Dissertações/Teses

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2016
Dissertações
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  • MARIA APARECIDA DA COSTA
  • Um Estudo das Práticas de Letramento de Técnicos e Agentes de Pesquisa na PNAD/IBGE

  • Data: 29/01/2016
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  • Em Linguística Aplicada (LA), as investigações sobre o uso da linguagem em contextos institucionais, diferentes das do domínio pedagógico, começaram a se delinear, sobretudo nas pesquisas de base etnográfica, em meados dos anos 1990. Segundo Moita Lopes (1998; 2011), constituem exemplos de tais pesquisas aquelas ambientadas em contextos profissionais como o jurídico, o da enfermagem hospitalar e o da segurança pública, assinalando o interesse acadêmico pelo modo como as pessoas agem discursivamente ao se utilizarem da leitura e da escrita em situações de trabalho. Tendo por pano de fundo o campo da LA, na acepção ora elucidada, e sua interface com os estudos de Letramento, a presente investigação se constitui de uma pesquisa descritiva, com abordagem de dados qualitativa e traços de vertente etnográfica (MOREIRA; CALEFFE, 2006; BOGDAN; BIKLEN, 2006; CANÇADO, 1994). Seu objetivo consiste em descrever as práticas de letramento em atividades censitárias desenvolvidas por Técnicos e Agentes de Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na realização da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Especificamente, busca conhecer e caracterizar as rotinas letradas atinentes ao contexto de trabalho dos referidos servidores, no sentido de contribuir para a ampliação do foco das pesquisas sobre o Letramento nesse locus em particular e, consequentemente, favorecer uma melhor compreensão de suas ocorrências linguageiras como meio de legitimação do discurso institucional inerente ao domínio censitário. Em termos de abordagem teórica, a pesquisa se baseia nos postulados dos Estudos de Letramento (STREET, 2014 [1995], 1993, 1984; HAMILTON, 2000; KLEIMAN, 1995; ROJO, 2009; OLIVEIRA, 2008; 2010) com ênfase no Letramento Laboral (PAZ, 2008), sob o viés do Interacionismo Sociodiscursivo (BRONCKART, 1999; 2006; 2008; MACHADO, 2005; GUIMARÃES et al., 2007). A partir das categorizações propostas por Hamilton (2000) acerca dos elementos visíveis e não visíveis nos eventos e práticas letradas, as descrições empreendidas têm apontado para a relevância do processo instrucional oferecido pelo IBGE aos seus servidores e também para as recorrentes ações linguageiras orientadas para o convencer, constitutivo ao fazer profissional desses participantes. Essas estratégias discursivas se fazem notar, sobretudo, no trabalho dos Agentes de Pesquisa, cujo grupo está diretamente vinculado ao contexto de vida dos informantes quando das circunstâncias de coleta nos domicílios, figurando, portanto, como porta-vozes institucionais da esfera pesquisada frente à conjuntura social.

     

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  • FRANCISCO GEONILSON CUNHA FONSECA
  • OS OPERADORES ARGUMENTATIVOS COMO ESTRATÉGIA LINGUÍSTICA E DISCURSIVA DA ARGUMENTAÇÃO NA SENTENÇA JUDICIAL

  • Data: 02/02/2016
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  • Nesta pesquisa, estudamos a argumentação na sentença judicial, cujo objetivo é identificar, descrever e explicar o funcionamento dos operadores argumentativos na orientação argumentativa do texto e do discurso construído por intermédio do texto da sentença. Apoiamos nossa pesquisa nos construtos adotados pela Análise Textual dos Discursos (Adam, 2011) e em Aristóteles (1959), Perelman e Olbrechts-Tyteca (1996), Soto (2001), Alves (2005), Capez (2008), Koch (2009; 2011), Rodrigues, Silva Neto e Passeggi (2010), Charaudeau (2012), Trubilhano e Henriques (2013), Keller e Bastos (2015) e outros. Na metodologia, adotamos o método indutivo porque nossos resultados foram obtidos a partir de premissas (ou raciocínios) particulares, baseadas na experiência passada e presente e testadas na análise empírica da argumentação em um texto escrito, para, então, dizer sobre uma lei geral que rege o fenômeno ou os efeitos dos operadores argumentativos para a orientação argumentativa do texto e do discurso. Quanto à natureza e os objetivos, nossa pesquisa caracterizou-se como qualitativa e como uma investigação explicativa e descritiva, com procedimentos técnicos de coleta documental pesquisa bibliográfica. Como corpus, foi manuseada uma sentença judicial extraída do sítio online da Justiça Federal do Rio Grande do Norte (JFRN), que é o resultado de uma ação criminal movida pelo Ministério Público Federal contra um homem acusado de contrabando de cigarros importados. Trata-se de uma sentença condenatória expedida em 10 de setembro de 2014, pelo juiz L.H.L.B, da 10ª Vara Federal, em Mossoró/RN. De forma geral, os resultados revelaram que os operadores argumentativos exerceram papeis decisivos na organização das estratégias argumentativas do texto e do discurso, orientando os coenunciadores para a conclusão desejada pelo enunciador.  Foi possível, também, concluir que a argumentação foi construída a partir de marcas linguísticas e discursivas que mostraram o ponto de vista (PdV) do enunciador, os argumentos que sustentaram esse ponto de vista e as operações de raciocínio lógico que os operadores argumentativos possibilitaram construir para mostrar que as razões que sustentaram os argumentos foram verdadeiras e, portanto, a conclusão, escolhida pelo enunciador, também foi a verdadeira.

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  • JOSÉ IRANILSON DA SILVA
  • O GÊNERO SENTENÇA JUDICIAL: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO DO PLANO DE TEXTO

  • Data: 02/02/2016
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  • Esta dissertação tem como propósito estudar o fenômeno da genericidade em sentenças judiciais, gênero textual/discursivo circunscrito ao domínio jurídico a partir da sua estrutura composicional e do seu plano de texto. A noção de gênero na abordagem da ATD está situada na transição entre o discurso e o texto e a utilizamos como um dos níveis/dimensões de análise que perpassa pela noção de plano de texto, tomando como base sua estrutura composicional. Nossa ancoragem teórica situa-se no quadro geral da Linguística Textual, e, mais especificamente, na abordagem da Análise Textual dos Discursos (ATD), enfoque desenvolvido por Adam (2011a), nas noções de gênero textual/discursivo de Marcuschi (2002, 2008), Bazerman (2005) e nas proposições para estabelecer a genericidde de Adam e Heidmann (2011b), Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010, 2012, 2014), dentre outros. A Análise Textual dos Discursos (ATD) insere-se no âmbito teórico geral da linguística textual e tem como objetivo estudar a produção co(n)textual de sentido, fundamentada na análise de textos concretos através da esquematização de determinados planos ou níveis de análise linguística. Trata-se de uma pesquisa de natureza documental sob uma perspectiva indutivo-dedutiva, de caráter qualitativo e descritivo. Investigamos um corpus de quatro sentenças judiciais de natureza criminal, coletadas do sítio do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte – Poder Judiciário, em consulta de Julgados de 1º. Grau. Em nossas análises evidenciamos que a sentença judicial possui várias potencialidades genéricas que a atravessam em seus níveis textuais e transtextuais, estabelecendo um diálogo intergenérico (ADAM; HEIDMANN, 2011b), sendo uma prática normatizada, cognitivamente e socialmente instituída, podendo conter variações, mas tendo elementos cristalizados e com uma tradicionalidade funcional que não foi eliminada com o tempo. Diante da relevância social do texto forense e, em especial, da sentença judicial na vida dos cidadãos, esperamos contribuir para as pesquisas que abordem o estudo do texto jurídico, principalmente, nos elementos de genericidade das sentenças judiciais.

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  • DIEGO MARTIN BRAVO
  • A AVALIAÇÃO DOCENTE NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DO PROFESSOR UNIVERSITÁRIO DE ESPANHOL COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA

  • Data: 16/02/2016
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  • A atividade docente tem se tornado, nos últimos tempos, conscientemente complexa devido aos múltiplos elementos intervenientes no processo educativo. Ensinar parece ser mais do que dominar o conteúdo temático de uma dada disciplina e outras dimensões tornam-se significativas na composição do exercício da atividade docente. Inserindo-se no âmbito da Linguística Aplicada, esta pesquisa discute a construção da identidade do professor universitário a partir do diálogo com seus alunos e da própria autoavaliação docente na interação com seu contexto avaliativo institucional. Os participantes são professores e alunos do curso de Letras – Licenciatura em Língua Espanhola da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Como referencial teórico consideram-se, principalmente, os conceitos de avaliação de Dias Sobrinho (2010), Ristoff (2003), Archanjo (2010), bem como os conceitos de identidade inseridos na perspectiva dos estudos socioculturais na pós-modernidade de Hall (2006), Bauman (2005) e Bajoit (2009). No que concerne a avaliação da docência são considerados os diversos fatores condicionantes do processo de avaliação do professor segundo Moreira (1988) e Garduño (2000), assim como os estudos sobre alteridade (BAKHTIN, 2003) e sobre identidade profissional (DUBAR, 2005). O objetivo da pesquisa consistiu em analisar como a avaliação docente, como olhar externo, pode contribuir para a construção identitária do professor de nível superior. Optou-se por uma abordagem qualitativa-interpretativa de métodos mistos que permitisse a análise de dados quantitativos e qualitativos. O corpus foi constituído por uma base documental, a partir dos questionários de avaliação do docente, de suas notas médias e dos comentários discentes, além de entrevistas semiestruturadas com os docentes. A análise dos dados revelou uma ampla aceitação do espaço dialógico auxiliar proposto pela instituição, como elemento favorecedor de atitudes e práticas significantes na construção identitária docente, visibilizando a reflexividade e produtividade como elementos determinantes em seu desempenho institucional como professores formadores. A pesquisa conclui que a identidade docente se constrói basicamente no diálogo permanente entre os dois grupos de atores (alunos e professores), na procura do melhoramento da qualidade das ações educativas, na compreensão das relações interpessoais e no surgimento de novos diálogos.

     

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  • MARIA BETÂNIA PEIXOTO MONTEIRO DA ROCHA
  • Na cantilena do café-com-pão: riso e tradição na obra de Bartolomeu Correia de Melo

  • Data: 17/02/2016
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  • A presente pesquisa analisa a obra fictícia do autor potiguar Bartolomeu Correia de Melo, sobretudo os contos publicados no livro Tempo de estórias (2009), tendo como categorias analíticas a tradição e o riso, discutidos respectivamente por Bornheim (1987) e Bakhtin (1999). A tradição apreendida por Melo se inscreve numa estrutura costurada por paradoxos, a dizer de uma rua feita de mão dupla. Nessa perspectiva, os valores do passado chegam aos olhos do leitor, ora como desejo de permanência, ora como matéria problematizada pelo riso. O risível se interpõe, assim, como categoria discursiva capaz de subverter e desmitificar verdades sagradas, inscrevendo-se no contexto da não oficialidade, da não seriedade e da subversão. A análise busca perceber nos contos o modo como operam o riso e a tradição, considerando suas implicações com a vida sociocultural do estado e do país. Tal investimento nos conduz à compreensão sobre como a obra de Melo integra o sistema literário nacional, conforme Candido (2013) e Chiappini (2014), na medida em que se filia a um conjunto de obras literárias brasileiras cuja dominante temática passa pela valorização de componentes regionais. Discute também a presença da tradição e da modernidade na construção da narrativa, dando destaque à figura do narrador e à aproximação com a tradição oral de contar histórias, momento em que se vale dos estudos realizados por Benjamin (1993), Rosenfeld (2009) e Adorno (2012).

     

     

     

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  • ADRIANA SZILAGYI LEÃO
  • ANALISANDO A CONSTRUÇÃO DO “TÍTULO” DE TEXTOS NA ESCRITURA EM ATO

  • Data: 19/02/2016
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  • Este trabalho analisa a construção do título de um texto por uma dupla de alunos do terceiro ano do ensino fundamental. Nesse sentido, consideramos o processo de “escritura em ato” (CALIL, 2008, 2013), preservando a cena enunciativa através da qual se visibilizam as negociações entre os escreventes e as tomadas de decisão responsáveis pela escolha do título do texto que estão escrevendo.  O produto gerado pela díade é singular na sua composição, haja vista que segue determinadas instâncias que vão desde a combinação oral do que vão escrever até à escrita do produto final – considerando aqui a segunda versão escrita, nomeada, geralmente, de “reescritura”.  O ato de intitular o texto seguiu, por assim dizer, três percursos. Ainda que interligados entre si, eles são enviados aos limites de diferentes atividades linguageiras, sejam elas: oralidade; oralidade-escritura; oralidade-escritura-escritura. Reconhecemos que a natureza processual característica da geração dos dados que analisamos foi preponderante na mobilização destas atividades, pois o título do texto negociado entre os alunos reflete três instâncias específicas: 1.  a combinação do texto; 2. a escrita da primeira versão do texto; 3. a reescrita do texto (o produto final, a segunda versão). Se, por um lado, observamos, em nossa pesquisa, que o título, embora significativamente negociado, mais do que o que viria após ele (o texto), parece ser tomado, pelos escreventes, como um elemento puramente “paratextual”, por outro lado, no processo de negociação oral ou escrita, o título mobilizou as mesmas atividades metalinguísticas e metadiscursivas (AUTHIER-REVUZ, 1990, 1998)  – marcadas por retornos feitos pelos sujeitos sobre as palavras e sobre dizeres, responsáveis pelo que poderia ou não compor esta unidade textual (o título) – visibilizadas no “corpo do texto”.   O processo escritural analisado foi registrado através de filmagem (câmera e áudio). Há, no registro da escritura em ato, um fenômeno que não podemos acessar diretamente quando nos concentramos apenas mediante o texto escrito final: a menção ou os dizeres que colocam em cena a eleição do uso das palavras, os saberes sobre o gênero textual, sobre a sintaxe e sobre o sistema ortográfico que os alunos recebem da escola (CALIL, 2013). Através da construção dialógica, estas atividades, no tempo real da enunciação, são observadas de modo exponenciado, e muitas delas, na estaticidade da produção final, restam como efeitos invisíveis (CALIL, 2008). 

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  • FRANCIELLY CÂMARA LOPES FREIRE
  • A CAUSA MATERIAL EM O OLHO DE VIDRO DO MEU AVÔ: A QUADRILOGIA DA MATÉRIA

  • Orientador : TANIA MARIA DE ARAUJO LIMA
  • Data: 19/02/2016
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  • Em O olho de vidro do meu avô, Bartolomeu Campos de Queirós dispara sua corrente mnésica a partir de um objeto que corporifica o sentido da visão e abre espaço para uma percepção sinestésica do mundo: o olho. Não o olho vivo, órgão, mas o olho objetificado, o olho de vidro. Esse objeto é dissecado em todas as suas possibilidades, partindo de sua materialidade em busca do cerne do devaneio autoral. A partir disso, analisa-se a obra sob a ótica da estética do devaneio de Gaston Bachelard, buscando uma psicologia profunda das imagens imaginadas pelo escritor. Dentro dessa psicologia profunda, busca-se as causas primeiras da imagética reunida na narrativa. Identifica-se, então, uma causa formal por trás de determinadas imagens sinestésicas e suas sensações de tato, olfato, paladar, audição e visão. Da mesma forma, desmembra-se na causa material as imagens que codificam uma psicologia profunda dos elementos fogo, terra, água e ar. Dessa maneira, procura-se compreender como a forma do olho sintetiza toda uma gama de sensibilidades psicológicas que estão além do próprio estilo do escritor, encontrando ressonância em toda a literatura. Após a descoberta da forma olho, parte-se em busca de algo ainda mais íntimo, a matéria. Para tanto, é essencial que se entenda como o olho de vidro contém, em si, reflexos da estética da matéria proposta por Bachelard. A série de imagens e construções de O olho de vidro do meu avô espelham as forças de dureza da terra, de sexualidade do fogo, de maternidade da água e de movimento do ar.

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  • LAYANA DE FATIMA BRASIL DE FREITAS CUNHA
  • UMA PAUSA ANTES DO FIM: aspectos do tempo em “A visit from the goon squad”

     

  • Data: 22/02/2016
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  • Esta pesquisa estuda o tempo como categoria literária na obra A visit from the goon squad, da escritora norte americana Jennifer Egan. A referida obra tornou-se objeto de pesquisa por trazer em sua prosa características modernas ao mesmo tempo em que dialoga com a tradição, focalizando o tempo como elemento de destaque e usando esta categoria para retratar o indivíduo e a sociedade que o cerca. Para nosso enfoque, utiliza-se principalmente a teorização sobre o tempo feita por Ricoeur (2010) e Meyerhoff (1976) para as análises literário-temporais e Bauman (2001) para pensar sobre os efeitos do tempo na vida dos personagens. Para falar sobre o objeto de estudo elencaram-se quatro temas (A narrativa entrecortada e seus saltos no tempo; Chronos e o leão; Pausas e música na narrativa e O tempo visto como entidade cruel e como redentora.) nos quais os treze capítulos da obra estão representados. O referencial teórico possibilitou perceber como a autora traz para sua obra a ideia de que o homem considera o tempo, por si só, responsável por agir de forma intimidadora ou benéfica para cada indivíduo. Também foram levadas em conta as correlações que Egan estabelece com a tradição literária ocidental através do uso da categoria tempo em sua obra e para interface entre sociedade e literatura.

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  • ALINE PATRICIA DA SILVA
  • FEMINISMO NA REDE: O [CYBER]ATIVISMO NO FACEBOOK E A CONSTRUÇÃO DISCURSIVA DE IDENTIDADES

  • Data: 25/02/2016
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  • A atual complexização das relações humanas semiotizadas nos enunciados e a popularização da interação virtual por meio das chamadas redes sociais trazem consigo a necessidade de se problematizar os novos e engenhosos meios de diálogo com o outro e com a diversidade de opiniões e de produções culturais e ideológicas nas quais questões relativas ao gênero feminino e, mais especificamente, ao conceito de maternidade estão imbricadas. Considerando a importância da luta feminista ao longo da história e o seu atual destaque em fóruns, blogs e sites de redes sociais, nosso trabalho analisa postagens veiculadas em duas páginas da rede social facebook autointituladas feministas (Moça, você é machista e Não aguento quando), identificando vozes sociais sobre a temática da maternidade e problematizando identidades discursivamente construídas sobre ela. Para desenvolvimento da pesquisa, ancoramo-nos nas Proposições do Círculo de Bakhtin e nos pressupostos da Linguística Aplicada (MOITA LOPES, 2006; 2009), campo de pesquisa que se apresenta “calcado na lógica das multiplicidades” (SIGNORINI, 1998) e busca responder às demandas das Ciências Sociais e das práticas discursivas em constante reinvenção. Ancoramo-nos, ainda, em estudos acerca do movimento feminista, que surgiu no ano de 1848 e se desenvolveu, em todas as suas vertentes, pautado pelo redimensionamento da(s) identidade(s) feminina(s) nas diversas esferas de atividade humana, como discutido em BADINTER (1985), PISCITELLI (1997; 2001)  BUTLER (2003), PINTO (2010), PINTO & BADAN (2012) e LIMA & DE GRANDE (2013).    Diante da inviabilidade da defesa de modelos ou de um “padrão” de ser mulher na contemporaneidade, consideramos a diversidade constitutiva do movimento feminista com base também nos estudos sócio-culturais de BAUMAN (2001), CANCLINI (1997) e CASTELLS (1999; 2005; 2013). Adotamos como abordagem metodológica a pesquisa de caráter qualitativo-interpretativista e tomamos como base o modelo sócio-histórico da linguagem, entendendo esta como uma prática discursiva. Ao levar em consideração as relações sociais nas quais os enunciados em análise foram  produzidos,  concluímos que o mundo social  (in)determina, interfere, representa, interpenetra e até  reformula essa linguagem que materializa resistências, rupturas e, principalmente, o empoderamento da mulher na sociedade.

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  • ERICA POLIANA NUNES DE SOUZA CUNHA
  • PARA TORNAR-SE AUTOR:  PROPOSTAS DE ESCRITA DOS LIVROS DIDÁTICOS DE LÍNGUA PORTUGUESA DO ENSINO MÉDIO

     

  • Data: 25/02/2016
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  • A ideia já foi inventada. A história já foi contada. As palavras já foram ditas. Na contemporaneidade, tudo, aparentemente, sobre tudo já foi dito, pois nenhum discurso é adâmico. Na era do copiar e colar e em que se tem mais, asseveradamente, embates acerca da ética do não plagiar, discutir o que é produzir enunciados autorais faz-se primordial. Essas inquietações, nesta pesquisa, são levadas para o cronotopo da sala de aula, precisamente para os livros didáticos de Língua Portuguesa, que são vistos como orientadores dos conteúdos e da prática de ensino de Língua Materna (ANTUNES, 2003; BUZEN, 2005; CORACINI, 1999). Diante disso, essa pesquisa visa a analisar como se dá as propostas de escrita do livro didático, a fim de observar a criação de situações/enunciações propícias para a construção de um dizer autoral. Foram selecionadas, para tanto, duas coleções de livros didáticos destinadas aos alunos da 1ª série do Ensino Médio. Os livros adotados estão entre os mais solicitados nacionalmente e receberam críticas positivas do Programa do Livro Didático (Edital 2012). Para atingir tal objetivo, o estudo realizado baseia-se numa perspectiva qualitativo-interpretativista e de orientação metológica advinda da Linguística Aplicada; a base teórico-metodológica da Análise Dialógica dos Discursos (GERALDI, 2012; FARACO, 2009). A perspectiva teórica advém dos postulados do Círculo de Bakhtin no que concerne às concepções de linguagem dialógica, de enunciado concreto e de autoria. Os dados totais construídos se configuram em duas categorias. A primeira com propostas de produção textual que prezam por uma autoria em perspectiva dialógica, as quais buscam criar situações de escrita que atendem a uma necessidade discursiva, são direcionadas e apontam os aspectos de composição do gênero. A segunda, com propostas em que se encena uma autoria em perspectiva monológica, quando não se especifica o gênero textual ou quando não constroem uma enunciação em que o discente não exercita uma relação volitivo-emocional com tal situação. De modo genérico, as duas coleções apresentam zelo em relação a simular situações de escrita reais, que podem propiciar, assim, a produção, pelos discentes, de enunciados concretos, que valorizam a reescrita e o excedente de visão para o acabamento dos enunciados produzidos. 

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  • EDSON MOISÉS DE ARAÚJO SILVA
  • MURILO RUBIÃO E A POÉTICA DO ESTRANHO: AS FRONTEIRAS DO DISCURSO FANTÁSTICO E ENGAJAMENTO NA ESCRITA DO ABSURDO

  • Orientador : ANDREY PEREIRA DE OLIVEIRA
  • Data: 26/02/2016
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  • A literatura, enquanto representação social, possui várias vias de criação. Dentre elas, destacamos a literatura fantástica que se distancia da lógica da realidade para evidenciar as contradições da sociedade moderna. Até mesmo a literatura classificada como realista, em certos casos, também faz concessões aos procedimentos fantásticos para questionar as relações humanas. Nesse sentido, esta dissertação analisou os contos “A cidade”, “Bárbara”, “O ex-mágico da Taverna Minhota” e “Botão-de-rosa”, do escritor mineiro Murilo Rubião. Nos contos de Rubião, identificamos a presença do efeito de estranhamento provocado pelo contato com o absurdo, mas este procedimento tem aliança às arbitrariedades presentes em contos que tratam de temáticas como a reificação do ser humano, o consumismo desenfreado e formas de censura e autoritarismo. Como mímese da sociedade moderna, Rubião escreve críticas sociais de modo incansável e norteado por uma constante reescritura das narrativas, tendo sua obra reunida em 33 contos. Para a análise, apresentamos uma crítica integrativa entre literatura e sociedade, respaldada na análise do modo fantástico nas narrativas selecionadas. Para tanto, tivemos o suporte teórico de Chiampi (2008), Paes (1985), Todorov (1992), García e Batalha (2012) e Roas (2014) para a discussão sobre discurso. Aliado a essas noções, propusemos a integração crítica ao pensamento acerca da assimilação mercadológica sofrida pelo indivíduo na modernidade (DEBORD, 1997). Em síntese, tivemos como maior interesse a verificação do uso intencional dos procedimentos fantásticos para a denúncia de cenas e práticas autoritárias na realidade social.

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  • JORGE ANDRÉS KOCIUBCZYK JABLONSKI JÚNIOR
  • A PRESENÇA DOS MITOS NOS LIVROS DIDÁTICOS DO ENSINO FUNDAMENTAL

  • Data: 26/02/2016
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  • Este trabalho tem como objetivo geral analisar a presença dos "mitos", como marcas da "cultura popular" (e do folclore) em uma coleção didática de ensino de língua portuguesa bem avaliada pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Para tanto, orientamo-nos a partir dos objetivos específicos em destaque: a) catalogar os mitos presentes na coleção didática; b) comparar as diferentes versões ou a recorrência do mesmo mito nos LD, analisando o que nelas se preserva e o que é obliterado, quando comparado às recolhas do folclorista Câmara Cascudo (2000, 2001, 2002, 2006), nome reconhecido no estudo sobre a cultura popular; c) analisar quais gêneros textuais reativam os mitos nos LD ou se o "mito", enquanto texto, constitui, por si só, um gênero textual, ao lado, dos “contos etiológicos” ou “lendas”; d) analisar que tipo de trabalho com a linguagem (oralidade e escrita) a coleção didática privilegia ao manejar com o mito, seja como "conteúdo temático" ou “gênero textual”. Nossas análises iniciais demonstram que parece haver um conflito entre aquilo que é da ordem da oralidade e o que seria da "literatura oral" nos livros didáticos, objetos de nossa pesquisa. Do mesmo modo, o trabalho com textos cuja temática é, de modo geral, a cultura popular mantém uma forte relação com a leitura e “escuta”, estando aí o trabalho com a produção textual negligenciado. Embora a escrita esteja presente, ela vem apenas a serviço de demandas sobre o texto lido, cujas respostas encontram-se no próprio texto, como “descrever o personagem do texto”, por exemplo. Em nossas análises, observamos que a coleção didática, embora contemple às exigências do Programa Nacional do Livro Didático (PNDL) e dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) quando orientam sobre a presença de conteúdos temáticos relacionados à cultura de um povo, não toma este conteúdo temático para desenvolver um trabalho linguístico mais significativo. Comparando a presença de textos ligados à cultura oral com outros de natureza diversa, na mesma coleção didática, percebemos que aqueles textos não podem ser reescritos, criados ou reinventados pelos alunos. Estaríamos em contato com textos que apenas podem ser circulados e não escritos ou reescritos pelos alunos – quando muito, por escritores consagrados? – Ao considerar este impasse entre circular, repetir – para que se guarde uma memória de uma cultura – e produzir, buscamos, através da análise tridimensional de Fairclough (1989; 1997; 2001) mostrar que incidem sobre o produto “livro didático” um discurso dissonante sobre quais textos fazem parte da literatura oral e como se deveria trabalhar a oralidade e a escrita na aula de língua portuguesa. Se, por um lado, muitas pesquisas já se concentraram na relação livro didático/produção textual, ainda não lemos, na literatura, significativos trabalhos que apresentam como problemática uma certa imprecisão entre o que seria da ordem da literatura oral e do trabalho com a “oralidade” em sala de aula.

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  • JULIANNE PEREIRA DOS SANTOS
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    O USO DOS MARCADORES DE RESPONSABILIDADE ENUNCIATIVA EM REDAÇÕES DO VESTIBULAR UFRN 2013


     

  • Data: 26/02/2016
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  • Esta pesquisa, ancorada na Análise Textual dos Discursos, abordagem proposta por Jean-Michel Adam (2011[2008]) com o objetivo de pensar o texto e o discurso em novas categorias, focaliza a categoria chamada Responsabilidade Enunciativa, que corresponde às “vozes” do texto, à sua polifonia, à assunção ou não dos enunciados proferidos. Nesse sentido, estabelecemos como objetivos identificar, descrever, analisar e interpretar redações produzidas (artigos de opinião) por candidatos ao vestibular da UFRN 2013 no que diz respeito à Responsabilidade Enunciativa. Desse modo, procuramos responder à seguinte questão: como se caracteriza a Responsabilidade Enunciativa em artigos de opinião produzidos por alunos em processo seletivo de vestibular? A partir dessa pergunta central, observamos se o aluno assume a responsabilidade pelo que enuncia, se faz remissões a outra(s) fonte(s) do saber, que marcas linguísticas nos levam a identificar diferentes vozes nos enunciados e quais os  pontos de vista [PDV] explicitados pelos candidatos. Além da Análise Textual dos Discursos, embasamo-nos também em pressupostos de outros teóricos que se debruçam sobre o estudo das vozes, a exemplo de Rabatel (2005, 2009, 2010), Authier-Revuz (2004) e Rodrigues (2010). Os resultados apontam, em decorrência do gênero solicitado na proposta de redação, uma maior tendência do candidato a assumir a responsabilidade enunciativa, usando a mediação epistêmica apenas para reforçar seu posicionamento, como um recurso polifônico conhecido como argumento de autoridade.

     

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  • BRUNA RAFAELLE DE JESUS LOPES
  • LA CIUDAD Y LOS PERROS: O ADESTRAMENTO DO SUJEITO NA INSTITUIÇÃO MILITAR

  • Data: 29/02/2016
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  • RESUMO

    Este estudo tem por corpus a obra literária La ciudad y los Perros, publicada em 1963, do autor peruano Mario Vargas Llosa. A narrativa traz o cotidiano dos cadetes do Colégio Militar Leoncio Prado, colégio que não existe somente na ficção, mas é referência em Lima, Peru, instituição da qual Vargas Llosa foi aluno. O foco da análise consiste em como a literatura aborda a formação do sujeito nas instituições militares, levando em consideração as relações de poder que conduzem o funcionamento do colégio, visto que há dois códigos norteadores, o dos alunos e o da própria instituição, ambos machistas. Para tanto, pautamos nossa pesquisa nos postulados de Foucault, já que o teórico se debruça sobre o poder, a disciplina e os corpos dóceis, conceitos de extrema importância para este estudo. Bakhtin também fomenta nosso trabalho no que se refere à construção das personagens, assim como na análise sobre a polifonia - conceito desenvolvido pelo teórico russo e que auxiliam na interpretação da obra de Llosa. Outro teórico que embasa esta pesquisa é Antonio Candido. A dissertação fundamenta-se no que ele define como crítica integrativa ou dialética, em que os elementos sociais estão inseridos na obra como um elemento estético intrínseco a ela. Sendo assim, o estudo aqui desenvolvido traz uma análise a partir da abordagem da crítica literária sócio-histórica.

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  • CHARLYENE SANTOS DE SOUZA
  • FIOS CRUZADOS: MODERNIDADE E IRONIA NA POÉTICA DE JORGE FERNANDES

  • Data: 29/02/2016
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  • Esta pesquisa realiza uma leitura do Livro de Poemas de Jorge Fernandes, obra do poeta norte-rio-grandense Jorge Fernandes (1887-1953), publicado na segunda década do século XX. Nosso objetivo é observar como as categorias da modernidade e da ironia se inscrevem, via representação ficcional, na obra em análise. Desse modo, a partir do entendimento da crítica integrativa (CANDIDO, 1976), que articula literatura e sociedade, investigamos as figurações da modernidade e suas implicações na poesia desse poeta, observando de que modo a ironia se inscreve como um expediente de linguagem capaz de problematizar a ordem social e cultural do contexto em que o autor e sua obra estão inseridos. Para tanto, tomamos as reflexões de Costa Lima (2003) e Merquior (1997) acerca das representações sociais na sociedade e na lírica; as noções de Berman (1986), Benjamin (1994; 2000) e de Habermas (2002) sobre a modernidade e suas implicações; e o pensamento de Kierkegaard (2003) e de Brait (2008), os quais discutem a ironia como conceito e enquanto discurso polifônico. A investigação da poesia de Jorge Fernandes, por meio do viés apresentado, revela uma lírica cujo teor social se caracteriza pela crítica à civilização moderna, identificada, muitas vezes, por meio de um discurso irônico, o qual sugere uma tensão nos seus versos desse poeta.

     

     

     

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  • DEZWITH ALVES DE BARROS
  • A identidade (con)fundida: relação entre sujeito e sociedade no romance Lorde, de João Gilberto Noll

  • Orientador : ANDREY PEREIRA DE OLIVEIRA
  • Data: 29/02/2016
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  • A obra de João Gilberto Noll é caracterizada por traços recorrentes bastante singulares. De um lado, as quebras com determinados padrões usuais a formulações retórico-discursivas (pessoa, gênero, número, tempo, modo, grau etc., afora a peculiaridade dos enredos); de outro, o fato de seus personagens-protagonistas não possuírem pontos de fixação ou de referência minimamente precisos (nome, profissão, descrição física, laços familiares e afetivos, residência fixa etc.). Em conjunto, estes fatores geram enorme ambiguidade, a ponto de, não raro, um personagem não só se confundir com outro, mas, literalmente, fundir-se com o outro. Diante destas características, esta pesquisa se apresenta como um estudo dos procedimentos por meio dos quais essa confusão identitária se instaura e se dissemina no romance Lorde (2004), de João Gilberto Noll, analisando seus efeitos sobre a articulação de seu personagem-protagonista. Junto a esta análise, os resultados obtidos são discutidos levando em conta sua possível motivação social, concebendo-a como um processo imanente à composição do texto. Para tanto, a discussão será fomentada teoricamente, principalmente, a partir de conceitos oriundos do que se denominaria aqui como a filosofia da não-identidade – conforme postulada por Theodor Adorno (1982); (1985); (2008); (2009) e desenvolvida por seus interlocutores contemporâneos. Para auxiliar no entendimento da relação entre obra literária e sociedade, são considerados os trabalhos de Antonio Candido (1980) e de Theodor Adorno (2003). Além disso, para melhor compreender os processos repressores da sexualidade sofridos pelo personagem do romance analisado, também são utilizados conceitos oriundos da psicanálise de Sigmund Freud (2010a); (2010b); (2010c). Assim sendo, a escolha de Lorde como objeto de análise deste trabalho justifica-se na medida em que os traços típicos à escrita de Noll, que resvalam em invariável e inevitável confusão identitária, são como que radicalizados no referido romance.

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  • FRANCISCO LEILSON DA SILVA
  • ENTRE CALÍOPE E CLIO: OS GÊNEROS DISCURSIVOS ORAIS EM LIVROS DIDÁTICOS DE PORTUGUÊS E DE HISTÓRIA DO NONO ANO

  • Data: 29/02/2016
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  • Este trabalho analisa a presença dos gêneros discursivos orais em quatro livros didáticos do nono ano do Ensino Fundamental, assim subdivididos: dois livros de Língua Portuguesa e dois de História. Realiza a investigação a partir da análise do texto escrito, com o objetivo de identificar como os referidos manuais tratam a oralidade em sua função de indicadora de atividades em sala de aula. Para conduzir a reflexão sobre o trabalho com esses gêneros discursivos orais e como evidenciam a presença da fala como objeto de aprendizagem, fundamentamo-nos nos seguintes autores: Bakhtin (2011), Vieira (2007) e Dolz, Scheneuwly, Pietro, Zahnd,  (2011). Com base nesses estudos, constatamos que a presença da oralidade no livro didático ainda apresenta limitações. Porém, já identificamos avanços em comparação a um passado não muito distante em que a oralidade estava condenada ao ostracismo ou apenas citada como uma possibilidade de realização do texto por meio da fala. Entendemos que passados mais de quinze anos da publicação dos Parâmetros Curriculares de Língua Portuguesa (1998), os livros didáticos de Língua Portuguesa iniciam um trabalho com atividades que estimulam o diálogo e promovem oportunidades de reflexão sobre o uso de estratégias que orientam e potencializam a habilidade oral no ensino dos gêneros (formais e informais), a fim de promover uma interação que passe pela escuta e pela fala do outro. De forma latente, os livros de História apresentam uma leve transformação especificando os gêneros discursivos orais. Em algumas atividades, tenta preparar o aluno e, assim, corrobora para o nosso entendimento de que ensinar a ler, a escrever ea  falar é dever de todas as áreas, tendo como resultado uma aprendizagem mais efetiva da oralidade por meio de uma relação dialógica do processo de organização e produção dos gêneros discursivos orais.


     [MC1]da mesma coleção?

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  • JEANY ARAÚJO MENDES DA SILVA
  • O PROCESSO DE ESTRUTURAÇÃO INTERNA DE SEGMENTOS TÓPICOS MÍNIMOS EM AULAS PARA O ENSINO MÉDIO

  • Orientador : MARISE ADRIANA MAMEDE GALVAO
  • Data: 29/02/2016
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  • Esta dissertação insere-se no âmbito da Gramática Textual-Interativa ou Perspectiva Textual-Interativa (JUBRAN; KOCH, 2006), que constitui uma vertente da Linguística Textual. A pesquisa tem como propósito investigar a estruturação dos Segmentos Tópicos Mínimos em aulas para o ensino médio, bem como descrever esse processo. A unidade de análise tomada para a consecução desses objetivos é o tópico discursivo, uma vez que essa categoria permite operar no recorte de segmentos tópicos como também dos segmentos tópicos mínimos. Do ponto de vista metodológico, o trabalho adotou o método empírico-indutivo de análise, a partir de uma abordagem qualitativa. Partindo da proposta de investigar como ocorre o processo de estruturação interna de SegTs mínimos (PENHAVEL, 2010) em aulas expositivas (SILVA, 2008), coletamos dados correspondentes a aulas de Biologia, de Geografia, de História e de Português, em uma escola de Ensino Médio da rede pública do estado de Pernambuco. Nessa direção, para realizar uma análise mais detalhada dos segmentos tópicos, selecionamos uma das aulas para análise, por considerarmos que é representativa do evento, dentro de um conjunto de aulas.  Finalmente, como as análises evidenciaram, o processo de estruturação interna dos Segmentos tópicos mínimos, particularmente da aula expositiva manifestou-se no texto por meio do encadeamento das unidades denominadas: Esquematização inicial, Problema (questão), Explicação (resposta), Ratificação-avaliação (ADAM, 2008, p.245).

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  • LINDNEIDE DANNYELLE MARIA LUZZIARA ARAÚJO DE MELO MEDEIROS
  • LETRAMENTO E TRABALHO: UM ESTUDO SOBRE PRÁTICAS DE LETRAMENTO

    DE PROFISSIONAIS DA SAÚDE EM CURSO DE FORMAÇÃO PARA A MATERNIDADE

  • Data: 29/02/2016
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  • As práticas de letramento se materializam através de textos escritos que refletem a maneira que fazemos uso da escrita, estabelecidas em eventos de letramento, sejam eles implementados na escola ou em outros espaços responsáveis também pela formação humana. Desse modo, os Estudos do Letramento conquistaram espaços de visibilidade nos últimos anos por abordarem temáticas voltadas para o uso real da linguagem nas mais diversas situações de interação. Diante disso, tomamos como objeto de pesquisa as práticas de letramento promovidos pelos profissionais ministrastes de aulas que constituem o currículo do curso de formação para a maternidade, destinado a mulheres grávidas assistidas pelo Centro de Referência e Assistência Social – CRAS. Nesses termos, adotamos como principal objetivo analisar as práticas de letramento efetivadas pela equipe de profissionais que ministra o referido curso, a partir do que propõem as categorias propostas por Hamilton (2000), as quais compreendem: participantesdomínioartefatos e atividades. A investigação proposta situa-se no âmbito da Línguística Aplicada por estabelecer foco na inteligibilidade de questões sociais que compreendem o uso da linguagem (MOITA LOPES, 2006). Teoricamente, ancoramo-nos nos postulados teóricos dos Estudos de Letramento, especialmente dos apresentados por Hamilton (2000); Heart (1993); Street (1995); Barton (1993); Oliveira (2010) que concebem o letramento como prática social. No âmbito do letramento laboral, apoiamo-nos nos estudos de Paz (2008) e no que diz respeito à teoria dos Gêneros, elegemos como fundamentos os aportes oferecidos por Bakhtin (1997). Sobre agencia humana tomamos como aportes os pressupostos de Bandura (2001). Em termos metodológicos, a investigação assume uma abordagem de dados qualitativa, com traços de base etnográfica (BOGDAN & BIKLEN, 1994; ERICKSON, 1986; CHIZZOTTI, 2006). O corpus da pesquisa foi gerado a partir de observação participante, de entrevistas semiestruturadas, de questionários constituídos por perguntas abertas e fechadas e de rodas de conversas. Colaboraram com a pesquisa, os profissionais que ministram as aulas do curso e as gestantes que participaram da formação. As análises apontam para uma significativa contribuição das práticas de letramento promovidas pela equipe de profissionais ministrantes no que se refere à formação para a maternidade, tanto no que diz respeito aos cuidados a serem tomados no âmbito da saúde física e psicológica no decorrer do período gestacional, quanto após o parto, inclusive durante as fases iniciais do desenvolvimento do bebê. Os conteúdos abordados no curso auxiliaram as mulheres grávidas a entenderem e enfrentarem as alterações emocionais e corporais que a gestação acarreta. O trabalho desenvolvido pelos ministrantes reflete o letramento para o trabalho que abrange a construção de artefatos materiais para subsidiar sua atividade laboral e, ainda favorece a constituição de uma postura agentiva tanto pelos profissionais como também pelas. A relevância desta pesquisa reside nos subsídios fornecidos para expansão de questões referentes aos estudos da linguagem como prática social, com foco no letramento em esferas laborais e ainda no fato de abordar temática pouco contemplada pelas publicações contemporâneas que versam sobre os Estudos de Letramento.

     

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  • LISANE MARIÁDNE MELO DE PAIVA
  • O Sertão (r)existe: a peleja entre o real e a invenção

  • Data: 29/02/2016
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  • As poesias de Patativa do Assaré publicadas em seu primeiro livro, Inspiração Nordestina, inspiram o desenvolvimento desta pesquisa, tendo em vista que por meio delas o estudo propõe leituras acerca da complexidade da representação do Sertão no discurso do poeta. A análise é norteada pela observação de que tal espaço foi cantado por Patativa com profunda fidedignidade ao seu olhar sobre ele, sem necessariamente possibilitar a construção de retratos similares ao que é considerado como “real”, ou ao que foi cristalizado pelo discurso hegemônico. O estudo, ainda nesse sentido, interpreta as diversas tensões sobre o signo Sertão expostas na lira patativana, sugerindo-as como elementos constituintes de uma poética em estado de fronteira. Para tanto, a pesquisa apoiou-se, especialmente, nas delimitações de Silviano Santiago (2000) sobre o conceito de entre-lugar, nos estudos sobre a tradição desenvolvidos por Octávio Paz (1984) e Amadou Hampaté Bâ (1982), bem como nos olhares sobre campo e cidade / sertão e metrópoles de Raymond Williams (1989) e Durval Muniz (2011). Adentramos o discurso de Patativa partindo da compreensão da sua construção enquanto sujeito, embrenhando-nos no Sertão cantado por ele como também naquele que entra em diálogo com o dito pelo outro e, por fim, equilibramo-nos no meio da peleja desse Sertão que existe e resiste.

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  • MICHEL LIMA FONTOURA
  • Práticas de escrita no curso de Ciências e Tecnologia

  • Data: 29/02/2016
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  • Esta pesquisa de cunho qualitativo e de vertente interpretativista analisa atividades de escrita de textos da ordem do argumentar, desenvolvidas na disciplina “Práticas de Leitura e Escrita II” (PLE-II) por graduandos do Bacharelado em Ciências e Tecnologia (BCT) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Sustentada pelo aporte teórico advindo da concepção dialógica de língua(gem) (BAKHTIN [1952-1953] 2011; [1929] 2009); dos estudos de letramento (KLEIMAN, 1995; STREET [1995] 2014); da pedagogia de projetos (KILPATRICK, 1972); e do modo de fazer pesquisa adotado pela Linguística Aplicada (MOITA LOPES, 2006, 2009), esta investigação procura compreender como as atividades de escrita se configuram em um projeto de letramento (KLEIMAN, 2000) bem como as implicações disso para o processo de ensino-aprendizagem da modalidade escrita da língua, especificamente quanto aos gêneros discursivos: debate regrado, carta argumentativa e artigo de opinião. Para tanto, buscou--se mapear uma visão orgânica dos aspectos que compõem o que se denominou “prática de escrita”. Com isso, analisou-se, por exemplo, a ressignificação de saberes e de papéis sociais (professor, monitor, aluno e agentes externos), no ambiente universitário em foco, viabilizada pelo desenvolvimento de um projeto de letramento entendido como modelo didático (TINOCO, 2008). Os dados foram gerados ao longo de segundo semestre de 2014, por meio da escrita de artigos de opinião relacionados à questão do voto consciente; da escrita de cartas argumentativas destinadas aos candidatos à sucessão de reitorado da UFRN, ocorrida naquele semestre; e do registro em fotografias de um debate regrado, realizado na Escola de Ciências e Tecnologia (ECT) com os candidatos ao referido pleito. Além desses artefatos, também se constituem como corpus desta pesquisa transcrições de entrevistas semiestruturadas com alunos e monitores de PLE II acerca da visão que os entrevistados têm a respeito do ensino da escrita vivenciado na mencionada disciplina. A análise dos eventos de letramento (HEATH, 1999) perceptíveis no contexto em questão e das práticas de letramento (STREET, 1999) deles depreensíveis possibilitou um tratamento mais acurado de algumas peças de escrita, tais como os artigos de opinião e as cartas argumentativas. Por meio dessas peças, os participantes do projeto de letramento realizaram tarefas específicas para a consecução de um propósito que desencadeou ações de cidadania, mediadas pela escrita e relacionadas ao ato de votar. A análise dos dados gerados aponta para o caráter socialmente relevante que perpassa as atividades de escrita em PLE-II, dadas as suas implicações que vão além da obtenção de nota e possível aprovação na disciplina, pois são potencialmente modificadoras da postura dos participantes frente ao exercício da escrita, tendo em vista ações de cidadania tanto dentro quanto fora da universidade.

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  • MILENA DE MACÊDO BARBOSA NASCIMENTO
  • Práticas de letramento informacional de bibliotecários em formação

  • Data: 13/05/2016
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  • Nas últimas décadas, o acesso à informação está cada vez mais sendo ampliado, sobretudo com o advento das tecnologias digitais e sociais. Porém, o grande desafio está em reconhecer e saber utilizar a informação adequada de maneira que venha a atender as necessidades informacionais dos sujeitos. Neste cenário, vislumbrando o Bibliotecário como profissional da informação responsável pela mediação do conhecimento dos sujeitos, procuramos conhecer como os estudantes de Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte têm usado a informação em seu cotidiano. Dessa maneira nosso objetivo geral é compreender como se estabelecem as práticas e os eventos de letramentos realizados pelos estudantes em formação ao se prepararem para o exercício profissional. Com vistas a atender nosso propósito, buscamos: (i) descrever as atividades práticas de letramento informacional utilizada pelos discentes na busca de novos conhecimentos; (ii) salientar os processos reflexivos dos discentes ao fazer uso de novas informações; (iii) explicitar como os estudantes em formação tem aplicado o conhecimento técnico adquirido em sala nas práticas sociais relacionadas ao fazer profissional. Para embasarmos nossa pesquisa, fundamentamos nos Estudos de Letramento (BARTON; HAMILTON, 1993, 1998, 2000; KLEIMAN, 1995; STREET, 1984; OLIVEIRA, 2008, 2010), discutidas no presente trabalho enquanto práticas sociais que se inserem nos diversos domínios sociais (OLIVEIRA, 2010; KLEIMAN, 2008; ROJO, 2009). A análise do letramento informacional terá como suporte teórico os trabalhos de Belluzzo (2002), Hatschbach (2002), Campello (2003), Dudziak (2003), Gasque (2010, 2011). Com a análise dos dados, consideramos que: (i) as atividades usadas para buscar e usar a informação são múltiplas, realizadas em contextos sociais, acadêmicos e tecnológicos, porém percebe-se uma superficialidade em relação ao uso de fontes técnicas e científicas inerentes ao exercício acadêmico e profissional dos futuros bibliotecários; (ii) eles têm consciência crítica e reflexiva quando ao uso das informações e (iii) relataram terem tido raras oportunidades de praticar as técnicas biblioteconômicas gerando assim insegurança no agir profissional.

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  • BEATRIZ DE LUCENA MOREIRA
  • A CONSTRUÇÃO TEMPORAL [XTEMP + (EM) + QUE + O] NO PORTUGUÊS BRASILEIRO

  • Data: 16/05/2016
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  • Neste trabalho, focalizo a construção temporal [XTEMP + (EM) + QUE + O], em seus aspectos formais e funcionais. Objetivo analisar aspectos estruturais, semântico-cognitivos e pragmáticos envolvidos em seu uso. Em termos metodológicos, esta pesquisa envolve tanto o viés quantitativo - relacionado à verificação da frequência de uso da construção em foco e sua descrição - como o qualitativo, que diz respeito ao estabelecimento das motivações implicadas no uso dessa construção. O banco de dados utilizado para análise consiste de exemplares escritos do corpus mínimo do Projeto Para a História do Português Brasileiro (PHPB) e de textos escritos e falados do português contemporâneo, coletados no Corpus Discurso & Gramática. O trabalho fundamenta-se no aporte teórico da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU), conforme caracterizada por Furtado da Cunhas, Bispo e Silva (2013). Ademais, agrego contribuições da Gramática de Construções, conforme Croft (2001), Goldberg (2006) e Traugott e Trousdale (2013). Os resultados mostram, dentre outros aspectos, que a construção temporal investigada licencia dois padrões subesquemáticos (distintos pela presença ou não de preposição em antes de que), os quais apresentam especificidades semântico-cognitivas e pragmáticas, estando seu uso correlacionado ao gênero textual e à modalidade de língua em que foram produzidos. Esses dois subesquemas convivem, pelo menos, desde o século XIX, e parecem representar formas em competição, revelando um caso de mudança construcional. Também parece haver um processo de construcionalização no interior da construção em estudo, envolvendo estruturas menores, no caso [XTEMP] e [EM QUE], que passam a constituir um novo pareamento forma-função [XTEMP + QUE], o qual funciona como conector oracional.

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  • MILA THAYNA SUASSUNA FERNANDES
  • EMMA BOVARY - ENTRE LIVROS E ROMANCES

  • Orientador : KATIA AILY FRANCO DE CAMARGO
  • Data: 01/07/2016
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  • O presente trabalho busca estudar o romance Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert, mais especificamente a personagem-título, Emma Bovary, e seus hábitos de leitura. O foco da análise consiste em observar como a leitura de romances contribuiu para a formação e o desenvolvimento da concepção de mundo e do imaginário da protagonista, no que concerne a busca pela felicidade no amor e no casamento.

    O século XIX consolidou o romance moderno enquanto gênero, e logo, este recebeu a função de servir como fonte de entretenimento. Porém, não muito tempo após seu surgimento, o romance se transformou em uma importante ferramenta para instruir acerca da moral e dos bons costumes, imprimindo, inclusive, algum traço de refinamento nas sociedades. A leitura de romances passou a ser um dos principais passatempos entre as mulheres desse período, sendo, também, o principal meio de instrução para elas, mesmo que nem todos os tipos de textos fossem recomendados às leitoras.

    Tendo em vista essas questões, consideramos relevante verificar em que nível a educação literária de Emma Bovary é determinante na formação de seu caráter e de sua personalidade, pois ao longo da narrativa, nos deparamos com alguns textos/autores lidos pela protagonista, portanto, julgamos valioso observar o material de leitura com o qual a personagem se instrui e como eles se relacionam com suas ações.

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  • ELIZABETH NASCIMENTO DE LIMA
  • A CONSTRUÇÃO DO ETHOS INSTITUCIONAL DA PREFEITURA MUNICIPAL DO NATAL EM PROPAGANDAS: Uma relação entre a imagem de si e os atributos reais do locutor

  • Orientador : CELLINA RODRIGUES MUNIZ
  • Data: 20/07/2016
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  • Nesse estudo, nos propomos a investigar de que maneira se processa a construção do ethos institucional da Prefeitura Municipal do Natal em propagandas institucionais. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e interpretativa e segue as orientações da Análise do Discurso (AD), considerando, portanto, o compromisso com a Linguística Aplicada. Para tanto, tomaremos como corpus as propagandas institucionais da Prefeitura Municipal de Natal veiculados na televisão nos últimos seis meses do mandato da prefeita Micarla de Sousa, iniciado em 2009 e encerrado em 2012, e as notícias e reportagens veiculadas nesse mesmo período. Selecionaremos dez propagandas de um grupo de vinte veiculadas no período determinado. A análise será realizada em três instâncias: a primeira linguística, na qual analisaremos o uso dos demarcadores de pessoalidade para descrever a subjetividade; a segunda instância enunciativa de cenografia, na qual analisaremos como a interação imagem-palavra e a configuração do estilo das propagandas contribuem para a construção do ethos da Prefeitura Municipal de Natal, e a terceira, em que serão analisados os atributos “reais” do locutor, através de notícias e reportagens veiculadas no mesmo período. Recorreremos, especialmente, a Amossy (2005), Maingueneau (2002; 2010; 2011; 2012) e Charaudeau (2006) para a definição de ethos e ainda a outros pesquisadores da AD, os quais nos concedem reflexões significativas para a nossa análise como Brandão (1996), Orlandi (1999; 2001), Pêcheux (1990), Mussalim (2004) e Possenti (2005; 2009). 

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  • AURÉLIA BENTO ALEXANDRE
  • O ECLIPSE DA EXISTÊNCIA: FIGURAÇÕES DA VELHICE EM CONTOS DE MOREIRA CAMPOS

  • Data: 21/07/2016
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  • Esta pesquisa analisa de que forma ocorre a construção de um discurso sobre a velhice na prosa de Moreira Campos (1914- 1994). Para isso, partimos dos contos: “As velhas”, “A antiga fada”, “Os fantasmas”, “O grande medo” e “Os pesados lagartos” inseridos na obra O puxador de terço (1969). Em nossa investigação, observamos especificamente a representação da velhice e se a voz que constrói essa representação pertence ao narrador, que, ante o processo de esvaziamento discursivo imposto à velhice, assume esse discurso. Nas narrativas de Moreira Campos, as personagens idosas encontram-se representadas como pessoas solitárias que travam verdadeira batalha, às vezes, com elas próprias, para manter-se em diálogo com o mundo circundante, seja o familiar, seja o social, e é sobre esse aspecto que pretendemos nos deter. É válido ressaltar ainda que este trabalho também compreende o contexto social no qual a obra se insere, promovendo diálogos entre ambos a fim de evidenciar de que forma a vida social e histórica se configuram nos contos. Em função disso, o isolamento das personagens será compreendido na sua dimensão histórica e social. Para discutir e estabelecer relações do texto literário com a realidade social, buscamos apoio no método de estudo de Candido (1967), presente no livro Literatura e sociedade. No que concerne à discussão acerca da modernidade manifesta neste estudo, contamos com a contribuição de Berman (2007), inserida em Tudo que é sólido desmancha no ar. As discussões sobre velhice têm como aporte teórico o pensamento de Beauvoir (1990), Secco (1994) e Bosi (1994).

     

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  • BETHANIA LIMA SILVA
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    Memórias: as cicatrizes do tempo

  • Data: 25/07/2016
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  • O trabalho Memórias: as cicatrizes do tempo propõe-se a analisar de forma comparativa os livros São Bernardo, de Graciliano Ramos (1892 - 1953) e  Dias e noites de amor e de guerra, de Eduardo Galeano (1940 – 2015). Através dessas obras específicas, memórias e histórias que refletem os modos de viver e perceber o mundo demonstram que a América Latina parece estar vivendo uma mesma experiência literária, ao longo do século XX. O reflexo da obra de Graciliano Ramos, em muitos aspectos, parece ser o mesmo que sobressai da obra de Galeano nas histórias que conta através de seu jornalismo literário e memorialista. A história que foi vivida e sofrida e que aparece contada nos livros também está na memória do povo. Esse encadear de memória e realidade é o que motiva a comparação entre os livros, uma vez que entre os dois autores ocorre uma relação que ultrapassa as questões relativas à distinção de gênero literário: assim, vemos que, por um lado,  a “realidade” diversificada da América Latina que Eduardo Galeano apresenta em seu “jornalismo” parece ser o terreno amplo que  produz  a “literatura” de Graciliano, como se fosse sua raiz. Por outro lado, na “literatura” de Graciliano, como produto estético efetivamente anterior ao de Galeano, o pequeno mundo nordestino, fechado por sua rigorosa “construção ficcional”, ressoa o sentido de uma semente, a partir da qual o autor uruguaio retratará  a triste floração da “realidade” latino-americana. O respaldo teórico vai ser referendado pela literatura comparada, pela estética social e histórica através das obras de Antonio Candido, pelos aspectos memorialísticos ressaltados pelas marcas do tempo em Ecléa Bosi e pelos acontecimentos sócio-históricos apontados por Márcio Seligmann-Silva.

     

     

     

     

     

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  • RODRIGO LUIZ SILVA PESSOA
    • DE CAPITU AO ALIEN: AS RELAÇÕES DIALÓGICAS ENTRE “DOM CASMURRO” E “DOM CASMURRO OS DISCOS VOADORES”
  • Data: 26/07/2016
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  • A indústria de um gênero emergente conhecido como “mashup” vem aumentando do final da década de 80 até os dias atuais. Iniciando-se na esfera da informática, o gênero foi expandido também para outras esferas, inclusive a literária, através a reescrita de clássicos da literatura mundial, como “Orgulho e preconceito”, de Jane Austen, que foi reescrito com o título “Orgulho e preconceito e os zumbis” no qual o autor Seth Grahame Smith escreve a obra em uma suposta parceira com a escritora inglesa, falecida no ano de 1817. Com o crescimento dessa indústria, inclusive com a reescrita de clássicos da literatura brasileira, esse trabalho pretende analisar, sob a ótica da análise do discurso bakhtiniana, as relações dialógicas que se apresentam entre a Obra Literária Socialmente Valorizada (OLSV) e a Narrativa do mashup (NM), explicitando como é feita a construção do enunciado reescrito em diálogo constante com o original. Para tal, foram escolhidas as obras “Dom Casmurro”, clássico da literatura brasileira, da autoria de Machado de Assis, e “Dom Casmurro e os discos voadores”, obra revisitada pelo autor Lúcio Manfredi, que, assim como Seth Grahame, também inclui o nome de Machado de Assis na capa da sua obra. Durante a análise do corpus, a carnavalização e a hibridização bakhtinianas mostraram-se presentes na comparação das obras, atestando que a narrativa mashup traz de maneira bastante intensa o elemente trash para a obra, além de promover alterações no enredo e em alguns personagens para adaptar à narrativa a essa nova ambientação. Tratando-se de uma pesquisa inserida na Linguística Aplicada (LA), ela tem um caráter qualitativo-interpretativista, de base sócio-histórica.

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  • MARIA CLEIDIMAR FERNANDES DE BRITO
  • Escola e Família: Práticas de letramento, vivências e memórias

  • Data: 27/07/2016
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  • Políticas públicas e pesquisas em letramento familiar, em vários países desenvolvidos, são uma realidade desde a década de 90 que, dentre outros objetivos, visam engajar a família na escola e melhorar o desempenho educacional da criança. No Brasil, a relevância desta relação vem sendo discutida ao longo de décadas, primeiro com os precursores da escola nova, na década de 30, e com maior fervor após o advento dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), lançado em 15 de outubro de 1997 e, mais recente, com estudos embrionários em letramento familiar. Entretanto, a ausência de políticas públicas nessa perspectiva é latente. Cientes desta realidade, propusemo-nos, por meio desta pesquisa, debater e, sobretudo, promover um espaço de engajamento da família no espaço escolar por meio de práticas e eventos de letramento familiar. Nesta perspectiva, procuramos (i) envolver as famílias em práticas e eventos de letramento familiar no ambiente escolar, valorizando suas memórias de leitura, produções textuais e reflexões; (ii) investigaro hábito de leitura e de escrita no cotidiano das famílias; (iii) avaliar os eventos de letramento familiar na escola, atentando para as resistências e os impactos na relação família-escola. Do ponto de vista teórico, fomos guiados pelo prisma dos estudos de letramento (inserir os teóricos entre parêntese, caixa alta, data e ponto e vírgula entre eles), em específico, no que concerne ao letramento familiar (acrescentar os teóricos entre parêntese, caixa alta, data e ponto e vírgula entre eles) e aos projetos de letramento [familiar] (inserir os teóricos entre parêntese, caixa alta, data e ponto e vírgula entre eles). E do ponto de vista metodológico, nossa pesquisa se insere no campo da Linguística Aplicada, primando pela abordagem qualitativa (inserir os teóricos entre parêntese, caixa alta, data e ponto e vírgula entre eles), de vertente etnográfica crítica (inserir os teóricos entre parêntese, caixa alta, data e ponto e vírgula entre eles).  Com base nos dados analisados, pudemos perceber que: (i) os projetos de letramento familiar possibilitam, por meio dos eventos do letramento de familiar, o engajamento da família e estabelece um espaço aberto para o debate, a construção e troca de saberes; (ii) que as famílias se utilizam das leitura e da escrita de acordo com as demandas sociais da escrita; (iii) logo, descontruímos o mito de que as famílias das camadas populares nunca ou quase nunca leem ou escreve e tampouco se  interessam pela vida escolar da criança. Contudo, o fortalecimento desta relação perpassa, necessariamente, pelo envolvimento político e pedagógico da escola, e que os projetos de letramento familiar são caminhos possíveis para o envolvimento e fortalecimento da relação família-escola, de forma, reflexiva, compartilha e cooperativa.

    Palavras-chave: Letramento familiar. Projetos de letramento. Práticas e eventos de letramento familiar; engajamento e reflexão crítica entre família e escola.

     

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  • MARTA HELENA FEITOSA SILVA
  • LETRAMENTO LABORAL PARA EGRESSAS DO CURSO DE CUIDADORAS DE IDOSOS DO PROGRAMA MULHERES MIL

  • Orientador : ANA MARIA DE OLIVEIRA PAZ
  • Data: 27/07/2016
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  • Esta dissertação emerge de uma reflexão acerca da necessidade de possibilitar às mulheres participantes dos cursos profissionalizantes do Programa Mulheres Mil, oferecido pelo Governo Federal a partir de 2007, um conhecimento das práticas letradas próprias do mundo do trabalho para o qual estão sendo preparadas. Para o cumprimento dessa meta, foi desenvolvida uma experiência piloto – o Curso de Letramento para Cuidadoras de Idosos –, realizado entre o final de outubro e o início de novembro de 2014, no Campus Natal Central do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). O curso foi projetado com a finalidade de possibilitar às mulheres egressas do Curso de Cuidadoras de Idosos do Programa Mulheres Mil, ofertado pela referida instituição, o contato com gêneros discursivos “para conquistar o trabalho” e “para usar no trabalho”. Buscou-se, através do curso, aperfeiçoar sua capacitação e ajudá-las a inserirem-se no mercado de trabalho, sendo este, então, o objetivo geral da pesquisa: possibilitar que as alunas egressas do curso sejam letradas para a profissão para a qual decidiram se qualificar, bem como para o mundo do trabalho de modo geral. Partindo desse objetivo maior, formulam-se os objetivos específicos deste trabalho: 1) Refletir sobre de que forma os gêneros discursivos selecionados para o curso podem contribuir para melhorar o desempenho profissional das mulheres participantes; 2) Contribuir para que, através do curso de letramento, as aprendizas se percebam cidadãs habilitadas a desempenhar seu papel social, cumprindo eficazmente seus deveres e exigindo os direitos que lhes cabem. O curso de letramento foi organizado através de sequências didáticas, utilizando-se como aporte teórico os estudos de Noverraz, Dolz e Shenewly (2004). O objeto de estudo da pesquisa são as aulas do curso, e os dados gerados nas aulas compõem o corpus desta dissertação, em que foi adotado o viés metodológico da pesquisa-ação (THIOLLENT, 1986), de vertente etnográfica. A pesquisa insere-se, portanto, no campo da Linguística Aplicada, na área de letramento laboral. As discussões sobre letramento partem do modelo ideológico defendido por Street (2014), em sua ação como prática situada, com base nos estudos de Barton, Hamilton e Ivanic (2000), e na perspectiva de prática social (KLEIMAN, 1995). As reflexões sobre gêneros discursivos se apoiam nos estudos de gêneros como ação social (BAZERMAN, 2011; MILLER, 2012), sem esquecer as contribuições de Bakhtin sobre a teoria dos gêneros (1997). Quanto às análises iniciais, verificou-se que as aulas do curso de letramento cumpriram o objetivo a que se propuseram, já que possibilitaram às mulheres familiarizarem-se com gêneros que as auxiliarão efetivamente a adentrar no mundo do trabalho, bem como serão por elas utilizados em suas práticas laborais. A partir dessa análise, constata-se a necessidade premente de se pensar na inclusão, nas salas ade aulas de cursos profissionalizantes, de gêneros que atendam às necessidades laborais dos cursistas, como forma de melhorar seu desempenho no trabalho e fortalecê-los como cidadãos.

     

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  • BRUNO DA COSTA FERREIRA
  • A Subversão ideológica no Romance Levantado do Chão

  • Data: 28/07/2016
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  • RESUMO

     

    Esta dissertação tem como objeto de estudo o romance Levantado do chão (1980), de José Saramago (1922-2010), no qual fica demarcado o que ficou conhecido como o estilo saramaguiano. A partir da crítica literária marxista, dos conceitos que ela explora, da análise do romance enquanto gênero literário e da relação do romance com o mundo ideológico que ele habita, demonstra-se que a subversão ideológica está presente na narrativa não apenas no plano semântico, mas também como elemento estruturador do discurso romanesco de José Saramago (forma), aguçando o gênero como arma e instrumento de humanização.

     

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  • JANAINA MICHELLE FRANÇA DE OLIVEIRA
  • A Intercompreensão de Línguas Românicas nas aulas de inglês: uma experiência inovadora nos cursos de Educação de Jovens e Adultos do Instituto Federal do Rio Grande do Norte

  • Data: 28/07/2016
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     É incontestável que o ensino de línguas desempenha um papel importante na vida do indivíduo como apontam documentos oficiais brasileiros e internacionais. O estudo da língua-cultura inglesa, assim como de qualquer outro idioma, deve possibilitar a promoção de maior abertura a diferentes formas de estruturar o mundo, possibilidades e oportunidades de agir no mundo de forma crítica (PCNs, 1999). Esta pesquisa trata da Intercompreensão de Línguas Românicas (ILR) como uma proposta para o ensino-aprendizagem da língua inglesa na EJA (Educação de Jovens e Adultos) e tem por objetivo valorizar as potencialidades dos aprendizes como elemento facilitador e motivador da aprendizagem de línguas estrangeiras e do olhar sobre si. O envolvimento da pesquisadora em elaborar e por em prática um curso plurilíngue foi determinante para caracterizar o estudo como uma Pesquisa-ação Participante (THIOLLENT, 2011; GRAY, 2012; FRANCO, 2005). Nove alunos da EJA do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) participaram do estudo e realizaram atividades plurilíngues envolvendo quatro línguas (espanhol, italiano, francês e inglês) durante um semestre. O corpus da pesquisa é constituído por dados quantitativo-qualitativos e foram coletados por meio de questionários semi-estruturados, áudios, entrevistas, notas de campo, produção dos alunos das atividades plurilíngues e protocolo verbal. Como aporte teórico geral sobre o ensino de línguas estrangeiras,  utilizamos os PCNs (1999), as OCNs (2006), o QECR (2001) e o CARAP/ FREPA (2010). Também recorremos aos pressupostos da intercompreensão (IC) entre línguas aparentadas (DEGACHE, 2005, 2008, 2012; ARAÚJO E SÁ, 2013; SANTOS, 2010;CAPUCHO, 2010; MELO; SANTOS, 2007; JAMET; SPITA, 2010; ESCUDÉ; JANIN, 2010, dentre outros).   Para abordar a questão da compreensão de textos, observamos a teoria sobre estratégias de aprendizagem (O'MALLEY; CHAMOT, 1985,1995; OXFORD, 2006; VILAÇA, 2011, CYR, 1998; dentre outros) e estratégias de leitura (SOLÉ, 1998; SMITH, 1999, KLEIMAN, 2013). A elaboração e execução do curso plurilíngue foi baseado na teoria sociointeracionista de Vygotsky (VYGOTSKY, 2007; BASTOS, 2014; OLIVEIRA, 1992), do filtro afetivo de Krashen (1982, 1985), da aprendizagem significativa (MOREIRA, 2010,2011), além dos autores da IC já citados. Quanto aos resultados, eles sugerem que para avançar na própria aprendizagem os aprendizes precisam de maior autonomia. A pesquisa também aponta que a observação do uso de estratégias na ILR contribuiu para a  leitura de textos em LI e causou uma mudança na autopercepção dos  aprendizes ao deixá-los mais confiantes para ler textos em língua inglesa.

     

     

     

     

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  • RITA DE KÁSSIA DE AQUINO GOMES
  • As mulheres de Hilda Hilst: a figura feminina no cenário pornográfico hilstiano

  • Data: 28/07/2016
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    Este trabalho discute a classificação da trilogia novecentista de Hilda Hilst composta por O Caderno Rosa de Lori Lamby (1990), Contos D’escárnio. Textos Grotescos (1990) e Cartas de um Sedutor (1991) dentro do gênero pornográfico. O presente estudo reflete sobre o caráter da pornografia enquanto gênero artístico-literário, partindo da reflexão sobre o seu histórico de transformação ao longo de seu surgimento e questionando as definições reducionistas que acabam por tratar pornografia e arte como elementos antitéticos. Altercações a respeito da oposição entre erotismo e pornografia enquanto gêneros literários distintos também serão feitas, trazendo os problemas conceituais e de estrutura envolvendo tal antinomia. Aqui as incongruências apontadas por parte da crítica na estética de Hilst, quando se tratando de escrita pornográfica, são vistas como inovações dentro do gênero e nos capítulos posteriores pretende-se especular, através da análise das personagens femininas da trilogia, se a mesma inovação ocorre no processo de figuração da mulher.

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  • DEBORA KARLA FERNANDES DANTAS
  • ESPELHO MÁGICO: HUMOR, IMAGENS DESCONSTRUÍDAS E ESPAÇOS INDEFINIDOS NA POÉTICA DE MARIO QUINTANA

  • Data: 29/07/2016
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  • Esta dissertação denominada Espelho Mágico: humor, imagens desconstruídas e espaços indefinidos na poética de Mario Quintana, tem como objetivo geral empreender uma investigação e problematização acerca do humor, das imagens e espaços refletidos na obra Espelho Mágico (1951), do poeta alegretense, Mario de Miranda Quintana. Nela, vemos que, através dos recursos da sátira, ironia e humor de que o poeta faz uso, problematizam-se e insurgem-se na obra imagens e espaços que não se evidenciam no “real”. E incidem na contestação utópica ou mítica.  Objetivamos ainda discutir a relação do poeta com a linguagem, o discurso e a escritura na perspectiva da desconstrução e da indeterminação das imagens e espacialidades que os constituem. Para isso, utilizaremos como ações de pesquisa trazer relações existentes, quanto ao livro-objeto de nossa dissertação, com sua fortuna crítica e buscaremos desenvolver nossa abordagem por meio de configurações teóricas, literárias e filosóficas que contribuam para a elucidação e fundamentação desta. Com FACIOLI (2010), nos acercaremos da questão da ironia, a qual será discutida também na problemática da lógica do sentido, em DELEUZE (1974), para instaurar as articulações entre a satírica, a ironia e a humorística. O estudo de ALBERTI (1999), a respeito do riso e do risível, nos fundamentará concernentemente às posições da modernidade em face às posições filosóficas anteriores a esta, numa perspectiva historiográfica. Em FOUCAULT (2006), trabalharemos a problemática do espelho como espaço da utopia e da heterotopia. Situaremos também o espaço na obra quintaniana correlacionado ao estudo do espaço literário, em BLANCHOT (2003). Tendo em vista tais problemáticas e questionamentos, visaremos, por fim, a mostrar, em Espelho Mágico, de que maneira se obtêm sentidos imprevistos, capazes de criar o novo, ou de recriar outros, no processo de significância a que a obra dá lugar, em sua desconstrução de imagens cristalizadas e de espaços definidos, desarmando, assim, verdades estabelecidas.

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  • GABRIELLE LEITE DOS SANTOS
  • RELAÇÕES DIALÓGICAS EM FANFICTIONS:

    ruptura e carnavalização na interação com a saga Harry Potter

  • Data: 29/07/2016
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  • As formas de consumo cultural, desde a sua massificação até a era digital, ocorreram e ocorrem de diversas maneiras. Estabelecida nas últimas décadas, a cultura de fã reuni pessoas fanáticas pelo mesmo produto cultural que o promovem, compartilhando suas impressões, teorias, expectativas e frustrações, em encontros periódicos ou em sites e redes sociais online. Essa forma de “consumo” tem relativizado uma série de questões acerca de mercado cultural, a partir do momento em que estes indivíduos passam a produzirem seus próprios produtos, baseados nas narrativas originais das quais são fãs, desestabilizando e revolucionando as relações unilaterais de produção cultural existentes até o momento. Dentre estas produções estão as fanfictions. Constituem-se como produções literárias amadoras, imersas em um universo ficcional pré-existente, nas quais seus autores reescrevem a narrativa original, preenchendo lacunas, invertendo acontecimentos ou criando novos, podendo ou não ocorrerem acréscimos e subtrações de ordem diversa nesse universo ficcional. Tais relações dialógicas entre os discursos e o potencial criativo e revolucionário do signo linguístico, além da alternância incessante entre os sujeitos participantes da comunicação discursiva, já eram previstas nos estudos do Círculo de Bakhtin. Para estes, o ouvinte, em sua posição ativa de compreensão, tem influência sobre o enunciado construído, além de, inevitavelmente, responder futuramente a este, por meio do jogo dialógico incessante que constitui, fundamentalmente, a comunicação humana no mundo da vida. Não há enunciação sem intenção discursiva, neutra ideologicamente, ilhada de uma conjuntura social e temporal, não comprometida com seus participantes, desarticulada de uma cadeia enunciativa. Esta pesquisa tem o objeto de analisar as relações dialógicas de ruptura e carnavalização na fanfiction Un, Deux, Trois, escrita po MB Writer, disponível no domínio online Nyah!Fanfiction, baseada no universo ficcional de Harry Potter, contribuindo com as considerações acerca da cultura de fã, num intercâmbio com os estudos de comunicação sobre Cultura de Convergência (JENKINS, 2009), e ancorada na Concepção Dialógica de Linguagem (BAKHTIN, 2009, 2011).

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  • JOATAN DAVID FERREIRA DE MEDEIROS
  • Câmara Cascudo e a Argentina intelectual: um joio na seara latino-americana

  • Data: 29/07/2016
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  • O presente estudo lança luz sobre os movimentos de integração cultural na América Latina a partir de sociabilidades cultivadas por Luís da Câmara Cascudo nos anos de 1920 que endossaram o intercâmbio intelectual e literário entre Brasil e Argentina. Valendo-se de ensaios publicados pelo escritor potiguar que tratam do universo literário platino e de sua correspondência com intelectuais do porte de Monteiro Lobato, Mário de Andrade, Braulio Sánchez-Sáez e Luis Emilio Soto, esta pesquisa pretende identificar e analisar as contribuições dadas por Câmara Cascudo à formação de uma rede que conectou escritores dos dois países num projeto de valorização da literatura latino-americana. Os diálogos estabelecidos com esses autores expressavam esforços de aproximação e de intercâmbio de ideias, sentimentos, conhecimentos e valores que, na obra de Cascudo, foram ressaltados no seu exercício de leitura, crítica literária, traduções, correspondências e produção ensaística.

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  • JOSELE JULIÃO LAURENTINO
  • Funções morfossintáticas e discursivas do TIPO na fala de jovens natalenses

  • Orientador : MARIA ALICE TAVARES
  • Data: 29/07/2016
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  • Esta dissertação consiste em um estudo, baseado no funcionalismo linguístico norte-americano (GIVÓN, 1981, 1995, 2001; HOPPER, 1991), que investiga os usos do item linguístico TIPO em funções morfossintáticas e discursivas na fala de jovens natalenses. Para tanto, o corpus utilizado é composto de seis entrevistas sociolinguísticas, integrantes do Banco de Dados FALA-Natal, realizadas com falantes de idades entre 15 a 21 anos, das quais coletamos 130 dados de ocorrência do nosso objeto de estudo (os dados coletados até o momento são referentes apenas a uma das entrevistas que compõem o nosso corpus, para análise preliminar, que será apresentada na ocasião da qualificação). O principal objetivo desta pesquisa é mapear e descrever funções morfossintáticas e discursivas que o item sob enfoque tem desempenhado no português brasileiro (PB) falado em Natal/RN, sobretudo quanto às propriedades semântico-pragmáticas e estruturais caracterizadoras de cada uma dessas funções, tomando como fonte de dados a fala do grupo etário jovem, em que o TIPO ocorre com maior frequência. Este trabalho, somando-se a outros como Lima-Hernandes (2005), Rodrigues (2009), Castelano e Ladeira (2010), Thompson (2013) e Dória e Alves (2014), que também estudaram esse objeto e contribuíram para a descrição do PB, pretende também mostrar que o TIPO desempenha papéis importantes na gramática da língua, bem como fornecer conhecimentos que sirvam de base para um ensino reflexivo, abrangente e profícuo de língua no nível básico, já que tratamos de fenômenos linguísticos presentes em situações comunicativas reais. Além dos trabalhos supracitados, servem-nos como fundamento, ainda, as propostas de D’Arcy (2005) e de Levey (2006), que investigaram, no inglês, os usos do LIKE, elemento que se comporta pragmática e estruturalmente de forma bastante similar ao elemento aqui estudado, pois intentamos contribuir também com estudos funcionalistas de natureza tipológica, traçando uma breve comparação entre funções desempenhadas pelo TIPO no PB e pelo LIKE no inglês, e trazendo fundamentação, assim, para futuros estudos comparativos mais sistematizados entre amostras de fala do PB e do inglês, em suas diferentes variedades. Do cotejamento feito entre usos do TIPO e usos do LIKE também podem derivar conhecimentos úteis para o ensino de português e de inglês como línguas estrangeiras. 

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  • JUCELY REGIS DOS ANJOS SILVA
  • UM CORPO ENTRE LINHAS DE ESCRITA E DE VIDA: ANA CRISTINA CESAR

  • Orientador : TANIA MARIA DE ARAUJO LIMA
  • Data: 29/07/2016
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  • O corpo, lugar deslegitimado do saber, assume importância central no trabalho de artistas contemporâneos. No Brasil, década de 70, diferentes manifestações artísticas, incluindo-se a poesia marginal, integram em suas práticas o corpo-a-corpo com o leitor/espectador/participante. Pretendemos pensar, na literatura de Ana Cristina Cesar, que caminhos são possíveis por este movimento que arrasta a vida para a literatura e a literatura para a vida: linhas cruzando. Tal movimento, sinalizado pelos poemas de Cesar, relaciona pares como “expressão” e “construção”, “representação” e “experiência”, “vida” e “literatura”. Compreendemos que essa tensão aproxima-nos do corpo, já que, no ato de escrever, a escritora descobre um “tesão do talvez”. Buscamos responder: que tensões a poesia de Ana Cristina Cesar cria sobre o sujeito ao trabalhar seus mitos pessoais? Como se construiu o rosto dessa escritora? De que modo a sua poesia faz e desfaz esse rosto? Nessa experimentação com a poesia de Cesar, recorremos aos poemas-prosas de A teus pés e Inéditos e dispersos, reunidos no volume de Poética (2013). Partindo dessas leituras e indícios, traçamos relações com: a distinção de Deleuze e Guattari (2012) sobre as linhas segmentárias e linhas de fuga, imanentes ao campo social e também à prática artística; o conceito de rostidade (DELEUZE; GUATTARI, 2012); as entrevistas cedidas por Ana Cristina Cesar; os textos críticos da própria autora, em Crítica e tradução (CESAR, 1999). Também contribui para a análise a atualização de Suely Rolnik (2006) a respeito das três linhas de (des)construção da subjetividade, a partir da obra de Deleuze e Guattari. Além disso, consideramos os textos: sobre a poesia e a pessoa de Ana Cristina Cesar, reunidos no volume de Poética (CESAR, 2013); sobre vida e literatura em Diálogos (DELEUZE; PARNET,1998) e Crítica e clínica (DELEUZE, 2011).

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  • JUSCELY DE OLIVEIRA CONFESSOR
  • Malandro de gravata e capital: o subalterno de Chico Buarque.

  • Orientador : ROSANNE BEZERRA DE ARAUJO
  • Data: 29/07/2016
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  • O presente trabalho busca analisar a obra Ópera do malandro(1978), de Chico Buarque de Hollanda à luz da teoria de Gayatri Spivak acerca do sujeito subalterno. Em seu texto Pode o subalterno falar? (2010), Spivak aponta que as classes mais baixas da sociedade, além de serem excluídas do quadro social dominante, não possuem nenhuma autonomia ou representação, já que os que se propõem a esse papel o fazem com base no aparelho ideológico das camadas mais altas da sociedade, e assim a voz subalterna não se concretiza. Chico Buarque, por sua vez, é considerado um dos artistas brasileiros que melhor representa a voz dos desvalidos através da expressão de sua arte. A Ópera do malandro aponta para um sujeito que consegue se estabelecer diante do quadro social muito semelhante ao que Spivak deslinda, como também consegue se encaixar à dinâmica social e continuar na busca dessa voz, que mesmo não sendo possível nos espaços concretos da política, por exemplo, se concretiza no espaço da arte. Spivak, estudando a sociedade indiana, seu país de origem, aponta o processo de colonização como o principal fator da total impossibilidade de fala do sujeito subalterno, e é exatamente neste ponto onde a construção teórica spivakiana e o processo artístico buarquiano apontam caminhos diferentes, pois na verdade o Brasil e a Índia apresentam históricos distintos de colonização, o que por sua vez diferenciam o caminho da história e consequentemente a construção dos sujeitos. Dadas essas circunstâncias e as diferenças entre os momentos históricos, o malandro surge como um sujeito subalterno que se molda, se reifica e consegue estabelecer na arte um espaço onde possa falar.

     

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  • MAISA MEDEIROS PACHECO DE ANDRADE
  • POESIA PORTUGUESA CONTEMPORÂNEA: O PASSADO E A RECONSTRUÇÃO DO PRESENTE: UM ESTUDO DA LEMBRANÇA NA POÉTICA DE LUÍS QUINTAIS.

  • Orientador : MARTA APARECIDA GARCIA GONCALVES
  • Data: 29/07/2016
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  • Autor de uma poesia refinada e altamente reflexiva, o poeta Luís Quintais é hoje um dos nomes de maior destaque no cenário poético contemporâneo. Sua poesia possui uma natureza transdisciplinar, dialogando com diversos campos do saber. Além de poeta, Quintais também é antropólogo, desenvolvendo estudos nesta área, na Universidade de Coimbra. Suas pesquisas antropológicas envolvem, principalmente, as questões da memória, do trauma e da guerra. O presente estudo pretende, portanto, tecer reflexões acerca da relação que a memória, em especial a memória traumática, estabelece com o processo criativo desse autor, perquirindo-se, outrossim, de que maneira o seu percurso como antropólogo, influencia na produção do sentido de sua poesia. Vislumbra-se analisar também no trabalho em questão qual o papel da linguagem na reconstrução do presente e no dizer o mundo, assim como de que maneira a memória participa na construção do estilo quintasiano de escrita. Foram adotados como corpus para a pesquisa pretendida os livros de poemas Angst (2002) e Mais espesso que a água (2008). A título de aporte teórico, recorreu-se, principalmente, as leituras de: Halbwachs, Ricouer e Bosi, no que se refere ao conceito de memória; Seligmann-Silva, Gagnebin e Ginzburg, ao ser abordada a questão da memória e do trauma; Blanchot, Foucault e Nancy para tratar da linguagem poética; além de Derrida, Deleuze e Peres ao ser analisado o estilo do autor.

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  • MARIA DE FÁTIMA DE LIMA LOPES
  • OS LEÕES DE KULUMANI

    Patriarcalismo e Pós-colonialismo em Confissão da Leoa, de Mia Couto

     

  • Orientador : TANIA MARIA DE ARAUJO LIMA
  • Data: 29/07/2016
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  • RESUMO

     

    O romance A Confissão da leoa de Mia Couto, discorre sobre ataques de leões que aterrorizam Kulumani, uma aldeia moçambicana, os quais têm vitimado principalmente mulheres. No entanto, a narrativa não é uma história de caçadas, uma vez que o autor utiliza os leões como metáfora para denunciar os discursos de poder que regem aquela sociedade e que se refletem, sobretudo, na vida das mulheres. Violência, amor, silêncio, resistência, submissão, luta, invisibilidade, subversão, são alguns dos elementos que constituem as personagens femininas da obra de Couto, personagens que nos levam a refletir sobre a realidade de muitas mulheres africanas, uma vez que o romance é baseado em fatos reais. Muitas delas têm suas vidas marcadas pela opressão, pela violência e sofrem o estigma da mulher pós-colonial que foi duplamente marginalizada.  Contudo, mesmo dentro das esferas de dominação, a resistência se faz presente, através como a narração e a escrita de um diário pela personagem central do romance Mariamar. A resistência pela língua aos discursos de dominação dá-se na própria forma das literaturas pós-coloniais que constituem um mecanismo de subversão ao imperialismo cultural. Este trabalho tem por objetivo analisar o romance A confissão da leoa a partir dos pressupostos da crítica pós-colonial e da crítica literária feminista a partir de leituras de Paulina Chiziane, Chimamanda Adichie,  Rita Chaves, José Luís Cabaço. A leitura a partir de pressupostos teóricos da crítica literária feminista e da crítica pós-colonialista possibilita a análise e a investigação dos discursos de dominação do romance que utiliza a história da caçada aos leões como alegoria para denunciar o verdadeiro assassino das mulheres de Kulumani: o patriarcalismo.

     

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  • MARIANA LORENA DOS SANTOS SILVA
  • Variação dos pronomes possessivos de terceira pessoa do singular SEU/DELE em Natal-RN: análise sociolinguística

  • Orientador : MARIA ALICE TAVARES
  • Data: 29/07/2016
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  • Sob a perspectiva sociolinguística variacionista (LABOV, 2001, 2008, 2010; TAGALIAMONTE, 2006, 2012), analisamos a variação entre os pronomes possessivos seu/sua/seus/suas e dele/dela, alternando-se na indicação da posse pronominal de terceira pessoa do singular. Os dados provêm de 40 textos orais e 40 textos escritos correspondentes, produzidos por oito informantes, sendo quatro com Ensino Médio completo e quatro com Ensino Superior completo, coletados no Corpus Discurso & Gramática: a língua falada e escrita na cidade de Natal (FURTADO DA CUNHA, 1998). Nosso objetivo consiste em analisar a distribuição dos pronomes possessivos de terceira pessoa do singular i) estilisticamante, quanto à modalidade da língua e ao gênero textual, e ii) socialmente, quanto ao sexo/gênero e idade/escolaridade dos informantes. Temos por hipótese que seu/sua/seus/suas, por seu caráter mais formal, predomina na escrita e em gêneros textuais de esfera não narrativa, bem como é mais recorrente entre as mulheres e os indivíduos de maior idade/escolaridade; em contraparte, dele/dela, por seu caráter mais informal, destaca-se na fala e em gêneros de esfera narrativa, e é mais frequente entre os homens e os indivíduos de menor idade/escolaridade. Os resultados quantitativos obtidos através do Programa Estatístico Goldvarb X atestam essas hipóteses.

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  • MARLIANE AZEVEDO LIRA DE MEDEIROS COSTA
  • A constituição da identidade docente a partir da escrita de memoriais em turmas de magistério

     

  • Orientador : MARIA DA PENHA CASADO ALVES
  • Data: 29/07/2016
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  • Entendemos que ouvir a voz do professor em formação inicial é fator decisivo para compreender que relações dialógicas permearam a constituição desse sujeito que ora escolhe o magistério como profissão ainda em nível médio (profissionalizante). Assim esta pesquisa tem como objetivo identificar as vozes que constituem os discursos presentes em memoriais produzidos por alunas do 4º ano do Magistério.  Compõe o corpus dez memoriais (TCCs) produzidos no período de 2013 a 2014 no curso de Ensino Médio modalidade Normal da Escola Estadual Berilo Wanderley, localizada em Natal/RN. Para o desenvolvimento da pesquisa, respaldamo-nos em alguns pressupostos teóricos, dentre os quais destacamos os publicados pelo Círculo de Bakhtin (2009, 2010) sobre a concepção dialógica da linguagem, vozes sociais, alteridade e Hall (2014) sobre identidade. Ainda de acordo com os pressupostos bakhtinianos, todo enunciado emerge sempre e necessariamente num contexto cultural saturado de sentidos e de valores e é sempre um ato responsivo, isto é, uma tomada de posição neste contexto. Assim, a pesquisa que dá suporte a este trabalho é qualitativa de orientação sócio- histórica e se insere no campo da Linguística Aplicada (LA). A área da LA entendida como um modo de construir inteligibilidade sobre as práticas discursivas (MOITA LOPES, 2006). Com as análises dos memoriais evidenciou-se a presença de vozes sociais materializadas nos enunciados sobre: a escrita do gênero discursivo memorial, o curso profissionalizante e as experiências de leitura/escrita. Outra categoria trata das  relações de  alteridade/identidade bem significativas em relação à escolha/identificação com a docência constituída não só no curso profissionalizante, mas ao longo da formação escolar/familiar onde figuram os professores e a família como sujeitos determinantes no processo de escolha profissional.

     

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  • MÁRCIA SOARES MATOS
  • DA ALDEIA DE MARIA(S) À FAVELA DE VALENTINA(S):

    Um olhar comparativo entre espaços marginalizados

  • Orientador : DERIVALDO DOS SANTOS
  • Data: 29/07/2016
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  • O ensino de literatura é destacado pela Lei 10.639-03 como um dos pilares para o conhecimento da História e da Cultura Afro-brasileira e Africana, cabendo ao professor utilizar os textos literários também para abordar aspectos da realidade sociocultural tanto do Brasil, quanto da África.  Nessa direção, o presente trabalho trata das figurações do espaço nos contos O beijo da palavrinha (2008), do moçambicano Mia Couto, e Valentina (2007), do carioca Márcio Vassallo. A partir da análise dos diferentes mundos encenados nas narrativas, a saber, uma aldeia africana e uma favela brasileira, são apontadas visões estereotipadas que comumente recaem sobre esses lugares, bem como favorecem a manutenção dos mesmos no mapa das culturas marginais. Assim, o espaço se faz marcante enquanto elemento problematizador em ambos os textos, uma vez que dá visibilidade aos estigmas e problemas enfrentados extratextualmente nessas localidades. A abordagem assumida é, portanto, comparativa, de cunho bibliográfico e analítico, destacando aspectos como temas e estruturas formais. Para tanto, servirão como principais bases teóricas as reflexões de Gaston Bachelard (2008), Luis Alberto Brandão (2013), Serrano e Waldman (2008), e Theodor Adorno (2006). A análise busca, ainda, ressaltar o que essas narrativas têm de parentesco e singularidades na maneira de retratar mundos tão distintos e, em certa medida, tão semelhantes no tocante à temática das desigualdades sociais.

     

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  • NATÁLIA OLIVEIRA MOURA
  • ESTÉTICA E SOMBRA: MARGENS, IMAGENS E CORPO EM BALÉRALÉ, DE MARCELINO FREIRE

  • Data: 29/07/2016
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  • Percebe-se, na escrita de Marcelino Freire, em Baléralé (2003), o estilhaçamento de um modelo de repetição circular, inserindo na literatura um novo paradigma estético (GUATTARI, 1992) que não o do sublime e do tradicional, mas sim o de uma estética rasurada, contrária à colonização de alteridades. As situações de margem, nas quais se encontram seus personagens, permitem observar uma cartografia de transgressão que se traça com linhas imprecisas por meio da ruptura de padrões de normatividade (GUATTARI; ROLNIK, 2003), dando lugar a corpos fragmentados, sem órgãos (DELEUZE; GUATTARI, 1996, v.3), desfazendo o corpo orgânico, em processos de reinvenção. Além disso, produzem imagens que desconstroem tanto os regimes de visibilidade, como a sua pretensa condição de revelação, fixidez e nitidez. As imagens freirianas engendram-se por entre sombras: turvam o significante, transpõem o estabelecido e provocam novas formas de semiotização (DELEUZE; GUATTARI, 1995, v.2), entre o anômalo e as anamorfoses. Fazem destituir as identidades formadoras e remetem a fluxos de desejo que dissolvem a unidade da linguagem, estendendo-se para dimensões que não se limitam apenas ao corpo humano, mas a outros objetos e fragmentos de corpo (BARTHES, 1984), instaurando uma experiência intensiva e contraditória do interdito e da transgressão (BATAILLE, 1987), aquela que promove a perda do sentido e lança para a emergência do diferente. Ou corpos-linguagem, que, como em Bataille (2003), encontra na pornografia a expressão de sua radicalidade na palavra, na visão e nas sonoridades, constituindo a figura do pornógrafo (DELEUZE, 1974).  Em face de tais problemáticas, busca-se nesta dissertação, suscitar as potencialidades discursivas do pensamento literário do autor pernambucano, tomando como de sumo interesse o desdobramento destas potencialidades em textos intitulados por ele como improvisos, dos quais foram escolhidos cinco dentre eles, a saber, “Mulheres trabalhando”, “E sombra”, “Phoder”, “Leão das Cordilheiras” e “Balé”, constantes da obra BaléRalé, observando as margens como propulsoras de potências de transformação. Estas são expostas em superfícies propulsoras de novas formas de subjetivação, dando vez no ficcional à proposta de uma literatura e de uma noção de minorias não assimiladas à categoria de representação, o que converge para a discussão de Deleuze e Guattari sobre a obra kafkiana, como máquina de expressão, desejante (DELEUZE; GUATTARI, 1977), mas de um desejo que se pluraliza, se rizomatiza, cortado por agenciamentos em fluxos descontínuos.

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  • ROSEMARY DA SILVA ALVES
  • Caminhos da memória no romance A Fortaleza dos Vencidos

  • Orientador : DERIVALDO DOS SANTOS
  • Data: 29/07/2016
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  • Esta pesquisa analisa o romance A Fortaleza dos Vencidos (2009), de Nei Leandro de Castro, investigando a construção da memória na narrativa como recorrência da literatura de testemunho, já que o romance traz à sua expressão o contexto social e político do período da Ditadura Militar. Trata-se de observar especificamente a memória inscrita na obra e como a voz que constrói essa memória traz uma representação literária da história vivida no referido contexto, que, ante o processo de esquecimento imposto, surge para reavivar a memória do leitor e revisitar de forma crítica a história social do país. Na narrativa de Nei Leandro de Castro, as personagens encontram-se representadas por pessoas comuns que sofreram as torturas do Período de Chumbo e a partir das ações encadeadas, falam das lembranças dos momentos vividos, e é sobre esse aspecto que pretendemos nos deter. É necessário ressaltar ainda que o presente trabalho compreende, de forma primordial, o contexto social e histórico no qual a obra está inserida, promovendo diálogos entre ambos a fim de perceber o modo como se estabelece, na ficção do autor estudado, a articulação entre o romance e a história, a literatura e a vida social.

     

     

     

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  • SARA AZEVEDO SANTOS DE MELO
  • PADRÕES DE ESTRUTURA ARGUMENTAL COM OS VERBOS DE PERCEPÇÃO VER E OLHAR

  • Data: 29/07/2016
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  • Este trabalho consiste em identificar e analisar os padrões de estrutura argumental em que os verbos de percepção ver e olhar podem ocorrer. Objetivamos, especificamente, examinar a configuração argumental desses verbos, agrupando-os pelo tipo de estrutura argumental que manifestam, determinar os casos semânticos dos argumentos expressos na oração, analisar aspectos morfossintáticos e discursivo-pragmáticos desses argumentos e verificar se há relação entre um dado tipo de estrutura argumental e tipo textual. Quanto aos procedimentos metodológicos, o trabalho envolve tanto aspectos quantitativos (relativos à frequência de uso dos padrões identificados) quanto qualitativos (relacionados às motivações cognitivas e discursivo-pragmáticas implicadas no uso). Os bancos de dados tomados como fonte para análise são o Corpus Discurso & Gramática: a língua falada e escrita na cidade do Natal (FURTADO DA CUNHA, 1998) e o Banco Conversacional de Natal (FURTADO DA CUNHA, 2010). A pesquisa fundamenta-se nos pressupostos defendidos pela Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU), conforme Tomasello (1998) e Furtado da Cunha, Bispo e Silva (2013), agregando contribuições da Gramática de Construções (GC), a exemplo de Goldberg (1995, 2006). Após análise dos resultados, constatamos que há diferenças entre a moldura semântica virtual de um verbo e suas ocorrências reais, assim como há divergências entre fala e escrita, ou seja, os verbos de percepção formam um grupo heterogêneo.

     

     

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  • TERESA PAULA DE CARVALHO LEÔNCIO
  • Divulgando leituras, conquistando leitores: a virtude e o risco nas memórias de letramento literário

  • Data: 29/07/2016
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  • De vertente etnográfica crítica (THOMAS, 1993), a pesquisa que ora se apresenta evidencia a trajetória de um grupo de alunos, cujas memórias coletivas são resgatadas a fim de se dar enlevo ao letramento literário desses aprendizes. Para tanto, usamos como dispositivo didático os Projetos de Letramento, conforme traduzidos por Oliveira (2008) e Oliveira, Tinoco e Santos (2011). Trata-se de um trabalho que assume as contribuições dos estudos da Linguística Aplicada com a perspectiva de pôr em cena inteligibilidades capazes de revelar a relação dos fenômenos da linguagem com outras áreas do conhecimento, filiando-nos, nesse sentido, a linhas de saber e a modos de pensar e fazer que estão sempre questionando, sempre procurando novos esquemas de politização, conforme discute Moita Lopes (2006). Tem como questões de pesquisa: Como construir na escola comunidades de leitores? Quais os impactos de uma prática transgressora do ensino da literatura? Com vistas a responder a essas questões, a pesquisa tem como objetivo geral: questionar a abordagem tradicional do ensino da literatura, sendo seus objetivos específicos: 1) explorar recursos, estratégias, artefatos e procedimentos que viabilizem leituras produtivas e 2) apontar os impactos de uma prática de ensino da literatura que se mostre transgressora e efetiva. Este estudo fundamenta-se na concepção de letramentos múltiplos, conforme Oliveira e Kleiman (2008) bem como na teoria dos Projetos de Letramento, de acordo com Oliveira (2008) e Oliveira, Tinoco e Santos (2011), tendo também como outros aportes teóricos: as contribuições dos Estudos Culturais (WILLIAMS, 2011; CERTEAU, 2014); o conceito de memória coletiva (HALBWACHS, 2006) e o conceito de memória, de comunidade de destino e enraizamento, importantes para o realce da valorização da trajetória dos participantes do projeto (BOSI, 2003).  Guiam-nos como ideias importantes: 1) a do respeito ao sujeito, leitor de literatura, como um ser desejante, com liberdade de escolhas, capaz de construir sua trajetória de desassujeitamento a fim de evidenciar a estética de si (FOUCAULT, 2014a, 2014b, 2015a, 2015b); a do direito a ter liberdade de escolhas e a ser respeitado em sua subjetividade (ROUXEL; LANGLADE; REZENDE, 2013); a do sentido de que toda a vida cotidiana pode ser considerada uma obra de arte (MAFFESOLI, 2009). A análise dos dados gerados no projeto de letramento “Divulgando Leituras, Conquistando Leitores” (doravante DLCL) revela que as identidades dos sujeitos literários são múltiplas, complexas, atuantes. Eis porque o projeto destaca leitores vorazes de sagas, trilogias e de outros tantos gêneros literários “que fazem a cabeça da galera”, não obstante a escola tradicional persistir em silenciá-los. Esse exercício transgressor de liberdade já enfatiza, por si só, o caráter de transformação de vidas que o projeto assume. Revela, também, o que presumíamos como indispensável a uma abordagem transgressiva, conforme PENNYCOOK (2006): a valorização de um cenário de respeito às liberdades e às identidades e a importância dos artefatos concebidos, confeccionados e postos em cena quando dos eventos do DLCL. O estudo traduz, enfim, o fortalecimento e empoderamento dos colaboradores, conforme nos orientam FREIRE (2011) e GIROUX (1997).

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  • THAIS SANTOS NOBREGA VIEIRA GRAÇA
  • (Des)usos do clítico em instanciações da construção com verbo pronominal

  • Orientador : EDVALDO BALDUINO BISPO
  • Data: 27/10/2016
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  • O presente trabalho investiga (des)usos do clítico em ocorrências da construção com verbos pronominais. Em termos gerais, objetiva analisar essa construção em seus aspectos formais e funcionais. Como objetivos específicos, elencam-se (i) verificar propriedades semânticas dos verbos que podem licenciar a construção com verbos pronominais; (ii) caracterizar a construção com verbos pronominais, considerando o polo da forma e o da função, conforme Croft (2001); (iii) identificar motivações sociointeracionais e semântico-cognitivas subjacentes à recorrência aos padrões estruturais dessa construção; (iv) caracterizar a construção com verbos pronominais quanto a sua esquematicidade, produtividade e composicionalidade. Os dados de análise são ocorrências extraídas do Corpus Discurso & Gramática, de fala e escrita, particularmente das cidades de Natal-RN, Juiz de Fora - MG e Rio Grande-RS. A fundamentação teórica para o estudo é a Linguística Funcional Centrada no Uso, que reúne contribuições da Linguística Funcional norte-americana, com base em Givón (1979, 1990), Hopper (1987), Bybee (2010), Traugott (2011), entre outros, e da Linguística Cognitiva, conforme Langacker (1987), Lakoff (1987), Lakoff e Johnson (2002). Além disso, consideramos a abordagem construcionista tal como caracterizada em Goldberg (1995, 2006), Croft (2001) e Traugott e Trousdale (2013). Considerando as ocorrências observadas no corpus, foi possível identificar a existência de um padrão esquemático para a construção com verbo pronominal  [S + (clítico) + VPRON] e o sancionamento de dois padrões microconstrucionais, [S + clítico + VPRON] e [S + VPRON]. Os resultados preliminares mostram que o apagamento do clítico acontece com mais frequência na construção com verbos considerados pseudorreflexivos (47%), e nos dados da cidade de Juiz de Fora.

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  • PAULA PIRES FERREIRA
  • Orientador : KATIA AILY FRANCO DE CAMARGO
  • Data: 28/11/2016

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  • ALBANYRA DOS SANTOS SOUZA
  • A construção de blogs no processo formativo docente

  • Data: 05/12/2016
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  • A introdução dos novos meios de comunicação, dinâmicos e em permanentes transformações, revelou a descoberta de novos gêneros discursivos, denominados de gêneros digitais. Estes estão presentes nos mais diversos contextos sociais, nas diversas manifestações de uso da língua. Partindo desse pressuposto, este estudo objetiva investigar quais o processo de construção de genêros digitais no processo formativo docente, a partir de uma experiência em sala de aula.

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  • ISABEL ROMENA CALIXTA FERREIRA
  • Orientador : MARIA DAS GRACAS SOARES RODRIGUES
  • Data: 06/12/2016

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  • HERYZÂNYA ALVES RAMALHO
  • Orientador : JENNIFER SARAH COOPER
  • Data: 09/12/2016

Teses
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  • SILVIO LUIS DA SILVA
  • Escravo moderno em discurso: figuras de ação e ação em (dis)curso nas representações do agir humano

  • Data: 04/02/2016
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  • Este trabalho toma como objeto de estudo uma prática social: a escravidão moderna dos trabalhadores da cana de açúcar, e busca apresentar uma reflexão a respeito da manutenção, extirpação ou modificação dessa prática. Essa reflexão parte das concepções de discurso e proposta analítica da Análise Crítica do Discurso (FAIRCLOUGH, 2001, 2003, 2006 e CHOULIARAKI; FAIRCLOUGH, 1999) associadas às propostas do Interacionismo Sociodiscursivo (BRONCKART, 1999, 2006, 2008), e à noção de Figuras de Ação, proposta por Bulea (2010). Seguem-se, portanto, os cinco passos descritos em Chouliaraki e Fairclough (1999): a) ênfase em um problema social, b) apresentação e discussão a respeito dos obstáculos vinculados ao problema, c) considerações a respeito da rede de práticas e sua necessidade do problema, d) identificação das possibilidades se suplantar o problema, e) reflexão sobre o papel do analista em relação ao problema social que aborda. Para atender ao passo (b) no que diz respeito especificamente à análise material do discurso, foram identificados o conteúdo temático, os tipos de discurso, os mecanismos enunciativos e as figuras de ação de depoimentos de trabalhadores da cana de açúcar e de outros sujeitos envolvidos com o problema dos documentários Bagaço (2006) e Tabuleiro de Cana, Xadrez de Cativeiro (2006). Esses documentários trazem para as telas um pouco da realidade dos cortadores de cana, dentro de um universo de superexploração, desrespeito aos direitos humanos e trabalho forçado. A análise de aspectos textuais-discursivos dos depoimentos mostrou como a (des)construção das representações do agir dos trabalhadores da cana escravizados permitem entender como o problema surge e como se encontra enraizado na organização da vida social. Os resultados gerais da reflexão apontam para a internalização de práticas sociais e discursivas sedimentados a partir de avaliações do mundo subjetivo do trabalhador da cana e de valores, opiniões e regras do mundo social. Identificou-se que, em seus discursos, os trabalhadores assumem a sua escravidão ora consciente, ora inconscientemente, mas apenas enunciam uma reação à opressão que lhes impõe porque a sua escravização foi internalizada e naturalizada.

2
  • GIANKA SALUSTIANO BEZERRIL DE BASTOS GOMES
  • ANÚNCIO PUBLICITÁRIO DIRECIONADO AO PÚBLICO MASCULINO: uma abordagem dialógica 


  • Data: 15/02/2016
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  • Nesta trabalho, pretendemos focalizar o gênero anúncio publicitário impresso naquilo que ele revela da sua condição de gênero discursivo que circula na esfera midiática impressa, especificamente, em quatro revistas: Playboy, Placar, GQ e Men’s Health. O objetivo geral do presente trabalho é analisar as regularidades enunciativas (verbo-visuais) do funcionamento do gênero anúncio publicitário direcionado ao público masculino na mídia impressa, problematizando como os anúncios publicitários atuam na sociedade de consumo buscando satisfazer a um grupo determinado, o leitor/consumidor masculino, com costumes e condutas modernos. Para tanto, foram reunidos anúncios das quatro revistas dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, totalizando dezesseis revistas e vinte e sete peças do gênero durante um período de um ano: de janeiro a dezembro de 2012. O nosso trabalho se insere numa abordagem qualitativa-interpretativista, como forma de investigar a realidade social, paradigma defendido por linguistas aplicados. Assim, o nosso estudo volta-se para uma atividade relacionada com as questões de linguagem, presente na esfera da mídia impressa. O anúncio é compreendido enquanto unidade real da comunicação, portanto, discursivo e intersubjetivo, mantendo relações com outros enunciados já ditos e prefigurados e convocando outros a se estabelecerem. Partindo dessas conjecturas, apresentamos uma análise do gênero anúncio publicitário impresso em revistas masculinas fundamentando-nos nas pesquisas contemporâneas em Análise Dialógica do Discurso, nos estudos do Círculo de Mikhail Bakhtin, revisitando seus aspectos teórico-metodológicos e nas concepções de identidade e de cultura assim como em autores da esfera da publicidade. A pesquisa apresenta-se relevante à medida que contribui para uma análise da dimensão verbo-visual do anúncio direcionado ao público masculino, considerado como um gênero discursivo que circula na mídia impressa e publicitária, impregnado de relações dialógicas e, também colabora para a consolidação de uma ‘Teoria dos Gêneros do Discurso’ (no âmbito científico da Linguística Aplicada) e para a construção e desenvolvimento de referenciais teóricos, metodológicos e aplicados para professores e profissionais interessados na temática. Os resultados apontam dados que demonstram que a busca por uma completude jamais chegará, o homem se autoconstrói pela procura do corpo perfeito, pela busca do estereótipo primoroso, pela busca pelos produtos que contribuam para essa sua autoafirmação sempre transitória e em construção. Conclui-se que a temática do corpo é recorrente nas quatro revistas. Temos em média 27 peças em que os anunciantes trataram de expor o corpo no espaço dos anúncios, tendo como consequência uma valorização exacerbada da aparência física. Assim dividimos nosso corpus em uma categoria, corpo adiáforo, e quatro subcategorias:, O body building; o corpo tatuado; o corpo consumo e o corpo negro. O corpo sob medida é sempre apresentado como o ideal a que todo homem deve alcançar.

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  • PEDRO FERNANDES DE OLIVEIRA NETO
  • FIGURAÇÕES DO SUJEITO NO ROMANCE DE JOSÉ SARAMAGO E ANTÓNIO LOBO ANTUNES

  • Data: 15/02/2016
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  • Entre as diversas questões sobre o sujeito e suas incidências no texto literário, este estudo prefere a de perscrutar acerca de como o tema é figurado no romance; isto é, como se constitui e se apresenta entre as aporias do romanesco, que relação mantém com o externo ao texto (a história, a sociedade), no que interfere na construção da narrativa e na forma do romance, quais questões suscitam, são algumas proposições envolvidas numa leitura que compreende Todos os nomes, de José Saramago e Não entres tão depressa nessa noite escura, de António Lobo Antunes. Esses romances foram elegidos porque se relacionam, respectivamente, a duas das principais correntes da forma romanesca: um mais integrado ao viés objetivo e outro à tradição subjetiva. Sem abolir especificidades, mas ciente que essa não é uma relação dicotômica por compreender que o hiato entre as duas formas se resume basicamente a uma maneira de percepção diversa do romancista sobre a realidade, este estudo se alimenta das duas posições no intuito de lidar com especificidades igualmente diversas de figuração do sujeito no romance. Assim, este estudo dividiu-se nos três momentos ora designados: (1) revisar sobre como o romance tem construído uma concepção de sujeito desde a ruptura mantida com a epopeia. Essa revisão privilegia três momentos da história do romance: a epopeia, a verve realista do século XIX e o romance impulsionado pelas novas formas dos anos 1920. Esse exercício é intermediado pelas leituras de Krysinski (2007), Lucáks (2009), Zéraffa (2010), Candido (2007), Rosenfeld (1996), Adorno (2003), Benjamin (2012) entre outros; (2) ler Todos os nomes e perscrutar o exercício das personagens centrais do romance – o Sr. José, a mulher desconhecida, o conservador, a senhora do rés-do-chão direito e o espaço da Conservatória por compreendê-la coadjuvante nesse universo; (3) a partir desse mesmo exercício, a leitura de Não entres tão depressa nessa noite escura perscruta as figuras de Luís Filipe, Margarida, Amélia, Ana Maria e Maria Clara. Entre as interseções alcançadas na relação entre as duas obras está a compreensão de que o romance se exercita como artefato de conhecimento sobre sujeito e usa a personagem como figuração sobre suas posições ocupadas na contemporaneidade; são obras que compreendem a iminência do fim de uma civilização pela forma avariada de coletividade e vida tornada repetição invariável. E expõe ao menos duas formas de ruptura dessa condição catastrófica: o sujeito é ação e deve sair para o mundo (José Saramago); a desordem não apenas social é individual e o sujeito é espera enquanto remenda situações possíveis de compreender o estágio de degradação do homem (António Lobo Antunes). São obras responsáveis por reafirmar o interesse do romance nas existências mais arredias e silenciosas por entenderem que nelas esconde-se uma capacidade de reanimação da existência e é tarefa do romancista revelá-la.  

4
  • CRISTIANE MARIA PRAXEDES DE SOUZA NÓBREGA
  •  

    REPRESENTAÇÃO DISCURSIVA DE NORDESTE NAS CARTAS TROCADAS ENTRE CÂMARA CASCUDO E MÁRIO DE ANDRADE


     

     

  • Data: 19/02/2016
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  • Este trabalho objetiva abordar a questão da construção da representação discursiva de Nordeste no discurso produzido nas cartas trocadas por Câmara Cascudo e Mário de Andrade. Propõe-se, pois, analisar como essas representações são construídas discursivamente e interpretar os efeitos de sentido por elas produzidos, por meio de categorias semânticas ou conceituais da representação discursiva, a saber: a tematização (referenciação), a predicação, a aspectualização (modificação) das referenciações e dos processos, a localização espacial e temporal, as isotopias e outras. Este estudo se encontra fundamentado na Análise Textual dos Discursos (ADAM, 2008, 2011), nos pressupostos teóricos da Linguística Textual, principalmente os que focalizam as questões atinentes à referenciação e a Lógica de Grize (1990, 1996). A abordagem da pesquisa é qualitativa, com apoio em alguns dados quantitativos (OLIVEIRA, 2012), opção que torna a análise mais rica e completa. Como hipótese de trabalho, apresenta-se
    o fato de que essas categorias possibilitam analisar e interpretar a elaboração das imagens do Nordeste, construídas no discurso de Câmara Cascudo e Mário de Andrade entre os períodos de 1924 a 1944, proporcionando uma representação mais ampla da região Nordeste conectada as outras representações mais específicas. O corpus desta pesquisa se constitui de sequências  temáticas extraídas das cartas supracitadas. Verifica -se, portanto, que a anális e aponta para a construção de uma representação de Nordeste como espaço constitutivo da brasilidade a partir de um conjunto de imagens associadas a aspectos culturais relacionados à constituição dos traços identitários da região.
5
  • MARIA GUADALUPE SEGUNDA
  • SER-TÃO DE BURITI: “o corpo de noturno rumor”

    (A poética de Guimarães Rosa e o pensamento literário contemporâneo)

  • Data: 19/02/2016
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  • Esta tese tem como objeto de estudo a análise da tessitura ficcional de Buriti, novela de Guimarães Rosa, constante da obra Corpo de Baile. Constitui-se como principal referência o aporte filosófico de Gilles Deleuze e outros teóricos afins, como Mircea Eliade, Derrida, Bataille, Félix Guattari, Foucault, Blanchot e Nietzsche, os quais, a exemplo da escrita problematizadora de Guimarães Rosa, apresentam como matriz básica do pensamento a desterritorialização dos conceitos, das normas, do conhecimento institucionalizado pela estrutura canônica da língua. Em confluência com a perspectiva teórica de alteridade vigente nesses autores, Buriti se encontra atravessada por uma estética fundamentada na multiplicidade de pontos de vista narrativos, abrindo brechas para outras vozes não sacralizadas, nômades, utilizando a polifonia como uma forma de transgredir, desestabilizar verdades cristalizadas, pertinentes aos cânones da língua pátria. Entretecida por uma vertente poética, de transgressão, a narrativa de Buriti se acha especialmente marcada pelos signos do sertão e da noite, os quais apontam rizomaticamente para um sentido de infinitude, de eternidade, de solidão, de vertigens ante o abissal, evocando a singularidade de um ser-tão ante a noite, “o corpo de noturno rumor.” As noites do sertão em Buriti dão margem à irrupção de um estado de subjetividade, o ser-tão, cuja natureza se mostra como um espaço de comunhão dos diversos seres, em que os humanos se colocam no mesmo plano de outros seres vivos, configurando um território cósmico de partilha, de fruição entre a dor e o prazer, entre a morte e a vida. É a noite que em meio às trevas, à escuridão, revela o ser-tão, o ser em suas entranhas, confrontando-se com ele mesmo, com seus rumores internos, que se projetam através dos ruídos, dos barulhos da noite amplificados pela vastidão, pelo desértico do sertão. “O sertão é de noite.” (ROSA, 1988, p.92).

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  • ARMANDO SÉRGIO DOS PRAZERES
  • HAROLDO DE CAMPOS E O BARROCO: A CRIATURA DE OU(T)RO – ENSAIOS PARA UM GUIA DAS GALÁXIAS

  • Orientador : FRANCISCO IVAN DA SILVA
  • Data: 25/02/2016
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  • Esta pesquisa consiste na realização de um roteiro de leitura do livro Galáxias, de autoria do poeta, crítico e tradutor brasileiro Haroldo de Campos, com base nos pressupostos conceituais do Barroco histórico e trans-histórico. Propõe-se, deste modo, um mapeamento das possíveis vértebras semânticas que engendram pequenas estórias em rotação pelas páginas galáticas, com vistas a fornecer ao leitor um conjunto de referências que possa contribuir para uma leitura ainda mais fecunda da referida obra. Para tal empresa, buscou-se mapear primeiramente as marcas expressivas que definem a poética haroldiana como singular prática barroca na modernidade, investigando em sua obra as conexões tecidas com o barroco histórico dos séculos XVII e XVIII, a fim de verificar os modos operacionais empregados pelo Poeta no exercício da tradução da tradição literária. Galáxias, a nosso ver, constitui este projeto poético de alta voltagem barroca, amálgama de recursos criativos e conceituais içados da mais rica tradição literária, nacional e estrangeira, e processados antropofagicamente nas sendas da produção artístico-literária contemporânea. Publicado pela primeira vez em 1984, contendo cinquenta páginas-fragmentos, este livro de Haroldo de Campos surge para, dentre outros fins, suscitar o entrecruzar de gêneros literários, como a prosa e a poesia; dissolver as fronteiras entre a cor local e a dicção alheia; transfundir tradição e modernidade; fundir arte e ideologia; mixar fato e fantasia; remixar forma e conteúdo. Todos estes procedimentos literários, intersemiotizados, promovem uma caleidoscópica tessitura verbal que empreende, nas palavras do autor, “a viagem como livro e o livro como viagem” (Campos, 2004, p. 119). Viagem esta, urdida por uma rede intertextual e paródica, dada a ver através de inventivos recursos fono-prosódicos, donde sobressaltam aliterações, anagramas, paronomásias e trocadilhos, desenhando no curso galático sibilantes e sinuosas metáforas que reivindicam a lúdica co-participação do leitor para a fruição da leitura. Isto posto, nosso roteiro de leitura empenha-se sobretudo na tentativa de amplificar os ecos das construções imagéticas que transitam pelas cinquenta páginas da obra, que ora velam ora revelam partículas de estórias que, por um instante apreendidas, podem descortinar outras tantas estórias e, com isso, tornar a leitura tanto mais prazerosa e, como dissemos, fecunda. O fim primeiro das Galáxias, assim entendemos, não terá sido outro senão o da fecundação do gosto pela leitura, daí, nosso roteiro de leitura: para fecundar no leitor o gosto pelas leituras galáticas, tal qual a leitura das Galáxias de Haroldo de Campos.

7
  • GILVANDO ALVES DE OLIVEIRA
  • A construção do discurso paródico na pornochanchada: uma cosmovisão carnavalesca

  • Data: 26/02/2016
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  • Nos anos 1970, no Brasil, houve uma efervescência na produção cinematográfica e, nesse período, realizaram-se comédias eróticas, que foram rotuladas de pornochanchadas. Esses filmes fizeram um grande sucesso frente ao público brasileiro, mas sempre eram ridicularizados pela crítica que os julgava como cinema mal realizado. Nesse contexto, parte dessa produção cinematográfica pode ser classificada como paródia. Considerando isso, este trabalho, cujo tema é linguagem e cinema, tem como objeto de investigação a construção do discurso paródico e a cosmovisão carnavalesca na pornochanchada e se insere na área da Linguística Aplicada de perspectiva sócio-histórica. Para realizamos a análise, detemo-nos na investigação dos elementos verbo-visuais presentes na forma composicional de três comédias eróticas produzidas na década de 70 como também analisamos o projeto de dizer constituidor/constituinte da forma arquitetônica. Como fundamento teórico-metodológico prioritário, baseamo-nos nas formulações sobre linguagem advindas do Círculo de Bakhtin (2006, 2010), tais como a concepção dialógica de linguagem e as reflexões atinentes à analise dialógica do discurso. A principal referência é a obra de Bakhtin (2010b, 2010d) sobre a cosmovisão carnavalesca, a paródia, a estilização e o riso carnavalesco.

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  • JASMINE SOARES RIBEIRO MALTA
  • MOSAICO MAFRENSE: CINEMA E LITERATURA PIAUIENSES, UMA IMAGEM DO SERTÃO

  • Orientador : MARCIO VENICIO BARBOSA
  • Data: 26/02/2016
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  • Apesar das mudanças históricas e sociais ocorridas no Brasil, do avanço e crescimento

    das cidades, quais transformações ocorreram com a imagem do sertanejo nos últimos tempos

    em função destas?

    A presente Tese tem por objetivo realizar um estudo com base em fundamentações

    teóricas dos estudos da Linguagem e Análise dos Discursos, notadamente os desenvolvidos e

    aplicados na área da Literatura Comparada, usando como referenciais os preceitos de Jean-

    Michem Adam e Ute Heidmann – acerca das análises textuais e discursivas, e de Mikhail

    Bakhtin – no aporte sobre a linguagem.

    Os objetos de estudos são duas obras de autores piauienses. Uma, cinematográfica, a

    outra, Literária. Ambas, vistas sob a ótica de trabalhos artísticos, de linguagem e de

    identidade local. Desta forma, as “partes” referentes a cada um dos materiais pesquisados,

    estarão “coladas” em sua composição final, resultante neste Mosaico Mafrense.

    Os estudos identitários constituem uma das preocupações intelectuais da modernidade.

    Trata-se da busca pelo “eu e o outro” em uma sociedade dominada pelas relações

    comunicativas mais ágeis e fugazes. A dicotomia entre a apreciação literária – mais

    demorada, comedida, introspectiva e, muitas vezes, solitária – e a apreciação cinematográfica

    – quando comparada com a anterior é mais rápida, intensa, imediata e, muitas vezes, coletiva

    – proporciona a observação sobre o saber criativo, através da transdisciplinariedade

    emergente.

    Um mergulho nas águas profícuas e, porque não, profundas da Literatura e do Cinema

    constituem o ponto de interesse nesse processo de linguagem construtiva. A busca pela

    formação da identidade sertaneja será o guia norteador nessa viagem inovadora e

    esclarecedora.

9
  • MARÍLIA GONÇALVES BORGES SILVEIRA
  • ROSEIRA BRAVA: PÓS-ROMANTISMO E MODERNIDADENA POÉTICA DE PALMYRA WANDERLEY

  • Data: 26/02/2016
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  • O livro Roseira brava, de Palmyra Wanderley, foi publicado pela primeira vez em 1929. Em seus versos, a autora apresenta tendências nas quais se destacam características tardias do Romantismo, mas também deixa antever traços da estética modernista. Para analisar seus versos, primeiramente, buscou-se contextualizar o espaço social e biográfico da escritora, visto que são elementos necessários à compreensão dos significados evocados no texto literário. Além disso, buscou-se pesquisar as tendências românticas e modernas a fim de analisara obra da poetisa em questão sob a ótica da teoria do pós-romantismo, segundo Antônio Cândido, em contraponto com os aspectos presentes no movimento modernista. O roteiro metodológico deste estudo, cujo objetivo maior é analisar a obra da escritora inserida na historiografia literária do Rio Grande do Norte, privilegia os poemas a partir das principais temáticas sugeridas no texto: a religiosidade presente em seus versos, que, muitas vezes, dialoga com o profano; o sentimentalismo presente no amor romântico; a visibilidade luzidia de Natal, “cidade cheia de panoramas”, revelada em mais de 15 poemas; e a leitura da paisagem natural do Rio Grande do Norte revestida de cores sensuais e elementos afetivos. Com base nesses roteiros temáticos e metodológicos, empreende-se uma leitura desta poética sincrética que se situa numa espécie de entre lugar – entre a tradição e a modernidade – e sugere a confluência de diferentes estéticas como Classicismo, Romantismo, Parnasianismo e Modernismo.

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  • NEDJA LIMA DE LUCENA
  • A CONSTRUÇÃO TRANSITIVA NO PB: UMA ABORDAGEM FUNCIONAL CENTRADA NO USO

  • Data: 26/02/2016
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  • Esta tese examina um tipo de construção pertencente à subclasse das construções de estrutura argumental: a construção transitiva. O trabalho assume que a construção transitiva - pareamento entre forma e significado - é uma construção do português, de maneira que há aspectos sintáticos-semânticos dessa construção que não podem ser atribuídos a outra. Desse modo, são examinadas as instanciações da construção transitiva, compostas por orações simples formadas sintaticamente por Sujeito – Verbo – Objeto, oriundas das modalidades de fala e de escrita, e coletadas de corpora diversos. A pesquisa é orientada pelo quadro teórico da Linguística Funcional Centrada no Uso, que abriga a concepção de que as línguas são moldadas pela complexa interação de princípios cognitivos e funcionais que desempenham um papel basilar na manifestação dos fenômenos linguísticos. Sendo assim, a tese ancora-se fundamentalmente no modelo da gramática de construção e no modelo dos protótipos para explicar a configuração da construção transitiva. À luz desse quadro, este trabalho parte do princípio de que a manifestação discursiva das diferentes instanciações da construção está diretamente ligada à conceptualização da experiência humana, isto é, ao modo como os seres humanos apreendem o mundo e falam sobre ele. Parte-se da hipótese de que distintos tipos semânticos de verbos e seus papéis participantes interagem com a construção transitiva, de maneira que essa interação pode motivar a emergência de novos sentidos atribuídos às instanciações. Por sua vez, essas instanciações estão ligadas entre si por meio de elos de polissemia, o que pode justificar uma organização hierárquica da construção transitiva em subesquemas e microconstruções. Além disso, processos cognitivos de domínio geral são subjacentes à manifestação discursiva da construção em tela e, por isso, são examinados na pesquisa. O trabalho conclui que a construção transitiva é altamente esquemática e produtiva, tanto em termos de types quanto de tokens, o que justifica o alto número de verbos licenciados por essa construção, bem como atesta que a aproximação e/ou afastamento entre as instanciações são motivados preponderantemente por propriedades semânticas. A proposta de investigar como a construção transitiva se manifesta no uso interativo da língua tem por finalidade contribuir para a descrição das construções do português.

     

     

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  • LIGIA MYCHELLE DE MELO SILVA
  • ESTÉTICA DA CONFLUÊNCIA: ficção e autobiografia na prosa literária e no Diário do último ano, de Florbela Espanca

  • Orientador : DERIVALDO DOS SANTOS
  • Data: 29/02/2016
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  • Neste trabalho, propomo-nos analisar a prosa de Florbela Espanca (1894-1930), dando continuidade à nossa pesquisa iniciada no mestrado sobre a obra poética da escritora. O principal objetivo aqui foi fazermos uma discussão em torno das relações simétricas e assimétricas existentes entre o espaço autobiográfico e o discurso ficcional e, nisso, verificamos como a escrita de Florbela, situada entre um gênero e outro, de caráter híbrido e fragmentário, se abre a uma estética da modernidade. Para tanto, escolhemos como corpus de análise o Diário do último ano (1998), que são as impressões e reflexões de Florbela registradas em seu último ano de vida e o livro de contos O dominó preto (2010). A discussão sobre as interfaces entre a experiência vivida e o mundo ficcional proposta neste trabalho foi pautada, principalmente, na abordagem teórica sobre o assunto proposta por Philippe Lejeune, em O pacto autobiográfico: de Rousseau à internet (2008). O crítico francês, através da reunião de vários ensaios que são frutos de uma pesquisa de 30 anos, nos dá um direcionamento para compreendermos o funcionamento e a constituição dos escritos autobiográficos. Recorreremos também aos estudos de Antonio Candido (1994), Mikhail Bakhtin (1998; 2003), Wander Melo Miranda (1992), Walter Benjamim (1963; 1994) Wolfgang Iser (1996), entre outros.

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  • HÉLIO JUNIOR ROCHA DE LIMA
  • O político nas imagens de A missão de Heiner Müller e O homem que era uma fábrica de Augusto Boal

  • Data: 04/03/2016
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  • Augusto Boal (Brasil) e Heine Müller (Alemanha) são teatrólogos do século XX que viveram em países e contextos evidentemente distintos. Contudo, com a crise do teatro burguês e das condições de legitimidade do regime de produção deste teatro, ambos apresentam pontos de contato em suas linhas e vetores teatrais que, diante da questionável universalidade da dramatização, levam à concepção de um teatro múltiplo e perturbador da ordem do sensível. Os processos de encenação contemporânea exigem uma ultrapassagem do sentido do político, desviando do jogo de representações sociais, para dar lugar ao trabalho desconstrutor de imagens como cisão entre a palavra e o representado, entre o legível e o visível. Em face do exposto, as escritas cênicas e, por isso mesmo, literárias desses autores, lugares de singularização – não sem paradoxos – capazes de mobilizar manifestações e impasses quanto às imagens que organizam ou desorganizam os textos dramáticos, trazem para a contemporaneidade tensões que levam o próprio teatro tanto a se interpelar, quanto, em sua força plural, a encontrar passagens para o novo. Trazer à superfície aspectos políticos nas imagens dos textos dramáticos, considerando-os na sua inscrição literária: “A missão: lembranças de uma revolução”, de Heiner Müller, e “O homem que era uma fábrica”, de Augusto Boal, faz-se um desafio, uma vez que as imagens pretendidas são aquelas com formas ou materialidades ainda não visíveis na cena, poderíamos dizer, em estado virtual. Como imagens pensantes, elas acontecem no plano de imanência da linguagem (Deleuze e Guattari). Sendo o “político” uma perturbação no sensível, contrário à política (Rancière), a dramaturgia se abala em multiplicidades, deslocando e desnaturalizando as funções de autor/dramaturgo e leitor/ator, teatro/literatura. Dramaturgia simultânea, imagem, fragmento e colagem mostram-se como procedimentos artísticos e literários criativos que se encontram apropriados seja na teoria do teatro do oprimido (Boal), seja no teatro pós-dramático (Hans-ThiesLehmann), embora, ao confrontá-las, elas sobressaiam em desentendimentos: a primeira coincide com a lógica da identidade e a segunda, esta se desarticule, movida pela diáfora, contestação, ou desacordo. Tais relações - não apriorísticas-  sucedem-se enquanto acontecimento da leitura ou da leitura como acontecimento em que o político nas imagens dá-se, antes, nas lacunas e obscuridades, acenando para o que está além do sentido, da cena do gesto e da palavra. O leitor não para para atribuir sentido, interroga-se diante das metamorfoses e formas obliquas de acontecimentos insuspeitos que compõem o político estabelecendo o agenciamento coletivo da enunciação. Neste caso, o texto de Boal e o texto de Müller inscrevem-se na produção de uma literatura menor, ou de um teatro menor, o que os qualifica como agentes de devires revolucionários, agitando, através da política nas imagens, e irrompendo contra o problema do poder nas artes.

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  • JOÃO BATISTA DA COSTA JÚNIOR
  • HISTÓRIAS DE VIDA DE PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA EM NATAL/RN: Fotografias do trabalho de construção identitária individual

  • Data: 18/04/2016
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  • O debate científico sobre o fenômeno população em situação de rua tem permeado as agendas de investigação de algumas áreas do conhecimento humano, sobretudo, as arenas de estudo das ciências humanas e sociais. Algumas pesquisas nacionais apontam que o fenômeno é complexo, mesclado por processos sociais, psicológicos, objetivos e subjetivos (ROSA, 2005) e compreende uma síntese de múltiplas determinações inerentes à sociedade capitalista (SILVA, 2009). Diante disso, esta tese objetiva apresentar uma análise crítico-discursiva do trabalho de construção identitária individual de pessoas que viveram ou estão em situação de rua na cidade de Natal/RN, consoante suas próprias histórias de vida, configuradas por narrativas do “eu”. Para construir a análise, tomamos como foco três objetivos específicos: a) identificar redes de socialização representativas do trabalho de construção identitária individual; b) apontar as percepções de cada indivíduo diante do fenômeno população em situação de rua, e c) Discutir a identificação e a caracterização que cada indivíduo faz diante de suas relações com o fenômeno população em situação de rua. A fim de alcançarmos nossos objetivos, ancoramo-nos nos postulados teóricos da Análise Crítica do Discurso - ACD (FAIRCLOUGH, 2001, 2006), especificamente em sua Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso – ASCD (PEDROSA, 2014, 2015), que abrange a Sociologia para a Mudança Social (BAJOIT, 2006, 2008, 2013) e a Linguística Sistêmico-Funcional, esta última, contemplando o Sistema de Transitividade (HALLIDAY, 1985, 1994; HALLIDAY e MATHIESSEN, 2004 e CUNHA e SOUZA, 2011). Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa (descritiva e interpretativa), ancorando-se na Linguística Aplicada (CELANI, 1992; SIGNORINI e CAVALCANTI, 1998; SIGNORINI, 1998; MOITA LOPES, 1990, 1996, 1998, 2006 e 2013). O corpus está organizado por cinco histórias de vida. As histórias foram constituídas por meio da oficina Linguagem e Identidade: “Letras nas ruas”, aplicada durante o II Seminário Potiguar de População em Situação de Rua e por meio do acesso à comunidade virtual Natal Invisível. Ante um contexto de apartação social, configurado pelas agruras vividas e alijamento de direitos humanos, os resultados salientam que a construção identitária individual de pessoas que viveram ou estão em situação de rua em Natal/RN compreende um trabalho do indivíduo enquanto  sujeito de si mesmo frente à construção de identidade de resistência, de projeto e de política. Essas identidades revelam uma vontade ontológica direcionada à emancipação do sujeito em situação de rua, um sujeito politicamente consciente de seus direitos e deveres que caminha em direção ao seu empoderamento cidadão, reclamando promoção efetiva de políticas públicas destinadas a sua reinserção social. Uma vez que as identidades individuais são construídas por meio de posicionamentos ideológicos que alicerçam vozes contra-hegemônicas e contribuem para a superação de assimetrias sociais, infere-se que os sujeitos, ao construir suas identidades, podem promover mudança social e cultural, posto que deslegitimam os estigmas sociais negativos associados às pessoas em situação de rua em Natal/RN.

     
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  • GUIANEZZA MESCHERICHIA DE GOIS SARAIVA MEIRA
  • PERMANÊNCIAS E RUPTURAS NOS DISCURSOS FEMININOS: ESTUDO CRÍTICO NA FANPAGE CLAUDIA ONLINE

  • Data: 19/04/2016
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  • Os papéis assumidos pelas mulheres na modernidade recente (MOITA LOPES, 2013) despertaram o interesse de inúmeros pesquisadores nacionais e internacionais. O termo emancipação tem sido gerador de discordâncias e polêmicas, tendo-se em conta o fato de que a mulher, mesmo havendo ingressado no mercado de trabalho, continua a exercer os papéis socialmente impostos ─ o de mãe, esposa e dona de casa. Em paralelo, as revistas femininas, em especial a revista Claudia, assumiram o propósito de orientar as mulheres no desempenho de suas muitas funções: como educar os filhos, como cuidar do lar, como agradar o cônjuge, e até como ter sucesso na carreira profissional. Circunscrita nesse contexto, esta tese visa revelar as permanências e as rupturas que se manifestam nos discursos femininos registrados na fanpage Claudia online, testemunhando como os papéis sociais e as relações de poder influenciam na (trans)formação das identidades femininas. Em função desse alcance, buscou-se uma sustentação teórica nos postulados da Análise Crítica do Discurso (ACD); mais especificamente, na Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso (ASCD) ─, que, por sua vez, está sendo desenvolvida na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em concomitância com a Universidade Federal de Sergipe, sob a coordenação da professora Dr.ª Cleide Emília Faye Pedrosa (PEDROSA, 2012). Também se fez ancoragem, neste percurso investigativo, em saberes da Linguística Sistêmico-Funcional (LSF); especialmente, no que concerne ao Sistema de Avaliatividade; na Sociologia para Mudança Social e nos Estudos Culturais. A ancoragem metodológica firma-se no paradigma qualitativo-interpretativista (MOITA LOPES, 2006), circunscrito às Ciências Humanas e Sociais, com foco na Linguística Aplicada (LA). O corpus compõe-se de vinte e quatro postagens, divididas em seis temáticas recorrentes na fanpage Claudia online. Os resultados indicam que a fanpage Claudia online discute, de fato, os papéis que as mulheres exercem em nosso meio social. Observa-se, ainda, que alguns desses papéis foram solidificados devido aos parâmetros conservadores da sociedade, perpetuando-se por muitas gerações e sendo naturalizados ao sexo feminino. A constatação é, pois, a de que há permanência dos papéis impostos, e de que, na modernidade recente, as mulheres passaram a exercer outros tantos papéis, merecendo destacar o fato de que, hoje, a mulher trabalha fora, investe na formação acadêmica, frequenta academia diariamente, dirige automóvel, participa das reuniões escolares dos filhos, vai ao salão de beleza, administra o próprio salário, delega funções à secretária doméstica; enfim, executa muitas tarefas concomitantemente, configurando-se, assim, o acúmulo de funções exercidas pelas mulheres, o que justifica a atribuição do rótulo de “mulher maravilha”, e leva à ruptura nos padrões e na execução dos papéis femininos.

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  • REBEKA CAROÇA SEIXAS

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    METADRAMATURGIA E ESCRITA PERFORMÁTICA NA OBRA DRAMATÚRGICA DE NIKOLAI GÓGOL


  • Data: 29/04/2016
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    Esta pesquisa é produto de uma reflexão teórica sobre a obra dramatúrgica do escritor russo Nikolai Gógol e os modos pelos quais as suas experiências iniciais e o contexto histórico foram determinantes, não apenas para construção de uma identidade no seu trabalho como autor, mas também, para as diferentes formas de concepção e construção da obra dramática que surgem no contexto do teatro moderno. O trabalho se detém à análise da trilogia metadramatúrgica gogoliana que compreende as seguintes peças: O inspetor geral (1836), À saída do teatro depois da representação de uma nova comédia (1842) e Desenlace de O inspetor geral (1846). Dessa forma, são de interesse particular para esse trabalho, os conceitos de metadramaturgia e escrita performática, os quais serão basilares para a análise da obra do dramaturgo. O estudo sobre a metadramaturgia será trabalhado a partir da análise da metalinguagem e do metateatro para que, assim, possamos compreender como se estrutura a ideia de metadramaturgia e como esse conceito pode ser utilizado na análise de obras dramatúrgicas. O conceito de escrita performática compreende o estudo da obra a partir do viés performativo, ao entender o autor e o leitor/espectador como protagonistas desta relação. A partir dos estudos desses dois conceitos, de metadramaturgia e de escrita performática, poder-se-á compreender, mais profundamente, os diferentes aspectos da obra do autor, principalmente, no que se refere à atualidade de sua escrita.


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  • MARCOS CÉSAR TINDO BARBOSA
  • TRADUÇÃO ANOTADA DO AMPHITRVO DE PLAUTO

  • Data: 07/06/2016
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  • Este trabalho compreende uma tradução anotada da comédia latina Amphitruo, atribuída a Plauto. Esta tradução tem duas particularidades: a primeira é a de prezar pelo caráter cômico do texto, mais do que pela literalidade gramatical; e a segunda é a de ser produzida visando facilitar a adaptação do texto para o palco, que aqui se entende como sendo o verdadeiro modo de fruição da peça. As notas que acompanham a tradução procuram explicitar o processo tradutório, esclarecendo pontos culturais e gramaticais do texto que possam empecilhar a compreensão, tentando encontrar correspondências na cultura e na língua de chegada, assim como justificando as escolhas que foram feitas. 

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  • BEATRIZ ALVES PAULO CAVALCANTI
  • A pedagogia de gêneros da Escola de Sydney em aulas de inglês para Fins Específicos: um voo sistêmico-funcional.

  • Data: 17/06/2016
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  • Esta tese apresenta a inserção da pedagogia de gêneros proposta pela Escola de Sydney (ROSE; MARTIN, 2012)  nas aulas de Inglês para Fins Específicos (IFE) de uma escola técnica do Rio Grande do Norte, no curso de Redes de Computadores.  A proposta é  identificar os gêneros relevantes para o curso após a realização de análise de necessidades,  utilizando  a Linguística Sistêmico-Funcional  (LSF) de Halliday e Matthiessen (2004) como recurso que facilita a compreensão dos textos lidos, aproximando os estudos teóricos da LSF da prática na sala de aula,  para  que os alunos possam conceber a língua como prática social. Outro objetivo é conhecer as percepções dos alunos sobre as aulas ministradas.  Trata-se de uma pesquisa quanti-qualitativa (DÖRNYEI, 2007), na qual a LSF  foi utilizada como modelo teórico de análise de linguagem e de pesquisa, visto que ela é o próprio objeto de pesquisa, e ao mesmo tempo  o suporte teórico que embasa a análise das opiniões dos alunos sobre as aulas. Aspectos da Pesquisa Narrativa (CLANDININ; CONNELY, 2004)  também são utilizados ao dar voz  ao  relato de minhas próprias experiências  como professora do curso de Redes e como pesquisadora, bem como para realizar a composição de sentidos observada nas representações dos alunos após a vivência de nossas aulas com o apoio da  pedagogia adotada e da abordagem Sistêmico-Funcional, e  para a reflexão sobre as experiências relatadas. O Sistema de Avaliatividade (MARTIN; WHITE, 2005) foi o  instrumento analítico para verificarmos como se configuram as percepções dos alunos sobre as aulas de IFE. A categoria mais utilizada do Sistema de Atitude, um dos domínios semânticos do Sistema de  Avaliatividade, responsável pela expressão linguística de avaliações positivas e negativas, foi a  Apreciação do tipo Valoração, revelando a relevância do trabalho com  a pedagogia de gêneros  e a originalidade na forma de abordagem dos textos. O trabalho com textos autênticos da área, trabalhos em grupo, ensino colaborativo e reconhecimento dos tipos de textos foram aspectos da pedagogia de gênero mais  mencionados pelos alunos em suas apreciações. Outro tipo de Apreciação encontrado foi a Reação Impacto negativo, categoria  utilizada  para descrever o impacto emocional vivenciado nas aulas. Os resultados da análise das avaliações feitas pelos alunos sobre as experiências vividas em nossas aulas  apontaram o reconhecimento e  validade da utilização da LSF nas aulas de IFE e, consequentemente, da pedagogia de gêneros proposta pela Escola de Sydney e ao mesmo tempo revelou o desejo de desenvolver  a oralidade, promovendo uma reflexão sobre a inclusão da competência oral no currículo do curso.

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  • HERASMO BRAGA DE OLIVEIRA BRITO
  • A CONFIGURAÇÃO DO NEORREGIONALISMO BRASILEIRO

  • Data: 25/07/2016
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  • Este estudo tem como objetivo analisar a configuração literária do neorregionalismo brasileiro, em observância de alguns dos elementos para base da categorização a autonomia feminina nas obras e a predominância não mais do espaço rural, mas sim urbano. Destaca-se que a maior parte desses romances neorregionalistas segue a tônica da escrita memorialista como fator de resistência e memória dos aspectos regionais no tocante a sua valorização. Utiliza-se para estudos da caracterização do neorregionalismo brasileiro as obras Beira Rio, Beira Vida; A Filha do Meio-Quilo; Pacamão de Assis Brasil - Sombra Severa; Somos Pedras que se Consomem; Ao Redor do Escorpião uma Tarântula? de Raimundo Carrero -  Relato de um certo oriente; Dois Irmãos e Cinzas do Norte de Milton Hatoum - Coivara da Memória; Cartilha do Silêncio; Os Desvalidos de Francisco Dantas, Galiléia e Estive lá fora de Ronaldo Correia de Brito. Pretende-se analisar como o regionalismo surgiu e se desenvolveu em conflito com a modernização; como o neorregionalismo se constitui um fenômeno urbano; como as personagens femininas no neorregionalismo se vestem de autonomia ao contrário das obras anteriores; como a escrita memorialista atua como fator de resistência na valorização da cultura regional.  A presente pesquisa caracteriza-se, essencialmente, como bibliográfica. Utilizando-se como base os seguintes autores: Araújo (2010), Bachelard (1993), Bakhtin (2011), Bueno (2006), Candido (2000), (2006), Chiappini (2014), Williams (1989). Buscou-se, primeiro, a fundamentação necessária para caracterizar essa nova tendência literária brasileira. Em seguida, a análise da autonomia feminina para configuração do neorregionalismo brasileiro. Na terceira parte, abordamos o espaço como elemento não só de composição de análise para a comprovação do neorregionalismo, mas, principalmente, como agente de relevante contribuição para o desenvolvimento das experiências dos personagens, em especial as femininas. E por último, os estudos sobre a memória neorregionalista como instrumento de resistência à crescente globalização da cultura com sua homogeneização.

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  • CARLA AGUIAR FALCÃO
  • PRODUÇÃO ORAL EM ESPANHOL COMO L2 E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: DIÁLOGOS E PRÁTICAS POSSÍVEIS

  • Data: 19/08/2016
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  • Este estudo investiga o tratamento dado à produção oral (PO) em um curso de Licenciatura em Letras Espanhol a distância e analisa se a realização de tarefas de PO contribui para o desenvolvimento dessa habilidade em relação à pronúncia, acurácia gramatical, fluência, inadequação lexical e proficiência oral global de aprendizes de espanhol como língua estrangeira (LE) na educação a distância (EaD), avaliando também o impacto de duas formas diferentes de feedback no desenvolvimento da produção oral desses alunos. A pesquisa foi realizada durante os semestres 2015.1 e 2015.2, respectivamente nas disciplinas de Língua Espanhola II e III. Ao todo, participaram da pesquisa duas professoras e 44 licenciandos. Para a compreensão de como ocorrem as práticas de produção oral no curso, foram analisados o ambiente virtual de aprendizagem dos alunos e o material didático usado, bem como aplicados questionários com os alunos e as docentes das disciplinas. Objetivando avaliar o desenvolvimento da PO dos alunos, os discentes foram divididos em três grupos: grupo experimental, grupo experimental+ e grupo controle. Os participantes do grupo controle realizaram um pré e um pós-teste e não receberam feedback sobre suas produções. Os grupos experimentais realizaram o pré–teste, outras 3 tarefas de PO e o pós-teste e ambos receberam feedback de suas tarefas, sendo o do grupo experimental menos minucioso em relação ao grupo experimental+. Do total de alunos, 18 realizaram todas as atividades nos dois semestres da coleta - 2015.1 e 2015.2-  (coleta longitudinal) e 26 realizaram atividades em somente um semestre – ou 2015.1 ou 2015.2-  (coleta semi-longitudinal). Os resultados qualitativos revelam que as práticas de PO são preteridas nas disciplinas e que o livro didático é o principal, e quase único, material usado pelas professoras no curso. Ademais, os dados revelaram que as tarefas de produção oral realizadas durante a pesquisa foram avaliadas positivamente pelos alunos. A análise quantitativa preliminar da coleta longitudinal aponta que houve um aumento estatisticamente significativo, especialmente para o grupo experimental, da medida de pronúncia, o que não foi constatado com relação ao desenvolvimento da demais variáveis analisadas.

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  • MARIA EDILEUDA DO RÊGO SARMENTO
  • UMA ANÁLISE DA COMPREENSÃO E DA AVALIAÇÃO RESPONSIVA ATIVA DOS EXAMES DE PROFICIÊNCIA EM LÍNGUA INGLESA EM UMA UNIVERSIDADE

  • Data: 19/08/2016
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  • Esta pesquisa se propõe a analisar os Exames de Proficiência em Língua Inglesa, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), no que concerne à elaboração das questões. Para tanto, nos ancoramos na perspectiva bakhtiniana, tendo como base as concepções sobre o enunciado concreto, as relações dialógicas e a compreensão responsiva ativa. Inserida no campo da Linguística Aplicada, esta pesquisa, contempla as áreas de Ciências Agrárias (CA); Ciências Exatas e da Terra (Cet); Ciências Biológicas (Cb); Ciências Humanas e Sociais (Ch); Ciências da Saúde (Cs) e Engenharias (Eng), num total de 30 provas. Os exames visam avaliar a capacidade de compreensão e tradução de fragmentos textuais.  Para tanto, busca-se identificar o entendimento das questões desse exame, aplicadas a textos, quanto às respostas dos examinandos; investigar a contribuição dessas questões para o diálogo numa perspectiva responsiva ativa; perceber o posicionamento do examinando ante as questões propostas, quanto à sua reflexão, atitude crítica e seu posicionamento como interlocutor capaz de interagir, compreender e dialogar com o texto.  Metodologicamente, a pesquisa em foco é de cunho qualitativo, interpretativista, de caráter sócio-histórico, haja vista a geração dos dados e a sistematização da análise. Adotam-se como aporte teórico para as discussões e análises, os estudos de Bakhtin/Volochinov (2006); Faraco (2009); Bakhtin (2011; 2013) entre outros. Destacam-se por seu caráter qualitativo, instrumentos e procedimentos (análise dos Exames e entrevista com examinadores) conforme Martins (2004), Denzin e Lincoln 2006), Flick (2009) Romão (2011); na abordagem histórico-cultural, Rojo (2006), Freitas (2010); na visão de Linguística aplicada e interpretativista, Moita-Lopes (1994). Conclui-se desta pesquisa que houve respostas pertinentes à análise, haja vista que, ao posicionar-se perante um questionamento, o examinando, mesmo sem o conhecimento exato das teorias, está nelas incurso.  Espera-se que este trabalho possa oferecer subsídios para uma reavaliação da proposta em vigor do referido exame, de forma a contribuir para sua possível reformulação, tendo em vista a construção de uma responsividade por parte do examinando.

     

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  • WELLINGTON VIEIRA MENDES
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    Mecanismos de junção entre complexos oracionais em textos acadêmicos: uma abordagem Sistêmico-Funcional

     

     

     

  • Data: 22/08/2016
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  • A observação do modo como se organizam os textos acadêmicos permite o entendimento dos mecanismos de construção dos sentidos nos diferentes estratos dos sistemas discursivos. Além das características lexicogramaticais que se configuram na superfície dos textos, o reconhecimento dos contextos em que são produzidos possibilita também compreendê-los como sendo resultantes de processos de construção de sentidos complexos e articulados nesses sistemas, tal como definido pela Linguística Sistêmico-Funcional (LSF). Este estudo se filia aos modelos de sistemas discursivos propostos por Martin e Rose (2007 [2003]), aos estudos de coesão desenvolvidos em Halliday e Hasan (1976) e à gramática sistêmico-funcional de Halliday e Matthiessen (2004). O foco e escopo do trabalho é o fenômeno da junção com marcadores explícitos – aqui concebida como diferentes realizações da lexicogramática que, independentemente de seu estatuto ou extensão, atuam na confluência de complexos oracionais. Neste caso específico, o interesse se volta aos textos produzidos por graduandos e pós-graduandos em Letras, a fim de: (i) identificar as relações de junção em textos acadêmico-científicos produzidos por estudantes de graduação e de pós-graduação; (ii) comparar os usos das relações de junção entre os textos produzidos por estudantes de graduação e pós-graduação; (iii) apresentar uma tipologia das relações de junção em textos acadêmico-científicos de língua portuguesa, segundo a abordagem sistêmico-funcional. Para atendimento destes objetivos, a pesquisa analisa um corpus de 9,8 milhões de palavras composto por artigos, monografias, dissertações e teses da área de linguística. Os dados foram recenseados com apoio de ferramentas disponíveis nas aplicações do WordSmith Tools (Scott, 2008), especificamente no tratamento quantitativo de amostras. À guisa de resultados, é possível indicar que a junção com marcador explícito se situa com maior recorrência nos textos de graduandos, mas colabora, indistintamente nos trabalhos de graduação e pós-graduação, para a construção de sentidos no discurso porque configuram relações e atividades dentro do próprio texto e para além dele, tanto pelas passagens argumentativas de um tópico a outro, como pelo emprego de recursos como metáfrase, transposição e/ou ampliação de sentidos quando esses componentes funcionais semânticos apontam para a experiência ou ideação e, noutros casos, para a organização sequencial do texto.

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  • MARIA DE FÁTIMA SILVA DOS SANTOS
  • As representações discursivas da vítima e do agressor nos gêneros boletim de ocorrência e inquérito policial

  • Data: 23/08/2016
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  • Esta Tese tem como principal objetivo analisar o fenômeno da representação discursiva da vítima e do agressor nos gêneros boletim de ocorrência e inquérito policial. A pesquisa insere-se no âmbito teórico geral da Linguística de Texto (LT) e, mais especificamente, na Análise Textual dos Discursos (ATD), elaborada pelo linguista Jean-Michel Adam (2011 [2008]). A noção de representação discursiva proposta pela ATD constitui um dos aspectos mais importantes da dimensão semântica do texto e é complementada pelos trabalhos de Grize (1990, 1996) a partir da noção de esquematização discursiva. Nessa perspectiva, o trabalho é orientado pelos estudos da Linguística do Texto, com Adam (2008, 2011), Koch (2011, 2004), Marcuschi (2012, 2005), Cavalcante (2010, 2011); pela noção de gênero, com Bazerman (2005), Bakhtin (1995), Meurer, Bonini e Motta-Roth (2005) e  pelos estudos que abordam as representações discursivas, com Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010, 2012), Ramos (2011), Oliveira (2013), Queiroz (2013), Lopes (2014), dentre outros. Metodologicamente, trata-se de um estudo que se insere no paradigma qualitativo de caráter descritivo e o tipo de pesquisa é documental. O corpus é constituído por boletins de ocorrência e inquéritos policiais originados a partir de denúncias registradas nos boletins selecionados para a análise. Esses documentos foram coletados em uma Delegacia Especializada de Amparo à Mulher (DEAM), em Natal, Rio Grande do Norte. Os procedimentos de análise utilizam as seguintes categorias semânticas de construção da representação discursiva: a referenciação, a predicação, a modificação, a localização espacial e temporal e a comparação. Os resultados preliminares focalizaram a construção da representação discursiva da vítima a partir de pontos de vistas (PdV) de enunciadores distintos (as testemunhas, os acusados, a delegada) e que dependendo da orientação argumentativa do texto esses diferentes PdV tanto podiam se aproximar como se distanciar.

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  • RUMMENIGGE MEDEIROS DE ARAUJO
  • Orientador : ALEX BEIGUI DE PAIVA CAVALCANTE
  • Data: 26/08/2016

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  • CARLOS ROBERTO RODRIGUES BARATA JÚNIOR
  • MEMÓRIA ATÁVICA. Estética da loucura em Mario Quintana

  • Orientador : DERIVALDO DOS SANTOS
  • Data: 21/09/2016
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  • Este trabalho tem como objetivo investigar as acepções do termo loucura e de seus numerosos derivados na obra do poeta Mario Quintana (1906-1994).  Por pouco mais de meio século, o escritor gaúcho entrelaçou insistentes imagens em um plano estético unificado, com vistas a questionar os conceitos de razão e de consciência. O poema Atavismo (1977) ofereceu-se para servir ao mesmo tempo enquanto ponto de partida e eixo central para nossas análises. Conduzido por Atavismo, este estudo observou que os termos loucura e poesia têm ambos a mesma gênese: uma memória atávica. Por isso, foi preciso que considerássemos as inferências sobre o atavismo, conceito das ciências biológicas relativo a um tipo especial de memória e, também, a memória ela mesma. Na redundância proposital formada pelo adjetivo atávica e pelo substantivo memória, o poeta nos induz à percepção de que a discussão sobre a loucura/poesia orbita em torno de um problema coletivo, isto é, social, em sua relação com os tempos e com os valores dos tempos. A compreensão assumida é a de que o (s) termo (s) loucura/poesia erige(m)-se como antítese de formas específicas das configurações sociais vigentes, sejam elas políticas, artísticas, econômicas ou culturais.  É na busca do entendimento dessa antítese que apregoa formas mais espontâneas de vida que este trabalho finaliza seus esforços, apurando as figuras e recursos estéticos com os quais o poeta incorporou seu intento: a criança, o louco, Trebizonda e outros adidos no elenco linguístico quintaniano. Por trabalharmos com uma poética bem articulada em si, a leitura interligada dos poemas de Mario Quintana sustenta-se por si mesma, mas não se institui necessariamente hermética, exclusiva. Sendo esta uma pesquisa qualitativa e não havendo fortuna crítica que verse sobre a temática, a melhor forma de trabalho é, antes de tudo, a leitura atenta dos poemas e a anuência de suas próprias vozes. Para tanto, o trabalho tomar como aporte teórico o pensamento de Mikhail Bakhtin (1895-1975), Henri Bergson (1859-1941), Maurice Halbwachs (1877-1945), Jacques Le Goff (1924─), Michel Foucault (1926─1984) e Ecléa Bosi.  Tais vozes impulsionam apontamentos críticos mais ricos acerca de uma obra brasileira propagada durante uma vida inteira em defesa de uma humanidade além da lógica cartesiana.

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  • MARIA DO SOCORRO OLIVEIRA
  • A responsabilidade enunciativa no gênero inquérito policial

  • Orientador : JOAO GOMES DA SILVA NETO
  • Data: 21/09/2016
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  • Nesta tese, propomo-nos a estudar a Responsabilidade Enunciativa (RE) no gênero Inquérito Policial (IP),  com os objetivos de identificar, analisar e classificar as ocorrências da RE nesse documento. O IP é um documento de caráter administrativo interno, conduzido pela polícia judiciária, e a RE está situada no nível 7 da análise de textos propostos por Adam (2011), que corresponde à enunciação e à coesão polifônica. A pesquisa fundamenta-se no quadro teórico da Linguística Textual (LT) e, mais especificamente, nos pressupostos da Análise Textual dos Discursos (ATD). Assim, os respaldos teóricos da pesquisa advêm da linguística textual, dos estudos linguísticos do texto, dos gêneros textuais e do discurso Adam ( 2011) ; Koch (2004, 2011); Koch; Elias (2006); Marcuschi (2002, 2008); Bakhtin (1997), Bazerman (2005); Maingueneau (2004, 2008); Charaudeau (2010) e da linguística da enunciação Ducrot (1987); Benveniste (2006); Authier-Revuz (1998, 2004); Rabatel (2008), dentre outros. Quanto aos aspectos metodológicos, da pesquisa, trata-se de uma abordagem documental, de base descritiva, orientada pelo método dedutivo-indutivo, em que se investiga um corpus constituído por IP, originados a partir de denúncias realizadas em boletins de ocorrência registrados em uma Delegacia Especializada de Amparo à Mulher, em Natal, Rio Grande do Norte. Nos procedimentos de análise metodológica do corpus, foram aplicadas  as oito categorias propostas por Adam (2011) capazes de  marcar o grau de RE de uma proposição: os índices de pessoas; os dêiticos espaciais e temporais; os tempos verbais; as modalidades; os diferentes tipos de representação da fala; as indicações de quadros mediadores; os fenômenos de modalização autonímica; as indicações de um suporte de percepções e de pensamentos relatados. Os resultados preliminares da análise focalizaram as marcas linguísticas da RE a partir dos PdV de enunciadores que atuam no quadro enunciativo do gênero IP e que podem aproximar-se ou distanciar-se de acordo com a orientação argumentativa do texto. Por fim, considera-se que a pesquisa pode contribuir para o desenvolvimento de novos estudos que envolvam o texto, a linguística textual, os gêneros textuais, a enunciação e a responsabilidade enunciativa nos campos policial e jurídico.

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  • GIEZI ALVES DE OLIVEIRA
  • PROCESSAMENTO COGNITIVO DA EMERGÊNCIA DO SIGNIFICADO EM FÁBULAS: DA TEORIA NEURAL DA LINGUAGEM À TEORIA NEURAL DA NARRATIVA.

  • Orientador : PAULO HENRIQUE DUQUE
  • Data: 01/12/2016
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  • Esta tese investiga os processos de construção de sentido em narrativas com base na teoria Neural da linguagem e na semântica da simulação. Discute a concepção de linguagem com base na Linguística Cognitiva que entende o aparato biológico humano e a experiência sociocultural como elementos basilares no processo de construção de sentido e defende que as ações corporificadas permitem a criação de esquemas de imagem e de ação para a comunicação humana. Aventamos que essa comunicação está ancorada na formação de circuitos neurais de natureza narrativa, conforme estudos de Mark Turner (1996) e George Lakoff (2008). O corpus utilizado para as análises foram um conjunto de fábulas extraídas das obras de Esopo, La Fontaine, Monteiro Lobato, Sérgio Caparrelli & Márcia Schmaltz. As análises das fábulas revelam a importância dos frames, o papel da simulação mental durante a leitura da categoria discursiva fábula. O trabalho aponta, ainda, para a importância de se estudar a narrativa como um recurso cognitivo que guia o compreendedor na configuração e emergência de Frames Discursivos. Esse tipo de Frame revela a existência de uma estrutura interna em um padrão linguístico e discursivo, integrado por constituintes que instanciam forma e significado. Além disso, este estudo demonstra que o processo de compreensão de narrativas envolve diversos fatores, dentre eles o acionamento de sentidos por meio de inferências, analogias, referências e representações mentais, evocados por pistas linguísticas presentes em construções discursivas. Essas construções são resultantes da capacidade cognitiva do ser humano de criar categorias discursivas e linguísticas que nos ajudam a ativar e acionar os sentidos a partir textos, sejam eles orais ou escritos, de natureza ficcional ou não. Verifica-se, assim, que contar histórias constitui um dos mecanismos cognitivos mais eficientes no processo de transmissão de experiências reais ou fictícias. O ato de narrar parece conduzir o interlocutor a imaginar, de maneira mais eficiente, as causas, as consequências e as intenções, não só dos protagonistas envolvidos na trama, mas também do autor da história; permite, ainda, simular ações no momento em que elas são descritas e projetá-las em um dado espaço-temporal. Acreditamos que este trabalho possa contribuir para os estudos cognitivistas acerca da compreensão de textos.

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  • VANILTON PEREIRA DA SILVA
  • O Papel das Expressões Idiomáticas no Processo de Construção de Sentido: implicações discursivas

  • Orientador : PAULO HENRIQUE DUQUE
  • Data: 01/12/2016
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  • Esta tese objetiva verificar o papel das expressões idiomáticas no processo de construção de sentido e suas implicações no discurso. Para isso, partimos do pressuposto de que a aplicação do modelo de Gramática de Construção Corporificada fornece subsídios à compreensão do papel das expressões idiomáticas, pois mostra não apenas como frames, esquemas e projeções metafóricas se integram na produção de especificações semânticas (semspec), mas também como essas semspec são resolvidas nos contextos situacional e discursivo, e de que maneira as inferências são produzidas durante o processamento discursivo. Nessa empreitada, recorremos às noções de construção (pareamento de forma e significado), framing, corporalidade, simulação mental e idiomaticidade. O corpus deste trabalho é constituído por 20 textos que contêm expressões idiomáticas, retirados da internet por meio do mecanismo de busca Google. A metodologia utilizada é de cunho qualitativo, uma vez que permite a realização de uma análise empírica dos dados, sem a preocupação de recorrer a informações quantitativas. A análise preliminar revela que as expressões idiomáticas integram um conjunto de mapeamentos metafóricos que estruturam o framing sobre o qual o discurso é construído.

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  • EMANUELLE PEREIRA DE LIMA DINIZ
  • A CONSTRUÇÃO DE SENTIDO EM TEXTOS MULTIMODAIS: uma análise dos processos de categorização a partir da leitura de charges sobre a copa do Mundo 2014

  • Orientador : MARCOS ANTONIO COSTA
  • Data: 02/12/2016
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  • Este trabalho tem como objetivo principal investigar, na perspectiva da Linguística Cognitiva contemporânea, como ocorrem os processos de categorização, a partir das leituras de charges relacionadas à Copa do Mundo 2014, apresentadas por alunos do Ensino Médio do ensino público de Natal/RN. Especificamente, nos embasamos nas noções de categorização (LAKOFF; JOHNSON, 1999), esquemas imagéticos (LAKOFF, 1987; JONHSON, 2007), frames (MINSKY, 1974), simulações mentais (BARSALOU, 1999) e modelos de situação (ZWAAN, 1999). Partimos da hipótese de quecategorizar as entidades que nos cercam sugere a ativação de um sistema cognitivo integrado, no qual estão associados aspectos de nossa experiência corpórea e de nossa linguagem. Para realização de nossa investigação, escolhemos como corpus 10 (dez) textos, leituras elaboradas a partir da compreensão de 2 (duas) charges, as quais têm como tema a Copa do Mundo de 2014. Adotamos uma metodologia qualitativa baseada no paradigma da introspecção (TALMY, 2005), que busca a compreensão dos fenômenos envolvidos na pesquisa a partir da observação e análise particular do pesquisador. Com a nossa análise preliminar, constatamos que a categorização se dá por meio da manipulação de informações adquiridas a partir de nossas vivências. Assim, podemos afirmar que as pistas verbais e não verbais disponíveis nas charges funcionam como guias de sentido que ativam todo aparato cognitivo nas atividades de construção de sentido e, consequentemente, nos processos de categorização.
     
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  • ANDERSON SOUZA DA SILVA LANZILLO
  • Orientador : MARIA DAS GRACAS SOARES RODRIGUES
  • Data: 05/12/2016

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  • ANDRE ANDERSON CAVALCANTE FELIPE
  • Orientador : JOAO GOMES DA SILVA NETO
  • Data: 05/12/2016

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  • CÉLIA MARIA DE MEDEIROS
  • Orientador : MARIA DAS GRACAS SOARES RODRIGUES
  • Data: 05/12/2016

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  • EMILIANA SOUZA SOARES
  • Orientador : MARIA DAS GRACAS SOARES RODRIGUES
  • Data: 06/12/2016

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  • EVALDO GONDIM DOS SANTOS
  • Cartografias da metaficção paródica em O Xangô de Baker Street: “conhece os meus métodos”

  • Data: 08/12/2016
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  • A proposta desta tese é a de apresentar cartografias da metaficção paródica no romance O Xangô de Baker Street (1995), de Jô Soares, e no filme homônimo (2001), de Miguel Faria Júnior. Estas obras, estando para além de meras reproduções, apontam para suas próprias constituições, pondo em cena o que escapa aos discursos que são trazidos à ficcionalidade. Sendo monumentos artísticos que não se sustentam em outras coisas a não ser neles mesmos, elas maquinam suas próprias produções, desterritorializando o que possa dar margens a narrações verídicas. Trata-se de escritas autopoiéticas intransitivas que no espaço literário e cinematográfico suspendem a palavra, deixando-a sem os entraves de ordens discursivas, dando visibilidades outras a travessias que se operam na esteia de imagens que são criadas. Dessa maneira, objetiva-se analisar como se desenvolve nestas obras escritas que, acontecendo no deslizamento da significação, se voltam para as próprias narrações, apontando para mundos possíveis que se sustentam. A pesquisa é estabelecida a partir de leituras que tratam, sobretudo, da escrita autopoiética, do humor enquanto arte das superfícies, bem como da fabulação de mundos por vir que se projetam, fazendo uso de conceitos da filosofia da diferença em Deleuze e Guattari e da crítica literária, principalmente, em Blanchot e Barthes tais como máquina autopoiética, humor, fabulação, espaço literário e escrita intransitiva. Ao apontar para suas próprias constituições, o romance de Jô Soares e sua adaptação para o cinema trazem a metaficcionalidade intensivamente para seus planos de composição pelo parodiar de elementos recorrentes às narrativas policiais doylianas e de discursos logocêntricos e etnocêntricos estigmatizadores.  O que acontece nos planos de composição não se encontra em tecidos narrativos que busquem delinear sentidos. Nas superfícies da escrita, toda uma criação que se encaminha para aventuras do detetive que descobre pelo olhar perspectivado não se torna realidade ficcional. No romance de Jô Soares e na sua adaptação para o cinema vários mundos se insinuam no espaço da escrita. São virtualidades que, transpondo afecções e percepções do vivido, se projetam em devires e paisagens não humanas num Brasil que faz de conta que é europeu.

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  • PAULO DE MACEDO CALDAS NETO
  • Um bonde chamado saudade:

    Memória e Historiografia na prosa de Augusto Frederico Schmidt

  • Data: 09/12/2016
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  • A abordagem do discurso literário e das suas relações com o discurso histórico parte de uma indagação voltada ao entendimento da memória e do sujeito. Este, enquanto ser psicossocial, ajudará na formação de um discurso memorialístico individual, cuja base servirá para a construção de uma memória coletiva, a qual, depois, será a criticidade do saber da História, na condição de Ciência. A reflexão crítica da História é a Historiografia, vertente da Filosofia da História responsável pela análise dos fatos que marcaram uma sociedade. Este trabalho tem como primeiro foco a compreensão dos alicerces da memória individual do eu nos relatos memorialísticos de O Galo Branco, As florestas e outros textos publicados, na categoria prosa, pelo escritor e Homem de negócios Augusto Frederico Schmidt. Conhecido por sua intensa atuação política no Governo JK, nos idos de 50 e 60 no Brasil, vamos nos deparar com um sujeito preocupado com o registro de sua vida e com as correspondências existentes entre a sua obra artístico-biográfica e os acontecimentos de uma época. Alguns dos textos schmidtianos lembram crônicas, porque foram editados em jornais e possuem a brevidade, o lirismo, a poesia do momento, muito embora sigam além do registro circunstancial, alcançando a estrutura de uma narrativa longa e cheia de pontos autobiográficos. Tivemos a preocupação aqui de apontar as fronteiras entre o memorialístico, o historiográfico e o autobiográfico, principalmente quando estabelecíamos ligações teóricas e analíticas para a explicação estética das obras literárias em questão. Todo o mecanismo psicomotor da lembrança, componente para a ativação da memória, foi destacado. Logo mais, será ponderada a maneira pela qual se apresenta o discurso histórico no interior das narrativas reais de Schmidt e, ao final da pesquisa, a representatividade da conexão entre um e outro.

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  • KAREN CHRISTINA PINHEIRO DOS SANTOS
  • Orientador : MARIA DO SOCORRO OLIVEIRA
  • Data: 12/12/2016

2015
Dissertações
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  • MICHELLE PATRÍCIA PAULISTA DA ROCHA
  • MEMÓRIAS DE INFÂNCIA E LEITURAS: LETRAMENTOS E AUTOBIOGRAFIA NO PROJETO DE ESCRITA LITERÁRIA DE BARTOLOMEU CAMPOS QUEIRÓS

  • Data: 02/02/2015
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  • O presente trabalho tem como objetivo estudar a obra de Bartolomeu Campos Queirós, especialmente as narrativas que tratam de uma infância que pode ser a do escritor Bartolomeu, a saber: Indez; Por parte de pai; e Ler, escrever e fazer conta de cabeça, as quais relatam fatos significativos que, de igual maneira, podem ser da vida do autor — sob a ótica dele próprio. A “trilogia”, como escolhemos chamar, expõe a infância como um tempo de alegria, mas também como uma fase da vida intensamente permeada de dúvidas, temores e inquietações. Partimos da leitura da “trilogia” para comprovarmos o caráter autonarrativo da escrita queirosiana, exemplificada nos três títulos referidos. Ancorados nos pressupostos teóricos de Lejeune (1975), Brandão (2008), Amorim (2012), Izquierdo (2004), Paulino (2010) et al., encontramos, na obra de Queirós, vestígios de uma escrita memorialística, mas que cumpre uma rota particular de recuperação de lembranças, deixando à vista um pacto autobiográfico, que dá ao conjunto dos três livros vieses de escrita autobiográfica. Identificada a perspectiva memorialista e autobiográfica do conjunto das três narrativas mencionadas, consideramos ainda o papel do tempo — ora como kronos, ora como fator meteorológico, climático —, possível de ser “lido”, e da relevância que ocupa nas narrativas. Paralelamente às questões de memória, abordaremos ainda a temática do letramento, procurando chegar a uma descrição de como se deu tal processo em Bartolomeu, destacando as muitas particularidades neste percurso. Pretendemos identificar marcas em sua literatura decorrentes desse trajeto, como sendo a produção literária do autor fruto de experiências vividas, sobretudo no convívio junto ao avô Joaquim, retratado em Por parte de pai, bem como de sua sensibilidade e vocação poética. Algumas dessas experiências encontram lugar em Ler, escrever e fazer conta de cabeça. Observamos o percurso de alfabetização do menino das histórias, bem como os caminhos que conduzem aos processos de letramentos literário e familiar, destacando a figura fundamental do avô paterno Joaquim Queirós, como um dos principais atores pedagógicos (AMORIM 2012) na formação do menino Antônio, protagonista de Indez.

2
  • GIBSON NASCIMENTO DE AZEVEDO
  • O DESENVOLVIMENTO DA COMPETÊNCIA LEITORA E AS CONCEPÇÕES DE ENSINO-APRENDIZAGEM DA LEITURA: UM ESTUDO COM CRIANÇAS DO PROJETO ACERTA NA REDE PÚBLICA DE NATAL - RN

  • Data: 04/02/2015
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  • Aprender a ler pode ser considerado o maior passo no desenvolvimento cognitivo de uma criança, tendo em vista que o aprendizado desta habilidade não é natural como aprender a andar e a falar. Sob o ponto de vista neurobiológico, a leitura corresponde a um processo de complexas adaptações do sistema nervoso que necessita de estímulo e orientação externa. O ambiente e o estímulo ambiental são responsáveis pelo desenvolvimento do cérebro, que permite desenvolver diversas habilidades e adquirir conhecimento. (AMARO JR., CASELLA, COSTA, 2011; DEHAENE, 2009; OLIVEIRA, 2010; 2011; SCLIAR-CABRAL, 2009). Buscamos com este estudo investigar o desenvolvimento da competência leitora em alunos do segundo ano do ensino fundamental da rede pública da cidade de Natal – RN e levantar informações a partir da Provinha Brasil, de dados gerados a partir de entrevistas com coordenadores pedagógicos e análise do livro didático utilizado nas aulas. Com base neste objetivo principal, procuramos responder às seguintes perguntas de pesquisa: (a) Qual competência leitora o método de alfabetização das escolas pretende desenvolver nos alunos?; (b) Qual é a competência leitora desenvolvida a partir dos critérios de medição estabelecidos pela Provinha Brasil?; (c) Qual a relação entre o resultado da Provinha Brasil e a competência leitora desenvolvida com o método de alfabetização por meio do livro didático? Seguindo a metodologia de pesquisa quali-quantitativa (DÖRNEY, 2007), as Provinhas Brasil dos alunos do segundo ano do ensino fundamental de cinco escolas pertencentes ao Projeto ACERTA - Avaliação de Crianças em Risco de Transtornos de Aprendizagem (CAPES/OBEDUC)- foram analisadas e comparadas às percepções dos representantes das escolas sobre o ensino/aprendizagem da leitura e com o livro didático adotado. Os resultados indicam que a competência desenvolvida pelos alunos na alfabetização parece ir de encontro ao que é proposto pela escola. Contudo, os resultados também apontam para uma possível adaptação no método adotado pela escola, por parte dos professores alfabetizadores, o que pode explicar o desempenho dos alunos na Provinha Brasil. Pretendemos assim, contribuir com desenvolvimento da alfabetização a partir de dois vieses: ampliando o escopo teórico, no sentido de gerar maior inteligibilidade acerca das bases neurais da aprendizagem da leitura; e propondo uma nova possibilidade metodológica, utilizando os resultados da Provinha Brasil como instrumento de diagnóstico da habilidade de leitura e de possíveis transtornos de aprendizagem que acompanham este processo.

3
  • EWERTON MENDONÇA DE OLIVEIRA
  • Representações de professores em formação inicial sobre o “bom professor”: um estudo sistêmico-funcional longitudinal

  • Data: 09/02/2015
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  • Com o foco nas representações que circunscrevem a formação inicial de professores de Língua Inglesa, este trabalho propõe-se a analisar o que os participantes da pesquisa concebem como “bom professor” no contexto do Instituto Ágora, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Nossa proposta visa reconhecer como são concebidas linguisticamente tais representações através das marcas lexicogramaticais, mais precisamente pelos processos, segundo os pressupostos da Gramática Sistêmico-Funcional (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004; EGGINS, 2004; THOMPSON, 2004). Entrevistas foram elaboradas, aplicadas e analisadas com seis participantes ao iniciarem o semestre letivo das turmas de inglês do referido curso, bem como ao final do semestre, constituindo assim dois pontos distintos que oferecem uma perspectiva longitudinal. A primeira etapa compreendeu seis entrevistas gravadas em áudio e posteriormente transcritas, assim como aplicação de questionários relacionados aos dados demográficos para traçar o perfil dos informantes. Selecionamos as marcas lexicogramaticais por meio do programa computacional WordSmith Tools (SCOTT, 2010) a fim de localizar as ocorrências e entender a maneira como eram construídas por meio dos processos. Partiu-se do pressuposto de que, ao reconstruir suas experiências nas entrevistas, os participantes poderiam se tornar mais críticos e conscientes de suas práticas. Os resultados analisados mostram que, ao primeiro momento de entrevistas, os professores expressam-se com mais cuidado quando delineiam suas opiniões e exprimem suas representações, fato este sugerido pelo uso de (1) processos mentais cognitivos do tipo acho, (2) metáforas modais de obrigação do tipo tem que, e por último (3) o processo relacional atributivo é. No segundo momento, percebeu-se que as marcas presentes em seu discurso passam a indicar mais assertividade, sem a presença de modalizações ou processos mentais que expressam incerteza, passando assim a expressar sentidos orientados apenas pelo processo atributivo relacional é. A pesquisa mostra, em sua etapa final, a mudança das representações  em sua forma e também em seu conteúdo, dando assim margem para aspectos não expressados no primeiro momento, bem como o apagamento de alguns relatos presentes na primeira etapa de entrevistas, mas não na segunda. Os resultados aqui expressos são relevantes na discussão e entendimento das  representações e suas implicações nos dizeres e fazeres dos profissionais docentes, podendo este estudo fornecer dados para discussões sobre formação inicial e continuada, assim como em investigações voltadas para os mecanismos linguísticos no discurso de professores de Inglês e suas práticas. Com o foco nas representações que circunscrevem a formação inicial de professores de Língua Inglesa, este trabalho propõe-se a analisar o que os participantes da pesquisa concebem como “bom professor” no contexto do Instituto Ágora, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Nossa proposta visa reconhecer como são concebidas linguisticamente tais representações através das marcas lexicogramaticais, mais precisamente pelos processos, segundo os pressupostos da Gramática Sistêmico-Funcional (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004; EGGINS, 2004; THOMPSON, 2004). Entrevistas foram elaboradas, aplicadas e analisadas com seis participantes ao iniciarem o semestre letivo das turmas de inglês do referido curso, bem como ao final do semestre, constituindo assim dois pontos distintos que oferecem uma perspectiva longitudinal. A primeira etapa compreendeu seis entrevistas gravadas em áudio e posteriormente transcritas, assim como aplicação de questionários relacionados aos dados demográficos para traçar o perfil dos informantes. Selecionamos as marcas lexicogramaticais por meio do programa computacional WordSmith Tools (SCOTT, 2010) a fim de localizar as ocorrências e entender a maneira como eram construídas por meio dos processos. Partiu-se do pressuposto de que, ao reconstruir suas experiências nas entrevistas, os participantes poderiam se tornar mais críticos e conscientes de suas práticas. Os resultados analisados mostram que, ao primeiro momento de entrevistas, os professores expressam-se com mais cuidado quando delineiam suas opiniões e exprimem suas representações, fato este sugerido pelo uso de (1) processos mentais cognitivos do tipo acho, (2) metáforas modais de obrigação do tipo tem que, e por último (3) o processo relacional atributivo é. No segundo momento, percebeu-se que as marcas presentes em seu discurso passam a indicar mais assertividade, sem a presença de modalizações ou processos mentais que expressam incerteza, passando assim a expressar sentidos orientados apenas pelo processo atributivo relacional é. A pesquisa mostra, em sua etapa final, a mudança das representações  em sua forma e também em seu conteúdo, dando assim margem para aspectos não expressados no primeiro momento, bem como o apagamento de alguns relatos presentes na primeira etapa de entrevistas, mas não na segunda. Os resultados aqui expressos são relevantes na discussão e entendimento das  representações e suas implicações nos dizeres e fazeres dos profissionais docentes, podendo este estudo fornecer dados para discussões sobre formação inicial e continuada, assim como em investigações voltadas para os mecanismos linguísticos no discurso de professores de Inglês e suas práticas.

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  • FRANCISCO GEOCI DA SILVA
  • For The Win (FTW)! Contribuições de um serious game para o ensino-aprendizagem de argumentação.

  • Data: 20/02/2015
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  • Pesquisa qualitativa de vertente etnográfica que focaliza o letramento digital. Dentre as mídias digitais que poderiam subsidiar o ensino de argumentação nos cursos de Bacharelado em Ciências e Tecnologia (BCT) e de Bacharelado em Tecnologia da Informação (BTI), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), escolhemos um serious game como objeto de pesquisa. Tendo em vista o objeto de estudo do componente de Práticas de Leitura e Escrita – II (PLE-II) – argumentação e gêneros da ordem do argumentar –, comum aos cursos de graduação mencionados, investimos no desenvolvimento de um serious game, intitulado ArgumentAÇÃO, por considerarmos que ele pode, de fato, constituir-se como instrumento didático promissor. Assim, buscamos compreender se e como esse game pode ajudar o aluno a desenvolver mais autonomamente suas competências de leitor e de escrevente, especificamente diante de um gênero discursivo da ordem do argumentar: o artigo de opinião. Com essa pesquisa, tencionamos contribuir com o ensino de Língua Portuguesa a partir de três vieses: ampliando escopo teórico, no sentido de gerar maior inteligibilidade acerca do processo de ensino-aprendizagem de argumentação; propondo uma nova possibilidade metodológica, com a incorporação de um serious games ao ensino; aperfeiçoando o jogo com o qual estamos trabalhando, a fim de construirmos e disponibilizarmos uma ferramenta digital mais bem acabada para subsidiar o ensino-aprendizagem de leitura e escrita de artigos de opinião. Para tanto, assumimos como referencial teórico-metodológico os Estudos de Letramento (KLEIMAN, 2012b; TINOCO, 2008; GEE, 2009; 2010; ROJO, 2012), a Linguística Aplicada (KLEIMAN, 1998; MOITA-LOPES, 2009), a filosofia da linguagem (BAKHTIN e VOLOSHINOV, 2012) e a Pedagogia Crítica (DEWEY, 2010). Colaboraram com esta pesquisa um grupo de alunos do BCT e do BTI, que jogaram o game, analisaram-no e nos concederam entrevistas a respeito dessa experiência. A partir dos dados gerados, estabelecemos as categorias de análise: descoleção, interesse, agente de letramento, multimodalidade/multissemiose e interatividade. Os resultados alcançados revelam que o investimento em softwares, especificamente games, pode trazer reais benefícios ao ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa, além disso, revelam que o trabalho com a argumentação realizado nas disciplinas de PLE tem muito a ganhar com a incorporação de serious games; todavia, os possíveis ganhos dependem de uma prática de ensino situada e de constante aprimoramento e atualização desse tipo de ferramenta interativa, bem como da própria prática pedagógica daqueles que a utilizam e a desenvolvem.

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  • KARINA DANTAS VILLAR RAMALHO
  • O ETHOS NO DISCURSO LITERÁRIO: A IMAGEM DO LOUCO EM “CRÔNICA DA BANALIDADE”, DE CARLOS DE SOUZA

     

  • Data: 23/02/2015
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  • Crônica da Banalidade é um romance do autor norte-rio-grandense Carlos de Souza, cuja publicação, em 1988, aborda o tema da loucura, assim como outros romances o fizeram naquele período (“Recomendações a todos”, de Alex Nascimento e “Dotô, casa comigo?”, de Ruben G. Nunes). Neste estudo, analisamos a construção do ethos de louco na obra de Carlos de Souza. O ethos, segundo a Análise do Discurso (MAINGUNEAU, 2008, 2010 e 2012), implica um trabalho de interpretação de marcas de caráter, que correspondem a uma gama de traços psicológicos, e de corporalidade, que correspondem a uma constituição corporal, maneiras de se vestir e de se movimentar no ambiente social, mostradas por um enunciador, sugerindo uma imagem de si. Assim, a noção de ethos compreende um conjunto de determinações físicas e psíquicas ligadas pelas representações coletivas ao personagem do enunciador. A imagem que o leitor constrói do enunciador emerge a partir de indícios textuais de diversas ordens, dessa forma, com base na seleção lexical operada em “Crônica da Banalidade”, mostramos como a imagem do narrador-personagem “louco” se assenta na oposição loucura versus razão, reproduzindo o procedimento de segregação, típico das sociedades disciplinares (FOUCAULT, 2012), sociedades estas que selecionam, excluem e rejeitam os sujeitos que apresentam comportamentos ou discursos afastados da norma, exercendo, assim, um controle social e moral, simultaneamente. Para tanto, analisamos a emergência desse ethos de “louco” a partir das "cenas de enunciação" (MAINGUENEAU, 2012) da referida obra de Carlos de Souza, observando os "procedimentos discursivos de exclusão" que a cenografia do romance representa. Consideramos esse trabalho relevante para a consolidação de pesquisas em Análise do Discurso (AD), especialmente por trabalhar na interface entre a Linguística Aplicada e a Literatura, tendo em vista que o objeto teórico não é a língua, mas o discurso, sendo este último um lugar que articula língua, visões de mundo e subjetividade.

     

     


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  • LEONARDO MEDEIROS DA SILVA
  • A configuração argumental dos verbos dicendi na conversação

  • Data: 25/02/2015
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  • Esta dissertação consiste em um estudo sobre o comportamento dos verbos dicendi (VD) na conversação. O objetivo é analisar a configuração argumental desses verbos a fim de investigar o modo como esse tipo de verbo e seus argumentos se manifestam em contextos reais de uso da língua. O foco da investigação recai sobre as características morfossintáticas, semânticas e pragmáticas dos argumentos externo e interno dos VD. Sendo assim, examinarei i) a relação sintático-semântica que esses argumentos mantêm com os VD, ii) o nível de integração entre a oração matriz e o discurso reportado (introduzido pelo VD da oração matriz), iii) os fatores que determinam a seleção e a organização do(s) argumento(s) interno(s) e iv) se há preferência de algum tipo de estrutura em detrimento de outras. Os VD são considerados como sendo de sintaxe única, uma vez que diferem dos verbos transitivos típicos e, igualmente, dos verbos intransitivos típicos. Essa característica, por si só, motivou várias pesquisas acerca do comportamento desse verbo; contudo, grande parte do conhecimento produzido não se baseia em dados espontâneos de fala. Daí a justificativa para o desenvolvimento deste estudo, que pretende analisar a configuração argumental dos VD com base em enunciados produzidos em situações espontâneas de uso da língua. O presente trabalho está ancorado nos preceitos teóricos e metodológicos da Linguística Funcional Centrada no Uso, que defende a análise da língua a partir de seu uso, isto é, em interações comunicativas reais. Portanto, essa abordagem considera que a situação comunicativa interfere diretamente na enunciação. A pesquisa tem como corpus o Banco Conversacional de Natal (FURTADO DA CUNHA, 2011), que constitui uma amostra de conversação natural.

     

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  • VANESSA GUEDES DE CARVALHO
  • Motivações semântico-cognitivas e discursivo-pragmáticas no uso de sufixos graduadores nominais

  • Data: 25/02/2015
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  • Neste trabalho, focalizamos o uso de sufixos graduadores nominais, particularmente processos de atribuição de valor por meio do emprego desses elementos. Objetivamos identificar e discutir motivações semântico-cognitivas e discursivo-pragmáticas implicadas no uso desses sufixos. Adotamos como referencial teórico a Linguística Funcional Centrada no Uso, que reúne contribuições dos estudos da Linguística funcional representada por autores como Heine (1997), Givón (1998, 2001), Hopper (2003), Furtado da Cunha (2001, 2007) e os estudos da Linguística Cognitiva, tal como sustentada por Lakoff e Johnson (1980, 1987, 1999), Taylor (1992), Tomasello (1998, 2003). A metodologia de nossa pesquisa é eminentemente qualitativa com suporte quantitativo e consistirá basicamente dos seguintes procedimentos: revisão bibliográfica, coleta, organização, tabulação e quantificação dos dados, além da análise dos dados para fins de identificação de fatores semânticos, cognitivos, discursivos e pragmáticos implicados no emprego de sufixos graduadores nominais. No que diz respeito ao Corpus, consiste ele de textos representativos dos gêneros Carta do Leitor e Coluna Social, publicados na revista Veja no primeiro semestre de 2011.

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  • KEYNESIANA MACÊDO SOUZA
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    BELMIRO BORBA, UM HOMEM DE ABISMOS: um personagem em conflito sob o prisma da melancolia na obra O amanuense Belmiro, de Cyro dos Anjos

  • Data: 27/02/2015
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  • Esta dissertação apresenta uma leitura analítica do romance O amanuense Belmiro (1937), de Cyro dos Anjos (1906-1994), tendo como objetivo principal analisar como alguns aspectos da melancolia, conjuntamente com a noção de memória, tempo e escritura diarística perpassam toda a narrativa desse livro ímpar no panorama literário brasileiro. Trata-se de uma obra atípica dentro da ficção da década de 1930 por ser uma voz dissonante comparada às produções regionais e sociais da época. Sua temática aborda a relação do homem com a vida; o presente e o passado; o amor e as frustrações e o herói em busca de si. Belmiro Borba, narrador-personagem, é um homem sentimental e tolhido pelo excesso de vida interior, que resolve escrever um livro e assim registrar no papel suas histórias, lembranças, sentimentos, meditações e ilusões. Nessa perspectiva, esta pesquisa visa trazer à tona questões relacionadas à estética da melancolia, principalmente, sua relação com o processo criativo existente na escritura belmiriana em seu fazer literário. Ao longo de nossa abordagem, recorreremos aos estudos realizados por Aristóteles (1998), Lambotte (2000), Benjamin (2011) e Kristeva (1989) para articular pontos pertinentes à melancolia; Halbwachs (2006) quanto ao conceito de memória, entre outros teóricos que foram imprescindíveis para a finalização deste estudo.

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  • SERGIO AUGUSTO DE LIMA E SILVA
  • O discurso argumentativo em sentenças judiciais

  • Orientador : JOAO GOMES DA SILVA NETO
  • Data: 27/02/2015
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  • Este trabalho consiste na investigação sobre o discurso argumentativo em sentenças judicias condenatórias. Para identificar, descrever, analisar e interpretar os aspectos textuais e argumentativos, recorremos aos estudos sobre Linguística textual (LT) e as categorias de análises da Análise Textual dos Discursos (ATD) (cf. Adam, 2011; Soares, Silva Neto, Passeggi, 2010), e aos estudos do texto (Maingueneau, 2001, Marcuschi, 2008), e os estudos sobre argumentação (cf. Koch, 2009; Breton, 1996; Reboul, 2004; Perelman e Tyteca, 2005). Propõe-se, pois, analisar como os aspectos argumentativos são construídos discursivamente, em sentenças judiciais, por meio de categorias de análise como a pressuposição, os operadores argumentativos, as expressões modalizadoras e, por último, a configuração textual da sequência argumentativa. A análise, metodologicamente, seguiu o paradigma de abordagem qualitativa (Chizzotti, 1991; Nelson et al, 1992), de natureza documental (Severino, 2007), a fim de interpretar o conjunto dos dados empíricos presentes nos textos analisados. Nesta pesquisa, analisamos um corpus formado por um exemplar do gênero sentença judicial publicado no ano de 2012, proferido por juiz ou desembargador e coletado diretamente da página inicial, no campo consulta de julgados de 1º grau, do sítio do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP). Verifica-se, portanto, que são construídas, no corpus analisado, diversas marcas linguísticas da argumentação, como recursos para textualização e construção da configuração argumentativa no gênero sentença judicial. Essas categorias permitem reconstruir textualmente a argumentação nesses textos. Dessa forma, a análise aponta para um discurso argumentativo constituído por diferentes e variadas marcas linguísticas e configurações argumentativas que fundamentam a decisão final julgadora do mérito.

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  • FABIO RODRIGO BARBOSA DA SILVA
  • A INVENÇÃO BARROCA DE JORGE DE LIMA: uma leitura da obra Invenção de Orfeu

  • Data: 10/03/2015
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  • Nesta dissertação, examinamos algumas das questões fundamentais para a compreensão da obra Invenção de Orfeu do poeta alagoano Jorge de Lima. Para isso, optamos por analisar a natureza barroca do poema, evidenciando algumas das suas principais características: a estética do paradoxo; o gênero híbrido (épico-lírico); a síntese entre o mito antigo de Orfeu e o mito cristão da Queda em alegorias aproximadas; e a poesia como realização de uma utopia. Para realizar os diálogos propostos com o objeto de estudo, lançamos mão dos instrumentais teóricos de Walter Benjamim (1984), Eugênio D’Ors (s.d), Severo Sarduy (1989[?]), Oswald de Andrade (2011).

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  • LARISSA KAREN RIBEIRO GOMES
  • NOS CAMINHOS DE BRANCA DE NEVE:

    UM ESTUDO SOBRE MEMÓRIA CULTURAL E SIMBOLOGIA NOS CONTOS DE FADAS

  • Data: 10/03/2015
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  • Este trabalho tem por objetivo compreender a formação do gênero conto de fadas literário, observando as questões sociais e culturais intrínsecas ao literário. A compreensão do processo de consolidação e institucionalização do gênero é interligada com a análise de contos que apresentam elementos de semelhança com a história “Branca de Neve e os Sete Anões”, publicada em 1812 pelos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm. A partir deste conto é feito um trabalho de ‘rastreamento’, seguindo a pesquisa de Carlo Ginzburg (1989,1993), de demais contos que possuam elementos narrativos e símbolos semelhantes, dentre os quais foram selecionados contos de Giambattista Basile (1634), Laura Gozenbach (1870), Thomas F. Crane (1885) e Joseph Jacobs (1892), para compor o corpus desta dissertação. A partir da análise dos contos, buscou-se uma compreensão de como esse gênero consegue permanecer como um dos mais importantes do mundo, conforme o pensamento de Jack Zipes (2006).  A análise também abrange a simbologia de Carl Jung (2013) presente em todos os contos selecionados, baseando-se na ideia de que os símbolos cumprem papéis essenciais na permanência do gênero conto de fadas nas sociedades. A utilização dos contos para fins de legitimação de identidade de um determinado povo também é bastante relevante. Assim, os trabalhos de Benedict Anderson (2006), Michael Pollak (1989, 1992) e Pierre Nora (1993) foram decisivos para o desenvolvimento de nossa análise. Por fim, esta pesquisa instiga um olhar diferente sobre o significado cultura, para que seja possível compreender o lugar dos contos de fadas nas sociedades atuais. 

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  • ALOMA DAIANY SARAIVA VARELA DE FARIAS
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    A RESPONSABILIDADE ENUNCIATIVA EM RESENHAS PRODUZIDAS POR ALUNOS DO 2º ANO DO ENSINO MÉDIO


  • Data: 19/03/2015
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    Esta investigação tem sua origem ligada à dificuldade que o aluno do Ensino Médio sente para ler uma obra literária e, também, para escrever opinando sobre o objeto de leitura, ou seja, assumindo ou não a responsabilidade enunciativa em relação ao que seu dizer. Outro fator decisivo para o escopo dessa pesquisa foi nossa atuação como professora de Língua Portuguesa, no Ensino Médio, em escola pública da cidade de Ipanguaçu – RN. Para compreender melhor esse contexto, nosso estudo responde à seguinte questão: como se materializa a RE em resenhas escritas por alunos de Ensino Médio de escola pública? Para tanto, estabelecemos como objetivos identificar, descrever, analisar e interpretar a Responsabilidade Enunciativa (RE), a partir de marcas linguísticas de (não) assunção e de engajamento, bem como as adequações e inadequações ao gênero discursivo/textual resenha. O trabalho se insere nos postulados da Análise Textual dos Discursos (doravante ATD), proposta por Jean-Michel Adam (2008, 2010, 2011), bem como em estudos da Linguística Enunciativa, entre os autores, acompanhamos Rabatel (2009), Guentchéva (1994), Authier–Revuz (2004). O corpus se constitui de 15 textos/resenhas de alunos do 2º ano do Ensino Médio de uma escola pública de Ipanguaçu – RN. Para o desenvolvimento da pesquisa, seguimos princípios da abordagem qualitativa e documental. Por fim, ressaltamos que os dados revelaram que 80% dos alunos fizeram uso de formas verbais na 1ª. pessoa do singular, de verbos e advérbios com valor apreciativo ou opinativo, materializando, assim, a assunção da  RE e o engajamento enunciativo, no gênero discursivo/textual resenha.

     

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  • FRANCISCO LEANDRO TORRES
  • ESCRITURA NÔMADE E TÉDIO EM HARMADA, DE JOÃO GILBERTO NOLL

  • Data: 20/03/2015
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  • No contexto das produções poéticas da modernidade e da pós-modernidade (HUTCHEON, 1999), este trabalho, a partir da noção de nomadismo (DELEUZE, 2012), conjuntamente com a noção de escritura do filósofo Derrida (2009), tem como escopo estudar no romance Harmada (1993), do artista João Gilberto Noll, o aspecto da escritura nômade nolliana e do tédio no sentido da desconstrução do modelo romanesco. A narrativa em foco instaura uma ficção em trânsito, promovidos pelos nomadismos da escritura do narrador errante que, na constituição da obra, vai se destecendo ao desenrolar da linguagem, numa trama que invade o corpo dos personagens repletos de tédio e estrangeiros de si mesmos, moventes nas espacialidades fragmentadas e fluídas do narrar. Nessa perspectiva, a pesquisa circunscreve-se com fundamentação teórico-metodológica no horizonte das discussões pós-estruturalistas, concernentes aos pensadores-teóricos- críticos: Derrida (2009), Deleuze (1995), Foucault (1996; 2001), Barthes (1977), Svendsen (2006). Neste horizonte de compreensão crítica, a escritura nomádica de Harmada entrelaça-se em três movimentos: primeiro, na linguagem do autor; segundo, nos personagens, levando o narrador-protagonista, sem nome, a viver contundentes crises e dolorosas ambiguidades existenciais, colocadas através da metáfora do artista fracassado sob o signo da “falta”, enquanto busca de outros modos artísticos possíveis de ser e estar no mundo; e, por último, a instância de leitura nômade como efeito de presentificação (GUMBRECHT, 2010) para uma experimentação do leitor. Por fim, nosso trabalho aborda a relação entre a escritura nomádica e a experiência do tédio como potência estratégica do fazer literatura nas artes de Noll.

     

     

     

     

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  • FRANCIELLY COELHO DA SILVA
  • VARIAÇÃO ENTRE OS PRONOMES TU E VOCÊ NA FUNÇÃO DE SUJEITO NA CONVERSAÇÃO DE NATAL (RN): UMA ABORDAGEM SOCIOFUNCIONALISTA

  • Data: 23/03/2015
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  • À luz de uma abordagem sociofuncionalista (TAVARES, 2003; 2013; GÖRSKI; TAVARES, 2013), tenho como objetivos, nesta dissertação: (i) mapear tendências linguísticas e extralinguísticas de especialização dos pronomes sujeitos de segunda pessoa do singular tu e você na fala de Natal (RN); (ii) avaliar o papel do princípio da persistência (HOPPER, 1991) como um possível elemento motivador das tendências de especialização dos pronomes tu e você; (iii) identificar em qual dos seis subsistemas pronominais propostos por Scherre et al. (2009) se insere o da fala de Natal retratada neste estudo. Para tanto, recorro a dados extraídos do Banco Conversacional de Natal (CUNHA, 2010), aos quais submeti a tratamento estatístico multivariado para o fornecimento de frequências e pesos relativos. Os grupos de fatores considerados relevantes na análise estatística foram: natureza da relação entre os interlocutores, grau de formalidade do ambiente em que ocorre a conversação e tipo de discurso (relatado/não relatado). Com base nos resultados referentes a esses grupos de fatores, organizei o quadro de especializações dos pronomes tu e você, observando que o tu parece especializado para contextos de uso mais informais do que aqueles para os quais o você parece especializado. A motivação subjacente a essas tendências de especialização pode ser o princípio da persistência, pois, ao longo de seu desenvolvimento histórico, o você manifesta um traço de maior formalidade ou, ao menos, de menor intimidade, quando contrastado com o tu. No que se refere ao subsistema pronominal no qual parece se enquadrar a comunidade de fala de Natal entre os seis propostos por Scherre et al. (2009), os resultados indicam que se trata do quinto, caracterizado por uso variável dos pronomes sujeito tu e você, com frequência maior de você e rara ocorrência de concordância do tu com verbo de segunda pessoa  do singular.


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  • JULIANA FERNANDES RIBEIRO DANTAS
  • A LÍRICA DO MORIBUNDO

    MANUEL BANDEIRA - POESIA DE VIDA E MORTE

  • Data: 23/03/2015
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  • O presente trabalho tem como proposta geral analisar a poesia do poeta Manuel Bandeira (1886-1968), do período modernista brasileiro (iniciado em 1922, no Brasil, cujo marco foi a Semana de Arte Moderna). Conhecido por seus poemas possuidores de um caráter bastante autobiográfico, principalmente no que tange à temática da morte, oferece-nos, sobretudo, uma poesia de vida, que trata dos aspectos cotidianos com certa acuidade e, ao mesmo tempo, com tanta delicadeza e simplicidade. Do livro extraímos nossos subsídios através da seleção de alguns dos poemas. Estudamos a representação da morte na sociedade ocidental, fazendo uma comparação de como se figurava esse tema desde a Idade Média até a contemporaneidade, utilizando conceitos e explanações de Philippe Ariès (1914-1984) em História da morte no Ocidente (2012). Analisamos os sentimentos do homem, do poeta, do eu lírico, e da poesia inundada de existência do “Flag”, como o chamava carinhosamente o amigo Mário de Andrade. Este trabalho procura expor o traço da morte na poesia bandeiriana, assim como ressaltar aspectos de sua vida e também de uma poesia inundada pela essência de um moribundo, por meio do obra Estrela da vida inteira (2007), a coletânea extensiva do poeta, que reuniu toda a sua produção lírica.

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  • MIDIÃ ELLEN WHITE AQUINO
  • RELAÇÕES FAMILIARES E FORMAÇÃO INDIVIDUAL: dilemas e aprendizagens das heroínas de Ciranda de Pedra e Verão no Aquário.

  • Data: 23/03/2015
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  • Esta dissertação apresenta um estudo comparativo entre os romances Ciranda de Pedra (1954) e Verão no Aquário (1963), de Lygia Fagundes Telles (1923 -), com o objetivo de analisar a representação da família e a formação individual das protagonistas ante as tensões familiares e afetivas. Esses primeiros romances da escritora paulista têm em comum o fato de trazerem como heroínas duas jovens mulheres, Virgínia e Raíza, respectivamente, que sofrem violentas crises de identidade ocasionadas, sobretudo, pelos conflitos provenientes das relações familiares. Em ambas as obras, a família é marcada pela ausência de afetos e pela desordem em sua estrutura: os laços parentais são frágeis e o amor é quase inexistente. Nesses lares, em que reina a hipocrisia, o modelo de família nuclear burguesa é desconstruído e as consequências dessa desestruturação é o surgimento de filhos perturbados emocionalmente e carentes de referências para formarem-se como indivíduos autônomos. Sendo assim, sob a perspectiva do Bildungsroman, foi realizada a análise da construção das personagens Virgínia e Raíza com a intenção de verificar como se estabelece o aperfeiçoamento individual dessas heroínas ante o desajustado ambiente familiar. Nas duas narrativas, a trajetória de aprendizagem das personagens principais é complexa, contudo, mesmo com as adversidades em decorrência da família, a bildung/formação das protagonistas culmina em desfechos positivos. Como suporte para análise e desenvolvimento desta pesquisa, o trabalho teve como orientação os estudos de Antonio Candido (2004, 2008), Luiz Costa Lima (2000) e José Guilherme Merquior (1997), quanto aos pontos referentes à representação social da literatura, e ainda Mikhail Bakhtin (1997), Marcus Vinicius Mazzari (2010) e Cristina Ferreira Pinto (1990) sobre as definições e estrutura do Bildungsroman.

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  • BIBIANA JOST PERINAZZO
  • “SAIBAM QUANTOS ESTE VIREM...”: DESENVOLVIMENTO LINGUÍSTICO-TEXTUAL DE TESTAMENTOS NORTE-RIO-GRANDENSES DOS SÉCULOS XVIII A XX

  • Data: 26/03/2015
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  • A presente pesquisa tem como objetivo analisar transformações e conservações  linguísticas e textuais no gênero discursivo testamento. O corpus é constituído por 47 testamentos produzidos em Natal e São José do Mipibu nos séculos XVIII a XX. A pesquisa apóia-se nos pressupostos teóricos do Modelo de Tradições Discursivas (TD), proposto por Koch (1997) e Kabatek (2006). Conforme Kabatek, entende-se “por tradição discursiva (TD) a repetição de um texto ou de uma forma textual ou de uma maneira particular de escrever ou falar que adquire valor de signo próprio (portanto é significável)” (2006, p. 512). Essa perspectiva teórica traz subsídios para a identificação e a compreensão dos modelos discursivos disponíveis nas comunidades linguísticas (religiosas, jurídicas, administrativas, literárias, científicas, profissionais), os quais são transportados e podem ser repetidos, evocados, substituídos e/ou inovados. Um dos pontos de vista defendidos é que os textos atualizam não só uma língua histórica, mas também tradições textuais. A partir desses pressupostos teórico-metodológicos, verifica-se que o gênero testamento possui macroestrutura composicional relativamente estável, seguindo modelos textuais já dados e trazendo fórmulas fixas que se repetem. A análise dos elementos macroestruturais fundamenta-se em subsídios da Diplomática a respeito da estrutura formal dos documentos públicos e privados, isto é dos atos de origem governamental e notarial (SPINA, 1997) e (BELLOTO, 2002). Entre os fatores determinantes do desenvolvimento linguístico-textual dos testamentos norte-rio-grandenses analisados são apresentados os modelos de testamentos disponíveis em textos reguladores, tais como os manuais de bem morrer e os tratados jurídicos laicos, que, comprovadamente, desempenham, nesses dados, um papel relevante nas normatizações linguísticas e textuais identificadas. Os dados preliminares da análise dos testamentos demonstram, de um lado, que este gênero passa por transformações não apenas em sua macroestrutura, mas também nas formulações típicas empregadas para a elaboração dos elementos diplomáticos constitutivos do gênero, mantendo, de outro, alguns elementos macro e micro-estruturais que permitem o reconhecimento da identidade diacrônica do gênero. 

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  • JOSE WILSON PEREIRA DE AZEVEDO
  • A FLAUTA E O TRAPÉZIO: Um desconcerto político-literário na vida de José Gonçalves de Medeiros


  • Orientador : DERIVALDO DOS SANTOS
  • Data: 30/03/2015
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  • Estudo sobre o escritor norte-rio-grandense José Gonçalves de Medeiros (1919-1951), que fez incursões pela literatura fantástica na década de 1940 e início dos anos de 1950, publicando textos na imprensa potiguar e na pernambucana, quando o gênero fantástico ainda não dispunha de tradição em solo brasileiro. Visa fazer a apresentação do autor: a trajetória política, iniciada em Recife, no combate ao Estado Novo, a eleição de deputado estadual e as divergências com a UDN, até o seu fim trágico no acidente aéreo de Aracaju; a historiografia literária: registro dos primeiros passos, com publicações em Natal, até os novos voos na imprensa pernambucana; inserção no contexto histórico-literário em que o autor surgiu; inventário de publicações (em vida e póstumas) de seus textos: contos, crônicas, poemas e crítica literária; registro de cartas publicadas e inéditas, e sua contribuição para o estudo da história do autor e de seus textos literários; e recensão de textos publicados sobre o autor. Visa, ainda, analisar criticamente os contos do autor, inserindo-os no contexto histórico-literário em que foram produzidos. Para tanto, recorremos aos estudos críticos de CANDIDO (2010; 2011), ARRIGUCCI Jr. (1974), e GOULART (1995), que situam o surgimento do fantástico na literatura brasileira na década de 1940; MORAES (2007), sobre correspondência; BENJAMIN (1996), sobre cultura e modernidade; BORDIEU (2012), com ênfase no poder simbólico; ADORNO (2008), a arte e a percepção da ideologia; e SELIGMAN-SILVA (2013), os traumas causados pela guerra.

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  • RAFAEL AGUIAR MOURA
  • Padrões de ordenação de constituintes das construções V2/V3 superficiais em cartas pessoais brasileiras dos séculos 19 e 20

  • Data: 30/03/2015
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  • Em consonância com o modelo de competição de gramáticas (KROCH, 1989; 2001), segundo o qual a mudança nos domínios sintáticos constitui um processo que se desenvolve via competição entre diferentes gramáticas, descrevemos e analisamos as construções V2/V3 superficiais em orações matrizes/raízes de cartas pessoais brasileiras dos séculos 19 e 20. O corpus, composto 154 por cartas pessoais do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte, está dividido em três metades de século: (i) segunda metade do século 19; (ii) primeira metade do século 20; e (iii) segunda metade do século 20. O nosso foco foi a observação da natureza dos constituintes pré-verbais em construções V2 (verbo em segunda posição na sentença) e V3 (verbo em terceira posição na sentença) superficiais (com um ou mais constituintes em posição pré-verbal), com uma atenção especial sobre o posicionamento do sujeito. Embasados nos diversos estudos diacrônicos acerca dos padrões de ordenação do Português (Ambar (1992); Ribeiro (1995, 2001); Paixão de Sousa (2004); Paiva (2011); Coelho e Martins (2009, 2012), nosso estudo procurou constatar quais são os padrões empíricos da ordenação que envolvem as construções V2/V3 superficiais e como esses padrões se estruturam sintaticamente dentro de uma perspectiva teórica formal (CHOMSKY, 1981; 1986), mais especificamente, em conformidade com os estudos de Antonelli (2011) e de Costa e Galves (2001). Os resultados da pesquisa mostram que os dados da segunda metade do século 19, – diferentemente dos dados da primeira e da segunda metade do século 20 – apresentam um maior equilíbrio em relação à natureza sintática do constituinte pré-verbal (contíguo ou não), de forma que, nesse período, a ocorrência de ordens com o sujeito em posição pré-verbal chega a, no máximo, 52% (231/444 dados); enquanto que, nos 48% (213/444 dados) restantes, os constituintes pré-verbais são representados por um constituinte não sujeito, quase sempre um adjunto adverbial. Diante dos resultados, advogamos que as cartas pessoais brasileiras do século 19 apresentam padrões de ordenação associados a um sistema V2 e a um sistema SV, configurando, portanto, um possível processo de competição entre diferentes gramáticas que instanciam ou um sistema V2 ou um sistema SV. Ou seja, as cartas brasileiras do século 19 instanciam uma competição entre a gramática do Português Clássico (um sistema V2) e as gramáticas do Português Brasileiro e do Português Europeu (um sistema SV). Logo, esse período está sujeito à realização de duas marcações paramétricas distintas: (i) verbo movido até o núcleo Fin (gramática do Português Clássico) e (ii) verbo movido até o núcleo T (cf. gramática do Português Brasileiro/Português Euripe). Por outro lado, nas cartas pessoais do século 20 (primeira e segunda metades), há um notório aumento dos padrões de ordenação associados ao sistema SV, que se mostra mais estável.


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  • MARIA APARECIDA DE ALMEIDA REGO
  • Entre salinas e maledicências: uma leitura do romance Macau e sua aplicabilidade ao ensino de literatura

  • Data: 31/03/2015
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  • O objetivo desta pesquisa é apresentar uma leitura do romance Macau (1934), do escritor Aurélio Pinheiro, situado no contexto da literatura brasileira produzida na década de 30 do século passado e analisar as configurações da linguagem que revelam conflitos individuais e sociais relacionados às tensões decorrentes dos processos de modernização de uma cidade do interior do Rio Grande do Norte, tendo em vista a aplicabilidade desses conhecimentos no contexto educacional. As discussões acerca do ensino de literatura levaram a uma experiência de estágio no ensino superior, tendo como leitura literária norteadora esse romance. Neste sentido, esta pesquisa, de caráter bibliográfico, analítico e empírico, se encontra nas discussões entre literatura e ensino que nos permitem, além de uma leitura crítica acerca do romance Macau, um olhar tanto na educação básica quanto na formação de professores, o que justifica a vinculação desta dissertação na linha de pesquisa “Leitura do texto literário e ensino”. Os objetivos foram atendidos a partir de leituras do texto literário, breve estudo sobre o autor, análise das tensões expressas pela linguagem, defesa da literatura como um direito universal, revisão panorâmica de pesquisas relacionadas ao ensino de literatura, leitura de documentos oficiais que regulamentam a educação brasileira, discussão sobre formação de professores, estágio no ensino superior com aplicação de uma sequência didática, recepção do referido romance por professores em formação voltada para a aplicabilidade na educação básica. Para isso, a pesquisa teve como orientação teórica, prioritariamente, os estudos de Antonio Candido (1976; 1995), Luís Bueno (2006), Walter Benjamin (1985), Mikhail Bakhtin (2010), Hans Robert Jauss (1994), Theodor Adorno (2006), Antonie Compagnon (2009) e Rildo Cosson (2009). 

     

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  • MARIA VALESKA ROCHA DA SILVA
  • A tradição do humor inglês em Memórias póstumas de Brás Cubas

  • Data: 31/03/2015
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  • Este trabalho tem como objetivo identificar o conceito estético de humor subjacente às discussões travadas pela crítica literária brasileira do século XIX em torno de Memórias póstumas (GUIMARÃES, 2004), (ROMERO, 1897). No intento de atingi-lo, fez-se necessário percorrer dois caminhos: o primeiro deles, acompanhando o processo de estruturação do conceito de humor inglês até sua manifestação em Tristram Shandy (KLIBANSKY, 1979); (WATT, 2010); o segundo, identificando as particularidades da manifestação do humor inglês em Memórias póstumas e a dinâmica alimentada pela crítica brasileira com a questão da identidade nacional (CANDIDO, .2012), (MAGALHÃES JÚNIOR, 2008).

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  • RODRIGO SANTOS MAGALHÃES
  • A relação forma e significado em versões da Bíblia

  • Data: 01/04/2015
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  • Este trabalho analisa textos de duas versões distintas da Bíblia da vertente protestante, a saber: a Almeida, Revista e Corrigida (ARC) e a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH). Nesse sentido, investiga as configurações linguístico-textuais dessas versões, com o objetivo de identificar diferenças consideráveis entre elas e implicações na atribuição de sentido de uma e de outra. A Bíblia é um livro com influência histórica e sua importância não se limita somente à esfera religiosa, sendo também considerada, por muitos, como uma obra de alto valor literário. Ela continua em plena e ampla circulação no contexto histórico-religioso-cultural do mundo de hoje. Além disso, esse livro reúne aspectos discursivos e linguístico-textuais importantes a serem investigados, especialmente, se considerado o fato de podermos confrontar suas diferentes traduções. Das duas versões bíblicas (ARC e NTLH), interessam-nos particularmente três gêneros discursivos distintos (poema, parábola e epístola), sendo cinco textos de cada versão, o que resulta num total de dez textos. A esse respeito, consideramos, ainda, as variadas sequências tipológicas envolvidas na organização dos gêneros discursivos selecionados, observando se a predominância de uma dessas sequências implica maior ou menor facilidade/dificuldade de compreensão. Utilizamos, também, como suporte de análise, protocolos de leitura de informantes diversificados, levando em consideração o credo religioso, o grau de escolaridade e a faixa etária, a fim de verificar se as diferenças formais dos textos escolhidos e o perfil social dos leitores motivam possíveis alterações no processo de compreensão textual. Para a realização da análise, tomamos como suporte teórico-metodológico a Linguística Funcional Centrada no Uso (ou Linguística Cognitivo-Funcional), a qual aglutina contribuições da tradição funcionalista norte-americana e da Linguística Cognitiva.

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  • MARCIA REJANE BRILHANTE CAMPELO
  • Análise textual-interativa das cartas dos Sertões do Seridó: em busca de efeitos estético-estilísticos

  • Data: 07/04/2015
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  • O presente trabalho toma como objeto de estudo um conjunto específico de textos, designados como cartas dos Sertões do Seridó (região interestadual localizada no sertão nordestino brasileiro), de autoria do seridoense Paulo Bezerra, as quais apresentam como principal tema o universo sertanejo. Por seu caráter singular, sobretudo por causa de um forte apelo poético, inferimos que essas cartas podem conter fenômenos também singulares relativos à estruturação discursivo-composicional, que podem ser responsáveis pela criação de efeitos específicos, sobretudo estéticos. Para problematizar e desenvolver a questão, partimos dos pressupostos teóricos da Perspectiva Textual-Interativa cuja base é o conceito de linguagem como interação, como atividade verbal impregnada pelo contexto espaço-temporal e sócio histórico em que os interlocutores se relacionam, elegemos a categoria analítica do tópico discursivo e analisamos os mecanismos de introudção, sequenciação e mudança de tópico. O objetivo é, portanto, verificar a funcionalidade desses mecanismos, observando como se correlacionam os aspectos estruturais e interacionais, e como esse movimento pode ser usado para explicar alguns dos efeitos estéticos e estilísticos das cartas. O resultado da análise mostra que são usados diferentes mecanismos de organização  tópica de acordo com a natureza do tópico central, e que é possível associar a esses mecanismos diversos alinhamentos que expressam uma intenção estética e caracterizam um estilo.  Esse resultado pode suscitar uma conclusão mais geral em relação aos textos: a sua estruturação discursivo-composicional está relacionada à criação de efeitos estéticos e de estilo.

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  • ALESSANDRA SANTA ROSA DA SILVA
  • PRODUÇÃO DE NARRATIVAS ESCRITAS NO ENSINO FUNDAMENTAL: ESTUDO DE CASOS

  • Data: 23/04/2015
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  • Este trabalho focaliza a construção da narratividade por alunos do ensino fundamental, buscando identificar estratégias por eles empregadas na produção de textos narrativos representativos do gênero miniconto. Trata-se de uma investigação de natureza quanti-qualitativa, com viés descritivo e analítico-interpretativista, para a qual tomamos material de análise 40 textos produzidos por alunos do 6º e 9º anos do ensino fundamental, sendo vinte de alunos do 6º ano (dez de escola pública e dez de escola particular) e vinte de alunos do 9º ano (distribuídos do mesmo modo entre o ensino público e o privado). Em linhas gerais, objetivamos compreender os mecanismos através dos quais os produtores constroem suas narrativas, bem como fornecer subsídios para análise da produção desse tipo textual. Esta pesquisa assenta-se nos pressupostos da linguística funcional de vertente norte-americana, inspirada em Talmy Givón, Sandra Thompson, Paul Hopper, Joan Bybee, Elizabeth Traugott, Mário Martelotta, Angélica Furtado da Cunha, entre outros. Além disso, a partir do aporte teórico apresentado por William Labov a respeito da narrativa, observamos os elementos recorrentes na estrutura das narrativas em estudo: resumo, orientação, complicação, resolução, avaliação e coda.  Também abordamos, embora que de forma complementar, a noção de gênero apresentada por Luiz Antônio Marcuschi. Na análise do corpus, consideramos as seguintes categorias: gênero discursivo miniconto; estrutura composicional da narrativa; informatividade (progressão discursiva; coerência temática e narrativa; distribuição tópico-referencial); relevo informativo (figura/fundo). 

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  • GEISON LUCA DE SENA PEREIRA
  • A colocação de pronomes clíticos em sentenças infinitivas preposicionadas no Português Brasileiro


  • Data: 24/04/2015
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  • Neste trabalho, apresentaremos a descrição e a análise dos padrões de colocação de clíticos em sentenças infinitivas preposicionadas na diacronia do português brasileiro. O corpus em análise se constitui de cartas de leitores, cartas de redatores e anúncios de jornais brasileiros dos séculos XIX e XX de diferentes regiões/estados – Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Pernambuco – e pertencem ao corpus mínimo comum do Projeto para a História do Português Brasileiro (PHPB). A análise está fundamentada em pressupostos teórico-metodológicos da teoria da Variação e Mudança (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 1968[2006]; LABOV, 1972[2008]), da teoria de Princípios e Parâmetros (CHOMSKY, 1981; 1986) e do modelo de competição de gramáticas (KROCH, 1989; 2001). Os resultados mostram que o contexto das sentenças infinitivas preposicionadas apresenta, de um modo geral, uma forte variação clV/Vcl durante os séculos XIX e XX. Considerando o tipo de preposição, identificamos que, em todas as preposições, exceto nas sentenças com a e em, há uma queda significativa das taxas de próclise na segunda metade do século XIX. Na primeira metade do século XX, evidenciamos um leve aumento das taxas de próclise nas sentenças com verbos precedidos pelas preposições sem, de, para e a. Por fim, na segunda metade do século XX, apesar do aumento da ocorrência de próclise em sentenças com verbos precedidos pelas preposições por, a e de, as taxas de frequência de próclise nesses contextos não ultrapassam 50%. De um modo geral, os resultados referentes às orações completivas preposicionadas mostram um período de forte instabilidade ao longo dos séculos XIX e XX, ou melhor, uma forte variação entre anteposição e posposição do clítico ao verbo no infinitivo. Apesar de os resultados apontarem para uma diminuição das ocorrências de próclise no período que vai dos séculos XIX ao XX, vemos que a probabilidade de ocorrência de próclise em sentenças com verbos regidos pelas preposições de, para, por e sem é alta e significativa.

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  • RAIMUNDA VALQUÍRIA DE CARVALHO SANTOS
  • UM ESTUDO DO GÊNERO ATA DE AUDIÊNCIA NA ESFERA JURÍDICO-TRABALHISTA

  • Data: 28/04/2015
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  • As atividades da esfera jurídico trabalhista são permeadas pelo uso de diversos gêneros textuais, os quais são instrumentos indispensáveis à consumação das ações que envolvem o campo jurisdicional. Dentre os gêneros que circulam no domínio em foco, elegemos o gênero ata de audiência como objeto de estudo desta investigação por se tratar de documento comprobatório das ações, procedimentos e deliberações acordadas, em audiência, por membros envolvidos em litígio do trabalho. Assim sendo, objetivamos nesta pesquisa descrever os elementos que constituem o referido gênero no que compete às dimensões pragmática, organizacional e linguística. Para tanto, utilizamos como aportes teóricos as postulações do interacionismo sociodiscursivo, por meio dos escritos de Bronckart (2006; 2007; 2012), subsidiadas pelos estudos de Marcuschi (2008; 2010; 2011), Koch e Fávero (1987) Koch e Elias (2011; 2012) e Zanotto (2012).  Em termos metodológicos, configura-se como pesquisa de abordagem qualitativa (BOGDAN; BIKLEN, 1994; CHIZZOTTI, 2000; MOREIRA; CALEFFE, 2006) com características de trabalho etnográfico (ANDRÉ, 1995; CANÇADO, 1994).  A discussão proposta se insere no âmbito da Linguística Aplicada por focalizar “questões sociais e criar inteligibilidades sobre as práticas sociais em que a linguagem desempenha papel central” (v. MOITA LOPES, 2006). O corpus da investigação é constituído por trinta atas de audiências de primeira instância assim como por textos gerados em entrevistas e questionários aplicados. As análises indicam que apesar do gênero em escopo apresentar proposta de escrita padronizada, os exemplares estudados contemplam variações e flexibilidade principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento e ao desfecho do texto. Quanto aos aspectos linguísticos, é visível a presença de escolhas lexicais inerentes à linguagem utilizada pela comunidade discursiva jurídico trabalhista. A relevância da investigação situa-se no fato de abordar, sob a perspectiva da Linguística Aplicada, uma escrita da área forense e, consequentemente, oferecer contribuições para a compreensão do gênero em estudo.

     

     

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  • DANIELLE BRITO DA CUNHA
  • ANÁLISE CRÍTICA DA (DES)(RE)CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA  EM PRODUÇÕES DE NARRATIVAS DE MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DE GÊNERO

  • Data: 14/05/2015
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  • A violência tem sido utilizada como instrumento de manutenção do regime Patriarcal que ainda assombra nossa sociedade. Inserido e legitimado em/por nossa cultura, o regime patriarcal considera a mulher como um ser inferior que deve ser subjugado e dominado, inclusive, pela força. Neste contexto, O objetivo dessa pesquisa é investigar, no âmbito das práticas discursivas e sociais, os processos de (des)(re)construção identitária  em produções de narrativas de mulheres vítimas de violência de gênero, contra a mulher. Para tanto, buscaremos verificar estudos de outras áreas, tais como, Estudos Culturais, Sociologia, Feminismo, dentre outros. Por isso, entendemos que essa dissertação está situada nos estudos de Linguística Aplicada e apresenta uma perspectiva indisciplinar (MOITA-LOPES, 2006). Além das áreas já mencionadas, dialogaremos com a Análise Crítica do Discurso, a Sociologia para Mudança Social, e a Linguística Sistêmico-Funcional. Para análise em torno de a postura indisciplinar em Linguística Aplicada, utiliza-se a metodologia qualitativa/interpretativa (MAGALHÃES, 2001). A fim de examinar narrativas do “eu” de mulheres vítimas de violência, recorremos à narrativas expostas na internet, por serem de domínio público. Dessa forma, pesquisamos apenas os relatos presentes nessa ferramenta (comentário) locada em reportagens do site do G1, mais especificamente, as reportagens sobre violência de gênero feitas no ano de 2014, em duas capitais do Nordeste, Piauí e Rio Grande do Norte, e em uma reportagem feita no programa “Profissão Repórter”, em 2011. Para fundamentação da pesquisa, enquanto método de estudo e teoria social, utilizamos a Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso, corrente vinculada aos pressupostos da Análise Crítica do Discurso (PEDROSA, 2012a).   Os dados evidenciam que as narrativas do “eu” na ferramenta “comentário” dividem-se em dois grandes grupos: narrativas de desistência e narrativas de persistência. Percebemos também os sujeitos se movimentando nas Esferas identitárias de acordo com os contextos da narrativa. A pesquisa nos permitiu ainda inferir que existe uma possibilidade de mudança social a partir da narrativização das tensões identitárias e reconhecimento das desigualdades nas relações de poder.

     

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  • FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO
  • O Tempo no haicai da rã, de Matsuo Bashô, e em suas traduções

  • Data: 25/05/2015
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  • Partindo de um cotejo entre o haicai de rã, de Matsuo Basho, e quatro traduções para o português do mesmo poema, analisa-se as formas como o tempo se manifesta em cada poética. Da presentificação do texto original às nuance espaço-temporais das traduções, desenvolve-se uma reflexão sobre as influências cognitivas e sociais da produção literária, pensando a língua como reflexo de uma sensibilidade estética intrínseca a cada cultura. O haicai torna-se, assim, a poética por excelência para esse tipo de análise, já que se origina de um contexto linguístico e perceptivo diverso daquele para o qual é traduzido. O trabalho procura traçar as pontes que ligam os universos orientais e ocidentais para, então, localizar as diferenças e ressaltar como a poesia pode manter-se presa ou suplantar seu contexto histórico e social.  

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  • FRANCISLÍ COSTA GALDINO
  • Um olhar sobre o feminino nos poemas eróticos de John Donne.

  • Orientador : MARCIO DE LIMA DANTAS
  • Data: 25/05/2015
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  • O objetivo desta pesquisa é apresentar um estudo crítico sobre como se dão as representações do feminino nos poemas eróticos de John Donne (1572-1631), acreditando assim possibilitar uma melhor visão de como o feminino era visto pela sociedade Inglesa dos séculos XV e XVI por meio das análises dos poemas e de suas representações. Os objetivos estão reunidos a partir da leitura crítica e análise interpretativa dos poemas, tanto no que diz respeito a compreensão dos aspectos histórico-sociais, quanto a identificação dos lugares do feminino bem como acontecem as suas manifestações na poesia Donneana. Neste sentido, essa pesquisa, de caráter bibliográfico, analítico e interpretativo, se encontra justificada na relevância que se dá a contextualização do lugar e do espaço do feminino em uma sociedade de uma época de transformações e turbulências sociais (fim do Renascimento e da Idade Média e contra reforma religiosa), tendo como cerne os estudos sobre no lugar do feminino na sociedade ocidental além de direcionar suas análises ao estudo dos poemas eróticos, uma vez que as representações do feminino possuem traços mais marcantes nesse espaço, tendo em vista toda a obra poética de Donne. Para isso, a pesquisa teve como orientação teórica, prioritariamente, os estudos críticos de Campus (1988), Eliot (1941), Erickson (2010), Fiorussi (2008), sobre questões que envolvem a poética Donneana; Bataille (1988) e Beauvoir (1980), nos questionamentos a respeito do erotismo e sexualidade; Grolli (2004) e Macedo (2002), quanto ao feminino e seu lugar no espaço. 

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  • ALEXSANDRO LINO DA COSTA
  • Não identidade em As Meninas, de  Lygia Fagundes Telles

  • Data: 29/05/2015
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  • Esta dissertação toma como corpus o romance As meninas, publicado em 1973, da escritora paulista Lygia Fagundes Telles. O elemento primordial de análise são as personagens principais, Ana Clara, Lia e Lorena, cujas identidades revelam-se em formação, portanto indefinidas e mutáveis. Ao partirmos da hipótese de que a identidade das personagens pode ser fragmentada, nosso objetivo é verificar como essa possível fragmentação ocorre. Stuart Hall (2005) discorre sobre essa fragmentação identitária, a qual, na obra em estudo de Lygia, se expande e fragmenta a estrutura narrativa, concretizada em quatro focos narrativos: os de cada uma das protagonistas e de um quarto narrador, heterodiegético. Esse modo múltiplo de narrar possibilita visualizar as diferentes identidades que cada personagem comporta, visto que há um aumento de pontos de vista. Zygmunt Bauman, com seu conceito de liquidez (2005), corrobora com nossa pesquisa sobre as movências identitárias. Autores como Zilá Bernd (2011), Tomaz Tadeu da Silva (2012) e Kathryn Woodward (2012), com seus respectivos estudos sobre identidade, também adensam nossa dissertação. Nossa pesquisa se constitui metodologicamente como bibliográfica e analítica.

     

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  • WAGNER GUEDES KERLLER
  • ELIAS CANETTI: UMA DRAMATURGIA EM VIAS COM A PÓS-MODERNIDADE

  • Data: 29/05/2015
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  • A proposta desta dissertação é analisar a obra dramatúrgica do autor búlgaro Elias Canetti, composta pelas peças O Casamento, Comédia da Vaidade e Os que têm a hora marcada, procurando compreender como as teorias críticas da contemporaneidade atuam em sua trilogia, buscando um diálogo com referenciais teóricos que justifiquem sua aproximação ao pós-modernismo. Entretecendo os apontamentos e o teatro de Canetti com os conceitos filosóficos da “estética negativa” de Adorno, percebe-se um espaço para a reflexão de teorias que se sucederam, como as relações de poder de Foucault, presentes em Microfísica do poder e os discursos de resistência e poder desenvolvidos por Deleuze e Guatarri em Mil Platôs e O Anti-Édipo. Apesar de suas obras terem sido escritas entre 1932 e 1956, todas apresentam uma crítica exasperada ao modernismo e características que não auxiliaram o seu reconhecimento pela crítica da época, o que fez com que a dramaturgia de Canetti fosse redescoberta após o autor receber o Prêmio Nobel em 1981.

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  • LAÍS ROCHA DE LIMA
  • Entre história, boatos e Vendéiasa descoberta do homem sertanejo em Os Sertões

     

  • Data: 10/06/2015
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  • Neste trabalho, estudam-se Os Sertões, obra maior de Euclides da Cunha. O objetivo é traçar as influências históricas, políticas e ideológicas sobre a concepção da personagem sertaneja, essa composta pelo escritor a fim de livrá-la das acusações públicas pela sua provável conspiração para restaurar a Monarquia na recente República Federativa do Brasil. A discussão do capítulo um se delimita ao panorama histórico, determinando o espaço e a cultura do período de produção do livro. O segundo capítulo abrange a aplicabilidade da doutrina Positivista no Brasil e como se formou o perfil acadêmico do autor baseado nela. Ao terceiro ficaram as discussões sobre as alianças políticas feitas para a construção de boatos sobre o arraial de Belo Monte a fim de alcançar aprovação da opinião pública para o avanço militar sobre ele. Ao capítulo seguinte, a maturação da concepção de realidade do autor sobre o crime em Canudos, lugar antes denominado de A Nossa Vendéia, e a análise objetiva proposta. No derradeiro capítulo, a criação do imaginário sertanejo e do estereótipo remanescente na atualidade. Verifica-se que a luta pelo progresso no poder instituído durante a primeira República foi capaz de promover tanto guerras quanto buscas por ascensão social, incitando esse desejo nas instituições governamentais e em homens triviais à época, assim como a permanência da resistência política das elites contra a sociocracia.

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  • ANA CAROLINA MOURA MENDONÇA
  • O CHEIRO DO CARNAVAL: SANGUE DE COCA-COLA E A DITADURA MILITAR BRASILEIRA


  • Data: 16/06/2015
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    Esta pesquisa visa analisar o romance Sangue de Coca-Cola (1980), de Roberto Drummond, a partir de alguns questionamentos pertinentes para a compreensão de seu caráter inovador, considerando o contexto repressivo da época em que foi escrita e publicada. Dentro das questões que orientam a investigação, consideramos, sobretudo, a estrutura formal da obra. Essa estrutura se apresenta de modo experimentalista quando se compara à estrutura comum à maioria das produções literárias do mesmo período e, sem dúvida, é constituinte de um diferencial estético. O romance apresenta-se como uma composição estética dialógica por trazer os discursos sociais em dissonância na narrativa. Além desse aspecto dialógico, a carnavalização é um conceito imprescindível ao analisar Sangue de Coca-Cola, já que este romance elabora uma sátira do contexto sócio-político ditatorial brasileiro. Elementos da carnavalização e do fantástico fazem da obra uma literatura que se preocupa em engajar-se na discussão política da ditadura militar. A partir do estudo da formalização estética do romance, buscamos entender de que modo a sociedade vem participar de sua composição. Nosso estudo, no entanto, não pretende esgotar as possibilidades interpretativas da obra, nem pretende debruçar-se sobre a situação sócio-político de uma época, mas observar o diálogo entre a obra e o contexto, ressaltando de que modo a sociedade participa e é relevante para a configuração do romance.


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  • MARCELA RIBEIRO
  • QUE DIFERENÇA DA MULHER O HOMEM TEM? Erotismo e Pornografia em Maria Teresa Horta

    e Carlos Drummond de Andrade

  • Data: 17/06/2015
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  • A presente pesquisa tem como proposta geral a delimitação do espaço erótico no papel impresso, em meio ao texto poético. Para tanto, propõe-se comparar duas escritas de caráter transgressor, fazendo a união da portuguesa Maria Teresa Horta e do brasileiro Carlos Drummond de Andrade pela trama erótica, pelo discurso atópico e marginal do erotismo para o qual os dois produziram livros, que são, respectivamente, Educação sentimental (1975) e O amor natural (1992). Tem-se o erotismo como a soma das vozes masculina e feminina na relação heterossexual e pretende-se esquadrinhar como o universo da literatura representa o homem e a mulher e se essa representação na verdade é imposta socialmente ou se traz à luz algo de novo. Se cada ponto de vista é a vista de um ponto, cada autor falará do alto de seu ponto de observação e experimentação, o mais confortável para si. Para tanto, busca-se investigar o erotismo em si e sua relação com a vida cotidiana, delimitando também o que o afasta – ou aproxima – da pornografia e da obscenidade.

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  • WILLIAM BRENNO DOS SANTOS OLIVEIRA
  • UM CORAÇÃO QUE PULSA FORA DO CORPO: imagens passionais nas cartas de Frida Kahlo

     

     

  • Data: 18/06/2015
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  • UM CORAÇÃO QUE PULSA FORA DO CORPO: imagens passionais nas cartas de Frida Kahlo

     

     Entre os anos 30 e 40 do século passado, o México viu surgir, das cinzas da revolução mexicana, uma figura singular. Frida Kahlo é descrita, até hoje, pelo imaginário social –  em seus quadros, em suas fotografias – como uma mulher que marcou uma época e que se tornou símbolo de lutas, e isso se estende até a contemporaneidade. Criou-se, em volta da pintora mexicana, várias imagens sociais que eram delineadas no jogo dialógico entre suas obras e seus interlocutores. Tomando como referência essas assertivas, a pesquisa ora apresentada tomou como procedimento realizar uma análise de seis cartas escritas por Frida para os seus interlocutores amados/amantes – três homens com os quais ela se envolveu, afetivamente, durante períodos diferentes de sua vida –, e, como objetivo, mapear os ethé construídos por ela em enunciados nos quais ela “pinta” verbalmente uma imagem de si que se revela nas escolhas lexicais eleitas para falar de amor, de traição, de amizade, de dor e de seu estar no mundo. Diante disso, refinamos uma imagem estética e ideológica de Frida Kahlo que se recobre de passionalidades distintas e de graus dialógicos diversos. Há, no recorte temporal e axiológico que fizemos para esta pesquisa, uma mulher de natureza amante e que transformou esse amor em mote para seus embates com interlocutores com quem se envolveu afetivamente. A nossa análise encontra-se ancorada nas postulações teóricas da Análise Dialógica do Discurso (ADD), que tem como teórico-base o filósofo russo Mikhail Bakhtin (2003, 2009, 2013) – no que se refere ao estilo, principalmente –, e na teoria enunciativa de Maingueneau (2008, 2005) e Charraudeau (2006) – no que se refere ao ethos discursivo. Esta pesquisa insere-se na área da Linguística Aplicada e possui um enfoque qualitativo-interpretativista.

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  • LARALIS NUNES DE SOUSA OLIVEIRA
  • O SER PROFESSOR NOS COMPLEXOS BILÍNGUES DE REFERÊNCIA PARA SURDOS DE NATAL: VOZES EM DIÁLOGO

  • Data: 30/06/2015
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  • No ano de 2010 na cidade de Natal, Rio Grande do Norte, realizou-se a implementação de um novo conceito institucional voltado para a educação de surdos, materializado nos Complexos Bilíngues de Referência para Surdos (CBRS), dez grupos de duas ou três escolas municipais, responsáveis pela Educação Infantil e Ensino Fundamental I e II, passíveis de terem até 50% de seu alunado constituído por alunos surdos. Dada a alcunha “bilíngue” do projeto, têm grande importância para sua realização não apenas os profissionais especializados na educação de surdos (como instrutores e intérpretes de Libras), mas os professores de Língua Portuguesa dessas instituições. Nesta pesquisa, o objeto são as vozes sobre o ser professor nos Complexos Bilíngues de Referência para Surdos de Natal. Situados na área da Linguística Aplicada, temos por objetivo criar inteligibilidade sobre um problema social que tem a linguagem ocupando papel central, qual seja o ser professor nas instituições em questão. O corpus da pesquisa se constitui de onze textos redigidos por esses profissionais sobre sua atuação nas referidas instituições. A análise que realizamos se constrói sobre os quatro tópicos mais recorrentemente encontrados nos relatos, quais sejam a formação inicial e continuada, as experiências docentes, os aspectos institucionais e as sensações que permeiam sua atuação. Sob uma perspectiva qualitativo-interpretativista, realizamos a leitura e a discussão dos dados tomando por base as concepções de linguagem e sujeito elaboradas pelo Círculo de Bakhtin (BAKHTIN, 2011; VOLOSHÍNOV/BAKHTIN, 2012); a noção de diferença dos Estudos Culturais, com maior representação de Woodward (2012) e Silva (2012); e as discussões sobre educação de surdos dos Estudos Surdos, com maior presença de Skliar (1997, 2010), Sánchez (1990) e Lane (1992, 2006). Nas falas dos professores, é possível identificar a fluidez e multiplicidade de vozes que os atravessam. Em suas vozes se revelam as tensões existentes entre o discurso governamental da inclusão como perspectiva da Educação Especial e a realidade enfrentada pelos docentes. A despeito das diferenças que os constituem, seus discursos se tocam sobretudo no que diz respeito às insuficientes oportunidades de formação e às precárias condições de atuação, que têm repercussões diretas no processo de ensino-aprendizagem do aluno surdo.

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  • MARÍLIA CAMPOS SABINO
  • O slogan empresarial como padrão discursivo: uma abordagem cognitivo-funcional.

  • Data: 21/07/2015
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  • Neste trabalho, analisamos slogans empresariais coletados na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, compreendendo-os como um padrão discursivo, isto é, como um pareamento de forma e função capaz de aglutinar as noções de tipo textual e gênero textual. Os trabalhos encontrados até o momento indicam que a Análise do Discurso é a área que mais tem se pronunciado a respeito dos slogans (slogans de produtos, e não de empresas, vale salientar), considerando-os, por meio de análises apenas formais ou funcionais, como um gênero textual intrínseco à ideologia e à subjetividade. Pretendemos extrapolar o âmbito da análise de um ou outro nível, abordando tais textos, simultaneamente, em seus aspectos formais e funcionais. Desenvolvemos, dessa maneira, uma análise quali-quantitativa, objetivando, especificamente, analisar as propriedades formais (fonéticas, morfológicas e sintáticas) e funcionais (semânticas, pragmáticas e discursivas) dos slogans, bem como verificar e quantificar aspectos recorrentes envolvidos em sua construção, com vistas a captar padrões configuracionais subjacentes à sua formação. Tomamos como base a Linguística Funcional Centrada no Uso, que conjuga a tradição funcionalista norte-americana, representada por pesquisadores como Bybee (2010) e Traugott (2010), com a Linguística Cognitiva, em especial, a corrente vinculada à Gramática de Construções, conforme postula Östman (2005), dentre outros. Por meio dos resultados obtidos, ratificamos a relevância da interface entre os aspectos formais e funcionais na análise dos usos linguísticos.

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  • MIRLENE COUTINHO DE MELO
  • Canto de muro: A construção de um mundo de papel

  • Data: 30/07/2015
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  • CANTO DE MURO: A CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO DE PAPEL

    corpus desta pesquisa é a obra Canto de Muro (1959), do escritor potiguar Luís da Câmara Cascudo. Trata-se de um romance de costumes que apresenta, em sua temática e estrutura composicional, nitidez científica associada à poeticidade. A obra é a narração da vida, das aventuras e da morte de animais que vivem no quintal de uma chácara urbana, no Tirol, lugar que Cascudo investiga as atitudes e os comportamentos diários dos bichos sob a ótica naturalista (científico), social (cotidiano) e poética (linguagem). Nessa perspectiva, este estudo tem como objetivo compreender e analisar a presença da intertextualidade para a construção da narrativa cascudiana, em que evidenciamos a existência de outros textos tanto de estudos divulgados da História Natural, quanto da cultura popular, que contribuem para a formação do texto literário e para a cultura e a memória coletiva. Sendo assim, a fim de embasar a nossa reflexão sobre a intertextualidade, estamos fundamentados nas teorias dos seguintes estudiosos: Compagnon (1996) e Kristeva (2005), que nos subsidiam acerca da presença de epígrafes, de citações e de notas de rodapé. Além disso, refletimos sobre a tradição popular que caracterizam as personagens animalescas e percebemos como a memória faz parte da obra. Para isso, contemplamos as principais contribuições teóricas de Bornheim (1987), Candido (2000, 2004), Brandão (2008) e Bosi (2006) que discutem com propriedade essas reflexões. Logo, a nossa pesquisa também compreende uma análise  das personagens, no tocante às atitudes e às vidas que habitam e visitam o cotidiano no canto do muro, e a figura do narrador pesquisador.

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  • Iury Mazzili Gomes Dantas
  • A correlação locução adjetiva/ adjetivo: uma análise funcional

  • Data: 18/08/2015
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  • Neste trabalho, investiga-se a (cor)relação da locução adjetiva com o adjetivo virtualmente correspondente em perspectiva funcional. Objetiva-se identificar fatores de natureza estrutural, semântica e discursivo-pragmática para o emprego de uma ou de outra forma de codificação do modificador nominal. O aparato teórico é o da Linguística Funcional Centrada no Uso, conforme caracterizado por Furtado da Cunha, Bispo e Silva (2013). A pesquisa contempla tanto aspectos quantitativos, em termos da mensuração dos dados empíricos com que se trabalha, como questões de natureza qualitativa no tocante à explicação e à interpretação do fenômeno sob estudo. O banco de dados do qual foram extraídas as ocorrências compõe-se de textos provenientes de edições da revista Veja, de janeiro a março de 2013. Esses textos são representativos de três gêneros textuais, a saber: editorial, coluna social e guia. Os achados deste trabalho, assim como do de Dantas e Silva (2012), revelam que a existência de formas intercambiáveis de locução adjetiva e adjetivo parece não sustentar-se quando se considera a língua em uso.  A análise dos dados permitiu verificar que fatores de ordem diversa (semântica, estrutural, cognitiva e pragmática) estão envolvidos na opção pela locução adjetiva em vez do adjetivo supostamente correlato.

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  • JOILZA XAVIER CORTEZ
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    ARGUMENTAÇÃO EM FOCO: a perspectiva de avaliação do ENEM

  • Data: 21/08/2015
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  • O ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) é, atualmente, um dos principais instrumentos de avaliação em larga escala da educação brasileira. É também bastante utilizado pelas universidades para selecionar os estudantes às vagas de cursos superiores. A prova de redação do ENEM tem como objetivo avaliar a capacidade do estudante de produzir um texto em prosa do tipo dissertativo-argumentativo sobre um tema de natureza social, científica, cultural ou política. Este trabalho se situa nesse contexto: queremos discutir a avaliação da argumentação na prova de redação do ENEM. Partimos do pressupondo de que a avaliação da capacidade de desenvolver um texto bem argumentado passa por uma série de habilidades específicas que recobrem diferentes aspectos do que se entende por processo de argumentação. Considerando, portanto, que a argumentação é objeto de diferentes abordagens teóricas e pode recobrir diferentes conceitos, nosso objetivo é verificar quais são as abordagens e os conceitos subjacentes e como são mobilizados nas competências e habilidades da matriz de correção da prova de redação do ENEM. Quanto a sua natureza, trata-se um trabalho teórico, ou seja, pretendemos oferecer apenas uma discussão acerca do tema, sem necessariamente oferecer aplicação prática. Quanto aos objetivos, o trabalho tem caráter exploratório já que pretendemos oferecer um tratamento do problema, com vistas a torná-lo mais explícito e assim construir algumas hipóteses. Nesse sentido, realizamos um levantamento de algumas abordagens teóricas sobre a argumentação e constamos três concepções: argumentação retórica, argumentação textual, argumentação linguística. Em seguida, analisamos no Guia do Participante (A redação do ENEM-2013) como cada uma dessas concepções é mobilizada na avaliação da redação a partir da forma como são consideradas na descrição das competências e habilidades a serem corrigidas. Essa análise nos mostrou que não se assume nessas competências e habilidades um viés teórico balizador bem situado, o que pode contribuir para uma certa fragilidade do processo de avaliação da redação.

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  • MARIA CAROLINA LÚGARO IZUIBEJERES
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     A Intercompreensão em Linguas Românicas nas aulas de Espanhol: O que querem e o que podem essas línguas?

  • Data: 26/08/2015
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    Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Estrangeira orientam para um ensino de línguas que tenha como objetivo a comunicação linguística e intercultural de modo a contribuir com a formação reflexiva dos alunos. Com esse fim foi realizado um Intercâmbio Virtual unindo lugares tão distantes como Córdoba, na Argentina, e Natal no Brasil, entre alunos de Ensino Médio de dois colégios de Córdoba e um de Natal, através da plataforma Moodle e do Facebook. O intercâmbio teve sua origem nas diretrizes da Intercompreensão em Línguas Românicas (IC), no caso entre o português e o espanhol, no qual cada aluno se comunica na sua própria língua e faz um esforço para entender a do outro em um processo colaborativo que transcende os limites do puramente linguístico, fazendo com que o aluno perceba a sua realidade perante a diferença. Este estudo qualitativo de cunho etnográfico busca conhecer em que medida a aplicação de projetos diferenciados aumenta o interesse dos alunos pela língua estudada. Procuramos, também, desenvolver a competência intercultural de nossos jovens e promover o respeito por culturas diferentes. Em se tratando de alunos argentinos e brasileiros, tentamos promover uma reflexão sobre as representações sociais e procurando destruir estereótipos existentes entre as duas sociedades. Como recursos metodológicos, utilizamos entrevistas, questionários e atividades de intercompreensão durante o projeto, além da observação participante das interações entre os alunos de ambos os países. Acreditamos estar contribuindo para a formação integral do aluno como cidadão crítico e reflexivo da sua postura perante o mundo, o que deve ser um dos objetivos da educação formal segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais. Nossa fundamentação teórica baseia-se na Intercompreensão de Línguas Românicas (IC) como didática do plurilinguismo, (JAMET E SPIŢĂ 2010; ARAÚJO E SÁ et al., 2003; CAPUCHO, 2010; ANDRADE et al., 2003), em algumas teorias sobre interculturalidae e identidade (Vallespir, 1999; DUARTE & SANCHES, 2004; REVUZ, 1998; SILVA, 2000; CHAUÍ 2006; SERRANI-INFANTE 1998), de motivação e aprendizagem de L2 (DECI & RYAN, 1985; DÖRNYEI e OTTÓ, 1998; DÖRNYEI, 2000, 2001; 2011) e na Teoria da Aprendizagem Significativa (AUSUBEL, 1968). Nossos resultados mostram um aumento na motivação dos alunos nas aulas de espanhol quando em contato com a língua alvo através de atividades dinâmicas em um contexto de IC. Além disso, percebemos que a reflexão sobre a cultura dos argentinos auxiliou na desconstrução de representações culturais pré- existentes. 

    Palavras-chave: Intercâmbio virtual. Intercompreensão de línguas românicas. Interculturalidade. Motivação. Português. Espanhol.

     

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  • ALAN MARINHO CÉSAR
  • A REDE CONSTRUCIONAL DOS VERBOS DE MOVIMENTO TRANSITIVOS DIRETOS

  • Data: 31/08/2015
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  • Investigamos, nesta dissertação, a construção com verbos de movimento seguidos de objeto direto (VMTD). Nossa análise buscou revelar as diferenças de sentido desses verbos, propondo uma classificação sintático-semântica que toma por base as relações entre o verbo e seus argumentos. Utilizamos, como fonte de dados, o Corpus Discurso & Gramática: a língua falada e escrita na cidade do Natal (FURTADO DA CUNHA, 1998), que nos permitiu flagrar o objeto de estudo tal como ele se manifesta nas interações sociocomunicativas. O quadro teórico conjuga os princípios da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU) e da Linguística Cognitiva, em especial da Gramática de Construções. A análise mostrou que os VMTD podem ter enquadres semânticos diferentes, se levarmos em consideração o(s) participante(s) que se move(m) ou o tipo de afetamento que pode(m) sofrer como consequência da ação verbal. Os resultados obtidos indicaram que esses enquadres fazem parte de dois esquemas básicos, movimento e deslocamento, que licenciam três tipos de subesquemas, manipulação, trajeto e transporte, que, por sua vez, licenciam microconstruções, definidas com base nos papéis semânticos desempenhados por seus argumentos. Esta dissertação apresenta uma proposta de classificação dos verbos de movimento transitivos diretos, dispostos em uma rede construcional que organiza hierarquicamente os esquemas cognitivos relativamente distintos que esses verbos conceitualizam. 

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  • GERCLEIDE GOMES DA SILVA FERREIRA DO NASCIMENTO
  • A construção autobiográfica e Memorialística em Oiteiro: Memórias de uma Sinhá-Moça

  • Data: 31/08/2015
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  • Com esta pesquisa, pretende-se apresentar uma possibilidade de leitura para a narrativa Oiteiro: memórias de uma Sinhá-Moça (1958), da escritora Magdalena Antunes, situando-a no contexto da Literatura Brasileira do Rio Grande do Norte. Serão observadas aqui as relações pessoais e sociais da autora através da sua obra e os consequentes desdobramentos dentro das perspectivas de autobiografia, memórias e ficção. A intenção é apreender os aspectos autobiográficos da obra em questão que demonstrem a escrita de si, bem como os possíveis traços ficcionais ali existentes por meio das tensões surgidas na narrativa. Para tanto, contamos com as contribuições de Lejeune (2008); Amorim (2007; 2012); Walty (1985) e Iser (2002), dentre outros. Além do caráter autobiográfico, será identificado também, na obra de Magdalena Antunes, seu viés memorialístico, que desponta no livro através da ressignificação das memórias da infância e da adolescência da autora. Para tanto, serão utilizadas algumas concepções teóricas sobre memória individual e memória coletiva e as reflexões de Henri Bergson (1999) e de Le Goff (1984), em contraponto com as contribuições de Maurice Halbwachs (2006) e outros autores, no que se refere ao assunto.

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  • CARMELIA PEREIRA DE LIMA
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    INTERCOMPREENSÃO DE LÍNGUAS ROMÂNICAS: uma proposta para a leitura literária plurilíngue no Ensino Fundamental. 

  • Data: 02/09/2015
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  • A pesquisa desenvolvida consistiu em investigar como os alunos do Ensino Fundamental se comportam diante de uma proposta plurilíngue, baseada na intercompreensão de línguas românicas com textos literários em sala de aula. A fundamentação teórica prioriza autores que consideram a leitura do texto literário como uma ferramenta essencial para a formação das habilidades de leitura e escrita dos alunos, tais como: Amarilha (1997; 2003; 2007), Resende (1993), Kleiman, (1999), Villardi (1997), Aguiar (1991), Perrone-Moisés (2000), Lajolo (1993), Zilberman (1991), Cosson (2006), além de Andrade, Melo-Pfeifer, Santos, (2009), Sá; De Carlo; Antoine (2011), Alas Martins (2014), Doyé (2005), Gomes-Sousa, (2013), entre outros no âmbito da Intercompreensão de línguas e do plurilinguísmo. Como recursos metodológicos para a pesquisa, utilizamos questionários e o desenvolvimento e aplicação de atividades de intercompreensão de textos literários representativos de três línguas românicas (Espanhol, Francês e Italiano), além da observação participante das aulas com alunos do 8º ano do Ensino Fundamental de uma escola da rede pública da cidade do Natal (RN). Os alunos puderam ler e (inter)compreender alguns textos da literatura clássica nas referidas línguas latinas e em Português, cujos títulos abrangeram “D. Quixote de la mancha” de Miguel de Cervantes; “O pequeno príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry; e “Pinóquio” de Carlo Collodi. A análise dos dados obtidos mostra que os alunos compreenderam as aulas com textos plurilíngues como algo além do ensino da estrutura da língua, despertando para o conhecimento de novas línguas e culturas, tendo a diversidade linguística como motivação no momento da compreensão e a literatura como elemento transformador para a formação cidadã dos alunos.

     

     

     

     

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  • JOÃO MARIA FREIRE ALVES
  • “O homem porno-gráfico: identidade inacabada em Glauco Mattoso”

  • Data: 08/09/2015
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  • A pesquisa analisa a produção de Pedro José Ferreira da Silva (paulistano, 1951) -  Glauco Mattoso. Poeta, cronista, ensaísta, tradutor, letrista, Mattoso integra uma geração de escritores que inova a produção literária no Brasil. A análise centra-se no inusitado romance, escrito em forma de 200 sonetos, “Raymundo Curupyra, o Caypora”, e aborda a relação da obra, seus personagens, enredo, temáticas e estilo formal com a tese da fragmentação identitária, tendo-se como referenciais teóricos Baumam (1998), Hall (2005) e Bernd (2011). A nova configuração do Masculino é também objeto da análise, partindo-se de autores como Badinter (1986), Hamburger (2007), Sontag (2008) e Campos (2012). Também abordar-se-á a temática da Descolonização, tal como proposta por Fanon (1979) e Memmi (1997). A partir da desconstrução dos estereótipos de homens, do multi-facetamento do machismo na sociedade atual, que Identidade Masculina permeia a escrita de Mattoso? Em que medida a teoria da Descolonização se aproxima da sua poética? Que noções e conceitos, formas e conteúdos podem-se apreender de sua temática? Que mecanismos culturais justificam a subversão da poesia marginal em Glauco Mattoso? Pretende-se analisar, também, a compreensão da “imagem de macho”, na constituição da voz narrativa; reconhecer os mecanismos culturais de subversão da poesia marginal em Mattoso; pesquisar que referenciais de “macho”, “homem” “virilidade social” permeiam sua poética; evidenciar a postura de revolução cultural desencadeada na forma de sua produção poética. E ainda: verificar o diálogo do poeta com outras temáticas relacionadas à Identidade Masculina e até que ponto o seu “porno-grafismo” deixa de ser apelativo para apresentar rigor formal e qualidade estética, ao ponto de fazer do escritor um dos ícones da escrita marginal brasileira.

     

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  • KÉFORA JANAÍNA DE MEDEIROS
  • QUERIDO DIÁRIO: A CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA DE ALUNOS DA EJA EM DIÁRIOS PESSOAIS

  • Data: 14/10/2015
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  • Este estudo objetiva apresentar as análises de nossa pesquisa, do tipo documental, que investiga a construção de identidades culturais de alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), nível III, de uma escola municipal de Natal – RN, por meio de diários pessoais produzidos em ambiente escolar. Numa abordagem qualitativo-interpretativista, ancoramo-nos nos estudos identitários que nos trazem a ideia de que as identidades são construídas e reconstruídas pelas relações sociais que realizamos. Para tanto, partirmos de uma concepção de linguagem que não pressupõe categorias pré-estabelecidas, pois essas partem do próprio enunciado.  Assim sendo, vamos analisar os enunciados produzidos por esses alunos sob a perspectiva do Círculo de Bakhtin, que trata a construção discursiva emergindo de processos intersubjetivos de interação verbal, numa relação dialógica do eu com o outro, pela alteridade e pela heteroglossia. Ademais, ainda norteiam nosso estudo as orientações sobre gênero do discurso e diário pessoal. Filiamo-nos à Linguística Aplicada indisciplinar por entendermos que essa pesquisa se debruça sobre uma prática social em que a linguagem desempenha papel central e procura demonstrar como os discursos dos sujeitos alunos da EJA, em diários pessoais, são instrumentos de construção não só de suas identidades, mas também do conhecimento e da vida social, da posição que esse sujeito aluno ocupa. Concluimos esse trabalho numa percepção primária das identidades culturais que são construídas pelo sujeito aluno da EJA, pois os resultados sugerem que as identidades desses alunos são fluidamente construídas através da representação que o aluno faz da escola, do que é ser estudante da EJA e de como ele é estudante da modalidade.  Com isso, através de nosso trabalho, pretendemos apresentar mais um olhar sobre a(s) identidade(s) do aluno da EJA, apontando uma visão sobre esse sujeito.

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  • RENATA CALLIPO FUJII
  • A RELAÇÃO ENTRE MEMÓRIA DE TRABALHO E COMPETÊNCIA LEITORA EM CRIANÇAS EM RISCO DE TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM DO PROJETO ACERTA:

    Um estudo exploratório

  • Data: 19/10/2015
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  • Ler e escrever é um direito essencial, que envolve dimensões individuais e coletivas; além de ser importante para o desenvolvimento socioeconômico e político, e para o aprimoramento do pensamento crítico e da participação ativa na sociedade (UNESCO 2005). Sob o ponto de vista neurobiológico, o cérebro não está pronto para a leitura, e esta prática deve ser adquirida deliberadamente através da instrução (DEHAENE 2009). No entanto, os transtornos de leitura e déficits em funções executivas, como, por exemplo, na capacidade de memória de trabalho, podem tornar essa atividade árdua e dificultosa. Buscamos com este estudo investigar o desenvolvimento da competência leitora de 45 alunos do terceiro ano do ensino fundamental da rede pública da cidade de Natal – RN e sua relação com a capacidade de memória de trabalho, através de informações da Provinha Brasil, de dados gerados a partir de testes de memória de trabalho (versão em português do AWMA – Automated Working Memory Assessment) e de medidas no teste de inteligência fluida RAVEN. Com base neste objetivo principal, procuramos responder às seguintes perguntas de pesquisa: (a) Quais as correlações existentes entre a memória de trabalho e os transtornos de leitura?; (b) O que caracteriza a relação entre baixa capacidade de memória de trabalho e risco de transtorno de leitura entre os participantes deste estudo?; (c) De que forma a memória de trabalho se relaciona ao construto de inteligência fluida aplicado neste estudo? Seguindo a metodologia de pesquisa quali-quantitativa (DÖRNEY, 2007), as Provinhas Brasil dos alunos do terceiro ano do ensino fundamental de seis escolas pertencentes ao Projeto ACERTA - Avaliação de Crianças em Risco de Transtornos de Aprendizagem (CAPES/OBEDUC)- foram analisadas e comparadas aos escores dos testes de memória de trabalho e inteligência fluida. Os resultados indicam que a competência leitora dos alunos em risco de transtorno de leitura está diretamente ligada à capacidade de memória de trabalho dos mesmos, principalmente no que diz respeito ao componente fonológico. Também se observa que os participantes com menos capacidade de memória operacional demonstram maiores dificuldades nas habilidades de leitura que demandam decodificação. Ainda, quanto à relação entre memória de trabalho e inteligência fluida, as correlações entre os dois construtos sugerem uma ligação estreita entre os mesmos. Pretendemos assim, contribuir para o diagnóstico dos transtornos de leitura e possíveis estratégias de intervenção.

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  • LUANA VITAL DOS SANTOS
  • TIPOS DE DISCURSO E RECURSOS LINGUÍSTICOS: análise comparativa entre português e espanhol

  • Data: 23/10/2015
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  • O presente trabalho toma como objeto de estudo os tipos de discurso, umas das noções centrais do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD). Segundo o ISD, a linguagem assume um ponto central no desenvolvimento do ser humano e o texto é concebido como uma unidade comunicativa global que movimenta recursos linguísticos de determinada língua natural, adotando e adaptando determinado modelo textual (os gêneros textuais). Os tipos de discurso são definidos como segmentos, em número finito, que entram necessariamente na composição dos gêneros, e, consequentemente, de cada texto empírico, nos quais semiotizam diferentes mundos discursivos particulares ou diferentes atitudes de locução. A identificação dos tipos de discurso é possível a partir das unidades linguísticas que neles ocorrem. Considerando essas noções, partimos da hipótese formulada por Miranda (2008) segunda a qual, de acordo com os gêneros, os tipos de discurso apresentam especificidades no plano da configuração do tipo linguístico, que, por sua vez, podem variar nas diferentes línguas naturais. Nosso objetivo é, portanto, descrever o tipo de discurso que predomina no gênero painel do leitor e depreender as unidades e mecanismos linguísticos que se associam ao tipo de discurso ou tipos de discurso predominantes, comparativamente em relação ao português e ao espanhol. O trabalho se caracteriza por sua natureza exploratória e pretende tratar a questão com vistas a torná-la mais explícita para a discussão de hipóteses. Para atingir esse objetivo, analisamos um corpus composto por 30 painéis de leitores, 15 extraídos do jornal El periódico de Catalunya, em língua espanhola, e 15 do jornal Folha de São Paulo, em língua portuguesa.

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  • MARIA LUÍZA ASSUNÇÃO CHACON
  • A PERSONAGEM ENSIMESMADA EM TU NÃO TE MOVES DE TI

  • Orientador : ROSANNE BEZERRA DE ARAUJO
  • Data: 26/10/2015
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  • Esta pesquisa pretende analisar a obra Tu não te moves de ti (1980), de Hilda Hilst (1930-2004). Em nossa investigação, observaremos primordialmente a complexidade do comportamento das personagens. É importante destacar, no entanto, que o fato de a personagem ser a categoria principal de nossa análise não implica na exclusão de outros elementos da narrativa. Detectamos que a personagem, elemento mais atuante da ficção, encontra-se radicalmente ensimesmada no texto hilstiano, e é sobre esse aspecto que pretendemos nos deter. Sendo assim, investigaremos a relação estabelecida entre a subjetividade exacerbada das personagens e a linguagem utilizada pela autora. Para tanto, observaremos o recurso discursivo que é bastante recorrente em seus textos: o fluxo da consciência. Refletir acerca desse recurso é de fundamental importância para a nossa pesquisa, pois a problematização do indivíduo, na escrita de Hilst, passa também pelo desordenamento da linguagem. É válido ressaltar, ainda, que consideraremos o contexto social no qual a obra se insere, promovendo diálogos entre ambos a fim de evidenciar de que forma a sociedade se configura no romance. Em função disso, não entenderemos o isolamento das personagens somente em sua dimensão ontológica, mas também em sua dimensão histórica e social.

     

     

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  • DÉBORA MARIA DA SILVA OLIVEIRA
  • BLOG PROERD NO SERTÃO:

    LETRAMENTO E AÇÃO SOCIAL

  • Data: 03/11/2015
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  • Este trabalho contempla eventos e práticas de letramento em contexto de políticas públicas antidrogas, mais precisamente, na atuação de policiais militares do Programa Educacional de Resistência às Drogas (PROERD). Esses formadores desenvolvem ações voltadas para a prevenção ao abuso de drogas lícitas e ao uso de drogas ilícitas, bem como divulgam, através de relatos, suas ações, iniciativas e campanhas de prevenção em uma rede operativa virtual. Assim sendo, a pesquisa proposta tem como objeto de estudo os posts do blog PROERD no Sertão, publicados por policiais militares da região do Seridó/RN. Sua configuração em domínio virtual contempla posts de ações desenvolvidas junto a alunos de escolas públicas do Ensino Fundamental e comunidade, na perspectiva de chamar a atenção para a prevenção quanto ao uso e abuso de drogas lícitas e ilícitas. Nesse sentido, a pesquisa objetiva analisar eventos e práticas de letramento implementados por policiais proerdianos  no que se refere à produção e à publicação de posts no referido blog. Em termos teóricos, apoia-se nos pressupostos dos Estudos de Letramento como prática social (BARTON; HAMILTON, 1993, 1998, 2000; KLEIMAN, 1995, 2008; STREET, 1984; OLIVEIRA, 2008, 2010; ROJO, 2009), na teoria dos gêneros (OLIVEIRA, 2010; BRONCKART, 2004, 2006), nos estudos dos elementos de dimensão pragmática, esquemática e linguística (KOCH; FÁVERO, 1987), nos estudos da multimodalidade (KRESS; VAN LEEUWEN, 2006 [1996]; DIONÍSIO, 2006; SANTAELLA, 2012; ALMEIDA, 2011), nos conceitos de agenciamento (BANDURA, 2001), hipertexto e hipermídia (NOJOSA, 2007; KOMESU, 2004; GOMES, 2010; KARWOSKY, 2012; FERRARI, 2007), bem como nos fundamentos que tematizam linguagem e trabalho (SOUZA-E-SILVA, 2002; DUARTE; FEITOSA, 1998; PAZ, 2008, 2010). Metodologicamente, a investigação se insere no campo da Linguística Aplicada (MOITA-LOPES, 1996, 2006; PENNYCOOK, 2006), segue abordagem de natureza qualitativa e assume características da pesquisa explicativa (MOREIRA; CALEFFE, 2006; BOGDAN; BIKLEN, 1994; MINAYO, 2010; CHIZZOTTI, 2005). A geração de dados se desenvolve por meio de técnicas padronizadas (GIL, 1994) que compreendem entrevistas e questionários, as quais possibilitam o “cruzamento” ou a triangulação de informações (COX; ASSIS-PETERSON, 2001). As discussões dos dados convergem para a revisitação das categorias (elementos e componentes) propostas por Hamilton (2000), ao analisar eventos e práticas de letramento, assim como para a focalização dos movimentos verticais (telerrealidade, cibercultura) e horizontais (convivência/televivência; local/global; espaço geográfico/eletrônico) que se presentificam no hiperdomínio (ciberespaço, blogosfera). A relevância da pesquisa situa-se no fato de trazer para o âmbito acadêmico tópicos específicos do domínio do trabalho, mais precisamente do âmbito da política de segurança pública, com vistas a contribuir para a ampliação dos Estudos de Letramento. Igualmente, a importância social da pesquisa constitui-se significativa pelo fato de trazer visibilidade acadêmica para os colaboradores, vislumbrando-os como agentes potenciais da segurança pública, capazes de realizar mudanças sociais em termos de ação instrumental e de ação simbólica ou comunicativa (MAGALHÃES, 1994), tornando a prática de produção de posts uma ação autoconsciente e reflexiva, mesmo em meio às contradições dos processos sociais que dificultam a plena efetivação das Políticas Públicas Antidrogas no Brasil.

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  • PATRICIA SAYONARA LIMA DE ARAUJO PEREIRA
  •  A PRODUÇÃO ORAL DE INGLÊS COMO LE EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE NATAL: UMA EXPERIÊNCIA COM A ABORDAGEM BASEADA EM TAREFAS

  • Data: 19/11/2015
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  • O objetivo desta pesquisa-ação, realizada através de métodos mistos, foi investigar o papel de tarefas propostas pela Aprendizagem Baseada em Tarefas (WILLIS, 1996) no processo de desenvolvimento da produção oral em inglês como LE na escola pública. Vinte e três alunos de uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental II de uma escola estadual norteriograndense foram expostos sistematicamente à realização de tarefas de aprendizagem com foco na produção oral em inglês como LE durante dois meses. Os instrumentos utilizados nesta coleta - pré e pós-questionários; notas de observação; grupo focal; e pré e pós-testes – geraram dois tipos de dados: a) qualitativos (as percepções dos alunos sobre a sua produção oral e o ensino desta habilidade na escola pública; e, o uso de estratégias de comunicação pelos aprendizes frente à ABT); e, b) quantitativos (o desenvolvimento da pronúncia; do rendimento em testes de proficiência (teste KET – Cambridge, adaptado); e, da Proficiência Oral Global (POG) dos aprendizes após a realização das tarefas de aprendizagem). Os resultados quantitativos deste estudo apontam que houve desenvolvimento estatisticamente significativo das medidas de pronúncia e rendimento nos testes de proficiência, após a experiência com as tarefas. Os achados qualitativos, por sua vez, representados pelos relatos dos aprendizes e da professora-pesquisadora, demonstram ter havido um maior foco no uso de estratégias comunicativas durante a produção oral pelos aprendizes ao longo da intervenção com as tarefas.

     

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  • LÍGIA MARIA DA SILVA
  • Orações relativas no português brasileiro em perspectiva histórica

  • Data: 20/11/2015
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  • Neste trabalho, focalizamos as estratégias de relativização, em corpus diacrônico do Português Brasileiro (PB). Em linhas gerais, objetivamos investigar o uso das relativas em perspectiva histórica no PB, focalizando motivações cognitivas e interacionais implicadas e a correlação com as tradições discursivas. A perspectiva teórica que fundamenta o nosso estudo é a da Linguística Funcional de vertente norte-americana, inspirada em Talmy Givón, Sandra Thompson, Paul Hopper, Joan Bybee, Elizabeth Traugott, Mário Martelotta, Angélica Furtado da Cunha, entre outros, conjugada a contribuições das Tradições Discursivas, com base em autores como Kabatek, Koch e Oesterreicher. Quanto à metodologia, a nossa pesquisa é eminentemente qualitativa, no sentido de que busca elucidar motivações discursivo-pragmáticas e cognitivas relacionadas ao uso das estratégias de relativização no PB; e tem suporte quantitativo, no que se refere ao aspecto mensurável dos dados e caracterização do objeto de estudo e sua frequência de uso. Para esta investigação, utilizamo-nos dos corpora do projeto Para a História do Português Brasileiro (PHPB), de modo mais específico, das cartas particulares, oficiais, de leitor e de redator escritas entre os séculos XVIII e XX, de quatro estados: Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Rio de Janeiro.  Os resultados desta pesquisa revelam a variação no domínio da relativização, tendo em vista o aumento do percentual de relativas cortadoras no corpus desta investigação, ainda que a ocorrência dessa estratégia esteja mais restrita às cartas particulares. Além disso, verificamos fatores de natureza cognitiva como redução do custo cognitivo e economia relacionados à ocorrência da relativa cortadora, principalmente, nas cartas particulares; aspectos como a necessidade de expressividade e clareza relacionados ao uso, mesmo que pouco frequente, da copiadora, principalmente nas cartas oficiais; e fatores de ordem comunicativa como a esfera pública de circulação de parte das cartas da amostra, como nas cartas de redator e do leitor, e o distanciamento entre os interlocutores implicados mais diretamente no uso das relativas padrão da nossa amostra.

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  • ROGÉRIO DO ESPÍRITO SANTO LEÃO
  • PROPAGANDA DE GUERRA: ASPECTOS DISCURSIVOS

     

  • Data: 10/12/2015
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  • Este ano, comemoram-se os 70 anos do final da Segunda Guerra Mundial e, buscando relembrar um pouco do que este acontecimento representou para a história da humanidade, este trabalho aborda, numa perspectiva interdisciplinar, um dos aspectos mais significativos dos esforços desprendidos durante esse período: a propaganda de guerra. Reconhecendo a propaganda como uma das mais importantes ferramentas de alavanca, manutenção e controle dos conflitos que marcaram a Segunda Guerra Mundial, este trabalho tem por objetivo analisar aspectos discursivos da propaganda política de guerra, trazendo-a para o âmbito da Análise do Discurso e utilizando referenciais como Michel Foucault, Dominique Maingueneau, Patrick Charaudeau e Stewart Hall. Dentro dos possíveis suportes publicitários cabíveis à constituição do corpus de análise deste trabalho, foi no pôster de guerra onde encontramos a possibilidade de explorar as categorias de análise predefinidas para esta pesquisa. Através de uma abordagem documental, explorando aspectos pertinentes à área da análise do discurso, elucidar-se-ão questões como: é possível que a propaganda de guerra, por meio de um suporte tão simples quanto o pôster, atinja seu objetivo quanto à manipulação dos valores ideológicos, morais e sociais de uma população? Como se dá esse processo de manipulação ideológica dos indivíduos direta e indiretamente afetados no contexto da guerra? O gênero discursivo pôster de guerra seria, ainda nos dias de hoje, uma tecnologia de publicidade suficientemente persuasiva? Analisando os mecanismos de comunicação dos pôsteres de guerra, especificamente os produzidos pelos Estados Unidos da América e Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, observar-se-á o potencial dessa ferramenta, em sua função de envolver a opinião pública no contexto da guerra em busca de seus objetivos.

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  • ALANA DRIZIÊ GONZATTI DOS SANTOS
  • PROGRAMA “ENGAJANDO FAMÍLIAS NA ESCOLA”: estratégias, possibilidades e desafios

  • Data: 15/12/2015
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  • Educação e comunidade estão entrelaçadas nas conjunturas atuais, de modo que as práticas sociais, as problemáticas situadas e os trabalhos emancipadores têm cada vez mais adentrado o ambiente escolar. Nesse contexto, a ampliação de estudos com foco no  letramento familiar torna-se necessária para a mobilização de alternativas e ações nesse âmbito. Nesse caminho, o ambiente colaborativo é produzido e o engajamento é efetivado. A pesquisa se insere no projeto “O habitus de estudar: construtor de uma nova realidade na região metropolitana de Natal” (OBEDUC/UFRN) e no programa “Letramentos e políticas públicas: a família na escola” (MEC/PROEXT/UFRN). Em função do objeto de estudo eleito – letramento familiar –, norteamos esta pesquisa a partir dos seguintes objetivos: discutir ações de linguagem implementadas em um programa de letramento familiar, buscando criar recursos potencializadores dos letramentos desenvolvidos para: 1) registrar ações, divulgar informações diversas (eventos, textos e ações); 2) desenvolver estratégias de aproximação entre a escola e a família e 3) apontar impactos de tais vivências de letramento familiar. Para alcançar tais objetivos, fundamentamos a discussão em aportes teóricos dos estudos de letramento (STREET, 1984; McLAREN, 1988; BARTON & HAMILTON, 1993; KLEIMAN, 1995, 2000), aprofundando-nos em questões do letramento familiar e dos projetos de letramento. Metodologicamente, inserimo-nos na área de estudos da Linguística Aplicada e tomamos como paradigma o qualitativo (ERICKSON, 1990; BORTONI-RICARDO, 2008), com abordagem etnográfica crítica (MOITA LOPES, 1993; THOMAS, 1993; HEATH & STREET, 2008). Compreendemos, a partir de nossas análises, que as famílias têm muito a contribuir com a realidade da escola e, percebendo a relevância e o valor nas ações, elas participam e agem em prol das ações e da educação dos alunos, mesmo em meio às situações complexas da rotina. Ainda, apreendemos que são necessários diálogos e a realização de atividades com a comunidade, procurando sempre, nesses momentos, ter envolvimento, priorizar saberes locais e a construção de um conhecimento compartilhado.

Teses
1
  • JORGE NORMANDO DOS SANTOS FILGUEIRA
  • Isso é o Nome das Coisas?
    A Palavra-Canção em Arnaldo Antunes
  • Data: 27/02/2015
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  • RESUMO

    Esta tese pretende analisar um corpus contendo alguns poemas híbridos e algumas imagens relacionadas a esses poemas, devido à onipresença de alguns deles em sistemas semióticos diferentes e até em livros diferentes de Arnaldo Antunes. Os poemas em análise serão retirados de dois de seus livros: As coisas e Nome. Analisaremos também alguns trechos de canções, que estão presentes nos discos de carreira do mesmo autor; além de observarmos a corporificação do vídeo-poema que sai do suporte do papel e adentra na tela da TV através do VHS/DVD do projeto Nome. Nosso trabalho se debruça sobre esse corpus, observando principalmente um aspecto recorrente já observado em nível de mestrado, que é a marca da primeiridade, categoria teórica desenvolvida por Charles Sanders Peirce. Além de observamos o aspecto semiótico, também faremos uma discussão sobre a relação dos textos verbais com os visuais e suas nuances com a mudança de suportes. A teoria semiótica será ancorada basicamente na visão peirceana estudada por Lúcia Santaella sobre as matrizes da linguagem e do pensamento (a sonora, a verbal e a visual). E no que se refere ao estudo das canções, utilizaremos a teoria de Luiz Tatit, que discute a entoação verbal e índices musicais como parte responsável pela compreensão global da Canção. 

2
  • EDGLEY FREIRE TAVARES
  • ANÁLISE DO DISCURSO DA RESISTÊNCIA MOSSOROENSE AO ATAQUE DE LAMPIÃO

  • Data: 05/03/2015
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  • Na cidade de Mossoró, diversas práticas sustentam um discurso memorialista em torno da resistência desta cidade ao ataque do cangaceiro Lampião, no ano de 1927. Nossa pesquisa objetivou descrever e interpretar o funcionamento dessa discursividade, problematizando seus mecanismos, estratégias e efeitos na dispersão dos enunciados na cultura local. A Resistência, tomada como acontecimento discursivo, foi então investigada do lugar teórico-metodológico da análise do discurso francesa, na articulação dos postulados de Michel Pêcheux com a arqueogenealogia formulada por Michel Foucault. A análise do corpus constituído de materialidades discursivas acadêmicas, midiáticas, do teatro, de inscrições urbanas e da literatura de cordel, apontou uma série de regularidades discursivas, interdiscursividades e efeitos de sentido que marcam o funcionamento histórico e semiológico do discurso da Resistência como prática atravessada por diversas relações de saber e de poder. Além disso, a análise discursiva dessa reminiscência da passagem de Lampião em Mossoró possibilitou compreender essa narrativa em sua gênese e nas repetições e transformações da memória, evidenciando como este discurso tem organizado diversas instituições, grupos e lugares enunciativos, marcando a centralidade dessa memória na política, cultura e economia locais. 

3
  • ADRIANA MORAIS JALES
  • A (não) assunção da responsabilidade enunciativa em livros didáticos de língua portuguesa do 4º e 5º. anos

  • Data: 20/03/2015
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  • O livro didático de Língua Portuguesa vem sendo o foco de muitas investigações, apesar disso, o tema ainda tem muito a ser discutido, refletido e ampliado. Essa convicção nos mobilizou a realizar essa investigação, buscando responder três perguntas: (1) Como o autor do livro didático induz o aluno a se posicionar em questões de compreensão de texto do livro didático de Língua Portuguesa? (2) Que elos enunciativos são usados pelo autor do livro didático em questões de compreensão do texto no que diz respeito à assunção da responsabilidade enunciativa? e (3) Que elos enunciativos são usados pelo autor do livro didático em questões de compreensão do texto no que diz respeito à não assunção da responsabilidade enunciativa? Nessa direção, estabelecemos como objetivos identificar, descrever, analisar e interpretar como se materializa em livros didáticos de Língua Portuguesa a (não) assunção da responsabilidade enunciativa. A temática encontra eco nas orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN (1998; 2001), que assumem que “toda educação comprometida com o exercício da cidadania precisa criar condições para que o aluno possa desenvolver sua competência discursiva” (BRASIL, 1998, p. 23). Essa assertiva dos PCN (1998; 2001) tem estreita relação com nosso objeto de pesquisa, tendo, pois, corroborado para a realização do estudo. Assim, analisamos questões de compreensão de texto elaboradas por autores dos livros didáticos de Língua Portuguesa do 4º e do 5º ano, trabalhados nas escolas públicas do município de Natal – RN, em 2010. Nossa ancoragem teórica circunscreve-se nos postulados da Análise Textual dos Discursos – ATD e da Linguística Enunciativa. Subsidiamo-nos, principalmente, em estudos de Adam (2011), Nølke (1994; 2001; 2006; 2009; 2012), Nølke, Fløttum e Norén (2004), Rabatel (2004; 2005; 2008; 2009), Guentchéva (1994; 1996). A análise dos dados revelou que autores de livros didáticos de Língua Portuguesa exploram a compreensão de texto, induzindo os alunos a responderem questões que podem ser, assim, categorizadas: (1) indução para a assunção da responsabilidade enunciativa, (2) indução para a não assunção da responsabilidade enunciativa, (3) orientação para o estudo do léxico e da gramática e (4) orientação de temas extras. Pelos resultados decorrentes da comparação entre os livros de 4º. e 5º. anos das duas coleções analisadas, observamos, através dos elos de (não) responsabilidade Nølke (1994; 2001; 2006; 2009; 2012), Nølke, Fløttum e Norén (2004), que em 79% das questões, os autores induzem a decodificação de um conteúdo objetivamente inscrito no texto. Nesse sentido, a noção de compreender um texto fica comprometida, uma vez que se limita à cópia de conteúdos ou exercícios de transcrição, deixando de contemplar o uso interativo da língua, ou melhor, deixando de ampliar o conhecimento do aluno na (re)construção dos sentidos do texto. Isso evidencia que ainda falta um trabalho com o texto que contemple os recursos textual-discursivos nas atividades de leitura nos livros didáticos de Língua Portuguesa. Evocamos, nessa direção, os trabalhos de Marcuschi (2005), Antunes (2003, 2005), Bunzen e Rojo (2008), entre outros autores que muito contribuíram para orientar a escolha de livros didáticos de Língua Portuguesa. Por fim, entendemos que o estudo sobre o fenômeno da responsabilidade enunciativa em livros didáticos de Língua Portguesa oferece, sobretudo, ferramentas para que os interlocutores identifiquem os elementos presentes na enunciação e os efeitos que esses elementos trazem para a (re)construção dos sentidos nos textos que eles leem e escrevem na sala de aula.

4
  • MARIZE LIMA DE CASTRO
  • AREIA SOB OS PÉS DA ALMA: UMA LEITURA DA VIDA E DA OBRA DE OSWALDO LAMARTINE DE FARIA.

  • Data: 23/03/2015
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  • Esta pesquisa acompanhou o processo de construção de Oswaldo Lamartine de Faria como intelectual, objetivando constatar que sob a égide do sertão do Nordeste brasileiro ergueu-se a obra oswaldiana. Acompanhou o surgimento do pesquisador, observando como ele descobre a sua missão de estudar o sertão do Seridó e como sua relação com Luís da Câmara Cascudo foi primordial, pois mesmo sendo um observador nato, Oswaldo Lamartine iniciou sua construção como pesquisador a partir do incentivo de Cascudo. Na primeira parte desta Areia sob os pés da alma: uma leitura da vida e obra de Oswaldo Lamartine de Fariapesquisa, no primeiro capítulo, nominado de Porteiras ao tempo, configura-se o país à época da seca de 1919, ano de nascimento de Lamartine. Nesse capítulo, foi mostrada a infância do menino Oswaldo e seus primeiros encontros com Câmara Cascudo; seu exílio urbano no Rio de Janeiro; os livros escritos pelo ainda jovem Oswaldo; os livros que vieram depois e o seu definitivo retorno ao Rio Grande do Norte. Nos capítulos seguintes: Areia sob os pés da alma e Imagens de um nobre do sertão, apresenta-se uma síntese dos livros do escritor, é realizada a narração da sua entrada no cânone da cultura potiguar e ganha destaque a sua entrevista para o documentário “Oswaldo Lamartine: um príncipe do sertão”, ressaltando sua tentativa (através de sua escrita) de salvar da morte a própria existência. Na segunda parte, no capítulo Versal, negrito, entrelinhas, são apresentadas leituras de textos dedicados a Oswaldo Lamartine, a exemplo dos textos de autoria de Zila Mamede, Maria Lúcia Dal Farra e Paulo de Tarso Correia de Melo. No capítulo que se segue, batizado de Cinzas vivas e mornas, ganha relevo a correspondência de Lamartine com Luís da Câmara Cascudo e dos vestígios inimagináveis da amizade entre esses dois pesquisadores. As cartas de Cascudo são lidas através do livro De Cascudo para Oswaldo. Elas são um testemunho vigoroso da permanente conexão de Oswaldo Lamartine com o Rio Grande do Norte. E, finalizando, no capítulo Terçar, tatuar, imprimir é feita a leitura da coletânea Sertões do Seridó, na qual estão compilados cinco livros do escritor. Através da leitura de cada um, percebe-se como a observação da realidade foi essencial para o escritor construir sua obra. Esta é uma das primeiras pesquisas que se realiza na Universidade Federal do Rio Grande do Norte sobre Oswaldo Lamartine de Faria e as suas principais referências teóricas são reflexões dos autores Jacques Le Goff (2003), Lejeune (1994; 2008), Maurice Blanchot (1987; 2005), Alfredo Bosi (1987) e Gaston Bachelard (s/d).

5
  • CLAUDIA SIMONE SILVA DE SOUSA
  • Fragmentos e abismos discursivos do Livro do desasocego

  • Data: 27/03/2015
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  • A presente tese de doutorado buscou, pelas linhas do Livro do desasocego, de Fernando Pessoa, sob a égide do semi-heterónimo Bernardo Soares, trazer à luz modos como a escritura fragmentária pode ser reveladora do poder da linguagem. O corpus literário foi abordado com o olhar voltado para a estrutura simbólica de representação da linguagem como inventiva da vida de um sujeito enunciador de máximas e reflexões contidas em textos, de variados temas, presentes no Livro do desasocego, os quais permanecem efervescentes ao longo do tempo, desde a sua primeira edição em 1982. O Livro do desasocego não parou de ser reeditado sob diversas concepções e organizações.  Para tanto, aporte teórico central para a consecução da tese foi a vertente da Análise Textual do Discurso, norteada Dominique Maingueneau (2006). Todavia, a abordagem trazida para tese buscou estar para além dessa fronteira teórica. Dado se justifica pelo motivo de que o estudo versa sobre um livro fragmentado que favorece múltiplas abordagens. 

6
  • NADIA MARIA SILVEIRA COSTA DE MELO
  • A CONSTRUÇÃO MEDIAL NO PORTUGUÊS DO BRASIL

  • Data: 27/03/2015
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  • Esta tese examina a construção medial em contextos reais de uso do português do Brasil (PB). Trata-se de uma construção que descreve um evento causativo, em que um participante não-humano (Sujeito) é afetado por uma ação que não emana dele. Interessa-nos investigar essa construção a partir de suas funções semântico-cognitivas e discursivo-pragmáticas, suas características específicas, motivações e contexto discursivo em que seu uso é recorrente. Para tanto, buscamos responder às seguintes questões: qual a configuração estrutural prototípica da construção medial (CM) no Português do Brasil? Quais são suas funções discursivas específicas? Qual é o grau de transitividade da CM com base nas propriedades de transitividade propostas por Hopper e Thompson (1980)? Partimos do pressuposto de que a construção medial possui estrutura própria que particulariza sua dimensão significativa, garantindo assim um certo distanciamento entre o responsável pelo evento e a entidade afetada. A fundamentação teórica provém da Linguística Funcional Centrada no Uso (FURTADO DA CUNHA, BISPO e SILVA, 2013). É uma pesquisa de natureza qualitativo-interpretativista que tem como prioridade a análise de ocorrências oriundas de textos produzidos por usuários da língua portuguesa do Brasil em situação efetiva de comunicação. Os dados empíricos analisados provêm de textos eletrônicos disponíveis no sítio www.reclameaqui.com.br. Os resultados revelaram a existência de diferentes configurações em português para a construção medial, sendo a prototípica a formada por SN+V (58% das amostras). Do ponto de vista morfossintático e semântico, a construção expressa um sujeito afetado por uma ação que não parte dele. Quanto ao aspecto pragmático, a construção expressa um evento que parece ter como propósito enfatizar o argumento afetado e ignorar, intencionalmente ou não, o agente ou o causativo, por ser irrelevante para o falante/ouvinte na situação contextualizada.

7
  • ZELIA XAVIER DOS SANTOS PEGADO
  • ESTRUTURAS COGNITIVAS: UMA ANÁLISE NA ORGANIZAÇÃO FORMAL E SIGNIFICATIVA DA NARRATIVA 

  • Data: 27/03/2015
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  • Este trabalho insere-se no âmbito da Linguística Cognitiva, teoria que surgiu em oposição à abordagem modular gerativista e que postula que a linguagem não é autônoma, mas faz parte da cognição humana manifesta de processamento mental, de experiências socioculturais e corpóreas. Nele verificamos o processamento mental nos eventos narrativos por meio das estruturas cognitivas. Nosso objetivo é descrever e analisar alguns mecanismos cognitivos de compreensão que atuam na organização formal e significativa da narrativa. Para estudo e verificação desse fenômeno, subsidiamo-nos no referencial teórico de Rapaport et al (1994) com o tratamento do centro dêitico, Zwann (1999) e Zwaan e Radvansky (1998) com modelo de situação; Minsky (1974) com o conceito de frame, Johnson (1987) e Duque e Costa (2012) com esquemas imagéticos. Com esse propósito, enfocamos a perspectiva dêitica (ONDE, QUANDO, QUEM), as estruturas cognitivas sociais e corporais (frames e esquemas imagéticos) e os modelos de situação construídos pelo compreendedor a partir dessas estruturas cognitivas. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, pautada na introspecção.  O corpus selecionado foi uma amostragem de doze textos escritos por alunos do 8º ano, cuja produção consiste em narrativa ficcional, a produção de páginas de diário. As análises foram conduzidas por estruturas cognitivas destacadas em Blocos Construcionais (BCs), que nortearam a discussão acerca de como construímos o entendimento e a criação dos significados nas narrativas. O resultado depreendido aponta-nos que os eventos narrativos são representados mentalmente pelo compreendedor que concebe um centro dêitico e, guiado por esse centro dêitico, tem acesso à compreensão e à construção de sentido da narrativa pelos domínios cognitivos estabelecidos pelas experiências corpóreas e socioculturais.

8
  • JANILSON SALES DE CARVALHO
  • A MICROPOLÍTICA DA TRANSGRESSÃO NOS CONTOS DE JOÃO ANTÔNIO

  • Orientador : ILZA MATIAS DE SOUSA
  • Data: 30/03/2015
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  • A pesquisa de Doutorado intitulada A micropolítica da transgressão nos contos de João Antônio tem por objetivo estudar a transgressão como elemento motivador na vida deste escritor, resultando na feitura dos contos e na construção dos personagens. Desde o primeiro livro, Malagueta, Perus e Bacanaço, de 1963, até Dama do Encantado, de 1996, ano de sua morte, a obra ficcional apresenta um rico elenco de personagens transgressores movimentando-se em ambientes sempre hostis e marcados por interdições fincadas em leis ou regras. A inaceitação desses controles é o fator desencadeador de transgressões provocadoras de conflitos que resultam na elaboração dos contos mais conhecidos e elogiados deste escritor. O percurso na ficção acontece na obra com a adoção de uma escrita regida pela micropolítica da transgressão, termo elaborado a partir da micropolítica observada como proposta de atuação social pelos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari e pela questão da transgressão, a própria atitude em ação, observada pelo escritor francês Georges Bataille. Além desses autores, a pesquisa será norteada por estudos de Michel Foucault, Maurice Blanchot, Jacques Rancière, Michel de Certeau, Friedrich Nietzsche e Jacques Derrida.

9
  • MARIA DA CONCEIÇÃO SILVA DANTAS MONTEIRO
  • LUÍS DA CÂMARA CASCUDO PREFACIADOR

  • Data: 30/03/2015
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  • Apresentar uma leitura de prefácios escritos por Luís da Câmara Cascudo, a obras literárias e não literárias, a partir da década de 20 do século XX, é o objetivo desta tese, considerando o vocábulo no seu significado: “Latim praefatio, ação de falar no princípio. Sinônimo de ‘prólogo’, no sentido de texto que precede ou introduz uma obra” (MOISÉS, 1999, p. 416). Nesta pesquisa, entende-se como prefácio o texto escrito e publicado com o intuito de fornecer informações que facilitem a leitura e/ou o entendimento da obra à qual ele faz referência, independentemente de vir nas páginas iniciais, quando recebe o nome de prólogo, carta ao leitor, proêmio, introito, preâmbulo, introdução, etc., ou quando aparece apenas nas últimas páginas do livro e passa a intitular-se posfácio. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter biobibliográfico e interpretativo, tendo em vista que parte da análise de textos e utiliza-se do método indutivo, foca na profundidade do entendimento que o pesquisador tem sobre o objeto pesquisado, no caso específico desta tese os prólogos cascudianos. Objetiva-se, ainda, buscar entender, por meio desses documentos/monumentos (LE GOFF, 2012), de que modo o autor lê a sua obra e a dos demais autores que recorreram a ele em busca de um texto introdutório. O legado deixado pelos prefácios cascudianos pode permitir uma melhor compreensão da produção literária norte-rio-grandense no século XX, observar de que modo essa produção contribuiu para o fortalecimento do sistema literário brasileiro (CANDIDO, 1997) e para a formação de uma tradição literária no Rio Grande do Norte. Para o estudo desse gênero recorremos a SALES (2003), TELES (1986/1989/2010), CLEMENTE (1986) e CANDIDO (2005); quanto à noção de tradição, nos reportamos a ELIOT (1997) e CANDIDO (1997/1980). O conjunto de prefácios constitui um vasto material de pesquisa que permitirá aos estudiosos das culturas norte-rio-grandense e brasileira darem continuidade ao trabalho iniciado por Luís da Câmara Cascudo, ainda em 1921, quando iniciou sua trajetória como prefaciador.

10
  • LENISE DOS SANTOS SANTIAGO
  • Dar a ver Sertão e Sevilha: matizes hispânicas na poética cabralina

  • Data: 31/03/2015
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  • Dar a ver Sertão e Sevilha: matizes hispânicas na poética cabralina é um estudo sobre a obra do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto  a partir da sua composição poética, que evidencia o diálogo intercultural e a vertente poética espanhola absorvida em sua convivência andaluza. As interfaces hispânicas assimiladas pela poesia cabralina por meio da literatura ou pelo contato direto com a cultura estão registradas nos 129 poemas que têm a Espanha como tema, nos quais podemos observar que a matriz da tradição hispânica, rica na sua diversidade, foi elemento preponderante para o poeta João Cabral descobrir o cerne da sua lírica às avessas. A partir do corpus hispânico, será explorada a assimilação estética da poesia espanhola na obra de João Cabral de Melo Neto, com o objetivo de desmistificar as questões da aridez lírica e da antimusicalidade na poética cabralina em que, a partir da apropriação dos elementos hispânicos investigados como signo de lírica e musicalidade, concebe-se uma leitura desvinculada do signo construtivista, tessitura evidenciada pelo crítico Antonio Candido desde o surgimento da poesia de João Cabral com o poema Pedra do sono (1942). A referida estética foi adotada posteriormente pela crítica literária que a denominou  “poesia cerebral” por sua configuração hermética, tessitura do rigor, concretude da linguagem e métrica retesada. Os resultados obtidos a partir deste estudo visam provocar uma leitura que favoreça a acústica lírica da poesia cabralina no sentido de amenizar os aspectos da construção árida.

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  • RENY GOMES MALDONADO
  • A GERAÇÃO DE 27 E O BARROCO: LA MIRADA EXUBERANTE

  • Data: 27/04/2015
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  • Do contexto de criação da licenciatura do Curso de Letras-Espanhol na UFRN, veio a motivação para esta pesquisa, que apresenta um estudo literário do grupo de poetas conhecidos como Generación del 27, surgido na Espanha dos anos de 1920. Muitos aspectos deste estudo são temas das diversas disciplinas da licenciatura (Literatura Espanhola II, Literatura Ibero-americana, Cultura Espanhola, Tradução em Língua Espanhola) etc. Também servirá como inspiração para novas reflexões e propostas de tradução como travessia entre a língua de partida e de chegada, é a tradução como negociação da compreensão entre as línguas, é o decir casi lo mismo aqui em forma de poema (ECO, 2007), na tentativa de perfazer novas aprendizagens, que serão compartilhadas com alunos da graduação e da pós-graduação, seja na modalidade de ensino, extensão ou de novas pesquisas. Para contextualizar o estudo dessa geração, elegeram-se as antologias organizadas por Gerardo Diego, sob o título Poesía Española (Antologías), publicada em 2007, pelas Ediciones Cátedras, e a Antología comentada de La Generación del 27, de Víctor García de la Concha, publicada em 2006, pela Editorial Espasa Calpe. A pesquisa fez da Geração de 27 seu objeto de estudo, e a partir de diversas leituras críticas sobre a poesia feita por esses jovens poetas, sua vocação criativa de estética e vanguarda, buscou-se compreender o contexto da criação literária desses poetas del 27. Construímos o nosso alicerce nas contribuições de Antonio Maravall (2009), Eugenio D’ors (s.d.), Severo Sarduy (1999), Lezama Lima (2011), Alfonso Reyes (1958), Deleuze (2005), dentre outros, que aportaram a compreensão da linguagem barroca, dando ênfase ao movimento pluridirecional, desconstruindo sua linearidade, criando outras novas formas, como voltas, círculos, espirais favorecendo encontros, distanciamentos ou iguais pontos de partida e chegada. Assim, os poetas del 27 aproximaram o barroco do seiscentos numa releitura, e fizeram da celebração do terceiro centenário da morte de Góngora a mirada exuberante para a volta do espírito barroco. Alfonso Reyes e Rubén Darío disseram que verdadeiros faróis iluminaram os rumos dessa geração de poetas: a luz que desdobra cintila em García Lorca, Jorge Guillén, Dámaso Alonso, Gerardo Diego e o toureiro Ignacio Sánchez Mejías, poetas que manifestaram homenagens em grande estilo ao autor das Soledades, nos cafés de Madrid e de toda a Espanha.

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  • SOLIANA DE ARAUJO SILVA
  • BORGES: alegoria, metáfora e morte

  • Data: 27/04/2015
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  • Este trabalho, com vista à defesa de tese, consiste numa discussão, análise e leitura de contos borgeanos, em que a problemática de interesse articula-se à linguagem, ao discurso e à escritura, remetendo-os tanto à Literatura quanto à Filosofia, tanto ao estatuto do ficcional, quanto ao do ontológico. Nessa ótica, pretende-se mostrar a escritura borgeana como urdidura da morte, do alegórico e do metafórico, no sentido de trazer para o ficcional traços distintos do real, elaborando o discurso para além do dito, atingindo os interstícios, o silêncio, as interrupções e a suspensão da representação. Nessa elaboração discursiva, aponta-se uma travessia na letra, afetada por sensações indizíveis, entrecruzando os processos de memória, imaginário e real, nos quais a temporalização faz emergir a diferença e a repetição. Nestas se constituindo agenciamentos territoriais que conduzem os personagens a espaços imaginários como possibilidades do real, permitindo-lhes efetiva mobilidade para     desterritorializar-se e reterritorializar-se, conforme as forças de mudança que se manifestam nos seus trilhamentos. Para tanto, coloca-se como escopo uma pesquisa bibliográfica norteada por autores como Maurice Blanchot (2008), Kátia Muricy (1998), João Adolfo Hansen (2006), Susan Sontag (2007), Mário Bruno (2004), Juan Manuel García Ramos (2003), Beatriz Sarlo (2008), Walter Benjamin (1984), Gilles Deleuze (1997; 2006; 2009), Gilles Deleuze e Félix Guattari (1995; 1996; 1997). O corpus teórico e de discussão constitui-se a partir desses autores, atendendo ao caráter qualitativo implícito na construção desta tese. Quanto ao corpus literário, este é composto pelos contos A escrita do Deus, Os dois reis e os dois labirintos, A loteria em Babilônia, A metáfora, A biblioteca de Babel, O espelho e a máscara, Um teólogo na morte e O morto.

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  • ADY CANARIO DE SOUZA ESTEVAO
  • CONEXÕES DE SABERES NA UNIVERSIDADE: UMA ANÁLISE DAS PRÁTICAS DISCURSIVAS INCLUSIVAS DE ESTUDANTES

  • Data: 29/05/2015
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  • Este trabalho tem por objetivo investigar as práticas discursivas inclusivas dos estudantes habitantes do Programa Conexões de Saberes em uma universidade pública. A pesquisa situa-se no âmbito da Linguística Aplicada, área do conhecimento que toma como foco a linguagem sob o olhar interdisciplinar e constitui-se por um corpus composto pelo perfil, memoriais e entrevista coletiva. Essa investigação, no campo das humanidades, tomou a perspectiva teórica da análise do discurso francesa, a partir dos postulados de Michel Pêcheux sobre discurso, interdiscurso, memória discursiva e produção de sentido, entrecruzando com os estudos educacionais e sociais sobre as políticas públicas de ações afirmativas. Compreendendo a linguagem como uma prática discursiva, a análise do discurso revelou efeitos de sentido na construção de saberes e fazeres dos estudantes oriundos de espaços populares impactados pelo programa. Conclui-se que o discurso dos estudantes produz uma discursividade inscrita em enunciados sobre as vivências, trajetórias e experiências quanto ao acesso e permanência na universidade.

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  • RILDECI MEDEIROS
  • Resumo de dissertações e teses: a estrutura composicional à luz da Análise Textual dos Discursos

  • Data: 25/06/2015
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  • Esta tese propõe a descrição, a interpretação e a análise da estrutura composicional de resumos de dissertações e teses, tanto no que se refere aos mecanismos linguísticos que evidenciam zonas textuais de diferentes sequências tipológicas como no que concerne ao plano de texto. Com efeito, o problema de pesquisa configurou-se a partir da noção de estrutura composicional (sequências e planos de textos), como um dos níveis ou planos da análise textual, conforme construtos teóricos empreendidos por Jean-Michel Adam (2011a). O objetivo principal de estudo foi reconhecer como se dá a estrutura composicional do resumo de dissertações e teses tendo em vista unidades textuais e a organização global dessa categoria de texto. A hipótese de trabalho é a de que determinadas categorias informacionais da composição textual do resumo são necessárias para o processo de representação do texto original e sua produção de sentido. Para tanto, este estudo tem como base teórica e metodológica a Linguística Textual (LT) e, sobretudo, a Análise Textual dos Discursos (ATD), uma vez que buscamos compreender a estrutura organizacional do resumo tanto do ponto de vista linguístico quanto textual. Tal estrutura envolve a planificação textual do resumo, no seu propósito comunicativo, ou seja, o de divulgação científica, na sua forma textual típica. Assim, do ponto de vista do referencial teórico e metodológico, o desenvolvimento deste estudo teve como base os pressupostos teóricos e descritivosda ATD (ADAM, 2011a, 2012; PASSEGGI et al., 2010) e, ainda, da LT (BEAUGRANDE; DRESSLER, (2012 [1981]); COSERIU; LAMAS (2010); MARCUSCHI, 2009 [1983]; FÁVERO; KOCH, 1994;KOCH, 2006; BENTES, 2004; BENTES; LEITE, 2010), situando-o no campo dos estudos do texto. Quanto à metodologia, trata-se de um estudo empírico, de ordem documental e de base qualitativa, com abordagem descritiva e interpretativista. Numa perspectiva empírica, buscamos compreender o problema pertinente à composição textual do resumo escrito, visando elucidá-lo à luz de aportes teóricos e metodológicos das teorias mencionadas. O corpus de análise foi composto de sete resumos destinados à uma coleta sistemática de dados. Esses textos,produzidos no período de 2004 a 2011,foram selecionados de dissertações de mestrado e de teses de doutorado, na versão eletrônica, de cursos de pós-graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A partir do estado da arte, tornou-se evidente a flutuação terminológica do conceito de resumo. Os resultados encontrados revelam que os resumos do corpus de análise, em geral, apresentam uma heterogeneidade tipológica. Entretanto, o plano de texto é fixo. Por fim, os conhecimentos novos advindos desta pesquisa contribuíram tanto para a compreensão da estrutura composicional de resumos como para sua produção.

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  • LUCELIO DANTAS DE AQUINO
  • REPRESENTAÇÕES DISCURSIVAS DE LULA NAS CAPAS DAS REVISTAS
    ÉPOCA E VEJA

  • Data: 05/08/2015
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  • Esta tese se propõe a analisar as representações discursivas de Lula nas capas das revistas Época e Veja, considerando os elementos verbovisuais que constituem o gênero de discurso capa de revista. Nesse sentido, buscamos descrever e interpretar as representações discursivas (Rds), tomando como fundamentação teórica a Análise Textual dos Discursos – ATD, elaborada por Jean-Michel Adam (2011a), concentrando nossa atenção no nível semântico do texto, isto é, na dimensão que nos permite compreender as Rds vigentes em um texto. Para a discussão sobre as Rds e suas categorias de análise – referenciação, predicação, modificação, relação e localização espacial e temporal –, partimos dos estudos de Grize sobre as operações lógico-discursivas (1990, 1996), até chegarmos aos estudos que discutem questões linguísticas, textuais e discursivas em enunciados concretos, tais como Castilho (2010), Rodrigues; Passeggi; Silva Neto (2010), Neves (2011), Rodrigues et al. (2012), Passeggi (2001; 2012), Queiroz (2013), entre outros. Além desses, amparamo-nos na Multimodalidade Discursiva para darmos conta da verbovisualidade presente na capa de revista (KRESS; van LEEUWEN, 2006; DIONISIO, 2011; DIONISIO; VASCONCELOS, 2013). Através de uma pesquisa de abordagem qualitativa com apoio quantitativo, de tipo documental, realizamos com base no método dedutivo-indutivo a descrição e interpretação do corpus (SEVERINO, 2007; CHIZZOTTI, 2010; OLIVEIRA, M., 2013), a fim de reconstruirmos as Rds de Lula. O corpus é constituído por quarenta e uma capas de revistas, sendo dezessete da revista Época e vinte e quatro da revista Veja. As capas datam da candidatura em que Lula foi eleito o Presidente do Brasil, no ano de 2002, ao último ano de mandato após a reeleição em 2006, no ano de 2010, ou seja, um período de nove anos. Com base na análise realizada podemos afirmar que as revistas Época e Veja constroem diversas Rds de Lula, tais como: candidato; candidato eleito; presidente; presidente eleito; presidente reeleito; governante e membro de partido político; político; petista/sigla do PT; aliado de governos internacionais; cúmplice e participante em escândalos de corrupção; amigo, irmão, primo, sobrinho, pai, parente e homem; além de outras que se desdobram a partir destas por intermédio dos modificadores dos referentes e processos, pelos próprios processos e conexões e analogias realizadas sobre o objeto de discurso Lula. Não obstante, a reconstrução dessas Rds se deram pela descrição e interpretação das escolhas linguístico-textuais e discursivas que as revistas fazem para produzir as proposições-enunciados, bem como pelas escolhas das imagens e demais recursos visuais, todas elas operando co(n)textualmente articuladas para produzir efeitos de sentido desejados pelas revistas. Em conclusão, as Rds verificadas exigem uma reflexão, descrição e interpretação acerca da referenciação, da predicação, da relação e da localização espaciotemporal que só foram possíveis pela análise textual-discursiva do arranjo verbovisual que compõe o texto do gênero de discurso capa de revista.

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  • HUBEÔNIA MORAIS DE ALENCAR
  • A MEDIAÇÃO DO PROFESSOR NA CONSTITUIÇÃO DA AUTORIA EM TEXTOS DE ALUNOS DE LETRAS

  • Data: 26/10/2015
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  • A produção textual em sala de aula tem sido objeto de diversas pesquisas na área da linguagem, há mais de três décadas, no Brasil. A recorrência da temática acontece geralmente no sentido de se apresentar o grande distanciamento existente entre o ensino de habilidades de escrita e o desempenho dos aprendizes ao escreverem. Nesta pesquisa, defendemos a tese de que, no processo de escrita em sala de aula, as ações mediadoras do professor no sentido de levar o aluno ao exercício da exotopia sobre os seus textos, encarando-a como uma etapa fundamental da sua produção, tem efeito significativo para o desenvolvimento da autoria desses textos. Nesse sentido, elegemos como foco de investigação a produção textual de alunos, no curso de Letras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte-UERN, com o propósito de estudar o caráter processual da escrita, a partir da mediação da professora. O objetivo maior desta pesquisa é analisar a (re)escrita de alunos do curso de graduação em Letras, a fim de compreender o processo de construção da autoria em seus textos e o efeito provocado pela mediação da professora  nesse processo. Mais especificamente: a) analisar a mediação da professora como mecanismo para o desenvolvimento da autoria nos textos produzidos por alunos de Letras; b) depreender, a partir das diferentes versões do texto produzido, os efeitos da mediação da professora sobre a escrita dos alunos; e c) descrever as atividades de produção textual em sala de aula, identificando as atitudes/posturas dos alunos ao assumirem uma tarefa de escrita. Dentre as vozes que trouxemos para dialogar conosco, destacamos as provenientes dos estudos bakhtinianos. Recorreremos às obras dos autores do denominado Círculo de Bakhtin, seja por eles mesmos (BAKHTIN/VOLOCHINOV, [1929] 2006; [1929] 2010; BAKHTIN, [1979] 2003; [1963] 2008; [1975] 2010a; [1965] 2010b; [1986] 2010c), seja através de seus debatedores (FARACO, 2009; PONZIO, 2010, 2012; GERALDI, 2010; OLIVEIRA, 2006, 2008a, 2008b, 2010, dentre outros), norteando-nos, principalmente, nas suas orientações sobre dialogismo, autor e autoria, e suas implicações conceituais: exotopia, acabamento, atividade estética, ato ético. Os dados foram constituídos em situação de ensino, envolvendo professora/pesquisadora e alunos do 5º Período de Letras/UERN. Para tanto, houve a aplicação de um Questionário Aberto-QA, discussão de textos, (re)escrita de um artigo. A leitura dos dados revelou pouca vivência dos sujeitos com a produção textual no curso, enquanto prática sistemática, rotineira, dialogada, cuja função social seja explorada. Geralmente, os textos são escritos em única versão e servem como avaliação para a aferição de notas. A análise dos dados nos coloca diante de alunos inseguros em relação ao que escrever, e com dificuldades de fazê-lo. Por outo lado, os movimentos de reescrita sobre os artigos analisados revelaram que os sujeitos manifestam atitude responsiva em relação às atividades de mediação, no sentido de atender à proposta de refacção. Apesar de alguns problemas permanecerem irresolutos e outros surgirem a cada versão do artigo, de um modo geral, consideramos que a mediação da professora teve efeito positivo sobre a escrita dos alunos, pois impulsionou o movimento exotópico do autor, algo imprescindível à produção de um texto. Todas as três formas de intervenção realizadas, em maior ou menor proporção, fizeram com que os sujeitos promovessem alterações nos seus artigos. 

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  • TEREZINHA MARTA DE PAULA PERES
  • CRISES DO COTIDIANO EM MACHADO DE ASSIS E LUIGI PIRANDELLO:

     UM ESTUDO COMPARADO

  • Data: 29/10/2015
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  • A presente tese se propõe a identificar possíveis aproximações e diferenças entre os romances Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), do escritor brasileiro Machado de Assis, e Uno, nessuno e centomila (1926), do escritor italiano Luigi Pirandello. Considerando que os dois autores ocupam lugar de destaque nas literaturas brasileira e italiana, respectivamente, e que ambos observaram e vivenciaram transformações marcantes em suas respectivas sociedades, o Brasil do período imperial, e a Itália pós risorgimentale, verificaremos como os dois, a seu modo, compõem uma arte literária na qual é possível alcançar a consciência social e moral de cada um. Procuramos alcançar, ainda, o sentimento de inquietação, de ansiedade, de medo, de dúvida, de interesse, de vaidade, de ambição, enfim, o desejo de ser das personagens, as quais representam o homem de final do século XIX e início do século XX, com características que apontam para o sujeito de identidade fragmentada, em busca de um lugar no mundo, mesmo que para conseguir tal lugar renuncie sua essência e adote uma aparência correspondente a todas as imagens que a sociedade lhe atribui. Os protagonistas Brás Cubas e Vitangelo Moscarda nos conduzirão pelas trilhas da consciência de cada um, as quais demarcam a fronteira da essência em desarmonia com a aparência. Críticos como Roberto Schwarz, Alfredo Bosi, Leone de Castris, entre outros, nos deram o amparo teórico necessário para um estudo comparado entre dois autores que, como poucos, souberam expressar, por meio de suas personagens, a difícil relação do homem consigo mesmo e com o universo que o circunda.

     

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  • ANANIAS AGOSTINHO DA SILVA
  • REPRESENTAÇÕES DISCURSIVAS SOBRE LAMPIÃO E SEU BANDO: “O mais audaz e miserável de todos os bandidos” e o seu “grupo de asseclas”.

  • Data: 26/11/2015
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  • Nesta tese de doutoramento analisamos as representações discursivas do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e seu bando de cangaceiros em notícias de jornais potiguares publicados na década de vinte do século passado (1927), de quando da invasão do bando à cidade de Mossoró, no estado do Rio Grande do Norte, em treze de junho daquele ano. Para tanto, tomamos por fundamentação os pressupostos teóricos da Linguística Textual, especialmente do quadro mais restrito do que se designa hoje como Análise Textual dos Discursos (ADT), abordagem teórica e descritiva de estudos linguísticos do texto proposta pelo linguista francês Jean-Michel Adam. Desta abordagem, interessa-nos, de modo específico, o nível semântico do texto, com destaque para a noção de representação discursiva, estudada com base nas operações de referenciação, predicação, modificação, localização espacial e temporal, conexão e analogia (ADAM, 2011; CASTILHO, 2010; KOCH, 2002, 2006; MARCUSCHI, 1998, 2008; NEVES, 2007; RODRIGUES, PASSEGGI, SILVA NETO, 2010). O corpus desta pesquisa é composto por três notícias publicadas na década de vinte do século passado nos jornais O Mossoroense, Correio do Povo e O Nordeste, e reconstituídas por meio de coleta realizada nos arquivos do Museu Municipal Lauro da Escócia, do Memorial da Resistência de Mossoró, ambos localizados em Mossoró, e na coletânea de notícias de jornais Lampião em Mossoró, do historiador norte-rio-grandense Raimundo Nonato.

     

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  • Elis Betânia Guedes da Costa
  • O PLANO DE TEXTO E AS MARCAS LINGUÍSTICAS DA RESPONSABILIDADE ENUNCIATIVA NO ARTIGO DE OPINIÃO DO VESTIBULAR 2010 DA UFRN

  • Data: 01/12/2015
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    Com esta tese investigamos em redações produzidas pelo candidato ao vestibular 2010 da UFRN a (não) assunção de diferentes pontos de vista em zona textual de argumentação e de contra argumentação. Aos candidatos foi solicitada a produção de um Artigo de Opinião, abordando a polêmica em torno do uso das câmeras de segurança. O corpus desta pesquisa se constitui, pois, de 100 redações produzidas pelos candidatos ao vestibular 2010 da UFRN das diferentes áreas (humanística I, humanística II, tecnológica I, tecnológica II e biomédica). Para realizar nosso estudo, subsidiamo-nos em perspectivas teóricas postuladas por autores de diferentes teorias e correntes linguísticas que dialogam entre si. Nessa direção, acompanhamos Bakhtin (1995), Rabatel (2008 a, 2008 b), Guentchéva (1994, 1996, 2011) e Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010), entre outros que se inscrevem no dialogismo, em teorias enunciativas, na análise do discurso e na linguística do texto. Esse conjunto de abordagens linguísticas orienta a Análise Textual dos Discursos (ADAM, 2011), que subsidia a análise dos dados, desta investigação.   No que diz respeito à metodologia, seguimos a abordagem qualitativa de natureza interpretativista.  Investigamos como o vestibulando, enquanto articulista, assume as informações veiculadas no seu artigo. Para tanto, nossa pesquisa buscou responder às seguintes questões: (1) Como o vestibulando organiza o discurso no que diz respeito à responsabilidade enunciativa? (2) Que marcas linguísticas nos levam a identificar as diferentes vozes presentes nos textos? (3) Como se apresenta o plano textual do gênero Artigo de Opinião? (4) Em que parte do plano textual se materializa a responsabilidade enunciativa? Nesse sentido, estabelecemos como objetivos identificar, descrever, analisar e interpretar as diferentes vozes presentes no texto e a forma como o aluno assume (ou não) os diferentes pontos de vista manifestados nas redações no momento da argumentação e da contra argumentação. De forma geral, os resultados revelam que a presença de marcas linguísticas (conectores, índices de pessoas, entre outras) constrói o grau de responsabilidade enunciativa do articulista, favorecendo o envolvimento e a assunção da responsabilidade enunciativa. 


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  • ROSANGELA ALVES DOS SANTOS BERNARDINO
  • A responsabilidade enunciativa em artigos científicos de pesquisadores iniciantes e contribuições para o ensino da produção textual na graduação

  • Data: 01/12/2015
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    A tese investiga as estratégias de materialização da (não) assunção da responsabilidade enunciativa e de inscrição de uma voz autoral em artigos científicos produzidos por pesquisadores iniciantes da área de Letras. O foco específico consiste em identificar, descrever e interpretar: i) as marcas linguísticas que assinalam a responsabilidade enunciativa; ii) os posicionamentos assumidos pelo primeiro locutor-enunciador (L1/E1) em relação a pontos de vista (PdV) imputados a enunciadores segundos (e2); e iii) as marcas linguísticas que assinalam a formulação de PdV próprios. Como desdobramento prático, propõe-se discutir sobre possibilidades de ensino do manejo de estratégias textual-discursivas referentes à responsabilidade enunciativa e à autoria em textos acadêmico-científicos. O corpus constitui-se de 08 artigos científicos selecionados em um periódico especializados da área de Letras, avaliado pelo Qualis/CAPES. A metodologia utilizada segue os procedimentos da pesquisa qualitativa, de base interpretativa, com apoio na abordagem quantitativa. Teoricamente, fundamenta-se nos postulados da Análise textual dos discursos (ATD), em diálogo com estudos do campo enunciativo. Os resultados da análise evidenciam dois movimentos na gestão dos PdV: a imputação e a responsabilização. Nos contextos de imputação, os mecanismos linguísticos mais mobilizados foram o discurso direto, o discurso indireto, o discurso direto com “que”, a modalização em discurso segundo (em enunciados com “conforme”, “de acordo com”, “para”), além de certos pontos de não-coincidências do dizer, especificamente a não-coincidência do discurso consigo mesmo. O funcionamento dessas marcas linguísticas nos textos aponta para três posicionamentos enunciativos assumidos por L1/E1 em relação aos PdV de e2: o acordo, o desacordo e uma pseudoneutralidade. Foi recorrente a imputação seguida de acordo (explícito ou não), o que coloca as vozes alheias na defesa de um dizer assumido como próprio. Nos contextos de responsabilização, observamos indícios da formulação de PdV próprios, resultantes de constatações teóricas assumidas pelo pesquisador iniciante (revelando o como ele interpretou conceitos da teoria) ou advindos dos dados de sua pesquisa, permitindo-lhe expressar-se com mais autonomia, sem a recorrência de palavras de um segundo locutor-enunciador. Com base nestes dados, podemos dizer que os textos dos pesquisadores iniciantes configuram uma autoria fortemente dependente de PdV e de palavras do outro (a teoria e os autores citados), tendo em vista os muitos contextos de imputação com acordo, os PdV formulados com palavras tomadas de e2 e assumidos como próprios por integração sintática, as poucas constatações e comentários críticos particulares sobre o que esse outro diz, a ausência de explicações e acréscimos, além de uma análise de dados que também vai ao encontro da validade da teoria adotada. Esses resultados permitem visualizar o modo como o pesquisador iniciante dialoga com as fontes enunciativas mobilizadas como apoio teórico e como, no olhar sobre os dados, exibe a condição de um sujeito fazendo-se pesquisador/autor no campo científico. Ao assumir a citação como um recurso que permite assinalar a responsabilidade enunciativa e evidenciar os posicionamentos do locutor-enunciador em relação aos PdV reportados, a pesquisa aponta sugestões para um tratamento textual-discursivo das operações de citação no texto acadêmico-científico, em um contexto de ensino que dê atenção ao desenvolvimento de habilidades comunicativas do pesquisador iniciante e melhor contribua para este se inserir e interagir no campo científico.


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  • ALYERE SILVA FARIAS
  • A METAMORFOSE EM “MEU TIO O IAUARETÊ”: UM ESTUDO SOBRE AS RECONFIGURAÇÕES DO SER POR MEIO DA PALAVRA

  • Data: 04/12/2015
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  • Este trabalho pretende analisar as metamorfoses na narrativa “Meu tio o Iauaretê”, de João Guimarães Rosa, com o objetivo de investigar a instabilidade da transformação e seus efeitos, tanto no texto, quanto no discurso dos personagens. Publicada em 1961, na revista Senhor, a narrativa foi reescrita por João Guimarães Rosa, e a nova versão do texto passou a fazer parte da coletânea póstuma Estas Estórias em 1969. A primeira metamorfose analisada ocorre nas palavras que compõem esses textos. Para analisar as transformações de ordem linguageira e discursiva, utilizamos como método a Comparação Diferencial (HEIDMANN, 2003, 2010, 2012) para averiguar as alterações propostas em rascunho por Guimarães Rosa, antes de sua morte, que foram adotadas para a edição do livro.  A segunda transformação se dá com o personagem principal da narrativa, que se apresenta como homem e onça a um homem perdido que chega à sua casa no meio do sertão. Com o objetivo de analisar a perspectiva do ser em transformação e do seu interlocutor sobre a metamorfose, evocamos aspectos filosóficos distintos. Utilizamos o levantamento histórico-filosófico sobre o homem, feito pelo filósofo neokantiano Ernst Cassirer (2012), para refletir sobre o personagem interlocutor, que se define como homem. Tecemos aproximações com o Dasein heideggeriano (2008) e conceitos como impessoalidade e falação (HEIDEGGER, 2003, 2010, 2013), para analisar o processo de metamorfose experimentado pelo personagem principal. Além disso, buscamos refletir também sobre a sua compreensão de si, como ser em metamorfose, aproximando-o do processo de construção do Corpo sem Órgãos (DELEUZE E GUATTARI, 1997b). Reservamos a última seção de nosso trabalho para realizar um estudo comparativo diferencial entre obras que também apresentam personagens que se metamorfoseiam. Selecionamos quatro textos para dialogar com a narrativa rosiana: o episódio de Aracne e Minerva, de Ovídio (MET VI 1-145), a novela kafkiana A metamorfose (KAFKA, 1986), o folheto A moça que virou cadela, de Antonio Lucena (2004) e o episódio “Red-Handed” (2011) da série para televisão Once upon a time, de Edward Kitsis e Adam Horowitz. A escolha de narrativas que se inserem em contextos diferentes evidencia o caráter não-hierárquico da Comparação Diferencial e possibilita a reflexão sobre os seres em transformação a partir dos traços contextuais identificados no discurso dos personagens metamorfoseados. O diálogo entre as narrativas citadas e “Meu tio o Iauaretê” ressalta a perspectiva de que a transformação física do personagem não estabelece, por si só, o abandono do modo impessoal, e nem sempre dissolve as fronteiras entre as espécies. A metamorfose rosiana, por outro lado, é instável, apresenta um personagem que não sofre uma transformação, mas a desfruta conscientemente e consegue, pouco a pouco, apagar os limites estabelecidos entre homem e onça, a ponto de compor um ser que utiliza, de maneira premeditada, o seu devir-animal (DELEUZE e GUATTARI, 2003) nos momentos de interação humana. Assim, consideramos que a narrativa rosiana ultrapassa a transformação que é identificável aos olhos do homem comum, abandona os estados definitivos e explora o estar-sendo (HEIDEGGER, 2008), sob a ótica exclusiva do ser em metamorfose.

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  • FLAVIO CESAR OLIVEIRA DA ROSA

  • A RESPONSABILIDADE ENUNCIATIVA EM LIVROS DIDÁTICOS DO ENSINO FUNDAMENTAL

  • Orientador : MARIA DAS GRACAS SOARES RODRIGUES
  • Data: 08/12/2015
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  • Este trabalho investiga se a Responsabilidade Enunciativa é abordada nas atividades propostas em livros didáticos a alunos de 5º ano do ensino fundamental. Não esperávamos que o uso da expressão como objeto de estudo fosse comum às obras didáticas, visto a terminologia ser ainda pouco conhecida, no entanto, esse fato não impediria que o aluno fosse estimulado a identificar as vozes que constituem um texto, da parte de quem o escreve/profere, em identificá-las ou não, uma vez que a heterogeneidade é constituinte da linguagem. Para a realização da investigação, analisamos um corpus constituído por cinco livros didáticos dos quais foram selecionados unidades de trabalho que tratam da compreensão e interpretação textual. O livro didático é objeto de estudo para alguns pesquisadores,  como Cavalcante e Marcuschi (2008), Bunzem (2005), Clare (2002), Choppin (1992), D’Avila (2008), Marcuschi (2003), Rojo (2005,2008), Rojo e Bunzem (2008). Quanto à teoria que trata da linguagem em sentido mais amplo, buscamos suporte em Bakhtin (1988, 1992,1997), Authier-Revuz (2004), Marcuschi (2001, 2003, 2008), Koch (1996,1997) e, mais especificamente, em teóricos da Análise Textual dos Discursos (ADAM, 2011) e da Linguística Enunciativa, na perspectiva de autores como Coltier, Dendale e De Brabanter (2009), Culioli (1971), Nølke; Fløttum e Norén (2004)  e Rabatel (2003, 2004, 2005, 2008, 2009, 2015). A análise dos dados aponta que grande parte das questões direcionadas ao aluno são estruturadas a partir de pontos de vista de atores/personagens dos textos que constituem as unidades de análise, bem como de pontos de vista do senso comum, relacionados ao tema em estudo. Esse aspecto, certamente, é muito importante, pois evidencia a heterogeneidade constitutiva da linguagem.  Quanto à Responsabilidade Enunciativa,  não foi constatada qualquer menção ao tema ou a possibilidade de identificação de diferentes pontos de vista constituintes dos textos em geral e a finalidade pela qual são utilizados por seus produtores, relacionadas à intencionalidade comunicativa. Dentre as possibilidades de análise textual, reconhecer o responsável por uma enunciação é mais um critério para a interpretação de um texto.

     


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  • MARIA ELIANE SOUZA DA SILVA
  • CRÔNICAS CLARICIANAS, POIÉSIS E ROSTIDADE

  • Data: 14/12/2015
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  • O texto estabelece um debate entre a obra de Clarice Lispector e as teorias do pensamento filosófico de Gilles Deleuze e Felix Guattari, observando, a partir do encontro dos autores, o agenciamento de uma “escritura do deslize” no tocante às diversas interpenetrações discursivas da crônica clariciana. Desse modo, o conceito de “rosto” dos filósofos franceses enquanto “máquina, abstrata” subsidiará nossa discussão diante da expectativa das “combinações deformáveis das engrenagens” do gênero. Observa-se, ainda, nesse âmbito, a configuração de uma cartografia literária na qual se rascunha uma “poiésis cotidiana” nos movimentos de desterritorialização e ressignificação das múltiplas imagens estabelecidas pela autora.

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  • VANESSA FABÍOLA SILVA DE FARIA
  • MINHA VOZ, TUA VOZ, NOSSAS VOZES: A RESPONSABILIDADE ENUNCIATIVA EM ARTIGOS ACADÊMICOS/CIENTÍFICOS


  • Orientador : MARIA DAS GRACAS SOARES RODRIGUES
  • Data: 14/12/2015
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    “Minha voz, tua voz, nossas vozes: a responsabilidade enunciativa em artigos acadêmicos/científicos” apresenta os resultados da pesquisa cujo objetivo é investigar como se materializa a Responsabilidade Enunciativa (RE) em textos do gênero discursivo/textual acadêmico artigo científico, compreendendo as etapas de descrição, análise e interpretação de um conjunto de sessenta textos de autores de variados níveis de experiência, na esfera acadêmica, para responder à seguinte pergunta de pesquisa: quais as características da RE que diferenciaria a escrita de autores variados níveis de experiência na escrita acadêmica? O estudo da RE, nesses textos, restringiu-se à seção normalmente designada como Referencial Teórico (ou suas variantes “Quadro Teórico” e “Marco Teórico”) por se considerar que é nesta seção em que mais facilmente se detecta o diálogo com outras vozes. A mobilização do discurso outro, evidenciada, sobretudo, na não assunção da RE, é uma das características do artigo científico e desperta interesse por causa de sua inserção num campo mais amplo, o da polifonia, levantando questões muito pertinentes tanto para a análise de textos acadêmicos quanto para a didática da escrita desses textos descrevendo, por exemplo, como a voz autoral se posiciona perante outras vozes mobilizadas em seus textos, ou ainda sobre como  a RE pode evidenciar o posicionamento desses autores enquanto autores científicos. Trata-se de um estudo bibliográfico documental, de cunho interpretativista e qualitativo que elegeu três categorias de análise: as diferentes representações da fala, os indicadores de quadro mediador e as indicações de um suporte de percepção e pensamentos relatados. A perspectiva teórica deste trabalho se ancora, principalmente, nos postulados teóricos da ATD (Análise Textual dos Discursos), mas também mobiliza aportes teóricos de considerável importância advindos dos estudos dos gêneros discursivos/textuais bem como dos estudos enunciativo-discursivos, especialmente as considerações rabatelianas acerca das noções locutor/ enunciador, ponto de vista, PEC e imputação, apagamento enunciativo, posicionamentos e posturas enunciativas. Os resultados demonstram que a ocorrência de zonas textuais atribuídas a um outro enunciador (e2) não é exclusiva em textos de autores iniciantes, ocorrendo, também, em textos de autores experientes, embora a distribuição das ocorrências seja desigual nos textos estudados. Neste aspecto, contribuiu, efetivamente, a noção rabateliana de sobrenunciação, subenunciação e co-enunciação como aspectos de diferenciação na escrita de autores de diferentes níveis de experiência: a construção do PDV baseada na sobrenunciação parece predominar na escrita dos autores de reconhecida expertise, em que a voz autoral se sobrepõe às demais e domina o jogo enunciativo, a despeito do recurso a outras vozes, inclusive, por meio de indicadores de quadros mediadores. Tomando-se a responsabilidade enunciativa como decorrência de um fenômeno localizado num nível mais abrangente que o do enunciado, que engloba o texto como um todo e suas diversas operações enunciativas, admite-se, por conseguinte, a possibilidade de haver responsabilidade enunciativa mesmo diante de recursos às vozes alheias e o apoio em indicadores de quadro mediativo. A RE seria redimensionada para um comportamento discursivo ligado à ética e à moral que parece transcender a dimensão do enunciado e afeta o posicionamento do autor no nível discursivo, resultando em um texto mais engajado do que outros pareceriam, por meio de mecanismos de construção do PDV.


2014
Dissertações
1
  • ELOISA ELENA PRATES BOEIRA
  • PELO ESCURO: a poesia afro-brasileira de Oliveira Silveira


  • Data: 10/01/2014
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  • RESUMO

     

    O presente estudo traz uma reflexão sobre os discursos culturais afro-brasileiros e o lugar ocupado pela poesia em meio a uma sociedade racista. A pesquisa tem como propósito fazer uma análise dentro das teorias culturalistas da poesia de Oliveira Silveira. Leva-se em consideração a relação do poema de Oliveira com as propostas do movimento da Negritude e o diálogo lúcido que o mesmo estabelece com poetas vinculados ao referido movimento. Analisa-se como Silveira sugere dentro da literatura a negritude como uma forma de interseção na poesia brasileira. A proposta aqui apresentada observa também a hibridez na poética de Oliveira Silveira ao se enfatizar um olhar sobre uma escrita comovida pelo traço do entre-lugar do discurso, destacando-se, sobretudo, na produção literária brasileira em seus recortes às condições sociais e culturais do lugar. Analisa-se a caracterização de uma literatura gerada pelo tom de denúncia ao desconstruir historicamente o que há muito se estabelece como “democracia racial”. Em cumplicidade com a poesia regional do Rio Grande do Sul, a poesia de Oliveira é como um tambor, pois vem permeada pela diversidade de ritmos que traduzem o legado da cultura negra mundo afora. Essa pesquisa sustenta-se nos estudos da Negritude e da Identidade na literatura afro-brasileira, que se caracteriza como um movimento de consciência pela reconstrução ou mesmo revisão histórica do que foi apagada no calabouço dos navios negreiros. As leituras de Eduardo de Assis Duarte fomentam novos questionamentos, põe em dúvidas a existência de uma identidade essencialista. Aponta-se nessa travessia para uma pluralidade de identidades, construídas por grupos culturais na encruzilhada dos diversos momentos históricos. Analisam-se, portanto, a crítica que Stuart Hall ao considerar as ideias diaspóricas, as fronteiras das margens no universo da pós-colonização. Por fim, uma encruzilhada de caminhos ao se pensar a partir de Kabengelê Munanga o discurso da negritude e da identidade negra nas relações sociais e culturais afrodescendentes.

     

     

     

     

     

     

     

2
  • RODRIGO SLAMA RIBAS
  • OS ROSTOS DA POBREZA BRASILEIRA:

    Análise crítica dos discursos do governo federal, da Veja e da CUFA

  • Data: 22/01/2014
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  • A nossa constituição prega que todo brasileiro tem direitos básicos à sua sobrevivência, como educação, saneamento básico e comida, no entanto, este direito é um luxo para alguns. Pensando nisso, este trabalho se propõe a desenvolver uma análise crítica a respeito da (re)produção do discurso sobre a pobreza, e, consequentemente, sobre o pobre, proferido pelo governo federal, através do site oficial do plano Brasil Sem Miséria; pela mídia, representada pela revista Veja; e pelos que se afirmam os representantes do pobres; como a Central Única das Favelas – CUFA. Nosso objetivo é apresentar uma reflexão crítica acerca dos discursos sobre a pobreza na voz do governo, da Veja (representante da mídia) e do CUFA (representante do pobre) e suas contribuições para a construção das significações do tema na sociedade brasileira, para tanto, identificamos categorias, baseados em Bajoit (2006a), para classificar o que o autor chama de “rostos da pobreza”. Utilizamos, desta maneira, a Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso, ASCD, de acordo com Pedrosa (2012a, 2012b, 2012c), dentro do quadro da Análise Crítica do Discurso como aparato teórico, além dos estudos que fundamentam a ASCD como corrente da ACD, tal qual a Sociologia para a Mudança Social (BAJOIT, 2006b), os estudos culturais (HALL, 2005), e a Linguística Sistêmico-Funcional, sobretudo o Sistema de Avaliatividade (MARTIN & WHITE, 2005; VIAN JR et al, 2011). Deste modo, o discurso sobre a pobreza ou de combate à miséria, extraído de notícias, crônicas e demais gêneros dos referidos veículos, serve de objeto para a compreensão das identidades que se criaram e se renovam sobre a pobreza e sobre os pobres brasileiros, como a sua dependência do governo e da sociedade civil, da sua exploração pela economia, e, inclusive, pela mídia que o caracteriza, algumas vezes, como delinquente.

3
  • VALDIR MOREIRA DA SILVA
  • No céu da boca das gentes, tem estrela e maravilhas: atualização e permanência das narrativas populares nos Contos de enganar a morte

  • Data: 28/01/2014
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    O presente estudo consiste em análise comparativa – objetivando ressaltar a atualização e a permanência – entre narrativas populares tradicionais, próprias da tradição oral, em especial as coligidas por Luís da Câmara Cascudo, em Literatura oral no Brasil (1984), vinculadas à categoria dos Contos de Demônio Logrado e do Ciclo da Morte, e os Contos de enganar a morte (2004), do ficcionista, ilustrador e pesquisador de cultura popular Ricardo Azevedo. Nesta obra, traços e motivos recorrentes nas narrativas orais estão vivos e duradouros, evidenciando a permanência das narrativas tradicionais, difundidas na Idade Média (SARAIVA, 1996; DUBY, 1988; 1990), atualizadas na contemporaneidade especialmente pelo gênero literário conto. Defende-se que o caráter simbólico, lúdico e o humor inerentes a essas narrativas orais (ZUMTHOR, 1993; BURKE, 2010) são bens culturais próprios de uma tradição popular que se difunde, se atualiza e se mantém pela memória (BOSI, 2006; BRANDAO, 2008) de narradores artesanais anônimos (BENJAMIN, 1994), poetas e cantores de cordel (FERREIRA, 1979) ainda existentes nos recônditos dos sertões brasileiros, detentores de um saber tradicional não instituído, mas polifônico, dialógico e democrático em essência (COELHO, 1991, 2003; TURCHI, 2004; BAKHTIN, 1996). Boa parte dessas narrativas que têm se tornado clássicos catalogados como “Literatura Infantil” são maravilhas nascidas na boca do povo e muito após é que se popularizaram em adaptações do mercado literário (COELHO, 1991; BENJAMIN, 1994). Além disso, ao lado do povo que sabe e ainda conta estórias de Trancoso e de Fadas, o gênero literário conto tem podido manter em circulação os mesmos assuntos sucessivamente renovados (CASCUDO, 1984), possibilitando o resgate da narrativa oral tradicional, bem como a compreensão e valorização tanto da tradição popular oral quanto da renovação imposta por nosso tempo, perenizando-se a concepção estética filtrada por elementos sociais sincrônicos e diacrônicos (CÂNDIDO, 1976), sem perder de vista a singularidade e a autonomia da obra literária.

     

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  • JANEIDE MAIA CAMPELO
  • ESPERANDO ULISSES: O MITO DE PENÉLOPE À LUZ DA COMPARAÇÃO DIFERENCIAL E DISCURSIVA

  • Data: 31/01/2014
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  • Das inúmeras tecelãs de que se tem notícia, a rainha de Ítaca está, certamente, entre as mais célebres. Muitos escritores ao longo dos séculos dedicaram-se a retomar o mito de Penélope em suas obras e recontá-lo a sua maneira.De acordo com Ute Heidmann, “a recorrência de escritores modernos aos mitos gregos para produzirem seus textos é uma prática discursiva ‘renovadora’, que dá ao mito ‘novas escritas e pertinência’(2003, p.47). Esse trabalho faz uma análise comparativo-diferencial e discursiva do mito de Penélope relacionando-o com dois contos de autores brasileiros: Penélope de João do Rio (1919) e Penélope de Dalton Trevisan (1959). Para tal, temos como embasamento teórico: obras de Ute Heidmann (2003, 2006, 2008) e de Dominique Maingueneau (2006). Debruçamo-nos ainda sobre o aspecto temporal presente tanto no mito clássico de Penélope como em suas reescritas modernas de forma a identificar como cada reconfiguração desenvolve um dos atos mais célebres desse mito: a espera. Para tal, nos baseamos nos estudos de Paul Ricoeur (2006), Hans Meyerhoff (1976) e Benedito Nunes (1988).

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  • NARA JUSCELY MINERVINO DE CARVALHO MARCELINO
  • AS SENTENCAS COM "É RUIM QUE" NO PORTUGUÊS BRASILEIRO

  • Data: 31/01/2014
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  • Ancorados em trabalhos sobre a estrutura das sentenças copulares no Português Brasileiro (PB), no quadro da teoria da gramática, analisamos nesta dissertação as sentenças copulares complexas encabeçadas pela estrutura “é ruim que” no PB, defendendo a hipótese de que elas podem ter uma leitura predicacional – PRED – ou especificacional – ESP. Nas estruturas com “é ruim que” PRED, o constituinte “ruim”, como em qualquer sentença copular comum, é o predicador de uma Small Clause e insere ampla predicação sobre todo o sujeito, que se realiza no CP encaixado; nas com “é ruim que” ESP há uma expressão cristalizada. Revela-se que, apesar de serem superficialmente idênticas, a estrutura dessas sentenças, para que as distintas leituras sejam acionadas, é distinta: nas PRED, o “ruim” nasce como predicador da Small Clause, sem passar por qualquer tipo de movimento; nas ESP, a expressão cristalizada é fruto do movimento sofrido de uma posição interna ao IP pleno da sentença neutra, que deu origem à versão copular, para a posição SpecCP. Além da forma como o constituinte “ruim” ou a expressão cristalizada “é ruim” são realizados nas diferentes estruturas com “é ruim que”, mostraremos que a relação interna entre os verbos cópula e principal também é fundamental para distinguir um e outro tipo de estrutura. Quando a estrutura é uma sentença copular comum, o modo da cópula deve ser o indicativo, enquanto o do verbo principal, o subjuntivo, impreterivelmente; o tempo de um e de outro pode, de acordo com a estrutura, ser variável. Sendo a sentença copular de negação, a exigência é de que ambos os verbos apareçam no modo indicativo, podendo o verbo principal ser flexionado em tempo, mas devendo a cópula ser realizada, unicamente, na terceira pessoa do presente do indicativo, o que confirma nossa análise de que “é ruim” dessa estrutura configura uma expressão cristalizada, e não dois constituintes distintos. Defendemos, portanto, que as sentenças com “é ruim que” no PB podem ser: (i) sentenças copulares comuns, de leitura PRED, quando o “ruim” estabelece predicação ampla sobre o CP sujeito e é concatenado à Small Clause; e (ii) sentenças copulares de negação, de leitura ESP, nas quais a expressão cristalizada “é ruim” tem escopo estreito sobre um vestígio que recai na semântica do IP. 

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  • NARA JAQUELINE AVELAR BRITO
  • A expressão do condicionado contrafactual em construções ‘Se P, então Q’

  • Data: 03/02/2014
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  • Neste trabalho, tomamos como objeto de estudo a expressão da função contrafactual presente em construções do tipo ‘se p, então q’, com foco no uso alternado de formas verbais na estruturação da apódose/condicionado, cujo valor é canonicamente designado pelo futuro do pretérito. Trabalhamos com amostras de fala extraídas de reportagens televisivas veiculadas na televisão brasileira entre os anos de 2010 e 2013. A base teórico-metodológica para nossa discussão advém dos princípios do Sociofuncionalismo (cf. TAVARES, 2003, 2011, 2013; GORSKI; TAVARES, 2013; entre outros) que, por sua vez, trabalha na interface entre os pressupostos do Funcionalismo linguístico (cf. GIVÓN, 2001; BYBEE, 2010; entre outros) e da Sociolinguística (cf. WEINRICH; LABOV; HERZOG, 1968; LABOV, 2008 [1972], 2001, 2010; entre outros). Averiguamos contextos linguísticos e extralinguísticos passíveis de influenciar a escolha do falante pelo futuro do pretérito ou pelo pretérito imperfeito, tanto em suas formas simples quanto em locuções ou formas perifrásticas. Para tanto, partimos da hipótese de que fatores linguísticos como a ordem da sentença e o paralelismo, e de que fatores sociais como o sexo e o nível de escolaridade sejam relevantes para a explicação do uso alternado de formas verbais na codificação da indicação contrafactual. Os resultados obtidos em nossa análise (qualitativa e quantitativa) apontam a relevância de alguns desses fatores no uso efetivo das formas verbais futuro do pretérito e do pretérito imperfeito do indicativo nas apódoses contrafactuais, e ressaltam o papel de princípios funcionalistas (a exemplo do princípio da marcação e do princípio da iconicidade) sobre o uso variável das formas verbais sob enfoque.  

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  • CAETANA ARAUJO CARDOSO
  • NARRATIVAS HUMORÍSTICAS: O PAPEL DE ESQUEMAS E FRAMES NA COMPREENSÃO DO RISÍVEL

  • Data: 07/02/2014
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  • A Linguística Cognitiva tem como um de seus principais objetivos descrever e analisar os processos de construção de sentido. Para isso, suas pesquisas pressupõem a existência de estruturas cognitivas oriundas das experiências sensório-motoras e socioculturais dos usuários da língua, que são acessadas pelo sujeito durante a compreensão textual. Fundamentada teoricamente nesta abordagem cognitiva da linguagem, esta dissertação tem como objetivo nuclear descrever e analisar como os domínios cognitivos - representados pelos esquemas imagéticos e frames - permitem ao leitor depreende o risível em textos humorísticos. Entende-se por esquemas imagéticos os domínios das informações construídas e armazenadas na mente do sujeito, oriundas de sua experiência corporal, por exemplo, ao movimentar-se ou manipular objetos; os frames, por sua vez, são os constructos que emergem a partir da interação, estabelecida de forma dinâmica e consensual, entre os sujeitos em contextos socioculturais específicos. Percorremos este caminho, pois acreditamos que o efeito de humor decorrente de um texto está subordinado à ativação e ao acionamento dos esquemas imagéticos e frames armazenados na mente no leitor, existindo, desta forma, níveis de compreensão, o que explica a recuperação ou não de trechos humorísticos em um texto. Para confirmar a nossa hipótese, utilizamo-nos da aplicação de um experimento (uma atividade, com textos humorísticos, para alunos do Ensino Fundamental e Médio registrarem sua compreensão) e, para a análise dos resultados dessa atividade, apropriamo-nos, metodologicamente, do processo da introspecção (entendida como a intuição do pesquisador, responsável pela produção de ideias e raciocínios ao manipular os dados). Durante a observação minuciosa do nosso experimento, chegamos à conclusão de que o humor é apreendido intelectualmente quando os esquemas imagéticos e frames são confrontados.

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  • SAMARA FREITAS OLIVEIRA
  • O Impacto das tarefas de aprendizagem mediadas pela lousa digital interativa na motivação situacional de aprendizes de inglês

  • Data: 13/02/2014
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  • Alguns autores já sugeriram que as tarefas de aprendizagem conduzidas em salas de aula de L2 podem motivar os aprendizes de diferentes maneiras. Da mesma forma, as Lousas Digitais Interativas (LDI) já foram relacionadas como propulsoras de engajamento e entusiasmo em aulas de L2, podendo assim impactar variáveis afetivas que influenciam a aprendizagem, como a motivação, por exemplo. Este estudo transversal, de métodos mistos, objetiva compreender de que forma a motivação situacional ocasionada por tarefas de aprendizagem mediadas pela LDI impacta os participantes. Buscamos responder as seguintes perguntas de pesquisa: (1) como a motivação, vista como um traço da personalidade do aprendiz, se relaciona ao seu desempenho de aprendizagem da L2?, (2) de que maneira o tipo de tarefa de aprendizagem impacta na motivação do aprendiz?, (3) de que forma a motivação varia ao longo da tarefa de aprendizagem? e (4) qual a relação entre a motivação proveniente da tarefa de aprendizagem e a percepção do aprendiz sobre a tarefa mediada pela LDI? A coleta de dados durou quatro meses em um instituto privado de idiomas com 29 aprendizes de inglês e foi realizada por meio dos seguintes instrumentos: (a) um questionário inicial (adaptado da Attitudes/Motivation Test Battery de GARDNER, 2004); (b) escalas situacionais on-line para conhecermos a motivação dos aprendizes em três momentos: antes, durante e após a tarefa e analisarmos como a motivação varia ao longo da tarefa; (c) observações de aulas e as resultantes notas de campo dessas observações; (d) as notas globais dos participantes no semestre para entendermos a relação entre o desempenho acadêmico e o perfil motivacional deles e (e) um questionário final com o fim qualitativo de conhecer as percepções dos aprendizes sobre as tarefas mediadas pela LDI. Nossa fundamentação teórica baseia-se na Aprendizagem Baseada em Tarefas e nos aspectos cognitivos presentes nas tarefas (WILLIS, 1996; SKEHAN, 1996), em algumas teorias de motivação e aprendizagem de L2 (GARDNER, 2001; DÖRNYEI e OTTÓ, 1998; DÖRNYEI, 2000; 2002) e em concepções sobre a aprendizagem de L2 mediada por tecnologias (GIBSON, 2001; OLIVEIRA, 2001; MILLER et al, 2005). Nossos resultados não apontam uma correlação significativa entre as notas globais dos aprendizes e o seu perfil motivacional. Entretanto, indicam que há uma variabilidade da motivação situacional ao longo das tarefas, mesmo dentro de tarefas de aprendizagem do mesmo tipo. Além disso, mostram que os aprendizes relatam diferentes percepções para cada tarefa de aprendizagem e que o impacto da LDI na motivação dos participantes foi de pequena proporção.

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  • LORENA AZEVEDO DE SOUSA
  • A ferramenta VoiceThread em uma abordagem híbrida: o desenvolvimento da produção oral e da habilidade de noticing na aprendizagem de inglês como L2

  • Data: 17/02/2014
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  • O VoiceThread é uma ferramenta da web 2.0, colaborativa e assíncrona, que permite a criação de apresentações orais com auxílio de imagens, documentos, textos e voz, possibilitando que grupos de pessoas naveguem e contribuam com comentários de várias maneiras: utilizando a voz (com microfone ou telefone), texto e arquivo de áudio ou vídeo (webcam) (BOTTENTUIT JUNIOR, LISBÔA E COUTINHO, 2009). A experiência híbrida com o VoiceThread permite que o aprendiz planeje sua fala antes de gravá-la, sem a pressão geralmente existente em sala de aula. Além disso, as apresentações podem ser gravadas e regravadas várias vezes, possibilitando que ele se ouça, perceba as lacunas em sua produção oral (noticing) e a edite inúmeras vezes antes de publicá-la online. Nesta perspectiva, a produção oral é vista como um processo de aquisição de L2, e não apenas como prática do conhecimento já existente, por estimular o aprendiz a processar a língua sintaticamente (SWAIN, 1985; 1995). Neste contexto, o presente estudo visa verificar se existe uma relação entre as medidas de produção oral dos aprendizes - mais especificamente a acurácia gramatical e a nota global - e sua habilidade de noticing, de que forma a prática sistemática com a ferramenta VoiceThread, em uma abordagem híbrida, impacta o desenvolvimento oral global dos aprendizes, sua produção oral em termos de fluência (número de palavras por minuto), acurácia (quantidade de erros gramaticais a cada 100 palavras) e complexidade (número de orações subordinadas por minuto), e a sua habilidade de noticing (SCHMIDT, 1990; 1995; 2001), ou seja, a capacidade de o aprendiz perceber as lacunas existentes na sua produção oral. A fim de responder a essas questões, 49 aprendizes de inglês como L2 participaram da pesquisa, divididos em grupo experimental (25 alunos) e grupo controle (24 alunos). O grupo experimental foi exposto a uma experiência híbrida com o VT durante dois meses e, por meio de um pré e um pós-teste, verificamos se essa prática sistemática influenciaria positivamente a produção oral e a habilidade de noticing destes participantes. Esses resultados foram comparados aos escores do pré e do pós-teste de um grupo controle, que não foi exposto ao VT. Por fim, as impressões dos aprendizes a respeito da experiência com a ferramenta foram analisadas por meio de questionários aplicados após o pós-teste. Os resultados apontam que há uma correlação estatisticamente significativa entre as medidas de produção oral dos aprendizes (acurácia gramatical e a nota global) e sua habilidade de noticing. Além disso, verificou-se que há um impacto positivo da ferramenta VoiceThread sobre as variáveis da produção oral dos aprendizes e sua habilidade de noticing. Por fim, a parte qualitativa desse estudo revela uma reação positiva dos aprendizes em relação à experiência híbrida com esta ferramenta.

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  • HUDSON LIMA BEZERRA ROCHA
  • Matizes da Cultura de Massa na Obra de Caio Fernando Abreu

  • Data: 21/02/2014
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  • O escritor gaúcho Caio Fernando Abreu foi fortemente influenciado por um período de mudanças de valores e perspectivas. Ao ingressar no cenário literário brasileiro com uma escrita livre tanto em forma como no conteúdo, ele emprega em sua obra toda a angústia da busca de novos valores e sentidos na modernidade e incorpora o espírito de uma geração que, apesar do anseio pela liberdade, ainda vivia sufocada pela ditadura militar. Sua narrativa também revela um autor com extrema habilidade de transitar entre o erudito e o popular. Em seus contos e crônicas, ele emprega uma linguagem performática intercalada por referências que transformam seu texto em uma espécie de iconografia da Pop Art. Assim como os quadros da Pop Art, repletos de imagens da Coca-Cola, cigarro, pasta de dente ou latas de conserva, o discurso literário em Caio é pincelado por várias referências simbólicas ao consumismo moderno, bem como ao cinema, à música e ao culto das stars. Este traço do escritor exerce uma grande força atrativa sobre o leitor contemporâneo. Em nosso trabalho, buscamos analisar este recurso na obra de Caio sob a ótica dos estudos culturais, vislumbrando desta maneira, uma análise das diversas formas de expressão da cultura de massa em Caio, reconhecendo estas referências enquanto recurso estilístico de seus textos e ressaltando suas relevâncias no estudo da obra do autor. Para tanto, nos apoiamos basicamente nas reflexões críticas dos teóricos: Lipovetsky (1996) e Adorno (2011), que discutem cultura e formação social na modernidade. 

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  • FRANCISCO JOSÉ COSTA DOS SANTOS
  • PROCEDIMENTOS DE ABERTURA E FECHAMENTO DE TÓPICOS NA INTERAÇÃOEM SALA DE AULA

  • Data: 24/02/2014
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  • Este trabalho se insere em perspectivas interacionais, com  base nos pressupostos da Análise da Conversação, da Perspectiva Textual Interativa e da Linguística de Texto. A partir da questão norteadora que busca uma compreensão acerca da interação entre professor e alunos, no processo de construção do conhecimento, temos como objetivos: descrever, analisar e interpretar aspectos da organização tópica em sala de aula no Ensino Fundamental, observando os procedimentos de abertura e fechamento dos tópicos nesse espaço específico. Partindo da expectativa de que os procedimentos de abertura e fechamento dos tópicos discursivos ocorrem por meio de marcas linguísticas, buscamos identificar que marcas são usadas nas aberturas e fechamentos dos tópicos na sala de aula investigada, no transcurso das interações durante o processo colaborativo do discurso instaurado entre professora e alunos. Assim sendo, embasamo-nos em autores que analisam questões específicas do texto em situação concreta de uso da linguagem, entre estes, Koch (1993, 1999), Jubran et al (1991), Jubran (2006), Pinheiro (2005), Penhavel (2010), Galembeck (2012), Barros (1991), Marcuschi (1986, 1990, 1991, 1998, 1999, 2003, 2004a), Kerbrat-Orecchioni (2006), Fávero (1999, 2002) e Galvão (2004, 2010). Metodologicamente, orientamo-nos nos postulados da  pesquisa etnográfica, a fim de  realizar  a coleta dos dados, através de gravações em áudio e vídeo, os quais foram transcritos, em seguida, conforme a proposta do projeto NURC, com algumas adaptações. A análisedos dados revelou que os procedimentos de abertura e de fechamento dos tópicos ocorreram pelo uso de marcadores discursivos, em especial o marcador “então”, propiciando-nos à compreensão de que esses elementos são importantes na organização tópica, contribuindo para assegurar a coerência e a coesão textual. Concluímos que a organização do tópico discursivo em sala de aula ocorre mediante ocorrências que auxiliam a explicitação do conteúdo de ensino e aprendizagem , tendo em vista às diversas necessidades de um plano acadêmico institucional,  cujo objetivo principal é a construção do conhecimento.

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  • NADIER PEREIRA DOS SANTOS
  • MODOS DE LER, FORMAS DE ESCREVER.  A LITERATURA ENQUANTO OBJETO DA FICÇÃO DE ENRIQUE VILA-MATAS

  • Data: 27/02/2014
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  • Este trabalho busca analisar como alguns aspectos presentes na obra ficcional do escritor catalão Enrique Vila-Matas permitem pensar as práticas da escrita literária contemporânea. A partir de uma forma híbrida que reconsidera as relações tanto entre os gêneros quanto entre os discursos crítico e ficcional, a obra do autor propõe-se a refletir a respeito de suas próprias possibilidades no contexto sociocultural contemporâneo. Assim, por meio de uma ficção que em muitos momentos adquire os atributos do ensaio, Vila-Matas traz para o centro de seus enredos a discussão de questões relacionadas aos impasses de uma escrita que volta sua atenção para o destino de uma tradição literária desvinculada dos preceitos meramente mercadológicos contemporâneos. Sua maneira crítica de abordar a literatura e a experimentação em busca de novas possibilidades permitem associá-lo tanto a Laurence Sterne quanto ao projeto literário de Jorge Luis Borges. Esses autores possuem propostas que tentam ultrapassar os limites do texto, uma vez que nelas encontra-se o desejo de valer-se da ficção para demonstrar a instabilidade dos elementos de uma cultura, apropriando-se e desestabilizando os discursos e as claras distinções entre os saberes. Nesse sentido, as diversas maneiras por meio das quais Vila-Matas apropria-se do texto alheio e constrói uma obra de caráter fortemente intertextual denunciam hierarquizações e modos de circulação de textos que permitem aproximar-se da tensão existente entre temas como, influência, citação, práticas de leitura e de escrita.    

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  • FELIPE GARCIA DE MEDEIROS
  • O SER ELÁSTICO, MOLA, AGULHA, TREPIDAÇÃO: EXPRESSÕES DO HOMOEROTISMO EM FERNANDO PESSOA

  • Data: 07/03/2014
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  • Esta dissertação investiga e analisa as expressões do homoerotismo na poesia Fernando Pessoa e de seus principais heterônimos: Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis. Elaborando estratégias de fingimento como uma forma de escapar às injúrias e interdições, o poeta – através de linhas de fuga criadoras – constitui uma poética homoerótica, diferente dos padrões estabelecidos e dos modelos representacionais da literatura. Nós podemos encontrar, tendo em vista uma sexualidade problematizada, que transborda na multiplicidade dos eus, das identidades fluidas e de fronteiras móveis, intensos jogos de máscaras. Estas se corporificam nos poemas, sobretudo, por meio das sensações, dando lugar à possibilidade do discurso queer e homoerótico emergir. O homoerotismo pessoano é, assim, descortinado em meio às relações estéticas da amizade, dos espaços lisos, das heterotopias da cidade, ou espaços do outro, e da estética do armário. Partindo disso, percebemos as articulações de um gênero de performance como escritura e inscrição do corpo, estabelecendo uma escrita-física, que pontua uma sexualidade transgressora, com múltiplas entradas e saídas, afirmações e negações, instauradoras de paradoxos. Neste âmbito, desenvolvemos correlações entre concepções de Foucault (2010a, 2010b, 2011) sobre a história da sexualidade, amizade e relações de “poder-saber”, com traços de significância e de subjetivação, em processos de rostidade e CsO (Corpo-sem-Órgãos), em Deleuze e Guattari (1996). Consideramos, ainda, os questionamentos ontológicos, voltados para a dimensão “Gay”, em Eribon (2008) e levantamos aspectos a respeito da construção da ideia de masculinidade em Bourdieu (2010). Finalmente, apoiamo-nos na abordagem da epistemologia do armário, de Sedgwick (1993), como na teoria de gênero e performance de Butler (2012), encaminhando, além disso passagens pelo erotismo, de Bataille (1987), redimensionadoras das imagens homoafetivas do poeta português. 

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  • CAMYLLA LIMA DE MEDEIROS
  • UNE HISTOIRE AMÉRICAINE: A CONSTRUÇÃO DE UMA PERSONAGEM EM TEMPOS DE GLOBALIZAÇÃO

  • Data: 12/03/2014
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  • A arte da linguagem possui um discurso legítimo e revelador de sua sociedade. Ela dá forma artística àquilo que nós compreendemos de nosso mundo. Partindo dessas ideias, nosso estudo pretende analisar como o fenômeno social da globalização e a identidade do homem moderno foram configurados à estrutura do romance Une Histoire Américaine (1986). Obra escrita pelo autor quebequense Jacques Godbout após o fracasso do famoso referendo da década de oitenta que pretendia a independência da província quebequense. Para tanto, nos valeremos da Critica Integrativa como suporte metodológico desenvolvido por Antônio Candido (1976) que busca aliar os elementos estéticos e sociais na compreensão da obra. Como suporte teórico utilizamos os estudos do sociólogo britânico Anthony Giddens (1991; 2002; 2005) para melhor compreendermos a globalização e seus efeitos transformadores sobre a identidade do homem moderno conforme configura a obra estudada. Igualmente, nos apropriaremos dos apontamentos de Yvon Bellemare (1984), Gaston Miron (1989), Louis Robitaille (2011) e Marc Durand (2011) para esclarecimentos acerca da dualidade cultural quebequense e dos aspectos específicos concernentes à literatura da província.  

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  • VALESKA LIMEIRA AZEVEDO GOMES
  • Expressões risíveis na obra de Graciliano Ramos: uma leitura de Angústia

  • Data: 17/03/2014
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  • Esta dissertação propõe a análise do romance Angústia (1936), de Graciliano Ramos (1892-1953), a partir da temática do riso. Estudos diversos evidenciam o caráter psicológico, social, filosófico e autobiográfico dessa obra, encaminhando-se para o pessimismo, para as desigualdades promovidas pela hierarquia social, para a crise, para a fragmentação do sujeito que atravessa tempos múltiplos ao tratar da narrativa do “eu” na Modernidade. Como explicar, então, a presença do riso em/na angústia? Como ele se caracteriza e como atua na construção do sentido dessa obra? Escolhemos essa abordagem teórica pelo fato de presenciarmos trechos com termos e situações denotativas do riso ao longo da narrativa. Para tanto, extraímos esses mesmos para compor a análise, respaldando-os em conceptualizações sobre os chistes, o grotesco, as leis gerais e a mecânica do riso, a mudança histórica e/ou evolução do riso, dos pensadores George Minois (2003), Henri Bergson (2001), Sigmund Freud (1905) e Mikhail Bakhtin (1987). Tratamos do sentido do romance, das associações entre os termos angústia e riso, de como o narrador protagonista Luís da Silva constrói a imagem do outro e de si mesmo, considerando o contexto nos qual a obra foi produzida, o autor em seu tempo, os dados biográficos relacionados à produção literária de Graciliano Ramos e o entrelaçamento das demais narrativas do autor com o tema do riso, a fim de deslindar o porquê do riso, de qual modo se dá o seu efeito, como ele coaduna e reforça a significação, desse romance, já contemplada pela crítica graciliânica.

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  • CYRO ROBERTO DE MELO NASCIMENTO
  • Homoafetividade e abertura política em contos de Caio Fernando Abreu

  • Data: 21/03/2014
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  • A presente dissertação busca estudar a representação literária da homoafetividade em contos de Caio Fernando Abreu no contexto de abertura política brasileira, especificamente nas narrativas publicadas entre 1982 e 1988. Para compreender como se dá a relação entre literatura e contexto histórico em seus contos, recorremos, principalmente, a uma noção de Literatura e Sociedade, conforme proposta por Antonio Candido. Relacionando as narrativas de Caio Fernando Abreu com a ditadura militar e o processo de abertura política, concomitante com o projeto de geração representado pela contracultura, buscamos verificar como a busca de afeto por homens que desejam outros homens pode estar condicionada por condições sócio-históricas específicas, compreendendo a obra literária como um espaço privilegiado de representação e compreensão da realidade. 

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  • MARIA HELISSA DE MEDEIROS
  • CARTILHA DO SILÊNCIO: SOB O SIGNO DA MODERNIDADE E DA MEMÓRIA

  • Data: 26/03/2014
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    Esta pesquisa parte do pressuposto de que o romance Cartilha do silêncio, de Francisco Dantas, constitui-se de um duplo movimento, articulado um ao outro. Um voltado para a experiência moderna com a ideia de que a modernidade está impregnada de contrários, como nos lembra Nietzsche; outro vinculado a modos de vida baseados na experiência tradicional, que engloba a noção de memória como propriedade individual e coletiva. Interessa-nos, pois, analisar questões voltadas para o campo crítico-social que permeiam a vida e a história das personagens do romance, no que se refere à evocação do passado como instância de permanência da tradição em relação ao que apresenta como elementos constituintes da vida social moderna, o que dá à narrativa seu caráter paradoxal. Para subsidiar nossa análise, teremos como principal fundamentação teórica as reflexões de Marshall Berman constantes no livro Tudo que é sólido desmancha no ar e na obra Os cinco paradoxos da modernidade, de Antoine Compagnon. Tendo em vista que o romance de Francisco Dantas se configura como uma narrativa fragmentada decorrente da representação da memória social que remonta o tempo e as experiências individuais à margem de um processo social e de uma família patriarcal, a pesquisa se desenvolve à luz do conceito de memória de Jacques Le Goff, presente em História e Memória, e das reflexões de Ecléa Bosi, em Memória e Sociedade: lembranças de velhos. O método adotado em nossa investigação articula texto e contexto, o literário e a vida social, conforme a perspectiva de Antonio Candido, em Literatura e Sociedade, a fim de verificar como em Cartilha do silêncio  modos da vida social moderna se conjugam à ordem estética. Nesse sentido, ao ler o romance foi possível perceber como a identidade das personagens se constrói durante a narrativa e se mantém resistente à acomodação no seu contexto social na transição da tradição patriarcal para a modernidade, criando uma atmosfera de tensão entre os dois registros.

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  • MARLY ROCHA MEDEIROS DE VARGAS
  • OS POSSESSIVOS DE SEGUNDA PESSOA EM CARTAS DE LEITORES DE JORNAIS BRASILEIROS DOS SÉCULOS XIX E XX

  • Data: 31/03/2014
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  • Com base nos pressupostos teórico-metodológicos da teoria da variação e da mudança linguística (cf. WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006 [1968]), segundo os quais a heterogeneidade na/da língua lhe imprime um caráter intrínseca e eminentemente variável, nesta dissertação, descreve-se e analisa-se o processo de variação/mudança envolvendo o quadro dos pronomes possessivos de segunda pessoa em cartas de leitores de jornais brasileiros dos séculos XIX e XX. Essas cartas apresentam um retrato da impressa brasileira das regiões sul (Santa Catarina), sudeste (Rio de Janeiro) e nordeste (Bahia e Rio Grande do Norte) nos diferentes séculos e fazem parte do corpus mínimo comum impresso do Projeto para a História do Português Brasileiro (PHPB). Parte-se do pressuposto de que o uso das formas variantes para a expressão dos pronomes possessivos de segunda pessoa – teu/vosso/seu – resultam da interação que caracterizam os papéis sociais vários exercidos pelos interlocutores nas cartas. Configurando unidades comunicativas que reúnem elementos/traços denotadores de espaço e tempo condicionados e determinados por aspectos sócio-históricos e culturais, as cartas de leitores mostraram-se como universo promissor de pesquisa na perspectiva aqui eleita para estudo. Mais especificamente, na esteira de resultados apresentados em estudos sobre o sistema pronominal na diacronia do/no Português Brasileiro (PB), nos quais se inserem aqueles referentes aos possessivos (FARACO, 2002; LORENGIAN-PENKAL, 2007; CALLOU; LOPES, 2003; LOPES; DUARTE, 2003; MENON, 2005; ARDUIN; COELHO, 2005; LOPES, 2009; MARCOTULIO, 2010), os resultados obtidos na análise apontam para diferentes usos dos possessivos, registrando-se a coexistência das formas teu/tua, seu/sua e vosso/vossa fortemente condicionadas pela natureza sócio-discursiva das cartas de leitores no curso dos séculos e pela diferentes regiões.

     

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  • DANIEL DE HOLLANDA CAVALCANTI PIÑEIRO
  • Multiplicando Veredas entre Guimarães Rosa e Oswaldo Lamartine

  • Data: 01/04/2014
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  • A presente dissertação se propõe a estudar os elos entre a linha sertaneja rosiana, representada por Grande sertão: veredas (2011), e a seridoense do interior do estado do Rio Grande do Norte, nos ensaios de  Sertões do Seridó (1980) de Oswaldo Lamartine de Faria, como uma continuação da tradição iniciada por Guimarães Rosa. Para isso, consideramos as definições sobre regionalismo desde Antonio Candido (2000) até Chiappini (1995), que nos permitem ampliar a visão da tendência no Brasil, e mostramos as ligações iniciais entre as duas obras citadas. Dessa forma, ao conceito de regionalismo unimos o de tradição (CANDIDO, 2001) e nossa leitura de Lamartine é guiada para o ensaísmo como a fronteira entre escrita ideológica-literária (HARO, 2005), que se aproxima da ficção rosiana. É por esse caminho que analisamos os cinco ensaios de Sertões do Seridó,  e aproximamos as criações do escritor mineiro e do potiguar pelo que se evidencia na construção de seus sertões: a ficcionalidade no ato narrativo aproximado a Walter Benjamin (1987), pautado em “gatilhos da memória” (BOSI, 1979) e que nos leva às reconstruções da história, especialmente pela presença de narradores idosos. Com tais projetos, concluímos que o lastro entre Rosa e Lamartine nos leva para um regionalismo cuja força não se encontra no choque do exotismo, mas em sua aproximação aos leitores. Ambos os autores tornam os sertões universais pela apresentação do fator regional.

     

     

     

     

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  • ALAN EUGÊNIO DANTAS FREIRE
  • O CANTO DOS VESTIBULANDOS EM 140 CARACTERES: linguagem e construção de identidades no Twitter

  • Data: 16/04/2014
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  • A revolução causada pela internet e suas diversas redes sociais acabaram por trazer à tona fecundas reflexões sobre a Cibercultura e o seu poder de construção identitária. O que parecia puramente moda tornou-se modo de ser, representação do eu, criação de realidade (LÉVY, 1996). Considerando a linguagem enquanto um fenômeno social, que se processa por meio da interação, conforme nos explicita Bakhtin (2010a), o discurso veiculado nas redes sociais molda o perfil dos seus usuários, construindo identidades que, no dizer de Hall (2006), são múltiplas e não-permanentes. A presente pesquisa busca analisar o uso do Twitter, por vestibulandos, elaborando uma reflexão acerca da construção das suas próprias identidades no ciberespaço. Os sujeitos da pesquisa são alunos do Educandário Nossa Senhora das Vitórias, escola da rede privada do município de Assú/RN, todos eles concluintes do Ensino Médio. Entendendo o ano de vestibular como decisivo e motor de uma reflexão sempre presente acerca de sua condição de estudantes, os sujeitos acabam por externar suas angústias, medos e perspectivas no ambiente virtual, proporcionando-nos material suficiente para análise de como eles se constituem vestibulandos, suas expectativas para os devidos processos seletivos, além de diversas representações pertencentes ao âmbito escolar. A partir do discurso veiculado no Twitter, expresso nas postagens selecionadas, o presente estudo revela as identidades de vestibulandos que dele emergem, o que propiciou o elenco de algumas evidências. A análise das postagens nos possibilita conhecer as impressões dos estudantes quanto à escola, às disciplinas, o ritmo de estudos, o interesse com as práticas escolares e, a partir de tais indícios, a percepção de como o vestibular modifica o seu cotidiano e afeiçoa suas identidades enquanto vestibulandos.

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  • RENATO KLEDSON FERREIRA
    1. Construções com Tópico Marcado em cartas pessoais brasileiras dos séculos XVIII, XIX e XX
  • Data: 16/04/2014
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  • Esta dissertação consiste em um estudo sobre as construções de tópico marcado (CT) em cartas pessoais brasileiras dos séculos XVIII, XIX e XX. O objetivo de nossa pesquisa é verificar que CT estão presentes na escrita de brasileiros nascidos nos séculos em questão. O nosso foco de investigação se fundamenta nos pressupostos da teoria gerativa (CHOMSKY 1981; 1986), a qual afirma que a gramática se encontra internalizada na mente/cérebro dos missivistas, tendo como ênfase os estudos acerca da mudança gramatical, conforme apontam os textos de Paixão de Sousa (2004); Carneiro (2005); Galves, Namiuti e Paixão de Sousa (2006); e Martins (2009). O nosso córpus foi extraído do Projeto Para a História do Português Brasileiro (PHPB) e de Cartas Brasileiras – coletânea de fontes para o estudo do português. Selecionamos quarenta e seis missivistas que deveriam estar inseridos nos dois critérios estipulados nesta pesquisa: ser brasileiro e ter nascido nos séculos mencionados, a fim de que pudéssemos encontrar as CT legítimas do PB. Este trabalho está ancorado nas pesquisas de Pontes (1987), Mateus et al. (2003), Araújo (2006; 2009), Berlinck, Duarte e Oliveira (2009), as quais nos respaldarão no estudo desse fenômeno linguístico na língua portuguesa. Os resultados mostram que as construções típicas do Português Brasileiro – tópico sujeito, tópico locativo e tópico cópia – aparecem na escrita de brasileiros desde a segunda metade do século XVIII, enquanto que a construção de tópico sujeito já se encontra refletida na língua-I dos missivistas nascidos na segunda metade do século XIX.

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  • ANTÔNIO LÁZARO VIEIRA BARBOSA JUNIOR
  • ENTRE MILLÔR E DERRIDA: O HUMOR ENQUANTO EXPERIÊNCIA DA ALTERIDADE E DO IMPOSSÍVEL

  • Data: 14/05/2014
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  • O humorista brasileiro Millôr Fernandes teve uma produção distribuída em vários campos, desde a literatura até as artes visuais e o jornalismo. Em qualquer delas, no entanto, havia a marca indelével do humor. Nesta dissertação, proponho uma leitura de sua obra a partir de Jacques Derrida, enfatizando como se dá a construção do outro. O foco recairá sobre Millôr Definitivo:A Bíblia do Caos, mas outros textos também serão contemplados. Para empreender a análise, farei uma exposição geral da obra milloriana (especialmente Millôr Definitivo:A Bíblia do Caos) e esboçarei, em linhas gerais, a filosofia derridiana, centrando-me em sua discussão sobre a filosofia ocidental, a literatura e a alteridade. No momento da análise propriamente dita, situarei o eixo metodológico no quase-conceito de invenção. A análise deverá fazer emergir a hipótese do humor enquanto experiência da alteridade e do impossível, situando o humorista enquanto totalmente outro. No texto milloriano, essa experiência é marcada pelo conflito, sem possibilidade de resolução.

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  • CAMILA MARIA GOMES
  • Modelos de realizações discursivas nos benditos populares

  • Data: 16/05/2014
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  • Com o intuito de contribuir para o entendimento dos processos constitutivos dos textos orais, buscamos, com este trabalho, estabelecer como se estabelece os processos de formulaicidade no patrimônio imaterial religioso dos quais temos contato: os benditos populares e as novenas. Para isso, fizemos um apanhado geral sobre a realização das repetições que se estabelecem no corpus recolhido para o estudo, levando em consideração o processo das Tradições Discursivas nos textos a serem analisados. Vale salientar que o corpus é composto por benditos e novenas recolhidos no município de Lajes, no Rio Grande do Norte. Em relação ao arcabouço teórico utilizado para orientar a pesquisa, versamos nossas análises pelos pressupostos teóricos das Tradições Discursivas (TDs), com as ideias defendidas por Johannes Kabatek, além de levar em consideração os pressupostos de Paul Zumthor sobre a oralidade nos textos religiosos populares, entre outros autores citados ao longo do texto. Assim sendo, podemos dizer que, no âmbito das culturas populares, a existência dos textos orais serve para diversos objetivos interativos e isso não é diferente nos Benditos populares e nas novenas. Ainda nesse sentido, focalizando o olhar para a teoria das Tradições Discursivas (TDs), podemos verificar que os textos/discursos portam algumas tradições, o que significa que eles apresentam regularidades discursivas ou formas textuais já produzidas pela sociedade, em momentos anteriores, que permanecem ou se modifica ao longo de sua existência, assim como nos mostra Johannes Kabatek (2001, 2003, 2005 e 2006). Ainda nesse mesmo sentido, Paul Zumthor (1993) nos apresenta a ideia de que falar em “palavra”, no seu real sentido, implica em admiti-la como algo que possui um poder imensurável, que é capaz de decidir rumos no mundo e é daí que se estabelece a “riqueza das tradições orais”.

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  • PAULINE CHAMPAGNAT
  • A identidade crioula em Texaco de Patrick Chamoiseau

  • Data: 23/05/2014
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  • O presente trabalho propõe pesquisar a identidade crioula em Texaco (1992) do autor martinicano Patrick Chamoiseau. A obra faz uma retrospectiva da história martinicana, trazendo um olhar novo, influenciado pela cultura popular, ao invés de representações tradicionais moldadas nos modelos metropolitanos. A teoria principal usada na dissertação será a de Edouard Glissant, quando utilizou a noção do rizoma de Deleuze para adaptá-la à questão da cultura crioula. Nessa perspectiva, a raiz única, que simbolicamente representaria uma cultura única, mata as outras raízes ao seu redor, enquanto o rizoma, ou seja, a raiz múltipla vai ao encontro das outras raízes para formar um todo junto com elas, e estender-se ao infinito. A teoria presente no livro do autor, Escrever em país dominado (1997), terá uma importância fundamental na nossa dissertação, no que diz respeito ao questionamento sobre o uso da língua da antiga potência colonizadora numa antiga colônia. Essa reflexão permitirá abrir uma discussão sobre a influência da cultura metropolitana na cultura da antiga colônia, que se vê oprimida. Logo, veremos na primeira parte os mecanismos de opressão usados na negação da identidade crioula, através de sistemas de dominação linguísticos e literários. Na segunda parte, iremos analisar a emergência da identidade crioula em Texaco, graças a uma tentativa de reescrita de uma das possíveis histórias da Martinica.

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  • ANDREW YAN SOLANO MARINHO
  • DO CIENTISTA AO ATIVISTAOS PROBLEMAS DA CIÊNCIA DO TEXTO E UMA SOLUÇÃO REVOLUCIONÁRIA NA OBRA DE TERRY EAGLETON

  • Data: 28/05/2014
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  • O crítico literário Terry Eagleton obteve notoriedade no meio acadêmico ao ser reconhecido intelectualmente com seu livro best-seller Teoria da Literatura: uma introdução. Nesse livro, o autor inglês propõe, ousadamente, o fim da literatura e da crítica literária. Contudo, anos antes, Eagleton propôs um sistema científico de análise do texto literário, que parecia menos radical, tanto em teoria quanto no método, do que em sua proposta teórica posterior. Com base nisso, o objetivo dessa dissertação é apresentar o método inicial do crítico literário inglês, explicitar os motivos que o levaram a abandonar seu projeto inicial – de elaborar um método de análise do texto literário sobre uma ótica científica marxista – e a propor, nos anos seguintes, em seu livro mais famoso e em outros, uma visão revolucionária, que iria muito além de análises textuais e faria os textos literários terem uma intervenção prática na sociedade.  Por fim, explicitaremos qual seria sua ideia de crítica revolucionária.

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  • LIDEMBERG ROCHA DE OLIVEIRA
  • A INJUNÇÃO EM LIVROS DIDÁTICOS DE LÍNGUA PORTUGUESA DO 4º E 5º ANOS DO ENSINO FUNDAMENTAL

  • Data: 30/05/2014
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  • Com esta investigação, objetivamos identificar, descrever, analisar e interpretar como livros didáticos de Língua Portuguesa abordam, a partir da materialidade linguística, efeitos de sentido veiculados em textos predominantemente injuntivos. O corpus deste estudo é constituído por seis coleções de livros didáticos de Língua Portuguesa inscritas no PNLD 2010, adotadas por escolas públicas do município de Natal e objeto de estudo no âmbito do Projeto Ler/Contar do Observatório de Educação da UFRN. Foram analisados os livros dos 4º e 5º anos do Ensino Fundamental, totalizando 12 exemplares, foram selecionadas vinte atividades para análise. Para fundamentar nosso estudo recorremos à discussão teórica de Adam (2001a, 2001b) no que diz respeito aos gêneros discursivos da incitação à ação. Ainda, acompanhamos Koch e Fávero (1987), Koch e Elias (2009), Marcuschi (2002, 2008), Pery-Woodly (2001), Rodrigues (2013), Travaglia (1991, 2007) e Rosa (2007), no que concerne à organização material dos textos injuntivos.  Referente às discussões sobre o livro didático amparamo-nos em Choppin (2004, 2009), Batista (2003, 2009), Rojo e Batista (2005), e quanto aos livros didático de Língua Portuguesa adotamos Soares (1998, 2001, 2004) e Buzen e Rojo (2005). Os dados mostram que o imperativo afirmativo é a categoria linguística mais explorada nas atividades de leitura, produção escrita e análise linguística, inexistindo, assim, um trabalho que explore outras formas linguísticas que veiculem o efeito de sentido da injunção. 

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  • TITO MATIAS FERREIRA JÚNIOR
  • ENTRE FRONTEIRAS: A ESCRITA IMIGRANTE DE JULIA ALVAREZ EM HOW THE GARCÍA GIRLS LOST THEIR ACCENTS

  • Data: 02/06/2014
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    A presente dissertação objetiva investigar a maneira em que sujeitos diaspóricos ficcionais da obra How the García Girls Lost their Accents (1992), de Julia Alvarez (1950 – ), negociam o embate entre duas culturas – a caribenha, oriunda da República Dominicana, no Caribe, e a estadunidense, proveniente dos Estados Unidos da América, já que aparentemente espelha “a dor daqueles que se encontram divididos entre terras natais e línguas maternas” (IYER, 1993, p. 46). As implicações desta negociação na vida do imigrante são questões relevantes na escrita de Alvarez. A autora leva em consideração o uso das memórias da esfera familiar como uma das estratégias essenciais empregadas por escritores imigrantes para rememorar sua(s) identidade(s). A significância da escrita das reminiscências do âmbito familiar é observada como um meio de apresentar a coletividade da escrita imigrante e, mais importante, como um meio que escritores imigrantes de diferentes lugares usam para se sentirem conectados uns com os outros. Do mesmo modo, leva-se também em consideração a questão da língua na construção da identidade imigrante para buscar entender onde as irmãs García se posicionam no mundo contemporâneo, visto que o bilinguismo é um fator chave na negociação que agencia entre suas porções caribenha e estadunidense. Dentre os autores estudados, citamos Homi K. Bhabha (1990, 1996, 2003, 2005), Stuart Hall (2001, 2003), Julia Kristeva (1994), Salman Rushdie (1990, 1994), Sonia Torres (2001, 2003) e outras contribuições que foram imprescindíveis para a finalização desta pesquisa.


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  • LUIZ ALBERTO CELESTINO PESSOA PIMENTEL
  • O GAUCHE: POÉTICA DA TRAVESSIA ENTRE RENATO RUSSO E CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

  • Data: 17/07/2014
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  • Esta dissertação, intitulada “O gauche: poética da travessia entre Renato Russo e Carlos Drummond de Andrade”, discute a individuação problemática do gauche que traz a poesia drummondiana para o meio da singularização de Renato Russo, acentuando tal individuação e buscando nela encontrar a tensão que se inscreve entre ambos, localizando no poeta e no compositor musical os deslocamentos, as desterritorializações e a repetição da diferença. Assim, mobilizar-se-á o ato, a estética e a política da escrita, transpondo do caráter textual, intertextual, para um feixe de referências, percepções, deslocamentos, estabelecendo nestes espaços, elementos presentes em cartografias poéticas que relacionam os dois autores nesta travessia rizomática, pois a escrita destes é movida pelo desejo e pelas minorias. Para tanto, coloca-se como escopo uma pesquisa norteada por autores como Gilles Deleuze, Jacques Derrida, Félix Guattari, Jacques Ranciére, Michel Foucault, Maurice Blanchot, Julia Kristeva, Linda Hutcheon, dentre outros que possam transitar pelas relações, neste estudo, estabelecidas, constituindo o corpus teórico e de discussão, atendendo ao caráter qualitativo implícito no desenvolvimento desta dissertação. Quanto ao corpus literário, este é composto pela seleção de letras de Renato Russo e poemas de Carlos Drummond, de maneira a constituírem corpos-subjetividade, envolvendo ideias, afectos, perceptos e imagens.

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  • WILLAME SANTOS DE SALES
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      DIALOGIZAÇÃO DE VOZES: o fio construtor do estilo de José Bezerra Gomes no romance A porta e o vento 

  • Data: 28/07/2014
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  • RESUMO

    A presente pesquisa tem por objetivo investigar o processo de construção estilística na prosa romanesca do escritor norte-rio-grandense José Bezerra Gomes, tomando, como corpus, o romance A porta e o vento. Os fundamentos teóricos sobre os quais se assenta esta empresa estão relacionados às ideias difundidas pelo chamado Círculo de Bakhtin, especialmente, as noções de linguagem dialógica, palavra literária, enunciado concreto, vozes sociais e estilo/estilística sociológica. Quanto à orientação metodológica, o trabalho caracteriza-se por adotar o paradigma interpretativista de base sócio-histórica, situando-se, ainda, no grande campo da Linguística Aplicada, área de investigação indisciplinar e fronteiriça cujo foco primordial é a linguagem concretamente situada. A análise dos discursos presentes na obra A porta e o vento possibilitou-me escutar diversas vozes sociais ali encarnadas, enxergar diversas formas de diálogo, inúmeras visões de mundo em embate constante que, em razão do gerenciamento e do acabamento dados pelo autor, acabam por conferir-lhe um tom, um estilo peculiar frente aos demais discursos e estilos circulantes em seu meio. Os embates ideológicos são evidentes: voz da tradição versus voz particular do personagem Santos, no que respeita à instituição do casamento; confronto entre imagens de sertão antagônicas – um sertão vivo (rico e diverso) em contraposição à noção estereotipada de sertão (pobre e estéril); e A porta e o vento como metáfora de uma arena de combate e indício de uma poetização da linguagem da prosa. A característica principal do estilo bezerriano, em A porta e o vento, está relacionada aos modos de dialogização das aludidas vozes presentes no romance. Nesse sentido, tem-se, com frequência, o uso de polêmicas veladas, réplicas dialógicas e diálogos velados, que são categorias já discutidas na teoria bakhtiniana, mas também outros modos de dialogização novos, alicerçados na dinâmica da linguagem viva e concreta.

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  • GEISE KELLY TEIXEIRA DA SILVA
  • Nostalgia do Espaço e do Tempo: uma leitura da obra memorialística de Câmara Cascudo

  • Data: 29/07/2014
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    Esta dissertação aborda a obra memorialística do escritor potiguar Luís da Câmara Cascudo (1898 - 1986) a partir de uma leitura integrada das quatro obras que a compõe: O Tempo e Eu (1968), Pequeno Manual do Doente Aprendiz (1969), Na Ronda do Tempo (1971) e Ontem (1972). Produzidas sob a contingência do moderno, do movimento e da reforma urbana, as memórias de Câmara Cascudo evocam as velhas paisagens de outrora, povoadas por aqueles que pertenceram à velha Natal romântica e provinciana que já não existe, mas que ainda sobrevive idealizada na memória do autor e que é (re)construída por ele a partir de uma escrita permeada de toques de imaginação e por um sentimento de nostalgia. Buscando analisar como se dá o processo de construção memorialista de Cascudo, bem como refletir sobre o papel que a memória exerce na (re)construção de um tempo e de um espaço perdidos, recorremos aos estudos de Maurice Halbwachs (2006) e Ecléa Bosi (1994). Dentro desse quadro teórico, buscamos, sobretudo, compreender não apenas o modo como as experiências vividas por Cascudo no presente irão trabalhar a matéria de sua memória, mas também como esta irá nortear uma escrita que toca na história e nos quadros sociais do passado.

     

     

     

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  • JOAO PAULO LIMA CUNHA
  • IDENTIDADES COLETIVAS DE ESTUDIOSOS DA LINGUAGEM EM CURRÍCULOS LATTES: DOCÊNCIA, PERTENÇA SOCIAL E CAPITAL CULTURAL-ACADÊMICO

     


  • Data: 04/08/2014
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  • A discussão envolvendo identidade de atores sociais ocorre já alguns anos, entretanto, ela se tornou significativa para os estudos discursivos nos últimos anos, devido à fragmentação dos atores pós-modernos. Entendendo as identidades como um conceito simbólico capaz de auxiliar na observação de realidades determinadas – uma espécie de mecanismo/uma lente (MERLUCCI, 1985) – é possível verificar a materialidade linguística do texto introdutório do currículo lattes como um espaço propício para constituição de identidades coletivas. O objetivo desta dissertação é refletir, como em tempos de pós-modernidade, através de textos introdutórios dos currículos lattes, as identidades coletivas de pesquisadores da linguagem são constituídas e retratadas em práticas discursivas e sociais, baseadas na acumulação de capital cultural-acadêmico. Para análise, em torno da postura indisciplinar em Linguística Aplicada (MOITA-LOPES, 2006), utiliza-se a metodologia descritiva/interpretativa (MAGALHÃES, 2001). Enquanto método de estudo e teoria social, para fundamentação da pesquisa, faz-se uso da Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso, corrente vinculada aos pressupostos da Análise Crítica do Discurso (PEDROSA, 2012a).   O corpus se constitui de vinte e sete textos introdutórios de currículos lattes de pesquisadores da linguagem, vinculados a três instituições de ensino superior em Sergipe. Após coleta, na Plataforma Lattes, e numeração dos currículos, a fim de alcançar o objetivo da pesquisa, realizou-se a análise em torno de três temáticas identitárias: docência, pertença social (BAJOIT, 2006; DESCHAMPS; MOLINER, 2009) e acumulação de capital cultural-acadêmico (BOURDIEU, 2004; HEY, 2008). Os dados evidenciam que os textos dos currículos lattes são baseadas em princípios hegemônicos-ideológicos, referentes à acumulação de bens acadêmicos, à valorização de atores e às posições hierárquicas, reconhecidos e ratificados pelos pares que se socializam entre eles. Nesse momento, a pesquisa nos permite inferir que, na pós-modernidade, alguns pressupostos identitários coletivos, contribuem para o entendimento da realidade acadêmica, em torno do currículo lattes.

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  • TACICLEIDE DANTAS VIEIRA
  • CONSUMO C(L)IENTE : ABORDAGEM DO GÊNERO ANÚNCIO PUBLICITÁRIO EM LIVROS DIDÁTICOS DE LÍNGUA PORTUGUESA DO ENSINO MÉDIO

     

  • Data: 11/08/2014
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    Os livros didáticos de Língua Portuguesa, em audiência ao que se preconiza nos documentos oficiais para a educação, têm se configurado por gêneros discursivos importados de diversas esferas da atividade humana. O anúncio publicitário, gênero de ampla circulação social, espraiou-se da esfera publicitária para a escolar e passou a ser abordado por essas coletâneas como objeto e instrumento de ensino. Diante disso, esta pesquisa versa sobre a abordagem do anúncio em livros didáticos de português, com o objetivo de analisar como um gênero para anunciar se torna matéria para ensinar e aprender. Interessam essas práticas discursivas pelo impacto ou apelo que elas exercem sobre os (novos) consumidores, dentre os quais os alunos do Ensino Médio, pela sua representatividade no sistema capitalista, aquele que orienta nossas relações e práticas sociais, e pela combinação de linguagens que se encerram em sua composição, uma vez que condensa o “espírito” de nossa época, por excelência, a dos gêneros verbo-visuais. Para compreender o tratamento dado a essas peças publicitárias, a partir das questões/dos comentários a elas relacionados, bem como as suas atribuições para os multiletramentos (ROJO, 2012) do aluno cidadão, foram selecionadas duas coleções aprovadas pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD 2012) dentre as mais adotadas pelas escolas públicas de Natal/RN para o Ensino Médio. Da Linguística Aplicada, de identidade mestiça, nômade e in/transdisciplinar (MOITA LOPES, 2009), esse estudo se insere na cadeia discursiva da tradição interpretativista de abordagem histórico-cultural (FREITAS, 2010) e nomeia o Círculo de Bakhtin e sua concepção dialógica da linguagem como interlocutores indeclináveis. Os dados totais das coletâneas mostram que a abordagem do gênero pode se dá como enunciado concreto, como artefato linguístico e como híbrido, no trabalho com questões e sem questões, havendo a predominância de sua ocorrência na porção dos volumes dedicada ao estudo da gramática. Nos capítulos de literatura e de produção/interpretação de textos, a sua entrada é tímida ou não acontece nos volumes. Tal disposição tem implicações no letramento dos alunos, uma vez que a carência ou a abundância de propostas de leitura crítica para esse gênero, que solicitem do aluno o exercício de saberes necessários à construção de sentidos linguísticos e sociais, é reponsável por orientar um consumo (material e cultural) mais consciente pelos sumos clientes das obras em análise. A abordagem do gênero parece representar uma gradativa transição por que esses materiais vêm passando, ou seja, do polo da oração para o polo do enunciado, ou ainda, da abordagem do artefato linguístico para a híbrida e a do enunciado concreto, na busca por superar a tradicional tendência de se privilegiar os aspectos formais da língua, em detrimento dos enunciativos, e por entrar em harmonia com as diretrizes e os parâmetros do ensino na contemporaneidade, aproximando os deveres da escola dos direitos na vida. 

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  • VERÔNICA FALCÃO DE OLIVEIRA VINAGRE
  • O SERTANEJO E O SEVILHANO NOS POEMAS DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO: O LUSCO-FUSCO BARROCO 

  • Data: 11/08/2014
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  • Esta pesquisa tem o objetivo de, a partir de uma leitura barroca, desdobrar a compreensão dos poemas de João Cabral de Melo Neto no eixo Pernambuco – Espanha. Nessa perspectiva, a leitura da Obra Completa do poeta permite a aparição de dois sujeitos, o sevilhano e o sertanejo, que, curiosamente, pulsam e revelam-se desde seus locais de origem, Sertão e Sevilha, a um encontro labiríntico estabelecendo uma estreita e instigante relação de cidades alijadas, mas que assinalam um diálogo contíguo entre suas culturas. O esforço teórico desta investigação perpassa, aproxima ou contrapõe as orientações, entre outras, de Severo Sarduy (1999), Gilles Deleuze (2012) e Eugenio D’Ors (s.d). Não percorrendo um viés antropológico, este estudo observa o espaço espanhol e o espaço pernambucano congregando o regional ao universal e analisa o jogo Barroco na (re) construção da cultura do homem sertanejo e sevilhano. Esses elementos que se fundem, se aproximam e se distanciam provocam um jogo de alusões a Pernambuco e à Espanha que se mostram pelo viés cultural parecidos e ao mesmo tempo diferentes. Dessa apreensão, é possível compreender a síntese do sertanejo-sevilhano como uma atualização do Barroco do seiscentos a partir de índices que são evidenciados na escrita peculiar de João Cabral de Melo Neto, do cenário do Barroco ibérico e do Barroco americano.

     

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  • ANGÉLICA FERREIRA DA FONSECA
  • A RELAÇÃO RESPONSABILIDADE ENUNCIATIVA / EMOÇÃO NOS DISCURSOS POLÍTICOS DE POSSE DE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA E DILMA ROUSSEFF


  • Data: 15/08/2014
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  • Esta dissertação insere-se nos estudos da Análise Textual dos Discursos, elaborada por Adam (2011) e desenvolvida no Brasil por estudiosos da Linguística do Texto, entre eles, Rodrigues (2010); Rodrigues; Passeggi; Silva Neto; Fernandes de Sousa; Soares (2010); Rodrigues; Fernandes (2013). Interessa-nos identificar, descrever, analisar e interpretar a responsabilidade enunciativa (RE) e a sua articulação com as emoções. Neste sentido, a partir da discussão sobre as modalidades linguísticas, dispomo-nos a compreender e relacionar esses fenômenos materializados nos discursos políticos de posse do ex-presidente Lula (2003, 2007) e da presidente Dilma Rousseff (2011). Para tanto, realizamos uma pesquisa qualitativa, de natureza interpretativista e utilizamos o método indutivo, bem como, subsidiamo-nos em noções advindas da Análise do Discurso de linha francesa, da Linguística Textual e da Linguística da Enunciação. Neste sentido, além de Adam (2011), nossa pesquisa é orientada pelos estudos de Rabatel (2006, 2008, 2009, 2010), Guentchéva (1994), Authier-Revuz (2004), Charaudeau (2007, 2011), Plantin (2010, 2012) e Micheli (2008, 2010). No que diz respeito à modalidade linguística, pontuamos as discussões propostas por Bessa Neves (2012) acerca dos valores modais. Os resultados caracterizam os discursos políticos de posse de presidentes do Partido dos Trabalhadores e apontam para a assunção da responsabilidade enunciativa, evidenciada pelos três valores modais, epistêmico, deôntico e apreciativo. As emoções são instauradas por unidades lexicais avaliativas e apreciativas. Por fim, a análise nos constatar que os enunciados marcados pela emoção são determinantes para assunção da RE.

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  • GERLANNE DA CUNHA TAVARES
  • PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO DO SENTIDO POR PORTADORES DA SÍNDROME DE ASPERGER

  • Data: 29/08/2014
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  • Para a Linguística Cognitiva, a construção do sentido se dá através do acionamento de processos mentais específicos que estão diretamente ligados às experiências socioculturais, sensório-motoras e perceptuais. Em portadores da Síndrome de Asperger, o comprometimento desses processos, devido a características específicas da própria síndrome, pode estar diretamente relacionado a problemas de construção de sentido por estes indivíduos. Nesse sentido, o objetivo deste projeto é investigar os processos cognitivos que direcionam a construção do sentido nestes portadores de transtornos neurais. A pesquisa é realizada com alunos da APAARN (Associação de pais e amigos dos autistas do Rio Grande do Norte), tendo como grupo de controle alunos neurotípicos de outras instituições, sendo os portadores da síndrome praticantes da língua materna o grupo experimental da pesquisa. Para elucidar o processo de construção do sentido por estes alunos, foram desenvolvidos testes contendo pistas linguísticas norteadoras responsáveis pelo  acionamento de alguns processos cognitivos como os esquemas (JOHNSON, 1987), frames (MINSKY, 1974), affordances (GIBSON,1979) e simulação mental (BARSALOU,1999). Os testes foram baseados nos pressupostos teóricos da Linguística Cognitiva, mais precisamente, da Teoria Neural da Linguagem. Os resultados apontam para uma possível justificativa para o comprometimento da construção do sentido, que compreende diretamente a relevância intersubjetiva das inferências recebidas e construídas socialmente pelos participantes especificamente desta análise.

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  • SHEILA DA SILVA MONTE
  • A CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA EM UM FÓRUM DE DISCUSSÃO: UM ESTUDO COM ALUNOS DA EAD

  • Data: 18/09/2014
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  • O objetivo deste estudo é o de evidenciar as identidades culturais dos alunos da Licenciatura em Letras-Espanhol, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), em integração com a Universidade Aberta do Brasil (UAB), na modalidade a distância, construídas a partir dos enunciados produzidos por eles em um fórum de discussão on-line. Para tanto, elegemos para análise o fórum temático “Usar fragmentos da internet é um ato ético?”, gerado no primeiro semestre de 2011, veiculado na disciplina Leitura e Produção de Texto. O interesse desta pesquisadora em evidenciar as identidades culturais desses sujeitos, no ambiente virtual de aprendizagem, surgiu a partir do contato com essa realidade, na qual foi constatado que os enunciados construídos pelos alunos eram ricos em posicionamentos, significações e interações. Ao produzir seus discursos, tais sujeitos oportunizam uma reflexão sobre como podemos estabelecer sentido na interação criada no ensino on-line bem como sobre a construção das identidades culturais dos sujeitos dentro desse espaço virtual. A forma como os alunos participam do fórum de discussão representa experiências de aprendizagem que levam à construção das identidades culturais, o que determina a trajetória dos sujeitos, o que faz da identidade um constante processo de vir a ser, um contínuo transformar-se. Na perspectiva da Linguística Aplicada de enfoque interdisciplinar, nossa referência teórica baseia-se no modelo sócio-histórico da linguagem, entendendo-a como prática social. Ainda no campo teórico, este estudo estabeleceu uma interconexão com os estudos culturais à medida que utiliza o conceito de identidade cultural na pós-modernidade. A análise dos discursos revelou-se plural, com uma multiplicidade de identidades culturais que, evidenciadas a partir dos posicionamentos dos sujeitos, centraram-se na concordância, outras na discordância, ou mesmo na ousadia. Constatou-se, ainda, no referido percurso investigativo, que essas identidades podem ser construídas e reconstruídas se estiverem imersas em outro conjunto de práticas sociais determinadas historicamente.

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  • SHANNYA LUCIA DE LACERDA FILGUEIRA
  • O QUE SE QUER IMAGEM, O QUE SE QUER DESEJO?:  ENTRE O FABULAR DE DESEJOS E AS CONSTRUÇÕES IMAGÉTICAS NA PROSA DE FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO.

  • Data: 22/09/2014
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  • Este trabalho apresentado, com vistas à defesa da dissertação de mestrado, intitulado O que se quer imagem, o que se quer desejo?: Entre o fabular de desejos e as construções imagéticas na prosa de Fiama Hasse Pais Brandão, discute até onde o desejo impulsiona a imagem e até onde essa imagem é tocada por esse desejo, visualizando dentro de um sistema literário poético e singular, as construções da imagem junto às fabulações de desejo, o que nos expõe diante de processos de semiotização por meio da escrita, de subjetivação, de vertigem, de sensibilização para os afetos e desejos enquanto produção de sentido e multiplicidades estéticas em cuja letra transgressiva se aventura. Nesse sentido, a análise transitará entre o discurso erótico e os problemas fundamentais que este coloca, bem como o processo de construção de imagem, recortado via discursos problematizados pela linguagem apresentada pela autora Fiama Hasse Pais Brandão. Para tanto, coloca-se como escopo uma pesquisa norteada por autores como George Bataille, Roland Barthes, Luiz Roberto Monzani, Suely Rolnik, Walter Benjamin, Georges Didi-Huberman, Maurice Blanchot, Félix Guattari, Gilles Deleuze, dentre outros que possam transitar pelas relações, neste estudo, estabelecidas, constituindo o corpus teórico e de discussão, atendendo ao caráter qualitativo implícito no desenvolvimento desta dissertação. Quanto ao corpus literário, este é composto pelos contos trazidos em Contos da Imagem (2005), de maneira a constituírem corpos-subjetividade, envolvendo ideias, afectos, perceptos e imagens.

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  • CRISTIANE PEIXOTO ANDRADE
  • O PATRIARCADO NA COMPOSIÇÃO DE CRÓNICA DE UNA MUERTE ANUNCIADA DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

  • Data: 29/09/2014
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  • O presente trabalho analisa o patriarcado na composição da obra Crónica de una muerte anunciada, escrita por Gabriel García Márquez, cujo enredo gira em torno de um crime em defesa da honra patriarcal. Para isso, foi feito um estudo sobre a própria lógica patriarcal, assim como dos elementos narrativos que ajudam a estruturar esse componente cultural na obra, pois entendemos que o enredo, as personagens, o espaço físico, o tempo e a linguagem abordam essa grande temática. De forma paralela, observamos que o texto, mesmo estando sob a forma de romance, tem uma linguagem jornalística própria da crônica policial, que mantém a tensão do leitor em torno de um assassinato. Por meio da voz do narrador, é possível perceber a rigidez nos valores morais das personagens, que estão fundamentados nos princípios da religião católica que influencia o sistema político e judiciário de uma pequena cidade do caribe colombiano. Para fundamentar a análise literária, recorremos a uma crítica sociológica com autores como Bakhtin e Candido; no entendimento crítico sobre América Latina e sua literatura, lemos autores como Rama e Galeano; para entender e discutir do patriarcado, estudamos autores como Bourdieu e Lerner; e, por último, trabalhamos a fortuna crítica com críticos como Martín e Vargas Llosa, no sentido de aprimorar a análise da obra em foco e o perfil do seu grande autor.

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  • ARTHUR VINÍCIUS DANTAS DA SILVA
  • Mel no asfalto: percepções do Neutro nos contos de Caio Fernando Abreu

  • Data: 06/10/2014
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  • A uma leitura mais atenta, o texto de Caio Fernando Abreu se apresenta múltiplo. Seja por uma indistinção genérica que problematiza a categorização de sua obra em uma instância de gênero apenas, seja por operações que suspendem alguns outros sentidos temporariamente. Dessa forma, este trabalho se propõe a encontrar esses espaços de suspensão, em consonância com o curso ministrado no Collège de France pelo escritor francês Roland Barthes em 1977-1978, intitulado O Neutro. Além disso, a análise comparativa teorizada por Ute Heidmann ajudará a entender como a suspensão da configuração do gênero textual propicia as zonas neutras que Barthes identificou. A análise se propõe a entender a estruturação do texto em uma perspectiva intrincada que leve em consideração tanto aspectos temáticos, quanto discursivos e estruturais.

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  • ALBA VALÉRIA SABOIA TEIXEIRA LOPES
  • A REPRESENTAÇÃO DISCURSIVA DA VÍTIMA E DO AGRESSOR NO GÊNERO SENTENÇA JUDICIAL

  • Data: 27/11/2014
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  • Esta dissertação tem como propósito identificar e descrever o fenômeno da representação discursiva da vítima e do agressor no gênero sentença judicial. A pesquisa insere-se no âmbito teórico geral da linguística textual e mais especificamente na análise textual dos discursos (ATD), teoria desenvolvida por Jean-Michel Adam ([2008] 2011). A noção da representação discursiva proposta pela ATD constitui um dos aspectos mais importantes da dimensão semântica do texto e é complementada nos trabalhos de Grize (1990, 1996) a partir da noção de esquematização. Nessa perspectiva, o trabalho é orientado pelos estudos da linguística do texto com Koch (2012, 2005, 2004), Marcuschi (2012, 2008, 2005), Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010, 2012, 2014), do gênero com Bazerman (2005), Bakhtin (1992) e do discurso jurídico com Capez (2012), Pimenta (2007) e Lourenço (2013). Metodologicamente, é uma pesquisa documental, apresentando um caráter qualitativo e descritivo e orienta-se pelo método do raciocínio indutivo-dedutivo. O corpus é constituído por uma sentença judicial, de natureza penal, coletado eletronicamente do sítio do Tribunal de Justiça de São Paulo – Poder Judiciário, em Consulta de Julgados de 1° Grau, com a temática da violência contra a mulher. Os procedimentos de análise utilizam as categorias semânticas da representação discursiva, como a referenciação, a predicação, a modificação e a localização espacial e temporal. Os resultados focalizaram a construção da representação discursiva dos sujeitos (vítima e agressor) a partir de PdV de enunciadores distintos, que podem aproximar-se ou distanciar-se de acordo com a orientação argumentativa do texto. Assim, diante da importância social do texto forense e, em especial, da sentença judicial na vida dos cidadãos, foi possível perceber a relevância em desenvolver pesquisas que abordem o estudo da dimensão semântica do texto, principalmente, na construção das representações dos objetos de discurso.

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  • ODARA RAQUEL KUNKLER
  • O ciclo indiano de Marguerite Duras à luz da comparação diferencial: a reconfiguração de um personagem.

  • Data: 27/11/2014
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  • A presente pesquisa tem por objetivo analisar a reconfiguração de um personagem em dois romances e em um texto dramático da escritora francesa Marguerite Duras, que fazem parte do conhecido ciclo indiano. São eles: Le Ravissement de Lol V. Stein (1964), Le vice-consul (1965) e India Song (1975). Adotando a perspectiva da comparação diferencial como abordagem literária, proposta por Ute Heidmann (2008, 2010, 2013), este trabalho busca estudar o personagem Anne-Marie Stretter presente nestas três obras. Procura compreender de que modo se produz a reescrita do personagem a partir de três eixos de análise: as modalidades de enunciação, considerando a análise e a comparação da obra literária como evento enunciativo, partindo do conceito de cena de enunciação proposto por Dominique Maingueneau (2010); as modalidades de inscrição genérica, estreitamente ligadas às modalidades enunciativas, com fundamentação teórica em Todorov (1980) e Heidmann (2013); e as modalidades de dialogismo intertextual e interdiscursivo, enxergando na relação dialógica novos e diferentes efeitos de sentido. Para a compreensão destas partimos de Bakhtin (2010), Kristeva (1974), Todorov (1981) e a ideia de dialogismo e intertextualidade, para chegarmos à ideia de interdiscurso proposta por Heidmann (2010 e 2013). Através deste estudo podemos observar em uma mesma autora diferentes maneiras de se construir um personagem, cada qual com suas especificidades e complexidades, diversificados em seus gêneros e espaços discursivos. O interesse da comparação diferencial neste estudo, ao identificar um traço comum entre as três obras, é trazer à tona suas diferenças epistemológicas e suas novas propostas de sentido.

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  • DIÊGO CESAR LEANDRO
  • Escrita colaborativa com Google Docs: flash fiction, noticing e aprendizagem de inglês como L2

  • Data: 04/12/2014
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  • O Google Docs é um editor online de textos por meio do qual múltiplos autores podem trabalhar síncrona ou assincronamente em um mesmo documento, o que pode auxiliar no desenvolvimento da habilidade de escrita em inglês (WEISSHEIMER; SOARES, 2012). Ao escrever colaborativamente, os aprendizes têm mais oportunidades para perceber as lacunas na sua produção escrita, visto que são expostos a mais insumo linguístico (input) dos colegas coautores (WEISSHEIMER; BERGSLEITHNER; LEANDRO, 2012), e priorizam o processo de (re)construção textual, deixando a preocupação com o produto final (i.e., o texto pronto) em segundo plano (LEANDRO; WEISSHEIMER; COOPER, 2013). Ademais, dentro do processo de aprendizagem de uma segunda língua (L2), a produção de linguagem propicia a consolidação de conhecimentos existentes e a criação de novos conhecimentos (SWAIN, 1985; 1993). Levando isto em consideração, o presente estudo, de natureza quasi-experimental (NUNAN, 1992) e abordagem mista (DÖRNYEI, 2007), objetiva investigar o impacto da escrita colaborativa mediada pela ferramenta Google Docs no desenvolvimento da habilidade de escrita em inglês e na percepção de erros sintáticos ou noticing (SCHMIDT, 1990). Um total de 34 aprendizes universitários de inglês integrou o estudo: 25 foram alocados no grupo experimental e nove foram alocados no grupo controle. Ambos os grupos passaram por um pré-teste e por um pós-teste para que pudéssemos medir o noticing de estruturas sintáticas. Os participantes do grupo experimental foram expostos a uma experiência híbrida de aprendizagem, a qual consistiu na escrita colaborativa de três narrativas flash fiction (uma narrativa completa contada em 100 palavras), fora de sala de aula, online por meio do Google Docs, durante 11 semanas. Analisamos a primeira e a última narrativa de cada grupo a fim de medir a acurácia gramatical, operacionalizada como a quantidade de erros gramaticais a cada 100 palavras (SOUSA, 2014) e a densidade lexical, operacionalizada como a relação entre o número de palavras produzidas com propriedades lexicais e o número de palavras produzidas com propriedades gramaticais (WEISSHEIMER, 2007; MEHNERT, 1998). Adicionalmente, os participantes do grupo experimental responderam a um questionário online sobre a experiência híbrida a qual foram expostos. Os resultados quantitativos mostram que os aprendizes passaram a produzir textos com mais densidade lexical. Os resultados qualitativos evidenciam a utilidade da escrita colaborativa mediada por tecnologia no processo de aprendizagem de L2.
     

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  • ORLANDO BRANDÃO MEZA UCELLA
  • A POÉTICA DA CRIOULIZAÇÃO EM CHICO SCIENCE & NAÇÃO ZUMBI: análise de três canções do álbum Afrociberdelia

  • Data: 05/12/2014
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  • O presente trabalho está inserido na discussão sobre as relações entre literatura e canção. Pertencentes à cena musical pernambucana, as canções de Chico Science & Nação Zumbi sugerem uma libertação estética, aproximando a canção da literatura oral. Em sintonia com isso, o objetivo desta pesquisa é analisar três canções do álbum Afrociberdelia (1996), de Chico Science & Nação Zumbi, são elas: “Mateus Enter”, “O Cidadão do Mundo” e “Etnia” (as três primeiras canções do disco). A análise busca evidenciar como essas três canções desarticulam ou afrouxam os nós da diferença colonial (MIGNOLO, 2003). Para isso, dialoga-se sobretudo com a compreensão de crioulização de Glissant (2005 e 2011), a qual trata do hibridismo a partir de uma perspectiva pós-colonial.

Teses
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  • JOSÉ MAURO SOUZA UCHÔA
  • Narrativas de professores em formação sobre a didatização de podcasts para o ensino de inglês na floresta

  • Data: 03/02/2014
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  • Em consonância com (1) as demandas de fluência dos participantes de um curso de Letras/Inglês da Amazônia; (2) com as necessidades da compreensão e da produção oral em língua inglesa dos professores de Inglês como Língua Estrangeira (ILE) em formação inicial (CONSOLO, 2002, PAIVA, 2006) e (3) com a minha formação continuada e o meu letramento acadêmico na condição de professor-pesquisador e formador de professores de ILE, neste estudo, com base na Pesquisa Narrativa (CLANDININ; CONNELLY, 1990, 2004; MELLO, 2005, 2013; CLANDININ, 2013), relato os procedimentos adotados durante a vivência em um processo de didatização de gêneros discursivos orais difundidos pela prática de podcasting, atividade oriunda do advento das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs). Neste processo, dialogo com teóricos que advogam o ensino de ILE norteado por abordagem que preceitue uma visão de linguagem como prática social, compreendendo o ensino também como uma atividade construída na interação e mediada pela linguagem. Para isso, lanço mão das noções de contexto de cultura e de contexto de situação da Linguística Sistêmico-Funcional (HALLIDAY, 1978, HALLIDAY; HASAN, 1989), contemplando o conceito de gênero e de registro (EGGINS, 2004, MARTIN; ROSE, 2008). Como princípio e crença que defendo, os registros dos gêneros utilizados neste estudo possuem temáticas voltadas para o contexto da floresta Amazônica, oportunizando a construção de estratégias de ensino apropriadas ao contexto local (HOLLIDAY, [1994]2001; COYLE; HOOD; MARSH, 2010) para ensino da compreensão e da produção oral (NUNAN, 1999; RICHARDSON, 2008) pela elaboração de tarefas (NUNAN, 1999; FIELD, 2008). Durante a vivência, com base no paradigma reflexivo de formação de professores (SCHÖN, 1984, 1992; MAGALHÂES; 2004, 2011; CELANI, 2010, 2011), os participantes produziram narrativas sobre o processo. Analisei as narrativas conforme Ely, Vinz, Downing e Anzul (2001), que defendem a composição de sentidos na Pesquisa Narrativa. Ao reler e reescrever sobre as experiências vividas, elegi discutir sobre os seguintes temas revelados com maior ênfase pela escrita dos participantes: a pouca vivência em processos de didatização de gêneros orais; a relevância dos temas sobre o contexto para a formação do professor de ILE local; o trabalho colaborativo como estratégia para superar a deficiência de letramento digital, conhecimentos linguísticos e pedagógicos. Os sentidos que componho dessa vivência apontam para a mudança de paradigma que precisa ser estabelecida no ensino de ILE deste contexto e para o fazer pedagógico engajado com as questões histórico-sócio-culturais e o desenvolvimento das habilidades linguísticas de produção e de compreensão oral, sugerindo que as TICs devem ser implementadas progressivamente no contexto em questão durante a formação inicial do professor de ILE por meio de estratégias condizentes com as demandas de fluência e as deficiências ocasionadas pelo isolamento geográfico.

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  • MARIA KASSIMATI MILANEZ
  • Histórias de professores universitários sobre ensinar Inglês para Fins Específicos

  • Data: 04/02/2014
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  • A presente pesquisa qualiquantitativa tem como pressupostos teórico-metodológicos (1) a Pesquisa Narrativa (PN – CLANDININ; CONNELY, 2000; CLANDININ, 2011), (2) a Gramática Sistêmico-Funcional (GSF – HALLIDAY, 1994; THOMPSON, 2002; EGGINS, 2003; HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004) e (3) a abordagem de ensino de Inglês para Fins Específicos (IFE – HUTCHINSON; WATERS, 1987; JORDAN, 1997; DUDLEY-EVANS; ST JOHN, 1998), com o objetivo geral de fazer um levantamento dos sentidos construídos pelos professores participantes sobre o IFE, a formação específica que receberam para ministrá-lo e a sua experiência em ensiná-lo no nível superior. Os textos de campo e, por conseguinte, as análises, foram organizados em dois grupos distintos: o primeiro com dados gerados a partir de um questionário aplicado a nove professores de uma instituição pública no nordeste brasileiro, contendo perguntas abertas e fechadas a respeito de sua formação e de suas experiências em ministrar a disciplina de Inglês Instrumental e o segundo grupo, a partir do enfoque nas experiências de três professoras do primeiro grupo que continuavam ensinando IFE, com dados gerados por entrevistas com essas participantes e suas autobiografias, além dos dados gerados pela autobiografia da própria pesquisadora, também participante da pesquisa. Foi usada a ferramenta computacional WordSmith Tools 5.0 (SCOTT, 2010) para selecionar, organizar e quantificar os dados a serem analisados no primeiro grupo de textos, identificando-se os tipos de processos e os participantes, pelo Sistema de Transitividade (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004), sendo que os processos mais usados pelos professores no questionário foram os materiais, seguidos dos relacionais e em terceiro lugar os mentais, indicando que a maioria relatou mais suas ações com relação ao ensino de IFE, classificou ou definiu a abordagem, sua formação e suas experiências do que demonstrou seus pensamentos e emoções a respeito de ensinar IFE. A maioria dos nove professores afirma fazer análise de necessidades, mas nem todos a fazem de acordo com o que estabelecem os autores por eles citados ou outros autores considerados referência nessa área, tais como Hutchinson e Waters (1987), Robinson (1991) e Dudley-Evans e St John (1998). Do mesmo modo, suas definições e concepções sobre IFE, na maioria das vezes, diferem das desses autores. Todos os professores participantes alegam não ter tido formação específica para ensinar IFE na licenciatura. Ao analisar os relatos das quatro professoras do segundo grupo, com base na composição de sentidos segundo Ely, Vinz, Downing e Anzul (2001), percebeu-se que o tipo de conhecimento que estas referem usar para ministrar IFE está relacionado ao conhecimento prático pessoal e ao conhecimento profissional (ELBAZ, 1983; CLANDININ, 1988). Em seus relatos, foram identificadas também imagens e metáforas (LAKOFF; JOHNSON, 1980) que representam suas concepções a respeito de aprender, ensinar e ser professor. Esperamos, com os resultados desta pesquisa, contribuir tanto para a compreensão do que pode significar ensinar IFE para os professores do contexto pesquisado, como para a formação continuada de professores de IFE, assim como para uma revisão nos currículos de Letras e do papel do IFE na formação do professor de língua inglesa.

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  • MARIA APARECIDA DA COSTA
  • A PAZ TENSA DA CHAMA FUGAZ: A CONFIGURAÇÃO DO AMOR NO ROMANCE CONTEMPORÂNEO, LYGIA FAGUNDES TELLES E LÍDIA JORGE

     

  • Data: 24/02/2014
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  • A tese A paz tensa da chama fugaz: a configuração do amor no romance contemporâneo, Lygia Fagundes Telles e Lídia Jorge tem por objetivo estudar a configuração do amor em romances contemporâneos. Como corpus de estudo selecionaram-se os romances As horas nuas (1989), da escritora brasileira Lygia Fagundes Telles; e O vento assobiando nas gruas (2002), da escritora portuguesa Lídia Jorge. O estudo busca entender como as personagens destes textos lidam com as questões amorosas no contexto da narrativa contemporânea, bem como compreender a expressão do amor que se constitui enquanto sentimento contraditoriamente fluido e insistentemente buscado, questões caras ao discurso amoroso da contemporaneidade. De cunho crítico-comparativo, esta pesquisa priorizará as problemáticas relativas ao amor como sinônimo de Eros, ou seja, a relação amorosa entre amantes, analisados por um viés social e filosófico. Objetiva-se, pois, com isso, ampliar os estudos de duas obras literárias atuais, assim como estabelecer relações entre as personagens dos textos estudados com o universo que os cercam, focalizando o contexto humano e social em que as histórias são representadas. Finaliza-se por observar nos textos das escritoras analisadas a dicotomia amor e morte, a imagem do amor que se alimenta da ausência, e do desejo de completude do homem, defendendo a hipótese de que as escritoras Lygia Fagundes Telles e Lídia Jorge atualizam e materializam em seus textos a pluralidade do conceito de amor contemporâneo, que continua contraditório, fragmentado e problemático.

     

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  • EDIVANIA DUARTE RODRIGUES
  • OS DISCURSOS SOBRE A EDUCOMUNICAÇÃO NA RÁDIO ESCOLAR:

    UM ESTUDO ETNOGRÁFICO EM UMA ESCOLA PÚBLICA

  • Data: 27/02/2014
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  • A pesquisa faz uma análise da construção discursiva sobre a Educomunicação, a partir

    de um curso de formação de educomunicadores, com professores e alunos de uma

    escola da Rede Pública Estadual, situada geograficamente na cidade do Natal(RN),

    estudando a constituição dos sentidos que a prática educomunicativa na Rádio Escolar

    adquire para formadores e cursistas (docentes e discentes). O contexto sócio-histórico

    que envolve essa investigação corresponde à nova realidade social, mediada pelas

    tecnologias da informação e da comunicação que, por sua vez, impulsionam a instituição

    escolar a capacitar os alunos na utilização de diferentes linguagens que permeiam a

    sociedade. Mas, para tanto, é necessário ter professores também habilitados para

    trabalharem as tecnologias da comunicação de forma a atenderem os anseios dos jovens e

    adultos que fazem parte da comunidade educativa. Assim, a investigação problematiza

    o contexto de produção discursiva sobre a Educomunicação na Rádio Escolar a partir do

    processo de formação de educomunicadores na instituição escolar focalizada, tendo

    como objetivos identificar as condições de produção discursiva em torno da prática

    educomunicativa na Rádio Escolar, analisar a construção discursiva que formadores e

    cursistas fazem sobre a Educomunicação e suas marcas dialógicas, além de verificar

    como os cursistas relacionam a prática educomunicativa aos seus contextos educativos,

    atribuindo sentido aos lugares de professores e alunos. Assim sendo, a pesquisa recorre

    à Etnografia aplicada ao contexto escolar como opção metodológica, à Análise do

    Discurso, de vertente pecheutiana, bem como aos princípios da Educomunicação, às

    reflexões de Paulo Freire e às concepções de Dialogismo em Bakhtin, como aportes

    teóricos. Enveredamos por três áreas do conhecimento: Linguística, Comunicação e

    Educação, como forma de produzirmos uma leitura comprometida com os aspectos que

    envolvem o uso do rádio no ambiente escolar para a promoção de uma prática que seja

    educomunicativa. Com esta pesquisa, pudemos construir uma teia de sentidos sobre a escola

    que estamos formando ou que queremos formar no século XXI, pois recorremos aos

    discursos de formadores e cursistas imersos em novos saberes e práticas na perspectiva de

    impulsioná-los a se assumirem enquanto sujeitos de comunicação no ambiente

    educativo em busca de uma transformação qualitativa do ser e do fazer no espaço

    escolar.

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  • AYRES CHARLES DE OLIVEIRA NOGUEIRA
  • MANUAL DO PROFESSOR, MUITO PRAZER EM (RE)CONHECÊ-LO!

    Uma análise sociorretórica do gênero

  • Data: 14/03/2014
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  • Esta pesquisa de natureza documental e etnográfica se insere no campo da Linguística Aplicada, tendo por objeto de estudo o Manual do Professor, que acompanha o livro didático de Língua Portuguesa, e por objetivo geral (re)conhecer os aspectos sociorretóricos do gênero Manual do Professor. O interesse desta tese está concentrado no uso situado desse gênero, a partir do qual se observam seus aspectos sociorretóricos, a saber: o que está posto no produto, o ambiente de interação onde é encontrado e como é visto por seus usuários em potencial. Em um primeiro momento, produzimos um quadro epistemológico que nos permitiu, dentre outros reparos, (i) compreender gênero textual como ação retórica tipificada baseada numa situação retórica recorrente e (ii) obter um panorama dos programas de governo voltados para a avaliação de coletâneas didáticas, nos quais encontramos aspectos indispensáveis a um Manual do Professor. Os aportes teóricos adotados neste estudo referem-se à concepção sociorretórica dos estudos de gênero textual à luz, sobretudo, de Johns et al. (2006), Bazerman (2011) e Miller (2011). Em um segundo momento, sob o viés da abordagem sociorretórica, procuramos definir o Manual do Professor como gênero textual e apresentamos os aspectos retóricos encontrados nas amostras que analisamos, considerando a organização constitutiva, o contexto de uso desse gênero e as percepções de seus usuários – autores e professores. A geração de dados deu-se inicialmente a partir da seleção de três exemplares de Manuais de coletâneas didáticas adotadas no IFRN; em seguida, no sentido de reconhecer as percepções dos usuários desse gênero, realizamos grupo focal com professores e entrevistamos o coautor de uma das coletâneas. Para análise dos dados, elegemos o método etnográfico de análise de gêneros postulado por Reiff (apud JOHNS et al, 2006), que nos permitiu analisar o objeto de estudo em contextos autênticos de uso do gênero. Nossos resultados mostram que o Manual do Professor está inserido num sistema de gêneros e no sistema de atividades profissionais de domínio do professor e não se limita apenas a explicar como está organizado o livro didático do aluno. Outros sete propósitos foram observados, dentre os quais se encontram: possibilitar ao docente uma reflexão sobre a sua prática de ensino e sugerir caminhos para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem. Acreditamos que esta pesquisa poderá estimular professores, em relação à importância (e não obrigatoriedade) de consultas periódicas aos Manuais; autores, no que se refere a estabelecer uma interlocução mais pessoalizada com seus leitores em potencial e no sentido de esclarecer ainda mais as facetas do livro didático; e editoras, sobretudo no que tange a recursos de editoração, para que o Manual do Professor se torne mais atrativo. 

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  • JANAINA TOMAZ CAPISTRANO
  • O jogo das identidades como fator de mobilização político-eleitoral nas campanhas de Dilma Rousseff para Presidente da República e Rosalba Ciarline para Governadora do Rio Grande do Norte em 2010

  • Data: 23/05/2014
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  • Partimos da premissa de que se vive na sociedade do espetáculo, tal como proclamou Guy Debbord, e, nesse contexto, a mídia alimenta-se dessa espetacularização e constrói a cultura de imagens e produção de mercadorias, fornecendo modelos a partir dos quais o sujeito pode se identificar como sendo homem ou mulher, bem-sucedido ou fracassado, poderoso ou impotente. Em outras palavras, a cultura veiculada pela mídia produz material para a criação de identidades através das quais os indivíduos se inserem e se reconhecem na sociedade contemporânea. Ao observarmos as campanhas eleitorais, podemos perceber nitidamente que essa profusão de identidades é bastante explorada na propaganda publicitária dos candidatos, em especial na propaganda veiculada pela TV no Horário Eleitoral Gratuito. Instigados pela explícita relação entre mídia e política no âmbito da sociedade do espetáculo, este estudo tem por objetivo principal investigar as identidades que emergem nas práticas discursivas midiáticas das campanhas eleitorais de 2010 para presidente da República e governadora do estado do Rio Grande do Norte protagonizadas pelas então candidatas Dilma Rousseff (PT) para presidente e Rosalba Ciarline (DEM) para governadora. Para tanto, nos fundamentamos na teoria do Círculo de Bakhtin, que considera o enunciado como unidade da comunicação verbal e concebe a linguagem como fenômeno dialógico e prática discursiva e, ainda, nas concepções de relações dialógicas, vozes sociais e cronotopo formuladas pela referida teoria. Ainda do campo teórico, estabelecemos uma interconexão com as teorias advindas dos Estudos Culturais (Hall, Woodward) acerca da identidade, que a concebe como sendo múltipla, fragmentada, não-fixa, ou seja, o sujeito assume identidades diferentes, nem sempre coerentes, em diferentes momentos, conforme o contexto em que é interpelado. A pesquisa situa-se nos quadros da Linguística Aplicada (LA), a qual considera a linguagem como centro de seus estudos e se instala na fronteira de um número aberto de áreas de conhecimento, ampliando suas possibilidades de investigação por meio da indisciplinaridade. Nosso corpus constitui-se de 20 vídeos de propaganda eleitoral veiculados pela TV no Horário Eleitoral Gratuito da campanha de 2010; dentre estes, 14 vídeos são da propaganda da candidata Dilma Rousseff e 06 são da candidata Rosalba Ciarline. Buscamos para fins de análise identificar as identidades que emergem dos discursos sobre as candidatas nos vídeos de propaganda veiculados na referida campanha, bem como perceber as relações dialógicas que se estabelecem nesses discursos e ainda se a construção identitária desses sujeitos situa-se no mesmo eixo axiológico. A análise do corpus revelou que múltiplas identidades culturais das candidatas em campanha se constituem nos discursos que circulam na propaganda eleitoral veiculada pela TV durante a campanha e elas são cambiantes à medida que as demandas eleitorais, ou seja, a necessidade de se obter apoios e votos, esboçam um construto identitário a respeito do candidato ao cargo em questão. 

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  • JOSENILDO SOARES BEZERRA
  • EXPERIÊNCIAS SUBJETIVADORAS NO LIMITE DA PELE: UMA ANÁLISE DE PRÁTICAS DISCURSIVAS INSCRITAS EM TATUAGENS

  • Data: 06/06/2014
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  • Esta pesquisa tem como objeto o estudo da constituição de subjetividades em práticas discursivas inscritas em textos imagéticos e verbais de tatuagens. Busca-se apreender efeitos de sentidos que traduzem emoções, experiências e desafetos que marcaram e/ou transformaram a vida de sujeitos tatuados. Esta tese foi ancorada em teorizações foucaultianas (1990, 2010, 2012) que abordam modos de subjetivação a partir das tecnologias da escrita de si, transgressão como ultrapassagem dos limites, abrindo novas possibilidades para o sujeito discursivo produzir o cuidado de si. Ainda se utilizam noções advindas da análise de discurso francesa (AD), como interdiscurso e memória discursiva. A pesquisa de natureza qualitativa tenciona contribuir para a compreensão do discurso enquanto prática social, constituidor de sentidos de maneiras de ser do sujeito, bem como produção de discursividades acerca de normas sociais. O corpus se constitui de depoimentos e textos imagéticos e verbais de cinco sujeitos, entre os dez entrevistados, que tatuaram experiências vivenciadas na pele. Os resultados apontam dados que demonstram a constituição de si por meio de experiências vividas e impressas na pele. Os sentidos gerados na pele constituem tipos de subjetividades que refletem felicidade, superação, proteção e imortalidade. Conclui-se que os sujeitos se posicionam discursivamente de forma a reconstruírem seus corpos e experiências o quanto for necessário e que as imagens e os enunciados registrados nos corpos produzem efeitos de sentidos em torno da reflexão sobre os modos de vida e sobre as escolhas de existência de cada um/a dos/ tatuados/as.

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  • SILVANA MOURA DA COSTA
  • CARTÕES DE SAUDAÇÃO EM LÍNGUA INGLESA: UMA PRÁTICA DE LETRAMENTO EM ANÁLISE

  • Data: 06/06/2014
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  • Esta pesquisa tem como objeto de estudo os cartões de saudação, aqui entendidos como uma prática de letramento largamente utilizada na sociedade americana dos Estados Unidos. Esses cartões configuram-se, na cultura americana, como fontes de informação e de memória sobre os ciclos de vida das pessoas, suas experiências e seus laços de sociabilidade, ativadas por meio dos sentidos que a imagem e a palavra comportam. O principal propósito deste trabalho é descrever como essa prática de letramento se efetiva na cultura americana. Teoricamente, esta pesquisa se fundamenta nos estudos de letramento (BARTON; HAMILTON, 1998; BAYHAM, 1995; HAMILTON, 2000; STREET, 1984, 1985, 1993, 2003), nas contribuições da semiótica social, associadas à gramática sistêmico-funcional (HALLIDAY; HASAN, 1978, 1985; HALLIDAY, 1994; HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004), e na gramática do design visual (KRESS; LEITE-GARCIA; VAN LEEUWEN, 1997, 2000; KRESS; van LEEUWEN, 2006; HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004). Metodologicamente, trata-se de um estudo que se insere no paradigma qualitativo de caráter interpretativista, que adota instrumentos de natureza etnográfica na geração dos dados. Nessa perspectiva, lança mão das “técnicas do olhar e do perguntar” (ERICKSON, 1981 apud CANÇADO, 1994, p. 56), complementadas pela técnica do “registrar”, proposta por Paz (2008). O corpus compreende um contingente de 104 cartões impressos, fornecidos por usuários desse artefato, dos quais selecionamos 24, de 11 cartões eletrônicos, extraídos da internet, assim como de verbalizações obtidas mediante a aplicação de questionário elaborado com perguntas abertas, feitas no intuito de reunir informações acerca das percepções e ações dos usuários desses cartões. A análise dos dados revela aspectos culturais, econômicos e sociais dessa prática e a convicção de que a prática de letramento dos cartões de saudação impressos, a despeito dos virtuais, ainda é muito profícua na sociedade americana. O estudo permite também compreender que os usuários dos cartões se posicionam e constroem identidades que são manifestadas na interação verbo-visual, com vistas a alcançar o efeito pretendido. Em razão disso, entende-se que os cartões de saudação não são despretensiosos, mas carregados de ideologia e de relações de poder, dentre outros aspectos que lhes são constitutivos.

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  • TANIA MARIA AIRES DA COSTA
  • A ESCRITA DOS PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA: desvelando dizeres e saberes

  • Data: 12/08/2014
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  • Esta pesquisa documental, de natureza qualitativa e interpretativista, se insere no campo da Linguística Aplicada e tem por objeto de estudo a escrita de professores em um evento de letramento (concurso público) realizado para professores de Português pela Prefeitura Municipal de Natal – RN, em 2008. De modo geral, objetivamos, nesta pesquisa, investigar a produção textual desses professores, considerando seus saberes sobre a escrita, seus dizeres em relação a si mesmos e suas visões sobre as novas tecnologias e o trabalho docente. De maneira específica, elegemos como objetivos: a) identificar que saberes sobre a escrita emergem do texto escrito dos professores; b) analisar a produção textual escrita dos professores, considerando os saberes que eles revelam sobre si mesmos; c) mapear os dizeres dos professores sobre o trabalho docente e as novas tecnologias. A nossa discussão está ancorada, teoricamente, nos estudos bakhtinianos da linguagem (BAKHTIN [1934], 1990; [1952-1953], 2000; BAKHTIN; VOLOSHINOV [1929], 1999); nos estudos de letramento crítico, tal como formulados por STREET (1984; 1995; 2006; 2010; 2014); KLEIMAN (1995; 2005; 2006; 2008); (BARTON; HAMILTON, 1998; BARTON; IVANIC, 1991); nos estudos sobre formação de professores na perspectiva educacional crítica (GIROUX, 1986; 1987; 1997; 1999) FREIRE, 1999; 2001). O corpus desta pesquisa constitui-se de textos escritos por participantes do referido concurso na Prova de Redação, situação em que lhes foi solicitada a produção de um artigo de opinião. A pesquisa nos permitiu depreender que, em relação à escrita, a despeito do recorrente discurso negativo sobre o letramento dos professores, especialmente os de Língua Portuguesa, estes, na tessitura de seus textos, revelaram ter domínio tanto sobre a estrutura formal, particularmente, no que diz respeito ao esquema prototípico da sequência argumentativa, conforme propõe Adam (1992; 2008) e aos mecanismos de textualização postulados por Bronckart (2007), quanto sobre as estratégias enunciativo-discursivas atinentes ao gênero artigo de opinião. A relevância desta pesquisa justifica-se por buscar compreender a escrita do professor para além do sistema da língua, isto é, a escrita como discurso, assumindo-o como uma contrapalavra (BAKHTIN, [1934], 1990) àquelas vozes que insistem em subestimar o letramento dos professores e que fazem tanto mal à sociedade, na medida em que fomentam um sentimento de descrença na qualificação do trabalho do professor e de desconfiança em relação ao papel social desse profissional na preparação das futuras gerações.

     

     

     

     

     

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  • ALEXANDRO TEIXEIRA GOMES
  • A responsabilidade enunciativa na sentença judicial condenatória

  • Data: 15/08/2014
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  • A Análise Textual dos Discursos tem sua origem no âmbito da Linguística Textual e se propõe a estudar a produção co(n)textual de sentido fundamentada na análise de textos concretos, oferecendo elementos para o entendimento do texto como uma prática discursiva analisado à luz de determinados planos ou níveis de análise linguística. Nesse sentido, é nosso propósito, nesta investigação, estudar o fenômeno da responsabilidade enunciativa na sentença judicial condenatória. Para tanto, seguimos os aportes teóricos da Análise Textual dos Discursos (ADAM, 2011) e da Linguística Enunciativa, a partir de vários autores, entre eles, Rabatel (2003, 2004, 2005, 2008, 2009, 2010), Nølke (2001, 2005, 2009, 2013), Nølke, Fløttum e Norén (2004), Guentchéva (1994, 1996, 2011) e Guentchéva et al. (1994). Nessa direção, investigamos a responsabilidade enunciativa, através de uma escala que compreende o fenômeno a partir de quatro gradações, cada uma com um tipo de ponto de vista (PdV) e com elos que podem marcar a assunção ou o distanciamento do ponto de vista. No que concerne à abordagem jurídica da tese, nossa ancoragem teórica segue vários autores, entre eles, Petri (1994), Soto (2001), Álvarez (2002), Alves (2003), Cornu (2005), Albi (2007), Bittar (2010), Asensio e Polanco (2011), López Samaniego (2006), Montolío e López Samaniego (2008), Montolío (2002, 2010, 2011, 2012, 2013), Colares (2010), Prieto (2013), Lourenço e Rodrigues (2013) e Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2014). Nosso corpus se constitui de 13 sentenças condenatórias provenientes de processos criminais oriundos da comarca de Currais Novos-RN, concluídos no ano de 2012. Os resultados revelam como o juiz, a partir de várias instâncias enunciativas, constrói a sentença judicial, o que nos permitiu compreender a configuração da (não) assunção da responsabilidade enunciativa no gênero discursivo / textual sentença judicial condenatória. Como conclusões, percebemos que as unidades discursivas são perspectivadas ora, a partir da assunção, ora, a partir da não assunção dos PdV pelas instâncias enunciativas, o que orienta a organização argumentativa do produtor do texto e seus propósitos comunicativos. Com isso, o juiz cria e/ou modifica valores e crenças, induz e/ou orienta seu interlocutor podendo demonstrar objetividade e/ou preservar sua face através de construções mediatizadas ou podendo engajar-se pelo dito através da assunção da responsabilidade enunciativa do conteúdo proposicional do enunciado.  Pelo exposto, reafirmamos nosso entendimento de que a (não) assunção da responsabilidade enunciativa se configura como mecanismo argumentativo fortemente marcado pelo produtor do texto com vistas a seus propósitos comunicativos. A sentença, portanto, constrói-se nesse jogo de assunção e/ou não assunção dos enunciados de acordo com a orientação argumentativa e com os objetivos do produtor do texto.

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  • RICARDO YAMASHITA SANTOS
  • A conceptuação da RAIVA na perspectiva da teoria cognitiva da Metáfora: uma análise da construção de sentido

  • Data: 12/09/2014
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  • O objetivo desta pesquisa é descrever e analisar, em corpus literário, o modo como conceptualizamos as emoções, em especial, a raiva. Utilizando os pressupostos da chamada Teoria Cognitiva da Metáfora, apresentaremos um panorama geral acerca da cognição da metáfora sob a base da Linguística Cognitiva e, de uma maneira mais aprofundada, analisaremos a conceptualização metafórica da raiva. A proposta de mente corporificada, predominante nas ciências cognitivas atuais, é basilar para estudos envolvendo a simulação mental. Pesquisas recentes demonstram que a metáfora é resultado de processamentos cognitivos que envolvem nossa percepção sensório-motora aliada a experiências socioculturais. A capacidade de construirmos, via frequência, padrões para nossas experiências é determinante para a nossa linguagem, inclusive para as construções metafóricas. Tais construções são resultantes de processamentos cognitivos que envolvem a articulação entre esquemas imagéticos e frames. Os esquemas imagéticos advêm de nossa experiência sensório-motora, que relaciona os limites de nosso corpo aos limites de nosso entorno, e os frames, por sua vez, advêm de nossa capacidade de armazenarmos eventos socioculturais. A construção metafórica é fruto dessa relação constante entre corpo, mente e cultura, situando-nos em experiências corpóreas e culturais. Ao analisarmos cinco obras literárias nacionais, criamos um quadro analítico sobre como a raiva é compreendida, especificamente, na língua portuguesa. Os resultados são importantes para entendermos, através da linguagem, o quanto a cultura faz parte de nossa cognição, conjuntamente com os aspectos sensório-motores.

     

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  • LEILA MARIA DE ARAUJO TABOSA
  • BARROCO, EMBLEMÁTICA E MATEMÁTICA: SOR JUANA INÉS DE LA CRUZ E NEPTUNO ALEGÓRICO

  • Data: 03/11/2014
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  • A realidade científica do século XVII, na Nueva España, é uma seta que aponta para o vislumbre da obra de arte barroca produzida no México dos seiscentos. Nessa cena cultural, circulam livros não religiosos, ideias, teses, tratados e estudos de homens de ciência como Nicolau Copérnico (1473-1543), Johannes Kepler (1574-1630), Atanasius Kircher (1601-1680), Juan Caramuel (1606-1682) e Sebastián Izquierdo (1601-1681). O barroco seiscentista, na América, assimila essa realidade científica e reverbera suas variadas formas de expressão artística por meio de monumentos luxuosos em forma de poesia experimental. A poética de Sor Juana Inés de la Cruz (1648-1695) é realizada dentro desse contexto festivo de descobertas, expansões e experimentações científicas. Neptuno Alegórico – o arco laudatório arquitetônico, a prosa, a descrição emblemática, a poética, o espelho de príncipe – é afinado com esse discurso científico-cultural novohispano que ultrapassa fronteiras utilitárias, geográficas e temporais. Para uma leitura da obra Neptuno Alegórico, esta pesquisa funda-se em três linhas teóricas de investigação que observam a obra em suas variadas formas de escrita e de estética. A primeira linha investigativa aborda o barroco e suas teorias desde as mais antigas, como a de Heinrich Wölfflin (1888), às mais contemporâneas, como as de José Antonio Maravall (1997), Severo Sarduy (1989), Eugênio d’Ors (1990), Gilles Deleuze (1991), Lezama Lima (1988), Walter Benjamin (1984) e Fernando Rodríguez de la Flor (2002), para aproximá-las do fazer poético barroco experimental-científico da monja erudita na América do Século de Ouro. A segunda linha teórica de estudo visa a perceber a emblemática em Neptuno Alegórico a partir das ideias teóricas de Andrea Alciato (1531) e de sua revisitação teórica na contemporaneidade por meio dos estudos de Mário Praz (1963) e Fernando Rodríguez de la Flor (1995), buscando, com essa proposta analítica, uma leitura emblemática das descrições artísticas para telas-quadros-lienzos elaborados por Sor Juana Inés de la Cruz. Por fim, um terceiro caminho de investigação aponta para a busca do entendimento da obra Neptuno Alegórico em aproximação com a análise combinatória matemática de Sebastián Izquierdo (1659), relacionando-a com outros estudos contemporâneos dedicados a aproximar arte e ciência.

     


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  • ANA SHIRLEY DE VASCONCELOS OLIVEIRA EVANGELISTA
  • DO DISCURSO DA RESISTÊNCIA À RESISTÊNCIA DO DISCURSO: as construções identitárias de Mossoró nos enunciados da literatura de cordel

  • Data: 12/11/2014
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  • Este estudo tem por objetivo investigar as construções identitárias de Mossoró, nos enunciados da literatura de cordel. Tendo como fio condutor o episódio da resistência citadina ao bando de Lampião no dia treze de junho de mil novecentos e vinte e sete, a nossa empiria constituiu-se dos enunciados presentes em nove cordéis, produzidos entre o espaço-tempo de 1927 e 2007, ano em que a cidade comemorou oitenta anos do episódio. Ciente de que o tema extrapolou os limites dos meios comunicacionais da época e passou a integrar o cotidiano dos mossoroenses, produzindo na memória coletiva a imagem de uma cidade da resistência em nomes de ruas, nomes de empresas, nas rádios com a “FM resistência”, nos discursos políticos, na sede da prefeitura cujo nome é “Palácio da Resistência”, a questão central que orienta nossa investigação congrega a discussão em torno das relações dialógicas travadas nos enunciados sobre o tema em tela. Em assim sendo, estabelecemos como objetivos, primeiro, investigar as vozes sociais que ecoam no discurso cordelístico sobre o acontecimento de vinte e sete na cidade de Mossoró; em segundo lugar, procuramos identificar os posicionamentos assumidos sobre o episódio e, finalmente, nos preocupamos em discutir, a partir das posições presentes nos enunciados analisados como é ressignificada a identidade da cidade. Nesse viés, a pesquisa elegeu como categorias de análise o conceito de vozes sociais e cronotopia, considerando que as diferentes identidades são produzidas em função dos posicionamentos tomados pelos sujeitos, bem como, pelos contextos de produção. Inscrita na área da Linguística Aplicada (LA), a pesquisa articula as teorizações provindas da área dos Estudos Culturais (sobretudo no que se refere à identidade) com os referenciais teóricos do Círculo bakhtiniano (no tocante a concepção sócio-histórica da linguagem e em seu caráter dialógico). Os resultados indicam que, apesar de haver uma movência axiológica em torno das representações de Mossoró e do episódio de vinte e sete, os enunciados dos cordéis convergem para o discurso hegemônico, corroborando com o perfil identitário da resistência veiculado ao longo de oito décadas.

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  • ADA LIMA FERREIRA DE SOUSA
  • A figuratividade nas histórias em quadrinhos: uma análise das construções metafóricas e metonímicas em V de vingança

  • Data: 13/11/2014
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  • Este trabalho tem como objeto de estudo a construção de metáforas e de metonímias nas histórias em quadrinhos e está inserido no campo da Linguística Cognitiva Corporificada. Tomo por base, especificamente, a Teoria Neural da Linguagem (FELDMAN, 2006) e, em consonância com esse arcabouço teórico-metodológico, utilizo as noções de categorização (LAKOFF; JOHNSON, 1999), corporalidade (GIBBS, 2005), figuratividade (GIBBS, 1994; BERGEN, 2005) e simulação mental (BARSALOU, 1999; FELDMAN, Ibid.). A hipótese defendida é a de que a construção da figuratividade em textos constituídos por mecanismos verbais e não verbais está atrelada à ativação de estruturas neurais relacionadas a nossas ações e percepções. Desse modo, a linguagem é considerada uma faculdade cognitiva ligada ao aparato cerebral e às experiências corpóreas, de maneira que ela fornece amostras do processo contínuo de (re)construção de sentidos efetivado pelo leitor, o qual (re)define suas visões acerca do mundo à medida que certas redes neurais são (ou deixam de ser) ativadas durante o processamento linguístico. Dados obtidos na análise apontam que, no tocante às histórias em quadrinhos, a leitura dos recursos gráficos integrada à da linguagem verbal parece ter um papel importante na construção de metáforas e de metonímias, havendo casos, inclusive, de metáforas metonimicamente motivadas. Essas conclusões advém da análise de dados retirados da obra V de vingança (MOORE; LLOYD, 2006). O estudo do corpus é pautado na metodologia da introspecção, isto é, a análise individual dos aspectos linguísticos conforme se manifestam na própria cognição do sujeito (TALMY, 2005).

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  • MARIA DO PERPETUO SOCORRO GUTERRES DE SOUZA
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    Guimarães Rosa: Travessia

  • Data: 18/11/2014
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  • Este trabalho desenvolve uma leitura por cinco contos de Guimarães Rosa: “A hora e vez de Augusto Matraga”, “Campo Geral”, “A Benfazeja”, “Esses Lopes” e “Meu tio o Iauaretê”, inclusos respectivamente em Sagarana, Corpo de Baile, Primeiras Estórias, Tutaméia e Estas Estórias. Assim, empreende-se um breve percurso no intuito de observar na gênese criativa do autor uma temática maniqueísta, em cuja concepção do mundo, com intensividade poética, opõe-se o bem e o mal. Para tanto, a pesquisa respalda-se na Simbologia Mítica, na Crítica Literária e em Aspectos da Metafisica, além da análise de clássicos ensaios literários, na abordagem da estrutura dessas histórias. Busca-se demonstrar que no sertão rosiano, o contraditório contribui para especulação sobre o homem humano, na aprendizagem contínua de sua travessia.

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  • BENEDITA VIEIRA DE ANDRADE
  • Representações discursivas de Câmara Cascudo por Mário de Andrade

  • Data: 28/11/2014
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  • Este trabalho objetiva abordar a questão da construção e reconstrução de representações discursivas de Câmara Cascudo no discurso de Mário de Andrade. Para descrever, analisar e interpretar essas representações recorre-se a algumas categorias semânticas provenientes da ATD, articulando-as com outras categorias, notadamente, da Lógica de Grize (1996, 1997), da Linguística Textual e da Semântica. Propõe-se, pois, analisar como essas representações são construídas discursivamente, em cartas escritas, por meio de categorias semânticas como referenciação, predicação, modificação, conexão, localização espacial e temporal. Na fundamentação teórica, articulam-se propostas da Análise Textual dos Discursos (ATD), concebida pelo linguista Jean-Michel Adam (1990, 2008a, 2011a), da Linguística textual (LT), da Semântica e da Lógica, enfocando, sobretudo, o fenômeno das representações discursivas. A abordagem da pesquisa é qualitativa, com apoio em alguns dados quantitativos (OLIVEIRA, 2012), opção que torna a análise mais rica e completa. Como hipótese, apresenta-se o fato de que essas categorias empregadas por Mário de Andrade em seu discurso não só possibilitam a (re)construção das imagens de interlocutor, construídas discursivamente, mas também proporcionam uma multiplicidade de informações e de pontos de vista sobre a personalidade do escritor potiguar. O corpus do trabalho se constitui de 20 textos escritos por Mário de Andrade e enviados a Câmara Cascudo entre os anos de 1924 a 1944, dos quais foram selecionados e analisados 35 fragmentos. Verifica-se, portanto, que é construído, no corpus analisado, um conjunto de representações discursivas para Câmara Cascudo, a partir das categorias semânticas propostas para análise e empregadas no discurso de Mário de Andrade. Essas categorias permitem construir e reconstruir as representações que emergem nos textos. Dessa forma, a análise aponta para a construção de um conjunto de diferentes representações, destacando-se a representação do escritor, do intelectual e do amigo.

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  • ANAHY SAMARA ZAMBLANO DE OLIVEIRA
  • ANÁLISE TEXTUAL DAS REPRESENTAÇÕES DISCURSIVAS NO DISCURSO POLÍTICO BRASILEIRO

    O DISCURSO DA PRIMEIRA POSSE DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF (1/1/2011)


  • Data: 08/12/2014
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  • A pesquisa descreve a representação discursiva que a presidenta Dilma Rousseff faz de si mesma, no seu discurso de posse de 1/1/2011. Situamos nosso trabalho no campo da linguística de texto e, nesse campo, na Análise Textual dos Discursos - ATD (ADAM, 2011), que pode ser caracterizada como “uma teoria da produção co(n)textual de sentido que deve fundar-se na análise de textos concretos”. Ela nos fornece a noção, teórica e analítica, de representação discursiva, central para o estudo da dimensão semântica do texto. Baseamo-nos, ainda, em trabalhos recentes sobre as representações discursivas, realizados no âmbito da ATD (RODRIGUES, PASSEGGI, SILVA NETO, 2010, 2012; RAMOS, 2011; OLIVEIRA, 2013; QUEIROZ, 2013; ZAMBLANO, PASSEGGI, 2013). Para as categorias semânticas de construção da representação discursiva retomamos a noção de operação, presente em Adam, 2011, entendendo-as como operações semânticas de construção do enunciado, ou seja operações semânticas de textualização, destacando seu caráter processual e textual. Focalizamos as operações de Referenciação e Predicação, e seus correspondentes Modificadores, assim como a Localização espacial e temporal.

    O enfoque metodológico é de cunho qualitativo, com algumas indicações quantitativas da frequência das ocorrências, de maneira a depreender padrões. De fato, nossa metodologia é a mesma que vem sendo consistentemente utilizada nos trabalhos recentes sobre as representações discursivas realizadas no âmbito da ATD, enfatizando levantamentos -- se possível, exaustivos -- e descrições detalhadas das formas linguísticas, nas suas dimensões semântica e textual.   

    Os resultados indicam que a representação discursiva de Dilma Rousseff é configurada por meio de diferentes domínios, explicitados pelas referenciações e suas modificações, com destaque para as designações de mulher e presidenta, remetendo, respectivamente, aos domínios de gênero e de papel político-institucional. Nesse processo, ela se representa, explícita e enfaticamente, como agente responsável pelas ações expressas pelas predicações verbais (verbos de ação), consciente da importância do seu papel político e social como governante do Brasil. As predicações nominais e verbo-nominais explicitam -- ou permitem inferir com bastante clareza -- uma representação discursiva da presidente que abrange diversos domínios: político, moral, ético, comportamental, emocional (forte, receptiva, desbravadora, consolidadora, incansável, humilde, comprometida, democrata, vitoriosa e corajosa). Assim, a representação qua a presidente constrói de si mesma agrega diferentes termos que indicam domínios de uma mesma representação. As expressões se organizam em, pelo menos, dois domínios principais: (a) um domínio político: democrata, consolidadora; (b) um domínio moral, de caráter ou temperamento pessoal: forte, receptiva, comprometida, incansável, corajosa, vitoriosa.

    Os localizadores temporais (hoje, a partir deste momento) marcam o tempo presente (tempo com maior número de ocorrências), explicitando o momento em que Dilma Rousseff se torna, de fato a presidenta do Brasil, momento a partir do qual as mudanças serão consolidadas, com referências, ainda, ao passado e, sobretudo, ao futuro.

    Quanto aos localizadores espaciais, três se destacam em ordem decrescente de ocorrências: País, Brasil e Nação.

    O discurso de posse explicita, assim, designações positivas da presidente, num tempo presente e prospectivo – com perspectivas de futuro – como líder do Brasil, com ativa participação na ação de transformar o país. 

    Além da descrição empírica desse discurso específico, que contribui para o estudo da análise textual das representações discursivas presentes no discurso político brasileiro contemporâneo, o trabalho levanta algumas questões teóricas e, sobretudo descritivas e metodológicas, assinalando a necessidade de maior especificação e detalhamento das operações consideradas: Referenciação, Predicação, Modalização e Localização. A própria noção de representação discursiva pode ser aprofundada e enriquecida, para dar conta dos sentidos presentes / construídos nos textos. Assim, a noção de domínios de uma representação -- que utilizamos em nosso trabalho - indica as diferentes dimensões segundo as quais se agrupam os elementos dessa representação, sendo um critério de interpretação dessa representação.

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  • ROMUALDO DOS SANTOS CORREIA
  • Desejo, estilo de vida e transgressão da identidade em Dancer from the dance de Andrew Holleran e Pela noite de Caio F.

  • Data: 17/12/2014
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  • A partir da investigação e percepção do trabalho literário, esta tese discute aspectos relacionados aos estudos sobre o homoerotismo e estilos de vida nas obras Dancer from the dance (2001) de Andrew Holleran e Pela noite (2010) do autor brasileiro Caio Fernando Abreu. Considerando que as questões sobre beleza, desejo e estilo de vida configuram recortes importantes para as narrativas, propomos uma discussão através da análise das obras que marcam desde os primeiros momentos de liberação sexual nas festas de Nova Iorque com as peculiaridades de estilos próprios que caracterizaram as personagens de Andrew Holleran rostificadas por um ethos que compôs durante aquele momento a abertura para a liberdade sexual de sexualidades desviantes. Em Pela noite, reiteramos uma continuação do momento de abertura no Brasil para as personagens gays de Caio, levando em consideração que o início da década de 1980 constitui para aquelas personagens as primeiras “sombras" da aids e o conhecimento de si, no qual suas personagens convivem com o medo, anonimato e reminiscências da homofobia como pano de fundo para as discussões pontuais que são desencadeadas pelo autor. Para compor um recorte teórico que subsidie este trabalho, elencamos os trabalhos de Michel Foucault (2007, 2010a, 2010b), Eve Kosofsky Sedgwick (2008), Didier Eribon (2008), David Cartier (2004), David Eisenbach (2006) e outras contribuições que foram, sem dúvida, imprescindíveis a este empreendimento.

2013
Dissertações
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  • JANIMA BERNARDES
  • PROPOSTAS DE ESCRITA DOS LIVROS DIDÁTICOS DE PORTUGUÊS: MECANISMOS DE CONTROLE

     

  • Data: 25/01/2013
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    Esta dissertação tem como objeto de investigação as propostas de escrita dos Livros Didáticos de Português (LDP) do Ensino Fundamental (EF), do (6 ̊ ao 9 ̊ ano), da década de 1970 até o ano de 2009. Tem o intuito de verificar pelo discurso relatado no Livro Didático de Português o controle direcionado à prática do professor e ao fazer do aluno em situações de ensino. Teoricamente, buscamos contribuições que advém da Análise do Discurso de filiação francesa, para que possamos analisar as construções ideológicas presentes no discurso dos LDP, mais especificamente, o controle direcionado ao professor e ao aluno, usuários do livro, nas atividades de escrita. Compartilhamos da proposta de Althusser (1918-1985), autor que considera a escola como parte dos Aparelhos Ideológicos do Estado (AIE) que busca assegurar, por meio do ensino, uma submissão à ideologia dominante ou ao domínio de sua prática. Tendo em vista que o livro didático (LD) se insere em um contexto mais amplo que transcende o sistema educacional - o mercado ao qual serve e seus usuários, professores e alunos – confirma-se que uma análise crítica do Livro Didático não pode ser feita de forma isolada. Para entender o LD e seu funcionamento, é necessário um mapeamento sobre o seu contexto. O foco de nossa análise são as propostas de escrita apresentadas nos referidos LDP publicados nas respectivas décadas, tendo como referência as modificações nas políticas educacionais do Brasil feitas a partir da década de 1970, devido à presença cada vez mais constante do Livro Didático na organização dos saberes e das práticas de sala de aula. Por meio das análises, foi possível demonstrar que, na Escola Básica, no geral, a prática de escrita concentra-se, prioritariamente, em atividades de cópia, reprodução, reescritura e, em estágios mais avançados, em atividades que partem de modelos preestabelecidos, solicitando aos alunos que produzam textos com temas similares, seguindo a estrutura sugerida. Trata-se de supostos ideais a serem seguidos e imitados pelos alunos, privando-os de assumir sua autoria. Dessa forma, acreditamos que, para inserir o aluno no mundo da escrita, é preciso ir além de modelos canônicos de texto, prática que distancia os alunos da possibilidade de serem “autores”. Em contrapartida a essa tendência, nos deparamos, na contemporaneidade, com propostas que priorizam a autoria, a criação de um estilo. Desse modo, partimos da premissa de que escrever implica em um trabalho específico que se realiza com a linguagem (RIOLFI, 2003). Assim sendo, o trabalho de escrita vai além da mera tarefa escolar, como a solicitada pela grande maioria dos LDP, por meio de modelos canônicos de textos, mas pode permitir um trabalho específico com a linguagem que se realiza por aqueles que se dispõem a criar e sustentar uma discursividade, por meio da qual possa se instalar um estilo de escrever.

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  • MARIA DA GUIA SILVA
  • O LEITOR UNIVERSITÁRIO E A CONSTRUÇÃO DAS PRÁTICAS DE LER E ESCREVER TEXTOS IMPRESSOS E DIGITAIS

  • Data: 29/01/2013
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  • A construção de um mapeamento das práticas de ler e escrever textos impressos e digitais, declaradas por graduandos do Bacharelado em Ciências e Tecnologia (BCT), propiciou-nos a análise do percurso que eles estão fazendo em um momento sócio-histórico caracterizado pela revolução do pós-papel. Nesse sentido, o objetivo geral desta pesquisa é compreender como se dá essa construção sob o ponto de vista desses graduandos. Para tanto, norteou nossa reflexão a busca por respostas a algumas questões que se nos apresentaram: quais as concepções de leitura e escrita dos graduandos do BCT; quais as práticas de leitura e escrita que esses colaboradores desenvolvem; quais os acervos a que eles declaram ter acesso; que diferenças eles declaram existir entre a leitura e a escrita impressa e a digital no exercício dos diferentes papéis sociais que desenvolvem; quais as relações identitárias de leitor/escrevente desses colaboradores. Para chegarmos a respostas plausíveis, reunimos um corpus constituído de textos de três gêneros da ordem do argumentar: perfis acadêmicos (ou autorretratos), artigos  de opinião e cartas argumentativas. Além disso, realizamos entrevista semiestruturada e questionário na ferramenta online do Google Docs. A metodologia que sustenta este trabalho acadêmico é a de pesquisa qualitativa (SIGNORINI; CAVALCANTI, 1998) de vertente etnográfica (THOMAS, 1993; ANDRÉ, 1995) em Linguística Aplicada (CELANI, 2000; MOITA-LOPES, 2006) e o aporte teórico vem da concepção de língua(gem) de perspectiva bakhtiniana (BAKHTIN [1929] 1981); da construção sócio-histórica da escrita (LÉVY, 1996; CHARTIER, R., 1998, 2002, 2007; COSCARELLI, 2006; CHARTIER, A., 2007; ARAÚJO, 2007; COSCARELLI; RIBEIRO, 2007; XAVIER, 2009; MARCUSCHI; XAVIER, 2010); dos estudos da pedagogia da escrita (GIROUX, 1997); dos estudos do letramento entendido como prática sociocultural, plural e situada (TFOUNI, 1988; KLEIMAN, 1995; TINOCO, 2003, 2008; OLIVEIRA; KLEIMAN, 2008), dos estudos sobre identidade na pós-modernidade (HALL, 2003; BAUMAN, 2005). Os resultados da análise empreendida apontam-nos para uma multiplicidade de práticas de leitura/escrita de textos impressos e digitais devido à coexistência da modalidade impressa e da que decorre dos novos dispositivos móveis. Nessa multiplicidade, a ideia que prevalece é a de um continuum entre textos impressos e textos digitais (não uma dicotomia), uma vez que a opção por ler/escrever textos impressos ou textos digitais está sempre atrelada a situações de comunicação específicas, que envolvem participantes, objetivos, estratégias, valores, (des)vantagens, além da (re)criação de gêneros discursivos em função dos dispositivos móveis a que esses colaboradores têm acesso nas diferentes esferas de atividade de que participam. Tudo isso tem ocasionado uma profunda intersecção nos traços de identidade de leitores/escreventes universitários do século XXI que não pode ser ignorada pela formação acadêmica.

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  • TAYNA CAVALCANTI DE PAIVA MONTE
  • Práticas de Leitura e Escrita na Formação em Ciências e Tecnologia

  • Data: 30/01/2013
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  • O debate em torno da necessidade de aprimoramento das práticas de leitura e escrita de profissionais das mais diferentes áreas do conhecimento vem ocasionando, em instituições brasileiras e estrangeiras de ensino superior, um movimento de inserção de componentes curriculares cujo foco é a leitura e a escrita na formação acadêmica. Para contribuir com a reflexão em torno desse debate esta dissertação tem como objeto de estudo a formação linguística situada. O nosso objetivo geral é analisar uma proposta de formação linguística voltada para graduandos do Bacharelado em Ciências e Tecnologia (BCT) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Para construir essa análise, estabelecemos quatro objetivos específicos: a) verificar se as dez Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras que oferecem o BCT contam com componentes curriculares de leitura e escrita voltados para essa formação; b) descrever como se apresentam os componentes curriculares de leitura e escrita desses bacharelados; c) examinar diferenças e semelhanças que, no geral, existem entre os componentes curriculares voltados para a leitura e a escrita em cada uma das instituições pesquisadas; d) explicitar que categorias delineiam a formação linguística desenvolvida no BCT da UFRN. A fim de alcançarmos os nossos objetivos, fundamentamo-nos na concepção dialógica da linguagem (BAKHTIN [1952-1953] 2010), nos estudos de letramento (KLEIMAN [1995] 2008; TINOCO, 2008) e na pedagogia crítica (FREIRE, 1980; 2007). Metodologicamente, esta pesquisa qualitativa de vertente etnográfica crítica (THOMAS, 1993) ancora-se na Linguística Aplicada (PEREIRA; ROCA, 2009; PASCHOAL; CELANI (Orgs.), 1992). Colaboram nesta pesquisa professores, bolsistas e monitores da área de Práticas de Leitura e Escrita (PLE) e também graduandos do BCT da UFRN que já cursaram PLE-I e/ou PLE-II. Os instrumentos utilizados para a coleta/geração de dados foram: programas dos componentes curriculares voltados para a leitura e a escrita nos BCT nas IES pesquisadas, questionários, entrevistas semi-estruturadas e perfis. Os dados gerados nos permitiram estabelecer as seguintes categorias de análise: situacionalidade (situação real, contemporaneidade temática e focalização temática) e projetos de letramento (comunidade de aprendizagem). Os resultados alcançados salientam que a maioria das IES que oferece o BCT já se preocupa em aprimorar as competências de leitura e escrita de seus graduandos; entretanto, ainda há muito a ser feito (ampliação de carga horária, revisão de conteúdos e de aspectos metodológicos, refinamento de referencial teórico) para que os componentes curriculares venham a se configurar como uma formação linguística situada e significativa. Por fim, tecemos algumas sugestões para o aprimoramento do trabalho que já vem se desenvolvendo no BCT da UFRN, fortalecendo assim o ensino de língua materna em cursos da área de ciências exatas e tecnológicas.

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  • LOUIZE LIDIANE LIMA DE MOURA CÂMARA
  • Práticas de letramento digital de professores em formação: demandas, saberes e impactos

  • Data: 31/01/2013
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  • 1.      Nas últimas décadas, as políticas públicas de inclusão digital têm investido significativamente na aquisição de hardwares e softwares com o intuito de oferecer tecnologia às instituições públicas de ensino brasileiras, especificamente, computadores e internet banda larga. A formação dos professores para lidar com esses artefatos, todavia, é posta em segundo plano, apesar de se mostrar uma exigência da sociedade da informação. Tendo isso em vista, esta dissertação elege como objeto de estudo as práticas de letramento digital efetivadas por 38 (trinta e oito) professores em formação inicial e continuada, por meio do curso de extensão Letramentos e tecnologias: ensino de língua portuguesa e demandas da cibercultura. Nessa direção, objetivamos investigar as práticas de letramento digital dos professores em formação, em três momentos específicos: antes, durante a após a realização desta ação de extensão, com o propósito de (i) delinear as práticas de letramento digital efetivadas pelos colaboradores antes da ação formativa; (ii) narrar os eventos de letramento viabilizados pelo curso de extensão; e (iii) investigar as contribuições do curso de formação para a prática docente dos colaboradores. Teoricamente, buscamos contribuições nos estudos do letramento (BAYNHAM, 1995; KLEIMAN, 1995; HAMILTON; BARTON; IVANIC, 2000), especificamente, no que diz respeito ao conceito de letramento digital (COPE, KALANTZIS, 2000; BUZATO, 2001, 2007, 2009; SNYDER, 2002, 2008; LANKSHEAR E KNOBEL, 2002, 2008) e à formação de professores (PERRENOUD, 2000; SILVA, 2001). Metodologicamente, este estudo etnográfico-virtual (KOZINETS, 1997; HINE, 2000), se insere no campo da Linguística Aplicada e adota a abordagem quali-quantitativa da pesquisa (NUNAN, 1992; DÖRNYEI, 2006). A análise dos dados permitiu evidenciar que (i) antes do curso, as práticas de letramento digital dos professores concentravam-se nas dimensões pessoal e acadêmica de suas realidades, em detrimento da dimensão profissional; (ii) durante a ação de extensão, os professores participaram, de modo colaborativo, das sessões de estudo semipresenciais com foco no uso pedagógico das TIC, efetivando práticas de letramento digital até então desconhecidas; (iii) após o curso, a postura dos professores colaboradores diante da utilização das TIC no seu cotidiano profissional sofreu modificações, uma vez que esses docentes passaram a utilizá-las efetivamente, dando visibilidade social ao que é produzido na escola. Observamos, ainda, que os professores em formação inicial atuaram como pares mais experientes no processo de aprendizagem colaborativa, oferecendo apoio – scaffolding (VYGOTSKY, 1978; BRUNER, 1985) – aos professores em formação continuada. Isso ocorreu em razão de os graduandos efetivarem práticas de letramento digital mais sofisticadas, por integrarem a chamada geração Y (PRENSKY, 2001).

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  • WILKA CATARINA DA SILVA SOARES
  • A aprendizagem de inglês como língua adicional mediada por jogos eletrônicos do tipo MMORPG

  • Data: 01/02/2013
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  •    Os Massively Multiplayer Online Role-Playing Games (MMORPGs) são jogos de interpretação de personagem que, através da Internet, podem integrar milhares de jogadores interagindo ao mesmo tempo em pelo menos um mundo virtual. Desta forma, esses jogos podem proporcionar, além de diversão, um maior convívio com a língua adicional e a oportunidade de aprimorar a proficiência linguística dentro de um contexto real. Por isso, o que se propõe neste estudo é um maior conhecimento sobre a aprendizagem de língua adicional mediada por MMORPGs para que os professores saibam como, se relevante, apresentar, utilizar ou incentivar essa prática junto a seus alunos. Com base neste objetivo principal, procuramos responder às seguintes perguntas de perquisa: (a) o que distingue o perfil de aprendizagem de língua inglesa dos gamers e non-gamers; (b) se os MMORPGs podem, por meio de uma prática híbrida e sistemática, auxiliar no desenvolvimento da proficiência na língua adicional e (c) o que os protocolos think-aloud evidenciam acerca da aprendizagem mediada pelo MMORPG Allods Online. Seguindo o método experimental (NUNAN, 1997), 16 alunos do componente curricular Práticas de Leitura e Produção Escrita em Língua Inglesa fizeram parte do grupo controle e 17 alunos da mesma turma compuseram o grupo experimental e foram submetidos a um pré e pós-teste adaptados do Key English Test (KET) da Universidade de Cambridge (2008). Os testes foram administrados antes e depois de um período de 3 horas por semana durante 5 semanas de experimento com o game Allods Online (grupo experimental), e de aulas do componente curricular (ambos os grupos). Uma análise quantitativa dos questionários sobre os perfis de aprendizagem de língua inglesa dos participantes, uma análise quantitativa das notas dos testes e uma análise qualitativa de protocolos think-aloud coletados durante o experimento foram feitas com base nas teorias de (a) motivação (GARDNER, 1985, WILLIAMS & BURDEN, 1997, BROWN, 2007, HERCULANO-HOUZEL, 2005); (b) aprendizagem ativa (GASS, 1997, GEE, 2008, MATTAR, 2010); (c) interação e aprendizagem colaborativa (KRASHEN, 1991, GASS, 1997, VYGOTSKY, 1978); (d) aprendizagem situada (DAMASIO, 1994; 1999; 2003, BROWN, 2007, GEE, 2003) e (e), aprendizagem tangencial (PORTNOW, 2008 E MATTAR, 2010). Os resultados indicam que os participantes do grupo experimental (gamers) são mais engajados em atividades tangenciais de aprendizagem de língua inglesa, como jogar games, ouvir música em inglês, comunicar-se com estrangeiros e ler em inglês. Também concluímos que o período de experimento pode ter gerado resultados positivos nas notas dos testes dos gamers, principalmente nas partes relacionadas ao desenvolvimento ortográfico, leitura e interpretação, escrita com foco no conteúdo, e acurácia ortográfica. Por fim, os protocolos think-aloud apresentam evidências de que os gamers engajaram-se na aprendizagem ativa de língua inglesa, interagiram em inglês com outros jogadores e aprenderam aspectos linguísticos através da experiência com o MMORPG Allods Online.

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  • LIGIA DE SOUZA LEITE
  •  O Desenvolvimento da Interlíngua na Aprendizagem da Escrita em Inglês em uma Escola Bilíngue: um estudo exploratório

  • Data: 05/02/2013
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  • Este estudo visa a investigar o desenvolvimento da Interlíngua na escrita em Inglês como Língua Adicional (LA) por alunos do 2º Ano do Ensino Fundamental I em uma Escola Bilíngue da cidade de Natal-RN. Para tanto, duas perguntas de pesquisa nortearam este trabalho: (a) quais hipóteses podem ser inferidas no desenvolvimento da escrita dos aprendizes bilíngues de Inglês como LA? e, (b) qual o impacto do tipo de input - monomodal e multimodal - no desenvolvimento da Interlíngua na LA por aprendizes bilíngues? Sendo assim, os participantes foram divididos em grupo controle (exposto ao input monomodal) e em grupo experimental (exposto ao input multimodal),e foram aplicados pré e pós-testes em ambos os grupos. Realizamos uma pesquisa de métodos mistos para envolver a coleta e análise tanto de dados qualitativos quanto quantitativos. O aspecto qualitativo incluiu características essencialmente descritivas que buscaram interpretar as etapas do processo de escrita em LA dos aprendizes. Através dessas interpretações foi possível compreender a constituição da Interlíngua na escrita de acordo com as hipóteses geradas pelos aprendizes. Os dados quantitativos foram apresentados como os resultados gerados a partir do design experimental. Deste modo, eles estreitaram as relações entre a variável dependente (o desenvolvimento da escrita, ou seja, o quanto ela se aproxima da forma alvo) que foi modificada ao longo do processo pela variável independente (a qualidade do input), que sendo mono ou multimodal, sua função consistia em possivelmente alterar o curso da aquisição. Os resultados quantitativos apontaram para ganhos mais significativos no grupo em que a multimodalidade esteve presente.

     

     

     

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  • KARLA GEANE DE OLIVEIRA
  • A representação discursiva da figura feminina no jornal O PORVIR (Currais Novos/Rio Grande do Norte - 1926/1929): um sexo que ironicamente se intitula de frágil

  • Data: 08/03/2013
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  • A representação discursiva da figura feminina no jornal O PORVIR (Currais Novos/Rio Grande do Norte - 1926/1929)

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  • ANA CRISTINA PINTO BEZERRA
  • A tessitura da memória em O vendedor de passados de José Eduardo Agualusa

  • Data: 11/03/2013
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  • No estudo das literaturas africanas de língua portuguesa, a importância da temática memorial se faz pelo contato que aquelas escrituras literárias possuem com o contexto no qual se inserem. Neste estudo, pretende-se refletir como a memória, enquanto elemento social, torna-se um agente de composição da estrutura literária em O vendedor de passados (2004), de José Eduardo Agualusa. Para tanto, tem-se como referencial o método crítico desenvolvido por Antonio Candido (1976), no tocante à crítica dialética, a fim de se perceber de que maneira tal reminiscência atua na estruturação do romance em uma relação com elementos tanto estruturais quanto temáticos. Em um primeiro momento, apresenta-se uma leitura panorâmica do cenário literário angolano no pós-independência, relacionando esse contexto com o percurso da escrita de José Eduardo Agualusa. Em seguida, realiza-se a análise das relações tecidas entre as categorias narrativas – narrador, personagens, espaço, tempo – e o elemento memorial com o qual aquelas interagem. Tendo em vista que, as referidas categorias seriam construídas no diálogo com a memória. Por fim, destaca-se a reflexão sobre a dinâmica entre a ficção e a realidade apreendida no discurso romanesco no qual figura um vendedor de passados. Uma análise que se realiza a partir de um olhar cético presente na obra. Como aporte teórico utilizado, destacam-se, principalmente, as leituras de: Hampaté-Bâ (1970), Laura Padilha (2007), Tania Macêdo (2008) para a observação das especificidades do contexto africano vivificado no romance; Tedesco (2004), Halbwachs (2006), Le Goff (2003) no tocante à conceptualização da memória; além de Landesman (2006), Krause (2004), Gai (1997) no recorte do panorama cético com o qual o romance dialoga.

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  • KASSIA KAMILLA DE MOURA
  • A IMPLEMENTAÇÃO DO VOCÊ EM CARTAS PESSOAIS NORTE-RIOGRANDENSES DO SÉCULO XX

  • Data: 14/03/2013
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  • Tendo em vista os pressupostos teóricos metodológicos da Sociolinguística Variacionista (cf. WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006; LABOV, [1972] 2008), nesta dissertação, descrevemos e analisamos o processo de variação/mudança envolvendo os pronomes pessoais tu e você, e sua extensão no paradigma pronominal no Português Brasileiro (PB), em três conjuntos de cartas pessoais escritas por norte-riograndenses no curso do século XX. O universo discursivo dessas cartas é basicamente notícias da cidade em que viviam os informantes e assuntos do cotidiano (comércio, trabalho, viagens, família e política). Parte das cartas analisadas integram o córpus mínimo manuscrito do Projeto de História do Português Brasileiro no Rio Grande do Norte (PHPB-RN). Tomamos por base estudos anteriores sobre o sistema pronominal no PB – Menon (1995), Faraco (1996), Lopes e Machado (2005), Rumeu (2008), Lopes (2009), Lopes, Rumeu e Marcotulio (2011), Lopes e Marcotulio (2011) e Martins e Moura (2012), os quais registram que a forma você suplanta o tu a partir do fim da primeira metade do século XX e atestam o seguinte quadro: enquanto (a) as formas verbais imperativas, (b) os sujeitos plenos e (c) os pronomes complementos preposicionados são contextos favorecedores do você, as (d) formas verbais não imperativas (com sujeito nulo), (e) os pronomes complementos não preposicionados e (f) os pronomes possessivos são contextos de resistência do tu. Os resultados obtidos nesta dissertação confirmam, em parte, as asserções defendidas pelos estudos anteriores sobre os contextos favoráveis à implementação do você no PB: (i) há nas cartas das duas primeiras décadas do século XX (1916 a 1925) alta frequência de uso de formas do você (98%); (ii) Nas cartas pessoais do RN, especialmente nas cartas de amor em que há maior recorrência de assuntos íntimos, o universo discursivo mostrou-se bastante relevante no condicionamento das formas de tu; (iii) a única informante do sexo feminino da nossa amostra faz uso, quase categórico, das formas de tu – em cartas do período que corresponde aos anos de 1946 a 1972; (iv) as cartas correspondentes ao período de 1992 a 1994 apresentam um uso significativo das formas associadas ao inovador você, deixando transparecer que a mudança já está implementada no sistema do PB e há, nesse conjunto de cartas, fortes evidências que nos possibilitam afirmar que as formas pronominais de complemento não preposicionadas (acusativo/dativo) associadas ao tu estão implementadas em um sistema com uso quase categórico de você.

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  • ELISABETH SILVA DE VIEIRA MOURA
  • SE INICIA ORAÇÃO COM PRONOME CLÍTICO? ATITUDES LINGUÍSTICAS, NA ESCOLA, EM RELAÇÃO AOS PADRÕES BRASILEIROS DE COLOCAÇÃO PRONOMINAL

  • Data: 15/03/2013
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  • Com foco no problema empírico de avaliação, proposto pela teoria da Variação e Mudança (cf. cf. WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006; LABOV, [1972] 2008), esta pesquisa contribui para o esclarecimento das atitudes do professor de Língua Portuguesa, em Natal – RN, em relação (a) à próclise em três contextos específicos: em início de oração/período (V1), depois de sujeitos (SV) e a próclise ao segundo verbo dos complexos verbais (V1V2); (b) aos alunos que usam tais padrões de colocações. Os contextos em tela foram selecionados porque, como muitos estudos têm evidenciado (MARTINS, 2012; SCHEI, 2003; BIAZZOLI, 2010, 2012), constituem a norma culta do Português Brasileiro. A pesquisa teve por objetivos: (i) verificar, por meio de um teste de correção de sala de aula, se professores de Português corrigem a próclise nos referidos contextos; (ii) identificar, por meio de um teste de atitude, que atitudes os professores têm em relação aos padrões de colocação citados, assim como aos alunos que utilizam tais padrões. Vinte professores de Língua Portuguesa, escolhidos aleatoriamente em escolas públicas diversas de Natal-RN, responderam a um teste de correção de sala de aula e a dois testes de atitude. Os resultados obtidos mostram que o índice de correção da próclise em início de oração/período ainda é alto (50%), embora essa variante linguística esteja implementada na gramática do Português Brasileiro. Esse contexto de colocação foi avaliado, em geral, de forma negativa, porém não houve correspondência entre essa avaliação e a avaliação – neutra – do aluno que a utiliza. Diferentemente do contexto anterior, a próclise depois de sujeito não recebeu nenhuma correção por parte dos vinte professores, o que foi coerente com a avaliação positiva que a variante e os estudantes que a utilizam obtiveram. A correção da próclise ao segundo verbo dos complexos verbais não apresentou resultados únicos, porém foram muito próximos, com índices de correção de 20% (complexo de infinitivo), 10% (complexo de gerúndio) e 25% (complexo de particípio). A avaliação desses contextos de próclise oscilou entre positiva e neutra, assim como a avaliação dos estudantes que a utilizam. Isso significa que a próclise em início de oração/período parecer ser ainda marcada no contexto escolar escrito, provavelmente, devido à avaliação negativa dos professores, que não coincide com a avaliação dos estudantes que a utilizam. Depois de sujeitos e antes do segundo verbo dos complexos, a próclise parecer ser aceita em textos escolares escritos, o que se reflete na avaliação dos professores em relação aos estudantes que usam a próclise nesses contextos; avaliação essa que foi, em geral, positiva ou neutra.

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  • FERNANDA DE MOURA FERREIRA
  • A CONSTRUÇÃO AXIOLÓGICA DO RISO NA CHARGE: UMA PERSPECTIVA BARKHTINIANA

  • Data: 03/04/2013
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  • Este trabalho tem como objeto de investigação a construção axiológica do riso na charge. Para tanto, abordamos a construção do riso nesse gênero discursivo, partindo da hipótese de que o riso constitutivo das relações dialógicas na charge é construído axiologicamente, ou seja,  é por meio dele que são construídos os posicionamentos e a visão ideológica.  Para tanto, nos detemos na investigação dos elementos verbo-visuais presentes na forma composicional, como também,  analisamos o projeto de dizer constituidor/constituinte da forma arquitetônica. Tomamos como fundamento teórico-metodológico as formulações sobre linguagem advindas do Círculo de Bakhtin (2010, 2011, 1998) e outras contribuições advindas de Faraco (2009), Brait (2009, 2006), Ponzio (2009) que comungam da concepção dialógica de linguagem e de reflexões atinentes à analise dialógica do discurso. Especificamente sobre o gênero discursivo charge, nos reportamos a Ramos (2009, 2010, 2011) e Vergueiro (2009, 2010). Quanto ao riso, apoiamo-nos em autores como Possenti (2010), Minois (2003), Propp (1992), Bergson (2001), Skinner (2002), no entanto, a principal referência é a obra de Bakhtin (1997, 2010) sobre a cosmovisão carnavalesca e o riso. Este trabalho se insere na área da Linguística Aplicada de perspectiva sócio-histórica e tem como tema linguagem, axiologia e riso. 

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  • RHENA RAIZE PEIXOTO DE LIMA
  • VOZES SOCIAIS EM DIÁLOGO: UMA ANÁLISE BAKHTINIANA DOS POSICIONAMENTOS DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DO IFRN

  • Data: 17/04/2013
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  • O trabalho tem como objetivo principal analisar enunciados produzidos por alunos do Ensino Médio, no gênero discursivo diário de leituras, partindo da concepção de linguagem proposta pelo Círculo de Bakhtin. O gênero em questão possui características peculiares que justificam sua escolha para este trabalho. Primeiramente, trata-se de um gênero advindo da esfera privada, íntima, e que passa a ser utilizado na esfera escolar. Por isso, podemos encontrar nos textos nele produzidos consideráveis marcas de subjetividade. Para Machado (1998), essa característica proporciona “uma presença forte do diálogo interior” que marca exatamente “a emergência de diferentes vozes, de diferentes representações internalizadas” (MACHADO, 1998, p. 29). Em segundo lugar, apontamos a priorização dessa atividade didática pelo processo de interpretação (dúvidas, questionamentos, passos para a compreensão) e não com o acabamento. Esse aspecto nos proporciona o contato com os embates ideológicos ocorrentes nos processos de interpretação, compreensão e avaliação que, neste caso, consistem no confronto entre posicionamentos do enunciador e os posicionamentos presentes nos textos com os quais os alunos têm contato durante a produção do diário. A partir dessas características, consideramos para essa análise os conceitos bakhtinianos de enunciado ― sobretudo sua essência responsiva-ativa (Bakhtin, 2010) ―, de gênero discursivo, de dialogismo e de vozes sociais. O trabalho se enquadra na pesquisa qualitativa de cunho interpretativista, pois visa a conhecer a perspectiva dos participantes da situação estudada e se apoiar na riqueza e no detalhamento das amostras (FREITAS, 2007). Além disso, durante a análise dos enunciados que compõem o corpus da pesquisa, utilizamos os conceitos de “polêmicas discursivas” (BAKHTIN, 2010a) e enquadramento (BAKHTIN, 2010c) para embasar nossa análise.

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  • PAULO RODRIGO PINHEIRO DE CAMPOS
  • O gênero joke em atividades de inglês: uma proposta intercultural de ensino-aprendizagem no ensino médio.

  • Data: 18/04/2013
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  • RESUMO

     

    Nossa pesquisa surgiu do interesse de alinhar a prática de sala de aula de Inglês como Língua Estrangeira (ILE) a discussões atuais no âmbito do processo de ensino-aprendizagem de Línguas Estrangeiras (LEs). Tendo em vista a necessidade de integrar o desenvolvimento linguístico ao desenvolvimento de noções atreladas à prática da cidadania, adotamos uma perspectiva cultural. Percebemos as jokes como um solo fértil para a discussão de aspectos culturais em sala de aula. Com base nesses fatores, nosso problema de pesquisa é como explorar os aspectos culturais desse gênero textual com vistas à elaboração de atividades em ILE numa turma com, em média, 30 (trinta) alunos em que o professor é o pesquisador. Portanto, nosso objetivo geral é explorar os aspectos culturais no uso de jokes em atividades de ensino-aprendizagem de ILE e nossos objetivos específicos são: (I) selecionar e analisar 05 (cinco) desses textos enfocando seus aspectos culturais, (II) identificar e descrever possíveis interpretações das jokes e, com base nesses dados, (III) elaborar atividades que privilegiam os referidos aspectos culturais. Esta investigação é descritiva e documental e apoia-se no paradigma qualitativo (CHIZZOTTI, 2010; FLICK, 2009; CHAROUX, 2006; BOGDAN; BIKLEN, 1994; 1992), em que o corpus, a partir de procedimentos indutivos, informou a teoria adotada. O corpus é constituído por jokes provenientes de sítios da Internet e por documentos oficiais (LDB, 1996; PCNEM, 1998; PCN+EM, 2000; OCEM, 2006), que sugerem direcionamentos aos professores de LE quanto à dimensão cultural. Para a elaboração das atividades, privilegiamos a abordagem por conteúdos (Content-based approach – CBI), em uma versão mais fraca, em que os conteúdos são aspectos culturais nas jokes e empreendemos uma reflexão mais geral sobre métodos, abordagens e perspectivas, em que se incluem noções sobre o pós-método e sobre o CBI, que falam ao ensino-aprendizagem de ILE. Temos por aporte teórico discussões sobre alguns métodos e abordagens de ensino-aprendizagem de LE (BELL, 2003; KUMARAVADIVELU, 2003; WESCHE; SKEHAN, 2002; PRABHU, 1990), a perspectiva cultural (KRAMSCH, 1998, 1996, 1991; BYRAM; FENG, 2004), alguns trabalhos em Linguística sobre piadas (CHIARO, 1992; POSSENTI, 1998, 2010); noções sobre implícitos (MAINGUENEAU, 1996, 2004; CHARAUDEAU; MAINGUENEAU, 2012) e sobre ambiguidade (KEMPSON, 1977; TRASK, 2011; CHARAUDEAU; MAINGUENEAU, 2012), tendo a adoção de tais categorias em emergido da análise de algumas jokes.

     

     

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  • ELIANE CRISTINA ALVES DE SOUZA
  • O GÊNERO REQUERIMENTO NA PERSPECTIVA SOCIORRETÓRICA: análise da produção de graduandos no ambiente acadêmico-administrativo da UFRN

     

  • Data: 22/04/2013
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  • No ambiente administrativo das instituições públicas, muitas atividades são realizadas através de práticas de escrita. Nesse domínio, a escrita está sempre ligada a uma atividade que se deseja realizar. Dentre essas práticas, o gênero requerimento consiste em um instrumento através do qual o requerente se dirige a uma instituição, a fim de solicitar algo sob o amparo de uma legislação. Considerando nossa experiência de trabalho em uma instituição pública de ensino superior, elegemos como objeto de nossa pesquisa o gênero requerimento produzido por graduandos no domínio administrativo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte devido à sua importância nesse contexto. Para tanto, os aportes teóricos adotados referem-se à concepção sociorretórica dos estudos de gênero textual, que compreende o gênero textual como forma de ação retoricamente tipificada (MILLER, 2009a; BAZERMAN 2009). Quanto à metodologia, trata-se de uma pesquisa associada à abordagem qualitativa (BODGAN; BIKLEN, 1994; CHIZZOTTI, 2010) cuja discussão se insere no campo da Linguística Aplicada. A geração dos dados deu-se a partir de exemplares de requerimentos e dos dizeres dos usuários do gênero em questionários, entrevistas e protocolos verbais de escrita. A análise dos dados se apoia nos métodos etnográficos de análise de gênero postulados por Devitt, Reiff e Bawarshi (apud JOHNS et al., 2006) e indicou que os requerimentos nem sempre se realizam plenamente devido à falta de compreensão do gênero e de sua situação retórica por parte dos produtores. Provavelmente, entre outras razões, isso deve acontecer porque esses alunos não internalizaram a consciência de que vários fatores afetam a produção de textos, como o contexto, a audiência e o propósito. Acreditamos que uma possibilidade de tornar a prática desse gênero textual mais eficiente seja desenvolver um modo de elaboração dos requerimentos mais prático e simples, tomando como base as necessidades impostas pela situação retórica.

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  • ALBÉRIS ERON FLÁVIO DE OLIVEIRA
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    A Letra Escarlate como Romance Histórico:

    uma história de fragilidade humana e tristeza.

     


  • Data: 07/05/2013
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    O objetivo deste trabalho é analisar a obra do escritor americano Nathaniel Hawthorne (1804 – 1864), A Letra Escarlate (1850), à luz das contribuições da Literatura e da História do povo americano no contexto da Nova Inglaterra – dos primeiros séculos de sua existência até o período em que viveu o seu autor. Nesse sentido, buscaremos evidenciar aspectos que justificam a inserção da obra como um romance histórico, especialmente a partir da leitura de O Romance Histórico (1936-37) de Georg Lukács. A diversidade das vozes sociais e os inter-relacionamentos que se depreenderam dos personagens principais do enredo do romance, assim como as suas construções contextuais, se constituíram como elementos importantes para a compreensão do romance como sendo de valor Histórico. Durante o nosso estudo, verificamos que é nos enredos dos romances que as personagens refletem, ao mesmo tempo, as condições específicas de suas singularidades, as tendências gerais do processo histórico e as condições sociais das quais eles surgem. Pudemos verificar também que é em suas singularidades que se concentram tendências próprias do ser humano. Para fundamentar este estudo buscamos referências em teóricos da literatura mundial como Howard (1964), Bakhtin (1998), Eagleton (2006), Todorov (2009), em historiadores como Zabel (1947), Sellers (1985) e Cunlife (1986), bem como nas repercussões da obra no Brasil, notadamente a partir de leituras realizadas por Candido (1993) e Schwarz (1981).

     

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  • JAMES ARAUJO DE VASCONCELOS
  • As apreciações de alunos de Inglês como Língua Estrangeira sobre sua produção oral: um estudo com base no sistema de avaliatividade

  • Data: 16/05/2013
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  • O vasto número de pesquisas sobre produção oral no ensino de  Inglês como Língua Estrangeira (ILE) ao redor do mundo (p.ex. LITTLEWOOD, 1981; BROWN E YULE, 1983; ALMEIDA FILHO, 1993; BROWN, 1994, UR, 1996, CARTER E MCCARTHY, 1997; BROWN, 1994,2004; ELLIS, 2008), assim como estudos sobre aspectos cognitivos e de aquisição da produção oral (SWAIN, 1985, 1995; LEVELT, 1989; SWAIN E LAPKIN, 1995; SKEHAN E FOSTER 1997, 1999; ROBINSON, 2001; BYGATE, 2001, dentre outros) têm revelado  aspectos para um ensino de ILE mais eficaz e motivador. Com a proposta de contribuir para esse avanço, o presente estudo está inserido no paradigma qualiquantitativo de pesquisa no campo da Linguística Aplicada (LA), primordialmente com base nos estudos de Moita Lopes (1996, 2006), para quem a LA está centrada na resolução de problemas de uso da linguagem, cujo foco está na linguagem de natureza processual. O estudo tem como objetivo verificar as percepções de 34 alunos de quatro turmas distintas de um curso de ILE em uma escola privada de línguas acerca de sua produção oral ao participarem de atividades orais. O corpus da pesquisa foi gerado pelas respostas dos alunos a questionamentos sobre sua produção oral, em duas fases, no início e no meio do curso, além de  uma entrevista semiestruturada  realizada com dez dos alunos, ao final do curso, com o intuito de verificar suas percepções sobre sua produção oral. As discussões relacionadas à produção oral em sala de aula de ILE tem respaldo teórico nos trabalhos de Littlewood (1981), Brown e Yule (1983), Almeida Filho (1993), Brown (1994), Ur (1996), Carter e McCarthy (1997), Nunan (1999), Brown (2004) e Ellis (2008), que explicam fenômenos que exercem influência na produção oral, tais como afeto, interação, características de atividades orais, dentre outras variáveis em relação a aspectos cognitivos da produção oral analisadas pelos estudos de Swain (1985, 1995), Levelt (1989), Swain e Lapkin (1995), Skehan e Foster (1997, 1999), Robinson (2001) e Bygate (2001). A análise e discussão dos dados tem como base a Gramática Sistêmico-Funcional de Halliday (1985, 1994) e posteriormente desenvolvida por Halliday e Hasan (1989), Halliday e Mathiessen (2004) e Eggins (2004), dentre outros. O foco desta pesquisa são os mecanismos de Apreciação, um dos domínios avaliativos do subsistema de Atitude, que por sua vez, é parte integrante do Sistema de Avaliatividade, desenvolvido por Martin (2000), Martin e Rose (2003) e Martin e White (2005). Para análise das  escolhas linguísticas feitas pelos alunos, utilizamos a ferramenta computacional WordSmith Tools 6.0 (SCOTT, 2010), cuja função Wordlist (lista de palavras) foi  utilizada na busca pelos tipos de processos, assim como epítetos entre outras marcas linguísticas mais recorrentes que caracterizassem suas percepções. Os resultados revelam que nas percepções dos alunos acerca de sua produção oral ao longo das três fases da geração dos dados para a pesquisa, eles gradativamente deixaram de mencionar aspectos afetivos quanto ao desenvolvimento de sua produção oral e passaram a perceber aspectos mais estruturais de composição da língua.

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  • ARETHUSA ANDREA FERNANDES DE OLIVEIRA
  • ACIONAMENTO DE FRAMES E ESQUEMAS NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE SENTIDOS NO PADRÃO DISCURSIVO CHARGE POR ALUNOS DO ENSINO MÉDIO

  • Data: 17/05/2013
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  • Nossa pesquisa tem por meta principal descrever e analisar os processos relacionados ao acionamento de domínios conceptuais subjacentes à compreensão do Padrão Discursivo charge por parte dos alunos da terceira série do Ensino Médio, na Escola Estadual Professor Antônio Basílio Filho, em Parnamirim. Teoricamente, estamos ancorados nos pressupostos da Linguística Cognitiva, cujo interesse está em analisar nosso aparato cognitivo em correlação com as nossas experiências socioculturais e corporais. Pretendemos verificar como ocorre o processo de construção de sentidos e a integração dos diversos domínios conceptuais que são acionados durante a atividade de leitura. Para isso, tomamos o conceito de domínios conceptuais como equivalente às estruturas que são armazenadas em nossa memória a partir de nossas experiências socioculturais e corpóreas e se estabilizam, respectivamente, a partir dos frames e esquemas. O acionamento desses domínios conceptuais, evidenciado nos dados sob análise, corrobora o pressuposto de que os conhecimentos prévios oriundos de nossa inserção em contextos socioculturais específicos, concomitantemente com o funcionamento de nosso sistema sensório-motor, são determinantes durante a atividade de construção de sentido. Com esta pesquisa, intentamos ainda confrontar as expectativas de respostas produzidas pelos alunos, a partir do acionamento dos frames e esquemas, com as nossas predições.

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  • JOAQUIM ADELINO DANTAS DE OLIVEIRA
  • O império do desentendimento humano: representações da realidade em textos de Dalton Trevisan

  • Data: 07/06/2013
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  • O presente trabalho tem como proposta geral estudar a composição do universo ficcional trevisaniano, a expressão estética engendrada para formular esse universo, e, em última instância, as representações da realidade que emanam dessa construção estético-narrativa. Pareceu-nos, no entanto, que seria impossível dar conta, mesmo que superficialmente, de tão vasto e volumoso conjunto de textos como o é o trevisaniano. Portanto, para que pudéssemos realizar tal tarefa, e ainda fazê-lo de um modo que fosse, a um só tempo, plausível e mais aprofundado, fez-se necessário um recorte objetivo dentro dessa biblioteca. Selecionamos então um livro, representativo de toda a obra trevisaniana, que nos serviu como objeto de estudo: Cemitério de elefantes, de 1964, um dos primeiros livros de contos desse autor. Dentro desse, ainda focalizamos mais o nosso olhar, voltando-nos então para o que denominamos de uma realidade bifurcada em “mundo paralítico” e “mundo em violência”. Amparados pelas teorias e metodologias de Auerbach (2011), Candido (2002, 2006), Adorno (2003), Gennete (1995), Friedman (2002), e ainda movidos pelo espírito do Formalismo russo (1973), construímos nossa crítica. Nossa abordagem fundamentou-se, então, em três passos: primeiramente nos dedicamos a comentar o contexto geral da obra trevisaniana, suportados fortemente pela leitura de dois dos maiores críticos da literatura desse autor, Miguel Sanches Neto e Berta Waldman; em segundo lugar, voltamo-nos ao comentário minucioso sobre a construção formal da linguagem e dos elementos narrativos da prosa trevisaniana; por fim, alçamos nossa crítica ao nível da leitura das representações da realidade, e passamos a comentar a construção do universo ficcional trevisaniano, focando na bipartição desse universo em “mundo paralítico” e “mundo em violência”.

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  • ELISÂNGELA TAVARES DIAS
  • EM CANTOS DE REIS: A TRADIÇÃO DISCURSIVA NOS AUTOS DE NATAL

  • Data: 10/06/2013
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  • Este estudo incorpora diversas áreas do conhecimento ao campo da linguística, uma vez que centra a historicidade social dos autos brasileiros e potiguares, a partir de duas propostas analíticas: a presença das fórmulas linguísticas, em sua macroestrutura, dentro do paradigma das tradições discursivas, seguindo Kabatek (2006), Koch e Oesterreicher (2007), e a teoria dos atos de fala, em sua microestrutura, propostos por Austin (1990) e Searle (1995). Com Zumthor (1993; 1997; 2000; 2005; 2010), aludimos a ideia de movência textual, evidenciando que o texto sempre sofre mudanças considerando a performance e recepção nos usos da linguagem. A partir desse arcabouço teórico, centramo-nos no trinômio fórmulas linguísticas, oralidade e performance a fim de descrever as dinâmicas de permanência, variação e mudança que se estabelecem nesses textos e evidenciamos ainda como as relações extralinguísticas socio-históricas e culturais influenciam em sua composição. Tal discussão, mais precisamente, instala-se na Análise do Texto, ao realçarmos a tradição da oralidade como suporte linguístico. O texto, por sua vez, efetiva-se como evocação, motivados pela transmissão, recepção, e movência, a partir de sua conservação e reiteração. Naturalmente, optamos por um suporte metodológico baseado na pesquisa quali-quantitativa, evidenciado por Flick (2009), que respalda o corpus composto por cantos de Folias de Reis brasileiras e de Bois de Reis potiguares. Desse modo, observamos as dinâmicas da linguagem subjacente à tradicionalidade que se efetiva pelo uso de uma memória social partilhada. Na cosmovisão da religiosidade popular, em que as atividades mnêmicas têm um caráter didático, a memória é “partilhada, reelaborada, e, ressignificada em um constante processo de movência e nomadismo” (SÁ JÚNIOR, 2009) a partir de duas dimensões: na primeira, evoca a sacralização (religiosa), em que erige a devoção à histórica bíblica; na segunda, a dessacralização com valores identitários e ideológicos, constituintes culturais de um povo. O canto demonstra, nesse impulso lúdico, uma atividade contextualizada, que resulta na seguinte conclusão: os processos de mudança e permanência nas macro e microestruturas textuais dos cantos ocorrem, ao mesmo tempo, pelo ajustamento ao uso do texto cumprindo uma função político-social e outra ético-pedagógica; em tese, são as relações sociais que avivam a tradicionalidade e esta, por sua vez, evoca a movência e o nomadismo no texto.

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  • LUÍS FERDINANDO DA SILVA PATRIOTA
  • O PAPEL DA ATIVIDADE LÚDICA COMO MOTIVADORA DA APRENDIZAGEM DA LÍNGUA INGLESA: ANÁLISE DE UM LIVRO DIDÁTICO 

  • Data: 20/06/2013
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  • Esta pesquisa tem como objetivo analisar as atividades propostas pelo livro On Stage selecionado pelo IFRN, como também verificar o interesse dos alunos por atividades lúdicas. Partimos da premissa que as atividades lúdicas podem contribuir para o aumento da motivação pelo ensino da língua inglesa (BROUGERE, 1999; WRIGHT et al, 2006; LANGRAN e PURCELL, 1994). Nossa pesquisa se caracteriza em um primeiro momento por uma análise documental e em outro por uma pesquisa-ação. Propusemos dois questionários aos participantes da pesquisa, alunos do ensino médio do IFRN- Campus Zona Norte, a fim de verificar o interesse  e o grau de motivação pela aprendizagem da língua inglesa, antes e depois da realização de atividades lúdicas. A análise dos questionário mostrou que os alunos ficaram mais motivados e interessados nas aulas depois da realização de atividades lúdicas. Os dados apontam também que a  maioria dos alunos foi favorável à inclusão desse tipo de atividade no livro didático selecionado pela escola.. O resultado da nossa pesquisa comprovou o uso benéfico dessas atividades, dados corroborados por outros estudos (NOGUEIRA,2007;, SILVEIRA,2007; SILVA,2003; OLIVEIRA ,2008 e 2009; VALÉRIO et al. (2012), COSTA (2008), RODRIGUES (2007), , YOLAGELDILI e ARIKAN (2011). Os dados conclusivos deste estudo, nos levam a sugerir a inclusão de  atividades lúdicas nos livros didáticos, mesmo nos direcionados ao ensino médio, a fim de ajudar no aumento da motivação pela aprendizagem de língua estrangeira

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  • WASHINTIANE PATRÍCIA BARBOSA DA SILVA
  • Conectores sequenciadores E e em contos e narrativas de experiência pessoal escritos por alunos de ensino fundamental: uma abordagem sociofuncionalista

  • Data: 02/08/2013
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  • Nesta dissertação, apoiando-me em dois referenciais teóricos, o do funcionalismo linguístico de vertente norte-americana e o da sociolinguística variacionista, tomo como objeto de estudo os conectores sequenciadores E e AÍ, que atuam na função gramatical de indicação de sequenciação retroativo-propulsora de informações. Analiso o uso variável desses conectores em textos escritos produzidos por alunos de duas escolas da rede pública da cidade de Natal-RN, que cursavam, à época da coleta de dados (o ano de 2012), duas séries distintas do ensino fundamental: o sexto e o nono ano. Os alunos que contribuíram para a realização desta pesquisa escreveram, como parte de suas atividades em sala de aula, textos de dois gêneros da esfera narrativa: narrativa de experiência pessoal (de caráter não ficcional) e conto (de caráter ficcional). Além disso, esses alunos e seus professores de língua portuguesa responderam a um teste de atitude linguística em que opinaram sobre a adequação do uso dos conectores sob enfoque em contextos de fala e de escrita mais e menos formais. Os resultados, obtidos por meio de análise quantitativa, revelaram padrões de distribuição linguística, social e estilística dos conectores E e AÍ nos textos narrativos produzidos pelos alunos. Relacionei tais resultados à ação de dois princípios: o princípio da persistência, vinculado ao processo de mudança por gramaticalização, e o princípio da marcação estilística. Além disso, levei em conta as respostas fornecidas ao teste de atitude linguística para o refinamento da interpretação dos resultados. Por fim, apresentei sugestões para a abordagem a conectores sequenciadores nos níveis fundamental e médio de ensino, visando tecer contribuições para um ensino de língua portuguesa produtivo, que busque o aprimoramento da competência comunicativa dos alunos.

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  • DAVI TINTINO FILHO
  •  Cartografias do desejo em Asfalto selvagem: Engraçadinha, seus pecados e seus amores: humor, erotismo e o pornógrafo no romance rodrigueano

  • Data: 16/08/2013
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  • Trata-se nesta dissertação de estabelecer, partindo do pensamento contemporâneo francês da linha deleuziana e guattariana, sobretudo, uma analítica do desejo capaz de reconfigurar o romance de Nelson Rodrigues, Asfalto selvagem: Engraçadinha, seus amores e seus pecados, desterritorializá-lo em relação à tradição crítica e estética, fundada no paradigma realista-naturalista enraizado no pensamento literário brasileiro, especificamente no século XX.  Movemo-nos por discussões sobre o autor e sobre o romance, empreendidas por Rolnik, interlocutora de Guattari, o qual está ligado aos novos paradigmas estéticos, à questão da produção de subjetividades, à micropolítica, às multiplicidades e às minorias. Buscamos contribuir para esse redimensionamento, colocando-nos na perspectiva cartográfica e rizomática para surpreender, em Asfalto, seus processos de subjetivação, incidindo sobre as singularidades selvagens, considerando os conceitos de Foucault, aplicados à construção literária enquanto espaço heterotópico, configurando a experiência do fora, como princípios estéticos. Veremos que as personagens, com foco em Engraçadinha, funcionam, como pequenas máquinas desejantes, Corpos sem Órgãos, moléculas desestabilizando as formações molares. Destarte, Nelson Rodrigues, na perspectiva da produção autoral, torna-se o pornógrafo, o literato iterador, como agenciador de uma palavra perversa, para além dos dogmas, da cena romantizada, originando, em sua poética, a revelação da obs-cena, a obscenidade, como crítica às instituições falidas. Trazemos, nesse sentido, referências de Bataille, quanto ao que na atividade estética se relaciona com o excedente da visão, relacionados ao espaço tático-ótico, concepção deleuziana referentes ao corpo-linguagem, pornografia, pornógrafo, narrativas abomináveis. Acompanhamo-nos, pois, dos conceitos da problemática da diferença e da alteridade, repercutindo na larvaridade, nas afecções, que abrem vias comunicantes com fenômenos extremos, atuantes em torno do mesmo e do outro, trazendo a rizomaticidade do mal e da monstruosidade para a construção estética de Asfalto selvagem, vistos sob a ótica de Bataille, Deleuze, Baudrillard, em ensaios que rompem o olhar estrutural em torno da obra e oferecem subsídios para a construção de uma cartografia outra, o território do imaginário, habitado por um povo por vir, na perspectiva de Blanchot e de Deleuze.

     

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  • ANA PRISCILA GRINER
  • A LINGUAGEM DO BLOG ESCOLAR EM UM TRABALHO COM MULTILETRAMENTOS:COMPARTILHANDO SENTIDOS

  • Data: 23/08/2013
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  • Esta pesquisa, inserida no campo da Linguística Aplicada, tem por objetivo analisar a linguagem de um blog escolar, desenvolvido com a participação de alunos, resultante de um trabalho ancorado na concepção dos multiletramentos, com foco na construção de sentidos. A pesquisa se desenvolve a partir da confecção e manutenção de um blog escolar, o Ieceblog, com alunos do Ensino Fundamental II, desde 2008, em uma escola da rede privada de Natal. Justifica-se a investigação das manifestações de linguagem produzidas em um blog escolar mediante a demanda das concepções interativas de leitura e escrita no meio digital. Dada a constatação de que as novas tecnologias são uma realidade dentro das escolas que se abrem para as práticas dos multiletramentos, pressupõe-se que texto, imagem, vídeo, áudio, signos não gráficos e hipertexto potencializam a interação produzida, em que alunos se tornam autores reais. Nessa perspectiva, destacam-se as vozes pertencentes aos enunciados que se formam através das postagens e dos comentários escolhidos para análise e reflexão sobre o espaço do blog como locus de produção de sentidos, inserido no ambiente escolar e no mundo, assim como para a identificação dos recursos de linguagem usados para potencializar os sentidos que emergem. A partir da visão de dialogismo conceitualizada pelo Círculo de Bakhtin, a pesquisa de cunho qualitativo-interpretativista se aprofunda na experiência de um blog escolar com foco na linguagem digital em sintonia com a visão de letramento digital. A partir das postagens do blog, elege-se um corpus que favoreça a exposição das diferentes manifestações de linguagem na concepção dos multiletramentos digitais. O estudo aponta para a tensão existente entre as vozes atuantes em várias direções, revelando a unidade falseada das postagens, que, sob o olhar analítico, faz surgir múltiplos significados de maneira responsiva. A análise do diálogo que entremeia a interação no meio digital torna mais visível que os eventos dos multiletramentos mediados pela linguagem estão para além da estrutura da língua e faz repensar as práticas escolares.

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  • ESTER CAVALCANTI DA SILVA ARAUJO
  • A CONSTRUÇÃO DA IMAGEM DE LEITOR EM MEMÓRIAS DE LEITURA

  • Data: 23/08/2013
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  • Nesse trabalho, analisamos o gênero discursivo “memórias de leitura” de alunos que participaram de um curso de formação continuada na UFRN. Temos como objetivo compreender a construção da imagem de si no discurso desses alunos no entrecruzamento do olhar exotópico (de si e do outro). Para realizar a análise, adotamos como pressuposto teórico base os estudos de Bakhtin (1997, 2003, 2010) sobre gêneros discursivos, enunciado, vozes sociais e exotopia. Para compreender a noção de ethos discursivo nos ancoramos nos estudos realizados por Maingueneau (2008) e Charaudeau (2005). No que concerne à concepção de leitura, adotamos os referenciais teóricos de Garcez (2002), Freire (2008) os quais compartilham da mesma visão de que a leitura é um processo interacional/dialógico que ocorre entre as subjetividades dos participantes da atividade leitora; Silva Neto (2007) faz uma reflexão sobre a leitura literária na escola; e Rojo (2009) que trata a leitura como um processo de inclusão social. Pelo fato do gênero discursivo “memórias de leitura” fazer remissão à temática “memória” e estar relacionada ao contexto de formação de professores, nos respaldamos teoricamente em Nóvoa (2005), que trata dos dispositivos que procuram favorecer a rememoração das práticas dos professores.  Situada na área da Linguística Aplicada, a pesquisa se alinha à abordagem qualitativo-interpretativista de base sócio-histórica. A partir da análise dos dados, concluímos que, em conjunto, os aspectos composicionais, temáticos e estilísticos do gênero em questão e as vozes sociais que emergiram do enunciado foram fundamentais para a categorização das imagens de leitor que os alunos construíram no discurso. 

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  • MAGDA RENATA MARQUES DINIZ
  • (SANTA) RITA DE CÁSSIA NA BOCA DO POVO DE SANTA CRUZ/RN: identidades culturais em construção

  • Data: 30/08/2013
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  • Objetiva investigar as identidades culturais de Santa Rita de Cássia construídas a partir das representações contidas no discurso dos moradores da área urbana do município de Santa Cruz, localizado na Mesorregião Agreste do Estado do Rio Grande do Norte. Esses moradores tornam a história da Santa plena de significação tanto para eles mesmos, em suas vidas diariamente, quanto para a sociedade. Isso é percebido pela narração da história da vida de Rita de Cássia que é contada há mais de cento e oitenta anos na cidade, aliada à quantidade de nomes de mulheres e de estabelecimentos comerciais de nome fantasia com o qualificador “Santa Rita”. No ano de 2010, com a inauguração do Alto de Santa Rita – um espaço destinado ao culto ritiano –, cresceu a quantidade de visitantes nesse município, em virtude da construção e inauguração de um monumento colossal representando a imagem de Rita de Cássia. A partir disso, novos aspectos sociais, culturais, religiosos e políticos passaram a fazer parte da realidade santa-cruzense, fazendo com que os moradores tivessem um assunto em comum para conversar na cidade. Na perspectiva da Linguística Aplicada de enfoque interdisciplinar, nossa referência teórica baseia-se no modelo sócio-histórico da linguagem, entendendo-a como prática discursiva. Ainda no campo teórico, estabelece-se uma interconexão com os estudos culturais, utilizando o conceito de identidade cultural na pós-modernidade. A análise dos discursos revelou-se plural, com uma multiplicidade de identidades culturais que vão de filha muito obediente à esposa que sofria por causa do marido, de mulher muito religiosa à viúva que entrou para o convento, passando pela Santa dos milagres e das curas que intercede hoje na vida de quem pede seu auxílio. Também se constatou no referido percurso investigativo que essas identidades podem ser construídas e reconstruídas se estiverem imersas em outro conjunto de práticas sociais determinadas historicamente.

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  • MARIA BETANIA DANTAS DE SOUZA
  • A ORGANIZAÇÃO DA INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNO EM SALA DE AULA: TURNOS E O PAR PERGUNTA RESPOSTA

  • Data: 02/09/2013
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  • Este trabalho se insere em um quadro de pesquisas no âmbito dos estudos interacionais (Análise da Conversação, Perspectiva Textual-Interativa e Etnografia) e tem como foco principal a interação em sala de aula, especificando aspectos de organização linguístico-discursiva partilhada entre professora e alunos, materializada em turnos, ressaltando o par pergunta-resposta na aula de língua portuguesa. Nessa direção, inspiramo-nos em alguns trabalhos acerca da organização da interação, que adotaram a perspectiva dos estudos interacionais e a abordagem etnográfica para explicitar o conhecimento real nos locais de ensino e de aprendizagem. Entre eles, citamos Galvão (1996 e 2004),  cujas discussões focalizam, respectivamente, a organização tópica em sala de aula de Língua Inglesa no ensino universitário e as digressões observadas no discurso de professor e alunos em aulas na pós-graduação. Descrevemos o processo de interação em sala de aula de Língua Portuguesa em escola pública, analisamos e interpretamos as ações do professor e do aluno, do ponto de vista linguístico-discursivo. Teoricamente, embasamo-nos na Análise da Conversação, ancorada nos postulados de Marcuschi, ([1986] 2007), Kerbrat-Orecchioni (2006), além dos estudos pioneiros de Sacks, Schegloff e Jefferson ([1974]2003); analisamos a organização da tomada de turno, seguida de uma investigação mais detalhada sobre perguntas e respostas, no discurso desenvolvido face a face. Na tentativa de compreendermos o cotidiano dos envolvidos no cenário de sala de aula, adotamos a abordagem etnográfica e o método indutivo interpretativista, na perspectiva de André (2010) e Chizzotti (2006), uma vez que utilizamos com um modelo de investigação adequado às nossas pretensões de pesquisa. A coleta dos dados se deu através de pesquisa de campo, por meio das gravações, em áudio, de aulas de Língua Portuguesa, posteriormente transcritas e transformadas em dados de pesquisa. As análises demonstram que a interação professor-aluno se organiza em trocas de turnos, concretizados, geralmente, no par adjacente pergunta- resposta. Dessa forma, os dados nos possibilitaram descrever uma tipologia de perguntas e respostas quanto à sua forma e função,  conforme os postulados teóricos de Stubbs (1983), Fávero, Andrade e Aquino (2006), além de Silva, 2006.

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  • JOSÉ ANTÔNIO VIEIRA
  • A ESCRITA DO TEXTO ACADÊMICO NA GRADUAÇÃO: MODOS DE UTILIZAÇÃO DE CONCEITOS TEÓRICOS DE UMA ÁREA DE CONHECIMENTO

  • Data: 27/09/2013
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    Neste trabalho realizamos uma discussão sobre a produção de textos acadêmicos de alunos do curso de Letras. Especificamente, analisaremos a escrita do texto monográfico, com o intuito de verificar os efeitos de sentido criados a partir das formas de marcação de outros discursos que constituem uma produção escrita. Para tanto, buscamos responder o seguinte questionamento: Como um jovem pesquisador utiliza uma teoria para se inserir em uma dada comunidade científica? Temos como objetivos: 1) analisar os recursos linguísticos, como citações, ilhas textuais e conectivos que marcam a presença da voz do outro na escrita acadêmica; e 2) observar os efeitos de sentido produzidos pelos modos que aquele que escreve marca a voz do outro na escrita. Selecionamos, inicialmente, 23 (vinte e três) monografias produzidas nos últimos cinco anos por alunos de um curso de Letras de uma dada universidade pública, mas, neste trabalho, analisamos 02 (dois) diferentes textos monográficos. Para o desenvolvimento desta investigação, nos valemos do conceito de ciência de Kuhn (2011), que aponta a existência de diferentes significados da produção de ciência no decorrer dos séculos, o que permite definir a escrita acadêmica como produção científica que desenvolve e contribui com a produção de conhecimento. Com o intuito de delimitar uma concepção de escrita que possibilite nossa investigação, nos baseamos em Coracini (2010), que apresenta a ideia de que toda escrita é a inscrição do si, ou seja, a produção escrita parte de uma intervenção do sujeito que escreve, sendo que, apenas uma imposição do “eu” o garante como autor do que escreve. Utilizamos como fundamentação teórica os seguintes conceitos: 1-) de heterogeneidade enunciativa de Authier-Revuz (2004), que nos possibilitou analisar as marcações do outro na escrita monográfica; 2-) reformulação-paráfrase de Pêcheux (1997) e polissemia e paráfrase de Orlandi (2007), conceitos que apresentam as noções de produtividade e criatividade como formas de produção de sentidos, e nos permite observar como se estabelece o processo de produção da linguagem na escrita acadêmica; 3-) conceito de valor de troca e valor de uso de Rossi-Landi (1985) que considera a linguagem como trabalho linguístico, nos possibilitando verificar as diferenças de uso e a funcionalidade social de uma teoria; e 4-) a noção de indícios de autoria apresentada por Possenti (2002), com a qual identificamos atitudes que fazem com que quem escreva se assuma como autor do seu próprio texto. Verificamos que a escrita caracterizada pela repetição e reprodução pode desenvolver um efeito de sentido que constrói a ideia de que a produção da escrita promove um autor, um conceito ou uma teoria. Também percebemos que, mesmo a escrita limitando-se a reproduzir os discursos de outros autores e não articulando uma teoria com uma análise de dados ou com a metodologia do trabalho, quando avaliada, obtém aprovação e legitima-se como produção científica. Isso demonstra a existência de produções acadêmicas que não desenvolvem uma funcionalidade da teoria empregada. O texto funciona como meio de promover sua fundamentação teórica, e esta, que normalmente configura-se como forma de argumentação e sustentação da produção científica, não exerce função no trabalho realizado. Assim, consideramos que as marcações do outro na escrita acadêmica podem funcionar de modo a destacar aquilo que o outro afirma em detrimento do dizer do pesquisador. O que nos permitiu compreender, que um modo de escrita pode evidenciar um efeito de sentido de promoção de um autor, de uma teoria ou de conceitos teóricos.

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  • CARLOS HENRIQUE DA SILVA
  • Ô DE CASA, COM LICENÇA, POSSO ENTRAR? SÃO OS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE E SUAS PRÁTICAS DE LETRAMENTO NO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA

  • Data: 30/09/2013
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  • Os estudos sobre as atividades de linguagem no âmbito do trabalho têm despertado o interesse da academia no sentido de compreender sua importância na vida dos sujeitos e do mundo que o cerca, assim, não é exagero caracterizar a relação entre linguagem e trabalho como “visceral” (DUARTE; FEITOSA, 1998). Nesse sentido, este trabalho objetiva descrever práticas de letramentos efetivadas por Agentes Comunitários de Saúde (ACS) em serviço no Programa Saúde da Família (PSF) no intuito de compreender como se desenvolve a escrita nessa área. Para tanto, utilizaremos algumas categorias basilares dos estudos de letramento propostas por Hamilton (2000), as quais compreendem elementos como participantes, domínio, artefatos e atividades. Como pressupostos complementares, lançaremos mão de aspectos da teoria das representações sociais (MOSCOVICI, 1984; 2003; JODELET,1994;2001), dos estudos que versam sobre linguagem e trabalho (DUARTE; FEITOSA, 1998; NOUROUDINE, 2002), assim como da teoria dos gêneros (BAKHTIN, 2011; BRAKLING, 2012), dentre outras. Trata-se de pesquisa de caráter qualitativo na medida em que resulta da interação entre pesquisador e colaboradores (STAKE, 2011), por meio da utilização de técnicas do perguntar e do registrar com vista a depreender melhor as práticas de letramento em estudo. As descrições realizadas revelam que as práticas de escritas implementadas pelos ACS constituem-se registros que atendem ao cumprimento dos objetivos estabelecidos pelo PSF no tocante à assistência básica de saúde. A relevância da pesquisa situa-se na observância de uso de práticas de letramentos que ultrapassam as já propostas pelo Ministério da Saúde, que é o caso dos relatórios de monitoramento. Outro aspecto importante diz respeito à possibilidade deste trabalho expandir as discussões sobre letramentos, direcionando o foco para as atividades laborais, mais especificamente para a esfera das políticas públicas em saúde, já que o foco nos trabalhos sobre letramento ainda está direcionado ao domínio escolar.

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  • LUCIA CHAVES DE OLIVEIRA LIMA
  •  A transitividade na conversação: uma abordagem funcional centrada no uso

  • Data: 30/09/2013
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  • Esta dissertação toma como objeto de estudo o fenômeno da transitividade na conversação. O objetivo é examinar como os predicados se comportam no discurso do português brasileiro e, em seguida, comparar com as pesquisas realizadas na língua inglesa por Thompson e Hopper (2001) e na língua espanhola por Vázques (2004). No Brasil, não há pesquisas que contemplem esse fenômeno no padrão discursivo conversação, o que justifica e revela a necessidade desta pesquisa direcionada a elucidar questões que envolvem a transitividade em conversas espontâneas do dia-a-dia. Isso posto, este trabalho busca descrever, explicar e compreender a transitividade com base em dados linguísticos concretos, produzidos por falantes nativos da língua portuguesa.  Utilizamos os pressupostos teóricos da Linguística Funcional Centrada no Uso, inspirada em Hopper e Thompson (1980), Thompson e Hopper (2001), Givón (2001), Chafe (1979), Bybee (2010), . O material de análise foi constituído por conversas extraídas do corpus Banco Conversacional de Natal. (FURTADO DA CUNHA, 2011). Esperamos, através deste trabalho, contribuir de algum modo para compreensão do fenômeno linguístico pesquisado, bem como para a constituição de um quadro mais refinado acerca do fenômeno da transitividade no português contemporâneo.

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  • REGINA LÚCIA DE MEDEIROS
  • Entre mortos e vivos: a escrita ensaística de Prelúdio e fuga do real

  • Data: 30/10/2013
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  • O presente trabalho consiste numa análise integrativa do Prelúdio e fuga do real, do norte-rio-grandense Luís da Câmara Cascudo. Editado pela primeira vez em 1974, esse livro é fruto da maturidade do escritor, e sua escrita revela, como procuramos demonstrar, traços recorrentes na produção cascudiana, apresentando diálogos entre um “eu-ficcionalizado” do próprio autor, que atende ao vocativo de “professor”, e escritores e personagens da literatura ocidental, figuras religiosas e míticas, assim como personalidades políticas. Tendo em vista a própria natureza do seu texto, nossa pesquisa tem como objetivo principal analisar as relações dialógicas que caracterizam a tessitura do livro, a fim de compreender em que medida elas contribuem para definir o posicionamento de seu autor frente à tradição ocidental e sua reflexão sobre a experiência do homem na modernidade. Entre essas relações, ressalta, no Prelúdio, o diálogo literário que a escrita cascudiana trava com a escrita ensaística do pensador francês Michel de Montaigne. Embora o corpus desta dissertação seja composto pelo Prelúdio e fuga do real, acrescentamos a ele dados secundários coletados em outros lugares da obra cascudiana, necessários para o cruzamento de informações e para o esclarecimento de alguns pontos obscuros. No tocante à fundamentação teórico-metodológica desta pesquisa, recorremos à análise integrativa (CANDIDO, 1971; 2002), à concepção bakhtiniana da linguagem (BAKHTIN, 1988, 1992, 2002) e às contribuições de Gómez-Martínez (1992) acerca do gênero “ensaio”. 

     

     

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  • ROBSON TEOTÔNIO DA SILVA
  • A prisão sem muros da Queer Theory nos contos Dama da noite e O rapaz mais triste do mundo de Caio F. Abreu

  • Data: 31/10/2013
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    RESUMO
     
    Nesta dissertação, analisa-se, sob uma perspectiva comparatista, a relação entre os contos: ‘A Dama da noite’ e ‘O rapaz mais triste do mundo’, de Caio Fernando Abreu. Com intuito de revelar, analisar, estabelecer diálogos sígnicos com a Queer Theory, busca-se, acima de tudo, fazer uma desleitura pautada na contextualidade discursiva da literatura contemporânea. Objetivando, assim, justificar e esclarecer às inúmeras questões que surgem nas relações emblemáticas de personagens que estão presentes no texto e contexto cultural, histórico e social. Destaca-se, ainda, que os enunciados de valor comparativo identificados nas obras, dadas às singularidades de cada uma delas, não possibilitam classificá-las apenas como ‘figuras de retórica’ das quais a comparação pode ser citada como exemplo. Neste caso, elas servem para nortear os caminhos que possam nos levar a compreender melhor o paralelismo criado entre o mundo de valores e adjetivos binários sugeridos pela sociedade e tão bem retratados nas ideias e textos de Caio Fernando Abreu.
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  • AUCINEIDE MARQUES DE OLIVEIRA
  • VESTÍGIOS DE PERMANÊNCIA E MUDANÇA DOS CLASSIFICADOS DO JORNAL TRIBUNA DO NORTE ( 1951-2010)

  • Data: 14/11/2013
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  • O texto, ao se realizar em diferentes esferas linguísticas, em muitos aspectos absorve os processos mutáveis pelos quais a língua passa em decorrência das mudanças sócio-históricas. Nesse sentido, esta pesquisa propõe um estudo sobre o gênero classificados, motivada pelo desejo de compreender como o texto incorpora os vestígios de mudança e como mantém os seus elementos constitutivos ao longo do tempo, a fim de apontar quais são os seus traços característicos. Nossa análise está centrada nos classificados do Jornal Tribuna do Norte, do estado do Rio Grande do Norte, entre os séculos XX e XXI. A partir do levantamento dos dados foi realizada uma análise descritiva e analítica com um corpus constituído de 200 classificados, divididos entre os anos de 1951 a 2010. Baseando-nos em uma análise diacrônica, também buscamos investigar os aspectos macroestruturais do gênero e os elementos microestruturais composicionais da seção Oportunidades que originou o Caderno dos Classificados. Para isso, esta abordagem centrou-se especialmente na Filologia Românica alemã, principalmente nos trabalhos de Coseriu (1980) e Kabatek (2006). A análise revelou que desde o seu surgimento no Brasil, os classificados apresentam elementos constitutivos fixos, como o uso do “vende-se” e “aluga-se” no título ou na introdução do texto, mas também apresenta vestígios de mudança no fechamento do texto, e, especialmente com relação à divisão dos classificados por área de interesse, que no jornal Tribuna do Norte iniciou na seção Oportunidades.

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  • MARLYTON DA SILVA PEREIRA
  • OS YOUTUBERS E A REPRESENTAÇÃO DO CERTO, ERRADO, ADEQUADO E INADEQUADO NO TRABALHO COM A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA EM SALA DE AULA

  • Data: 02/12/2013
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  • Algumas das atuais discussões no ensino de Língua Portuguesa (LP) dizem respeito a como se deve lidar na escola com o fenômeno da variação linguística em sala de aula. No ano de 2010, por exemplo, houve uma explosão de falares fora dos círculos acadêmicos que envolveu a população no que respeita à viabilidade e as consequências no trato com a variação linguística no espaço escolar. O estopim dessa explosão foi o fato de que se considerava que o MEC (Ministério da Educação e Cultura) adotara um livro didático destinado à EJA (Educação de Jovens e Adultos) que parecia – aos  olhos de muitos, acadêmicos e leigos – anunciar ser “certo” ensinar “errado”, bastando o “erro” ser recorrente e estar sedimento em alguma comunidade linguística. O livro, titulado “Por uma vida melhor”, 2º volume da coleção “Viver, Aprender”, dos autores Heloísa Ramos et. al., reservou um capítulo específico para problematizar a questão da variação linguística e das relações entre a oralidade e escrita. Para t