O presente projeto de extensão, proposto para o ano de 2026, configura-se como a continuidade e o aprofundamento das ações desenvolvidas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em parceria com o Movimento de Mulheres Olga Benario, especificamente através da associação Rede Acolher e da Ocupação de Mulheres Anatália de Souza. A iniciativa alinha-se diretamente ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 5 da Agenda 2030 visando o enfrentamento à violência de gênero em um cenário nacional e estadual alarmante, bem como atende ao indicador 15 do Plano de Gestão 20232027 da UFRN, de responsabilidade da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), ao configurar-se como uma iniciativa de extensão inovadora com impacto no desenvolvimento regional, articulando inovação social, tecnologias sociais e fortalecimento da rede socioassistencial, por meio de ações socialmente relevantes e passíveis de replicação, conectando o conhecimento acadêmico à realidade social potiguar. O Brasil ocupa a 5ª posição mundial em feminicídios e, conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto DataSenado (2025), observa-se um crescimento contínuo da violência contra a mulher, com mais de 1,1 milhão de vítimas em 2024. No Rio Grande do Norte, auditorias do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) revelaram a ineficácia e a fragmentação das políticas públicas estatais, evidenciando a ausência de fluxos de atendimento padronizados e a precarização do acompanhamento às vítimas. Diante da insuficiência do Estado, a sociedade civil organizada desempenha um papel crucial. O Movimento Olga Benario, através da Ocupação Anatália de Souza (fundada em 2023 em Natal/RN) e da institucionalização da Rede Acolher, estabeleceu um espaço de resistência e acolhimento para mulheres em situação de risco. O histórico deste projeto de extensão (iniciado em 2024) demonstra uma evolução estratégica: no primeiro ano, focou-se no mapeamento da rede e na elaboração do fluxo de acolhimento; em 2025, buscou-se a formação de voluntárias, enfrentando-se, contudo, desafios estruturais ligados à alta rotatividade e à dinâmica do voluntariado, o que dificultou a consolidação plena dos processos de trabalho. Para 2026, o projeto justifica-se pela necessidade de buscar alternativas a esses limites estruturais. Assim, o objetivo central é fortalecer a Rede Acolher como dispositivo comunitário de proteção, implementando propostas de formação continuada em módulos temáticos interdependentes sobre acolhimento humanizado, escuta ativa, avaliação de risco e aspectos jurídicos e psicossociais. Essa estratégia visa adaptar-se à realidade da rotatividade das voluntárias, permitindo a entrada gradual de novos membros (estudantes da UFRN e comunidade externa) e a atualização constante das participantes antigas, garantindo a apropriação coletiva e a aplicação efetiva do fluxo de acolhimento elaborado em 2024. Metodologicamente, o projeto divide-se em dois eixos interdependentes. O Eixo 1 foca na qualificação interna da equipe (voluntárias e discentes) através dos módulos formativos que ocorrerão de maio a novembro, abordando desde a ética do cuidado até a articulação com a rede socioassistencial do estado, por meio da implementação gradual do fluxo de acolhimento elaborado em 2024. O Eixo 2 volta-se para as ações educativas e coletivas junto às mulheres atendidas, promovendo rodas de conversa e oficinas, visando o empoderamento, fortalecimento político e a emancipação dessas mulheres. A fundamentação teórica do projeto ancora-se no feminismo materialista e interseccional. Utiliza-se a perspectiva de Clara Zetkin e Alexandra Kollontai para compreender a opressão da mulher como estrutural ao sistema capitalista, e as contribuições de Lélia Gonzalez e Ângela Davis para uma análise interseccional que articule gênero, raça e classe. Adota-se ainda a visão de Wânia Pasinato sobre a violência como uma dinâmica de poder, rejeitando determinismos biológicos e criticando a fragmentação das políticas públicas atuais. Como resultados esperados, almeja-se a consolidação da Rede Acolher como uma tecnologia social efetiva; o aumento da segurança técnica e ética das voluntárias; a promoção da autonomia das mulheres atendidas; e o fortalecimento do vínculo entre a universidade e a sociedade civil. O projeto reafirma, assim, o compromisso social da UFRN, transformando conhecimento acadêmico em ferramenta de luta contra a violência e defesa da vida das mulheres potiguares.
discentes, técnico-administrativos, docentes
mulheres e voluntárias da Rede Acolher e Ocupação de Mulheres Anatália de Souza e comunidade em geral interessada
Não há fotos cadastradas para esta ação
SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação - (84) 3342 2210 | Copyright © 2006-2026 - UFRN - sigaa10-producao.info.ufrn.br.sigaa10-producao v4.20.12_1