O Rio Grande do Norte tem destaque como o estado brasileiro com maior percentual de população feminina agredida por pessoa conhecida (Waiselfisz, 2015). Em outros estudos, o RN também é apontado como um dos protagonistas no crescimento deste fenômeno. Para além do destaque no aumento em geral da violência contra a mulher, o estado também ocupa pódio no assassinato de mulheres negras (Brasil, 2021). Para a Lei Maria da Penha (2006), violência doméstica e familiar contra a mulher é definida como qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause agravos tais como morte, lesão sexual ou psicológica, dano moral ou patrimonial e reconhece diversos tipos, a saber, violência física, violência psicológica, violência sexual, violência patrimonial e violência moral. É importante ressaltarmos que a violência contra a mulher deixa não só marcas físicas, mas fundamentalmente psicológicas, o que a torna um grave problema de saúde para as mulheres. Sobre tal aspecto, Heise (1994) relata que as consequências que envolvem as mulheres vítimas de violência são maiores que as provocadas por todos os tipos de câncer. Para este autor as consequências geradas por este trauma são agravadas pelo fato de o agressor ser um conhecido íntimo, o que aumenta a sensação de vulnerabilidade, perda, traição e falta de esperança. Um aspecto importante ao mencionarmos e pensarmos a mulher vítima de violência é a assistência em saúde a este tipo de problemática. Existem sinais, sintomas que permitem a identificação da vivência de uma situação de violência, que favorece uma melhor assistência a mulheres que experienciem tal situação de vida. Isto nos permite pensar na atuação de profissionais de saúde nesta esfera, pensar a sua atuação como facilitadores da conscientização educativa em circunstâncias como as vividas por mulheres vítimas de violência. Estudos mostram que mulheres em situação de violência procuram mais pelos serviços de saúde do que aquelas que não se encontram nessa circunstância, em decorrência dos efeitos crônicos da agressão. Segundo Saliba, Garbin, Garbin e Dossi (2007) o despreparo do profissional em lidar com as vítimas que recorrem ao seu serviço se deve possivelmente ao desconhecimento acerca de como proceder frente a esses casos. Além disso, existem vários entraves à notificação no Brasil, como escassez de regulamentos que firmem os procedimentos técnicos para isso, ausência de mecanismos legais de proteção aos profissionais encarregados de notificar, falha na identificação da violência no serviço de saúde e a quebra de sigilo profissional. Nesta perspectiva, compreende-se que a educação permanente em saúde se apresenta como uma ferramenta importante para provocar práticas profissionais transformadoras e viabilizar a adoção para a atenção integral à saúde Neste sentido, o presente projeto de extensão pretende capacitar, sensibilizar e ampliar a discussão quanto ao acolhimento a mulheres vítimas de violência, acreditando que tal intervenção propiciará a ampliação da compreensão deste fenômeno, e ratificando a importância de uma escuta, acolhida qualificada no enfrentamento dos crescentes e brutais números de violência contra a mulher, representando também em ação de prevenção a esta realidade. A presente ação propõe-se em acontecer no município de Parnamirim, provocada por demandas encaminhadas pelo Ministério Público, em especial, da 7ª Promotoria de Justiça de Parnamirim, pela promotora Emília Matilde Araújo de Vasconcelos Leite Zumba, intentando articular ações que visem o enfrentamento da violência contra a mulher neste município. As capacitações centram seus temas nas seguintes discussões: - Aproximação da realidade da violência contra a mulher no Brasil e RN; - Compreensão do referido fenômeno, compreensão dos aspectos biopsicossociais desta realidade; - Reflexões sobre o acolhimento a mulher vítima de violência; - Compreensão da rede assistencial ao enfrentamento à mulher vítima de violência; - Compreensão e discussão de possibilidades de intervenção à mulher vítima de violência; Dentre outros aspectos que possam emergir dos encontros com esses profissionais. As capacitações e articulação acontecerão em conjunto com a Promotoria de Parnamirim, sendo realizadas no espaço físico desta instituição. Inicialmente, estudo sobre a temática presente, assim como para aprimoramento do material base das capacitações serão realizadas. O projeto contempla também reuniões com a promotoria de Parnamirim com vistas a, a partir da experiência prática destes agentes, levantar as áreas com maior identificação de atendimentos por ocorrência de violência doméstica. Com este relato, torna-se possível o contato e articulação com unidades e profissionais desta localidade para a realização das capacitações. Importante que, nestes momentos, tentará se pensar a realidade local e as dificuldades dos profissionais frente a esta realidade. Ressalta-se que estas ações terão ainda reuniões de discussão sobre as dificuldades enfrentadas, bem como, a partir do que for sendo vivenciado, ampliar, revisitar e ajustar o material das capacitações. Para além de sensibilizar e transformar o olhar, o cuidado e a acolhida, estas capacitações visam também permitir que estes profissionais sejam multiplicadores das compreensões incididas. Destacamos que esta ação encontra-se em andamento, já tendo , conforme relatório, realizado diversas ações de capacitação e sensibilização no município de Parnamirim, bem como, atendimentos emergenciais a mulheres em situação de vulnerabilidade crítica por situação de violência doméstica. POr este motivo, solicita-se a renovação desta ação para que possamos seguir com o relevante trabalho desenvolvido, ampliando as ações e o público atingido, uma vez que as equipes se renovam a cada gestão e que acreditamos no efeito multiplicador que tal sensibilização produz no cuidado à mulher vítima de violência. Ressaltamos ainda o forte impacto social desta ação por se tratar de uma temática urgente e da importância de uma digna acolhida a mulheres vítimas de violência que procuram serviços de referência para serem cuidadas e ajudadas. Destacamos ainda o papel formativo deste projeto para os alunos envolvidos, os quais tem a oportunidade de aprenderem sobre a relevância de acções de sensibilização, mas avançam seus conhecimentos sobre o cuidado à mulher vítima de violência, compreendendo a importância da articulação da rede para esse enfrentamento.
alunos da graduação em psicologia
profissionais de saúde e relacionados a proteção da mulher vítima de violência
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