Body Mass
Index (BMI) less than 24 kg/m² (mean 23.7±4.6). As a result, 93.3% (n=14)
of the volunteers presented poor sleep quality, 33.3% (n=5) presented
excessive sleepiness, in addition, 86.6% (n=13) presented moderate or
high stress and approximately 80% (n=12) had some degree of insomnia
(subthreshold or moderate insomnia). Actigraphic data revealed a typical
profile of young university students, with relatively short sleep duration
(mean TTS of 6.5±1 h), moderate sleep efficiency (83.7±9), and highly
variable sleep onset latencies (4.6±5), demonstrating the frequent sleep
deprivation in these individuals. Through the assessment of heart rate
variability (HRV) (frequency and time domains) during wakefulness
(before the nap), it was possible to identify a positive correlation between
Social Jet Lag (SJL) and LF (r: 0.54, p-value: 0.034), indicating greater
sympathetic activation and a state of physiological alertness. Furthermore,
when comparing HRV during wakefulness and during sleep, it was
observed that during sleep there was a reduction in SDNN (p-value: 0.00),
an increase in pNN50 (p-value: 0.02), a significant reduction in LF values
(p-value: 0.03), and an increase in HF values (p-value: 0.03). Therefore,
the combination of the three markers (SDNN, pNN50, and LF) presents a
typical physiological pattern in healthy young adults under laboratory
conditions: sleep with higher vagal tone, less overall variation, and a
decrease in slow LF oscillations, while wakefulness maintains greater
multimodal variability resulting from internal and external stimuli. In
general, studies show that LF values tend to be higher during wakefulness
and lower during NREM sleep, due to the more stable vagal predominance
during sleep. The finding of higher heart rate during sleep reinforces the
relevance of napping as an autonomic regulation strategy, capable of
mitigating the effects of stress and promoting sympathovagal balance in
young populations subjected to intense academic demands. Thus, the
data indicate that daytime napping may represent a strategy to mitigate
the negative impacts of psychosocial stress and sleep deprivation in
young university students.