O egresso do Curso de Arquivologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte será um profissional com formação teórica, técnica, ética e crítica, preparado para atuar de forma inovadora, autônoma e interdisciplinar nos diversos contextos que envolvem a produção, gestão, preservação e disseminação da informação arquivística, contribuindo para a garantia de direitos, a transparência institucional, a memória social e o fortalecimento da cidadania. Em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos da área da Ciência da Informação (CNE/CES, 2001), esse profissional deverá desenvolver competências voltadas à compreensão dos processos informacionais, à gestão de documentos e à atuação responsável nos diferentes contextos organizacionais.
Nesse sentido, o arquivista formado pela UFRN estará apto a reconhecer a dimensão social e estratégica dos arquivos e da informação no âmbito da administração pública e privada, sendo capaz de intervir de forma ética e responsável nos processos de organização e gestão documental. Dominará os fundamentos teóricos e metodológicos da Arquivologia, com capacidade para enfrentar, com criatividade e competência, os desafios de sua prática profissional, seja em arquivos correntes, intermediários ou permanentes, em suportes físicos ou digitais.
Estará habilitado para diagnosticar, planejar e executar políticas, programas e sistemas de gestão documental e arquivística, de forma compatível com as legislações vigentes e com os avanços tecnológicos e informacionais. Deverá conhecer e aplicar instrumentos técnicos da área — como planos de classificação, tabelas de temporalidade, instrumentos de descrição, políticas de preservação e acesso — sendo capaz de desenvolvê-los em distintos contextos institucionais.
No campo das competências, habilidades e atitudes, o egresso será capaz de atuar em ambientes organizacionais diversos, identificando e analisando fluxos informacionais, propondo melhorias e assegurando a autenticidade, integridade, acessibilidade e preservação dos documentos de arquivo. Saberá empregar tecnologias da informação aplicadas à gestão arquivística, incluindo ambientes digitais e ferramentas emergentes, de forma crítica e ética, em conformidade com os princípios arquivísticos e os marcos legais vigentes, como a Lei de Acesso à Informação e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Terá domínio sobre processos de avaliação documental, digitalização, preservação digital, difusão cultural e patrimonial dos arquivos, além de capacidade para desenvolver pesquisas na área, com ênfase nos desafios regionais e na produção de conhecimento científico em Arquivologia.
O curso buscará formar um arquivista que compreenda seu papel social, histórico e político como mediador da informação e da memória, incentivando uma atuação crítica e transformadora, atenta às desigualdades no acesso à informação e aos impactos da exclusão informacional e arquivística. Nesse sentido, a formação proposta articula-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 4 — Educação de Qualidade — ao promover uma formação superior inclusiva, crítica e socialmente referenciada, e o ODS 16 — Paz, Justiça e Instituições Eficazes — ao contribuir para o fortalecimento da transparência, do acesso à informação e da gestão documental nas instituições públicas e privadas.
Por fim, o egresso estará apto a atuar em arquivos públicos e privados, centros de documentação, instituições de memória, órgãos de gestão do patrimônio cultural, redes e sistemas de informação, bem como em atividades de consultoria, assessoria técnica e produção de conhecimento científico. Em sintonia com os princípios da interdisciplinaridade e da responsabilidade social, poderá também exercer funções docentes e contribuir para a formação continuada de novos profissionais da informação, especialmente no contexto do Rio Grande do Norte e da região Nordeste, onde se observa um déficit histórico de profissionais qualificados na área.
Em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos da área da Ciência da Informação (CNE/CES, 2001), o curso de Arquivologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte visa desenvolver um conjunto de competências e habilidades que possibilitem ao discente atuar de forma crítica, ética, técnica e socialmente comprometida nos diversos contextos profissionais da área.
Considerando as demandas contemporâneas do mundo do trabalho, bem como as especificidades locais e regionais, especialmente no contexto do estado do Rio Grande do Norte, o egresso deverá desenvolver as seguintes competências e habilidades:
a) Competências técnico-científicas
Compreender os fundamentos teóricos, metodológicos e epistemológicos da Arquivologia e da Ciência da Informação;
Aplicar os princípios arquivísticos na gestão de documentos, em diferentes fases do ciclo documental;
Planejar, implementar e avaliar sistemas de gestão de documentos arquivísticos, em ambientes físicos e digitais;
Elaborar e aplicar instrumentos técnicos, como planos de classificação, tabelas de temporalidade e instrumentos de descrição arquivística;
Desenvolver políticas e estratégias de preservação, conservação e acesso a documentos arquivísticos;
Atuar na organização, tratamento e recuperação da informação arquivística, incluindo acervos institucionais, pessoais e comunitários
b) Competências tecnológicas
Utilizar tecnologias da informação e comunicação aplicadas à Arquivologia, incluindo sistemas informatizados de gestão arquivística de documentos (SIGAD) e repositórios digitais;
Empregar ferramentas digitais e tecnologias emergentes, como automação de processos, inteligência artificial e aprendizado de máquina, na organização, classificação, análise e recuperação da informação arquivística;
Atuar na gestão e preservação de documentos digitais, garantindo sua autenticidade, integridade e acessibilidade a longo prazo;
Compreender criticamente os impactos da transformação digital e do uso de inteligência artificial nos processos arquivísticos e na sociedade.
c) Competências legais, éticas e normativas
Atuar em conformidade com a legislação arquivística e informacional vigente, incluindo a Lei nº 8.159/1991, a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) e a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018);
Garantir o acesso à informação de forma ética, segura e responsável;
Compreender e aplicar princípios de governança, transparência e accountability na gestão documental;
Respeitar os aspectos éticos relacionados à produção, uso e preservação da informação, inclusive em ambientes digitais e automatizados.
d) Competências de gestão e planejamento
Diagnosticar a realidade arquivística de instituições públicas, privadas e iniciativas comunitárias;
Planejar, elaborar, executar e avaliar projetos arquivísticos;
Gerir unidades de informação, centros de documentação e arquivos;
Atuar junto a arquivos comunitários e iniciativas de memória social, contribuindo para a inclusão informacional e o fortalecimento de identidades locais;
Contribuir para a democratização do acesso à informação e para a redução das desigualdades informacionais;
Atuar de forma sensível às demandas sociais e às especificidades culturais locais.
f) Competências investigativas e formativas
Desenvolver pesquisa científica na área de Arquivologia e Ciência da Informação;
Analisar criticamente práticas, políticas e teorias arquivísticas;
Produzir e comunicar conhecimento científico e técnico;
Atuar na formação continuada e na disseminação de conhecimentos na área, incluindo contextos acadêmicos, institucionais e comunitários.
Atuar na formulação de políticas institucionais de gestão documental e de preservação da memória;
Desenvolver soluções para organização de acervos em contextos de vulnerabilidade institucional e social.
e) Competências sociais, culturais e regionais
Reconhecer o papel dos arquivos na preservação da memória social, cultural e institucional;
Atuar na valorização do patrimônio documental, especialmente no contexto regional do Rio Grande do Norte e do Nordeste;
Desenvolver ações de mediação, difusão e educação patrimonial;
A organização da matriz curricular do Curso de Bacharelado em Arquivologia da UFRN está fundamentada nas Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Arquivologia (Resolução CNE/CES nº 20 de 2002), bem como na Lei nº 6.546/1978 e no Decreto nº 82.590/1978, dispositivos legais que regulamentam o exercício da profissão de Arquivista no Brasil. Além disso, a proposta curricular está alinhada à Resolução CONSEPE/UFRN nº 048/2020, que define a política de melhoria da qualidade dos cursos de graduação e pós-graduação da instituição, com ênfase na formação integral, flexível, crítica e socialmente comprometida do estudante.
A matriz curricular do curso está organizada em eixos formativos que dialogam com o perfil do egresso e as competências e habilidades esperadas para o profissional arquivista. Esses eixos abrangem: (1) Formação Básica, com disciplinas que fornecem fundamentos teóricos e metodológicos da área e de áreas afins; (2) Formação Específica, que compreende conteúdos centrais da Arquivologia, como gestão documental, preservação, classificação, descrição e legislação arquivística; (3) Formação Prática, por meio de estágios supervisionados obrigatórios e atividades práticas integradoras, que possibilitam a articulação entre teoria e prática; e (4) Formação Complementar e Livre, que contempla componentes optativos, atividades acadêmico-científico-culturais (AACC), ações de extensão e disciplinas livres, assegurando maior autonomia ao estudante
O curso também incorpora o uso de tecnologias digitais como recurso pedagógico e como objeto de formação, promovendo a familiarização dos discentes com ambientes virtuais de aprendizagem, sistemas de gestão arquivística e ferramentas tecnológicas aplicadas à área, incluindo tecnologias emergentes como automação e inteligência artificial.
Durante a construção da matriz, buscou-se garantir flexibilidade curricular com a inclusão de carga horária destinada à livre escolha, respeitando os limites estabelecidos pelas normas da UFRN. Além disso, houve a preocupação em evitar a rigidez excessiva de pré-requisitos, favorecendo uma progressão formativa mais fluida e adequada às realidades individuais dos discentes. Os pré-requisitos foram definidos de maneira criteriosa, apenas quando necessários à adequada compreensão e aproveitamento dos conteúdos. Foi também considerada a interdisciplinaridade, com componentes compartilhados com outros cursos do Departamento de Ciência da Informação (como Biblioteconomia), bem como com áreas como História, Administração, Direito e Tecnologia da Informação, contribuindo para a formação ampliada do arquivista.
No que se refere à articulação da teoria com a prática, o curso prevê atividades práticas distribuídas ao longo dos semestres, em laboratórios, arquivos institucionais, visitas técnicas e estágios. Há ainda a preocupação com a formação digital e a preparação para a EaD: alguns componentes foram pensados com metodologias ativas e uso de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), em conformidade com o disposto na Resolução CONSEPE Nº 48/2020. O curso também promove atividades que familiarizam o discente com a modalidade a distância, atendendo à necessidade contemporânea de domínio de tecnologias educacionais e de gestão eletrônica de documentos.
A avaliação do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Arquivologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) é concebida como um processo contínuo, sistemático e participativo, voltado ao monitoramento, à atualização e ao aprimoramento permanente da formação oferecida, em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais e as normativas institucionais.
Nesse contexto, destaca-se a atuação do Núcleo Docente Estruturante (NDE), instância responsável pelo acompanhamento, consolidação e atualização do PPC. O NDE será instituído por meio de portaria do colegiado do curso e será composto por docentes efetivos, com representatividade nas diferentes áreas da Arquivologia. Compete ao NDE acompanhar a implementação do projeto pedagógico, propor revisões curriculares, analisar indicadores de desempenho acadêmico e promover a articulação entre ensino, pesquisa e extensão.
A avaliação do curso será subsidiada por diferentes instrumentos e processos, incluindo as autoavaliações institucionais conduzidas pela Comissão Própria de Avaliação (CPA), as avaliações externas realizadas no âmbito do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), tais como ENADE e Conceito Preliminar de Curso (CPC), bem como outros indicadores acadêmicos e institucionais. Os resultados dessas avaliações serão apropriados pela comunidade acadêmica e utilizados como base para o planejamento e a implementação de ações de melhoria.
Como estratégia estruturante, o curso realizará anualmente a Semana de Avaliação e Planejamento (SAP), espaço coletivo de reflexão que envolve docentes, discentes e técnicos administrativos. Durante a SAP, serão analisados os resultados acadêmicos, as avaliações institucionais, os indicadores de desempenho do curso e as práticas pedagógicas, possibilitando a identificação de fragilidades e potencialidades, bem como a definição de estratégias de aprimoramento.
O curso também prevê a elaboração e implementação do Plano de Ação Trienal dos Cursos de Graduação (PATCG), instrumento de planejamento que orienta as ações acadêmicas e administrativas a médio prazo, alinhando as metas do curso às diretrizes institucionais da UFRN. O PATCG será construído com base nos resultados das avaliações e nas demandas identificadas ao longo do processo formativo.
A condução dos processos avaliativos contará com a cooperação entre o curso, a Comissão Própria de Avaliação (CPA) e a Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), por meio da Diretoria de Desenvolvimento Pedagógico (DDPed), garantindo a integração entre as dimensões pedagógica, institucional e avaliativa.
Além disso, o curso instituirá mecanismos sistemáticos de análise das condições de funcionamento, contemplando aspectos relacionados à infraestrutura, equipamentos, recursos humanos, gestão acadêmica, metodologias de ensino e necessidades de capacitação docente. Essa análise será realizada de forma periódica, com base em dados institucionais, avaliações internas e externas e escuta da comunidade acadêmica, permitindo a proposição de ações concretas para o aprimoramento do curso.
Dessa forma, a avaliação do Projeto Pedagógico do Curso de Arquivologia da UFRN configura-se como um processo dinâmico e integrado, que assegura a qualidade da formação, a atualização contínua do currículo e o compromisso com a excelência acadêmica e social.