Este projeto de extensão nasce da convivência direta com os territórios, das escutas realizadas junto a agricultores familiares, profissionais da saúde, usuários do SUS e comunidades locais, e da compreensão de que desenvolvimento regional não se constrói apenas com indicadores econômicos, mas sobretudo com pessoas, vínculos, cuidado e pertencimento. A proposta integra experiências consolidadas relacionadas ao fortalecimento da agricultura familiar e do acesso ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) com ações comunitárias voltadas à promoção da saúde, à alimentação adequada e à valorização dos saberes tradicionais, reconhecendo que esses elementos estão profundamente interligados no cotidiano das populações atendidas. Em muitas regiões do Rio Grande do Norte, a agricultura familiar segue sendo um pilar fundamental da segurança alimentar e da economia local. No entanto, mesmo diante da existência de políticas públicas estruturantes, como o PNAE, ainda é comum encontrar agricultores e agricultoras que enfrentam dificuldades para acessar esses mercados, seja pela burocracia envolvida, pela falta de orientação técnica continuada ou pela fragilidade organizativa de associações e cooperativas. Essas limitações impactam diretamente a geração de renda no campo e enfraquecem a própria efetividade das políticas públicas, que deixam de cumprir plenamente seu papel social. Ao mesmo tempo, nos territórios urbanos e periurbanos, especialmente aqueles atendidos pela Atenção Primária à Saúde, observa-se um cenário marcado por insegurança alimentar, envelhecimento populacional, adoecimento mental e enfraquecimento dos laços comunitários. Muitos usuários do SUS, em especial idosos, convivem com o isolamento social, o uso excessivo de medicamentos e a perda de práticas alimentares e culturais que historicamente fizeram parte de suas vidas. Nesse contexto, iniciativas simples, como hortas comunitárias, quintais produtivos e o resgate do uso de plantas alimentícias e medicinais, revelam-se estratégias potentes de cuidado, convivência e promoção da saúde. É nesse cruzamento entre produção de alimentos, saúde e vida comunitária que o projeto se estrutura. A proposta busca integrar ações desenvolvidas junto a agricultores familiares, associações e cooperativas rurais com atividades realizadas em Unidades Básicas de Saúde, escolas e espaços comunitários, criando pontes entre campo e cidade, produção e consumo, política pública e cotidiano. Os alimentos, nesse processo, deixam de ser vistos apenas como mercadorias e passam a ser compreendidos como elementos centrais de cuidado, identidade cultural, autonomia e dignidade. No eixo produtivo, o projeto prevê o levantamento e a sistematização de informações sobre agricultores familiares, cadeias produtivas locais e quintais produtivos com potencial de acesso ao PNAE e a outros mercados institucionais. A partir desse diagnóstico, serão desenvolvidas ações de orientação técnica e capacitação voltadas à regularização documental, organização da produção, gestão, agregação de valor e ampliação da capacidade produtiva. A intenção é contribuir para que agricultores e agricultoras se sintam mais seguros e preparados para acessar políticas públicas, fortalecendo sua autonomia econômica e sua permanência no campo. No eixo da saúde e do bem-estar, as ações acontecerão principalmente em Unidades Básicas de Saúde e espaços comunitários, por meio da implantação e do fortalecimento de hortas comunitárias, oficinas educativas, rodas de conversa e atividades práticas relacionadas à alimentação saudável, à saúde mental, ao envelhecimento ativo e às práticas integrativas. As hortas serão pensadas não apenas como espaços de produção, mas como lugares de encontro, aprendizado e cuidado, onde o cultivo da terra se transforma em oportunidade de diálogo, troca de saberes e fortalecimento de vínculos. Um dos principais diferenciais do projeto está justamente na integração desses dois eixos. Ao aproximar agricultores familiares, usuários do SUS, profissionais de saúde, gestores públicos e a comunidade universitária, a iniciativa contribui para reduzir distâncias históricas entre setores e promover uma abordagem mais integrada do desenvolvimento regional. O fortalecimento da agricultura familiar dialoga diretamente com a promoção da saúde, assim como o cuidado em saúde se beneficia do acesso a alimentos frescos, produzidos localmente e de forma sustentável. As ações serão desenvolvidas a partir de uma metodologia participativa, baseada na escuta, no diálogo e na valorização dos saberes locais. Diagnósticos participativos, oficinas, capacitações, atividades práticas de cultivo, reuniões intersetoriais e acompanhamento técnico contínuo compõem o conjunto de estratégias adotadas. Agricultores, idosos, profissionais da saúde e membros da comunidade não são tratados como meros beneficiários, mas como sujeitos ativos do processo, reconhecidos por seus conhecimentos, experiências e trajetórias. A proposta está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, com destaque para o ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável), ao fortalecer a produção e o consumo de alimentos saudáveis; o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), ao integrar práticas de cuidado e promoção da saúde; o ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico), ao fomentar a inclusão produtiva; o ODS 10 (Redução das Desigualdades), ao priorizar populações em situação de vulnerabilidade; e o ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis), ao incentivar circuitos curtos de comercialização e práticas sustentáveis. Do ponto de vista acadêmico, o projeto reafirma a extensão universitária como espaço privilegiado de formação crítica e compromisso social. A participação de discentes de graduação e pós-graduação possibilita vivências concretas em territórios reais, contribuindo para uma formação mais sensível às desigualdades sociais e aos desafios do desenvolvimento regional. Ao mesmo tempo, as ações geram dados, reflexões e sistematizações que podem subsidiar pesquisas futuras e o aprimoramento de políticas públicas. Em síntese, o projeto propõe uma atuação integrada e territorializada, capaz de responder a desafios complexos como insegurança alimentar, adoecimento mental, fragilidade econômica da agricultura familiar e desigualdades sociais. Ao articular produção de alimentos, promoção da saúde e valorização dos saberes tradicionais, a iniciativa reafirma o papel da universidade pública como parceira dos territórios e agente ativo na construção de um desenvolvimento regional mais humano, sustentável e socialmente justo.
Estudantes da graduação e pós-graducação, docentes e servidores técnicos
Agricultores(as) familiares e integrantes de associações/cooperativas rurais e suários do SUS, com ênfase em idosos e comunidades atendidas pela Atenção Primária
2026 - O PAPEL DA UNIVERSIDADE NO DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO RIO GRANDE DO NORTE
Plantio de hortaliças
Caixotes das hortas
Viveiro de mudas
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