A presente proposta de curso é a continuidade da pesquisa da professora e performer Carolina Teixeira, que será a docente ministrante, e pretende a realização de processos investigativos acerca do trabalho da criação corporal para pessoas com deficiência nas artes cênicas: teatro, dança e performance, em processos cênicos, com contribuições e questionamentos acerca do corpo em situação-impossível.
Entende-se com esta nomenclatura a busca de situações em que o risco, as limitações e deficiências, tornar-se-ão elementos produtores de novas ações criativas de novas e emergentes ordens estéticas para o campo das artes da cena.
O presente curso apresenta a discussão acerca das diversas linguagens cênicas de nosso tempo na busca de uma autonomia artística aberta ao engajamento político, estético social e filosófico envolvidos no processo de criação artística e, com isso, atender às inúmeras necessidades de enfrentamentos das formas de acessibilidade que emergem nas práticas artísticas e pedagógicas, sobretudo, na formação docente que se dão como urgências educacionais nas Licenciaturas.
Considera-se como base para esta ampla e pouco debatida no campo dos Estudos da Deficiência e da performance etnográfica como eixos condutores para o reflexionar acerca das novas ordens estéticas que compreendem hoje as diversas facetas da ação corporal em cena e nas diversas realidades sociais de nosso planeta.
A interconexão entre áreas como teatro, dança, artes visuais, performance, dialoga rumo a formação de artistas pesquisadores em suas contribuições físicas, corporais, políticas, filosóficas que representam os processos envolvidos nas práticas corporais e ideologias cênicas de cada corpo.
Serão realizadas ações de ocupação cênica espaços convencionais e externos, pretende-se desta forma um redimensionar sobre o local da cena e a capacidade de improvisação do participante na busca de uma criação autoral.
A professora Carolina Teixeira é Mestre (2010) e Doutora (2016) em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia (PPGAC-UFBA), Graduada em Educação Artística (Artes Cênicas) Pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2004), artista e pesquisadora dos Estudos da Deficiência no campo das artes cênicas, desde 1996, tendo sido bailarina e diretora da Roda Viva Cia de Dança (Departamento de Artes da UFRN - Natal/RN). Trabalhou como pesquisadora associada na Oberlin College/EUA, sob a supervisão e parceria da Profa. Dr.ª. Ann Cooper Albright. Colabora com artigos e palestras para a discussão do tema Deficiência nas artes no país e no exterior. É autora do livro "Deficiência em Cena", publicado pela Ideia Editora (2011), relançado em 2ª edição revista e atualizada pela OffSet (2021). Atualmente é docente (substituta) da Universidade Federal da Paraíba - UFPB, lotada no Departamento de Artes Cênicas.
CRONOGRAMA
PRIMEIRO DIA – MANHÃ (3 HORAS/AULA)
(segunda-feira, 22 de maio, das 9 às 12 horas)
A) PALESTRA DE ABERTURA - A Estética da Experiência (1 HORA/AULA)
A presente comunicação objetiva a exposição acerca dos Estudos da Deficiência e suas contribuições no campo das artes da cena no Brasil e no exterior, abordando suas principais correntes investigativas e desdobramentos no campo sócio político e cultural das sociedades ocidentais. Entender o fenômeno da deficiência enquanto espaço/território de conhecimento e de formação de aprendizagens é, sobremodo constituir outros espaços de articulação e percepção estética para a pesquisa e prática na cena.
B) PRIMEIRO MOVIMENTO (2 HORAS/AULA)
Conjunto de processos criativos inaugurais da presença possível dos corpos em estados de deficiência, centrados na especificidade de autogenia e nas impossibilidades endógenas da realidade desses corpos, na espacialidade e na subjetividade de participantes.
1. O USO DA TÉCNICA E DA CONSTRUÇÃO DA EXPERIÊNCIA
O aproveitamento da técnica da improvisação cênica para a descoberta das ações coletivas e individuais, na busca de alternativas para o corpo na relação com o espaço e o cotidiano excludente de todos os corpos. Observam-se as seguintes ações:
a) A deficiência e suas percepções. Como perceber os estados corporais em sua precariedade?
b) Propor situações limite onde o corpo transita em sua permeabilidade física;
c) Desproporções, estados de desvio e não desvio físico-social;
PRIMEIRO DIA – NOITE (3 HORAS/AULA)
segunda-feira, 22 de maio das 18 às 21 horas
A) SEGUNDO MOVIMENTO
Continuidade das ações desenvolvias na manhã, com enfoque na compreensão da acessibilidade como proposição-problema:
a) Construção poética do corpo cênico;
b) Elementos da narratividade cênica na experiência do espetáculo “Extrema Direita”, de autoria da ministrante;
c) Discussão partilhada do processo;
SEGUNDA DIA – MANHÃ (3 HORAS/AULA)
terça-feira, 23 de maio – das 9 às 12 horas
A) TERCEIRO MOVIMENTO
1. O ENGAJAMENTO PARA A RUPTURA DAS EFICIÊNCIAS:
Nesta etapa, participantes são convidados a partilharem suas ações cênicas a partir das experiências realizadas na primeira etapa de trabalho. Serão consideradas as incursões de cada participante em sua relação com a deficiência e a experiência social da não deficiência.
a) Processos e compreensões compartilhados;
b) Revisão de entendimentos epistemológicos;
c) Perspectivas de singularidades corporais frente à espacialidade e impedimentos conjunturais dos coletivos e da sociedade;
SEGUNDA DIA – NOITE (3 HORAS/AULA)
terça-feira, 23 de maio – das 18 às 21 horas
B) QUARTO MOVIMENTO (3 HORAS/AULA)
Continuidade das ações desenvolvidas na noite do primeiro dia, com o espetáculo “Extrema Direita”, considerando:
a) o corpo implicado e sua poética de resistência;
b) o uso da técnica como possibilidade cênica;
c) a construção da experiência;
TERCEIRO DIA – MANHÃ (3 HORAS/AULA)
quarta-feira, 24 de maio – das 9 às 12 horas
A) QUINTO MOVIMENTO (3 HORAS/AULA)
A experiência das poéticas protéticas:
a) Trabalho perceptivo com narrativas orais sobre deficiência, depoimentos e vídeo:
b) Abordagem dos rastros sociais em que elegemos distintas possibilidades de movimento e investigação;
c) Experimentação de ações de emergir, condensar, dilatar, ‘espastificar’ as observações, a partir dos comandos narrativos propostos pela ministrante;
TERCEIRO DIA – NOITE (3 HORAS/AULA)
quarta-feira, 24 de maio – das 18 às 21 horas
A) SEXTO MOVIMENTO (3 HORAS/AULA)
Continuidade das ações desenvolvidas nas noites anteriores, com o espetáculo “Extrema Direita”, considerando:
a) a experiência como poética;
b) o corpo e as construções protéticas como conflitos de eminência cênica;
c) a narrativa oral como denúncia e criatividade;
QUARTO DIA – MANHÃ (3 HORAS/AULA)
quinta-feira, 25 de maio – das 9 às 12 horas
A) SÉTIMO MOVIMENTO (3 HORAS/AULA)
A Estética Def. – Nesta experimentação, utilizaremos aproximações sutis com diversos objetos e materiais ligados ao cotidiano de pessoas com deficiência. Pretende-se o confronto poético a partir das transignificações possíveis do lugar da deficiência, considerando:
d) Resistências e Desistências criativas que serão desenvolvidas no decorrer desta prática, bem como a experimentação das formas acessíveis de criação e concepção cênica;
e) Aqui as pessoas participantes serão estimuladas a aprofundar experiências físico-criativas que permitam o acesso universal.
QUARTO DIA – NOITE (3 HORAS/AULA)
quinta-feira, 25 de maio – das 18 às 21 horas
A) OITAVO MOVIMENTO (3 HORAS/AULA)
Ação final:
No encerramento do curso, desenvolveremos duas ações:
a) apresentaremos as imersões coletivas e/ou individuais concebidas pelos participantes em suas respectivas práticas e campos de inserção social/corporal;
b) desenvolveremos uma roda de conversa para ouvir as pessoas participantes no processo de avaliação final do curso.
DISCENTES E DOCENTES DOS CURSOS LIGADOS AO DEPARTAMENTO DE ARTES DA UFRN E DA COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA
PESSOAS COM DEFICIÊNCIA DA COMUNIDADE EXTERNA À UFRN
carolina 1
carolina 2
Carolina Palestra Ins Ling UFRGS Porto Alegre 2
Palestra CPF SESC São Paulo
Divulgação exposição nac ufrn
Apresentação DANDELION california USA
Performance na exposição nac ufrn
Livro A DEFICIÊNCIA EM CENA
Revista WIRED 70 nomes mais influentes da cultura brasileira 2021
Palestra CPF SESC São Paulo com Ana Mae
Carolina na TVU UFRN
Aula no CPF SESC São Paulo
Espetáculo Extrema Direita
Carolina Palestra Ins Ling UFRGS Porto Alegre
Capa Revista WIRED 70 nomes mais influentes da cultura brasileira 2021
Imagem Revista WIRED 70 nomes mais influentes da cultura brasileira 2021
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